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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Dia Mundial da Erradicação da Pobreza

É incompreensível que ainda estejamos acima de um milhão de pobres no nosso país. Fundamentalmente, o maior índice de pobreza situa-se, grosso modo, na população idosa, dependente das magras pensões e nos trabalhadores empregados com salários baixos, que na sua maioria vivem fora dos centros urbanos. Sugundo alguns estudos, Portugal é o país da União Europeia que apresenta um número mais elevado de pobres. Embora tenha sido o nosso país que mais fez nos últimos anos para saír deste patamar vergonhoso. Como poderemos descansar perante um país onde há uma multidão enorme de famílias que subsistem em condições de quase profunda miséria? António Barreto, no trabalho sobre «Portugal 1960/1995: Indicadores Sociais», apresentou claramente algumas razões para tanta pobreza. Diz assim exactamente: «os novos condicionalismos de uma economia cada vez mais aberta provocaram uma verdadeira destruição de economias locais, de subsistências rurais (podemos lembrar, a agricultura, os bordados, os vimes (…), de actividades semi-artesanais, de empresas familiares e de circuitos de troca e comércio rudimentares mas socialmente efectivos. Desta verdadeira mutação, operada rapidamente, resultam sobretudo duas consequências. A primeira, o alargamento muito significativo da massa de dependentes da Segurança Social, até porque também as redes familiares deixaram depressa de exercer as suas funções de apoio. A segunda, o crescimento considerável da população dos subúrbios de Lisboa, Porto e Setúbal, em condições muito precárias de vida, emprego e habitação» (p. 69). Sobre este assunto, os alertas são imensos, os debates, os estudos e as palestras, mas parece que aflata o essencial, medidas concretas de combate a este flagelo que consome ainda tantos portugueses. Bruto da Costa, Propõe que é preciso «mexer no sistema de segurança social, na política salarial e no mercado de trabalho a nível nacional». Queremos aqui afirmar um forte não aos sistemas que criam uma multidão de irresponsáveis dependentes, mas sim a sistemas que promovam a dignidade e a responsabilidade das pessoas pelo seu destino. Isto é, é preciso criar meios e métodos que façam das pessoas sujeitos activos da sua subsistência.
Na nossa querida Madeira, são ainda muitas as famílias que não saíram da condição de pobreza. As medidas políticas a este nível nunca foram muito visíveis, embora não se descure a aposta na educação e na habitação social que o poder político levou a cabo. Mas, os resultados ficaram muito aquém do que se pretendia, porque a aposta não era na promoção das pessoas, mas parecia mais uma política de arrumação de pessoas. A pobreza em vez de perder terreno, foi aumentando e ganhou novos contornos.
A política do betão e das inaugurações, semeou muita festa e riqueza que enche o olho, mas pouco serve à maioria da população. Não se nega a importância que têm as muitas estradas, os centros de saúde, os conjuntos habitacionais, as escolas e etc. Mas, muitas obras foram inúteis e os milhões investidos na inutilidade podiam ter sido canalizados para a promoção social e educação da população em geral. Assim, temos um pequeno grupo de famílias que vivem na maior das faustosidades (porque foram apadrinhados e previlegiados por este sistema injusto) e o grosso da população a braços com a luta diária para pagar a prestação bancária e a contar os cêntimos que restam para comprar pão.
Este dia da Erradicação da Pobreza deve fazer-nos reflectir a todos. E enquanto existir um pobre que seja, estaremos sempre a ser confrontados com o maior dos escândalos.

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