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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O maior drama da humanidade

Pelo estado a que chegou o mundo, o maior drama da humanidade, é a sua incapacidade para se organizar equitativamente. Por um lado, este é um drama fruto da má governação do mundo, das péssimas opções da humanidade quanto ao desenvolvimento e da exploração desenfreada da natureza. Por outro, não creio que a diferença da humanidade seja um impecilho à justiça, pelo contrário, a sua diferença é uma mais valia, uma riqueza essencial. Porém, a humanidade não é capaz de conjugar essa diferença e mais facilmente se deixa contaminar pela divisão do que pelo entendimento.
O caminho da fé, na realidade sempre nova que celebramos no Natal, devia ser um caminho interessante para a humanidade resolver todos os seus problemas. Mas, que temos no que diz respeito ao caminho da fé a humanidade caiu numa confusão geral. São múltiplas as formas de ver Deus e todos os seus contornos. Os valores da fé quando levados à prática muitas vezes tornam-se contra valores. Quer isto dizer que a fé, no verdadeiro sentido da palavra, quando não é crença num Deus da vida, da paz e do amor, é uma forma de domínio para fazer guerra. A fé quando tomada com interesses mercantilistas e quando se mistura com o apetite do poder torna-se uma arma de fogo muito poderosa e destrutiva. E não são só os fundamentalistas do mundo islâmico, também a nossa Igreja Católica, de outro modo e com outras formas de combate, está impestada de fundamentalismos e terrorismos muito preocupantes.
O caminho da fé é um só, a sua expressão é que ganha muita diferença e muitos contornos essenciais para ser manifestação da riqueza de Deus. Mas, se se converte numa arma de combate ou numa manifestação do poder conduz a humanidade para a desgraça. Podíamos lembrar aqui muitos momentos e figuras da Igreja Católica, quando quiseram impôr uma fé que nada tinha que ver com o Deus do Evangelho, mas antes com o deus pessoal, o deus do poder deste mundo.
O desconserto do mundo actual, que ganha expressão maior na insegurança ou medo global, é consequência das muitas fezadas que alguma humanidade fabricou a partir de si mesma. Daí estarmos perante um mundo sem desgovernado, sem equilíbrios de ordem humana e ecológica, dizimado pelas doenças, a fome, a guerra, as divisões a todos os níveis que provocam uma mortandade generalizada, uma grande insegurança quanto ao futuro e muitos milhões de pobres sem lugar nem vez neste nosso mundo saturado de injustiça.
Seguindo este raciocínio, não são as muitas formas de «ateísmo» ou «recusa de Deus» que são as mais preocupantes, mas antes a mutiplicidade de fezadas e pensamentos aburdos àcerca de Deus que nos devem preocupar. As guerras mais destrutivas e os maiores conflitos não aparecem de gente que diga não crer em Deus, mas de gente e de momentos históricos ditos de muito próperos no que diz respeito à fé.

1 comentário:

Ângelo Paulos disse...

Estou inteiramente de acordo com o seu blog.Só é pena o meu Ilustre Amigo ser tão postergado por esta igreja que no dizer Ivan Illich é mãe e, por outro lado, uma f.p..
Continue Pe. José Luís estou consigo.