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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Vaticano recorda os 20 anos dos Simpsons

“Ternos e irreverentes, escandalosos e irónicos, desorganizados e profundos, filosóficos e com traços até teológicos, síntese louca da cultura pop e da apática e niilista «middle class» americana”: eis os Simpsons segundo o L’Osservatore Romano, que evocou o vigésimo aniversário da série de desenhos animados concebida pelo norte-americano Matt Groening.
O jornal do Vaticano recorda que a família da cidade de Springfield ganhou 23 Emmys. Em 1999, a revista «Time» definiu-a como a “melhor série televisiva do século” e, nessa mesma edição, Bart fez parte da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, no 46.º posto. No ano seguinte, conquistavam uma estrela na «Hollywood Walk of Fame».
Com perto de 400 episódios, os Simpsons bateram os recordes de longevidade na transmissão televisiva de desenhos animados.
A série é também a mais discutida e estudada. Em 2001, três reputados filósofos dos Estados Unidos publicaram a obra «The Simpsons and Philosophy» (Open Court, 256 páginas). Recorrendo a instrumentos analíticos baseados em Kant, Marx e Barthes, associaram Bart ao ideal nietzschiano do homem niilista, e Marge à concepção aristotélica da virtude.
Os críticos elogiam o realismo e a inteligência dos episódios, mas também atacam – “justamente”, refere o L’Osservatore – a linguagem demasiado crua e a violência de alguns episódios, assim como as opções por vezes extremas dos argumentistas. Por isso não faltam as censuras em países como a Rússia, China, Japão, Venezuela, Argentina e Grã-Bretanha.
Entre os muitos temas que entram em jogo na vida da comunidade de Springfield, o de Deus e o da relação entre o homem e Deus é um dos mais importantes (e mais sérios). Das intermináveis pregações do pastor evangélico Lovejoy – às quais correspondem regularmente as sestas de Homer nos bancos da primeira fila – ao radicalismo ingénuo de Flanders e dos seus maníacos filhos biblistas, passando pelos monólogos dos protagonistas que se dirigem directamente ao Altíssimo. Também não faltam as referências pungentes à confusão religiosa e espiritual do nosso tempo.
Espelho da indiferença e da necessidade que o homem moderno experimenta nos confrontos do sagrado, Homer encontra em Deus o seu último refúgio, mesmo que por vezes se engane clamorosamente no seu nome: “Normalmente não sou um homem religioso, mas se tu estás no alto, salva-me... Super-homem!”.
“Erros de percurso”, escreve o L’Osservatore Romano, porque na verdade os dois conhecem-se bem. Quando a sua casa começa a arder e Springfield é ameaçada pelos demónios, Homer decide pedir uma audiência a Deus. Uma escada móvel entre as nuvens leva-o ao gabinete divino; sobre a secretária divina, uma placa não deixa dúvidas: «I believe in Me».
Luca M. PossatiIn L'Osservatore Romano
Trad./adapt: rm © SNPC (rm) 29.12.09

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Que ideia fazes de Deus?

Alguns pensam que ter fé é acreditar em coisas que não se entendem. Então, a fé seria uma espécie de castração mental, um decapitar-se, intelectualmente. A Fé é confiar numa Pessoa. Mas tentar «dizer» Deus ou «provar» a nossa fé seria um esforço inútil; pois, o Deus que «se diz» não é, certamente, DEUS. Só Ele Se pode dizer. Podemos ter sentimentos religiosos ou desfilar dentro de nós todos os deuses do Panteão, adornar de «estatuetas» todo o nosso interior. Apenas serão altares erguidos às projecções de nós mesmos. A nossa fé é um Dom de Deus que nos permite acolhê-LO, em JesusCristo. Um Deus vivo, pessoal, que nos ama, nos apela e interpela. Que ideia fazes de Deus? - Perguntaram ao nosso poeta António Correia de Oliveira. E ele respondeu, em verso, a impossibilidade de dizer o que a sua alma continha.
E perguntais-me que ideia faço
De Deus na Criação? Sei lá que ideia!
(Invocai-O… que sombra se incendeia
em vosso olhar de dúvida e de cansaço!)
Talvez ao Seu poder, no infinito espaço,
O mundo seja um pó que revolteia;
Talvez esteja neste grão de areia
Que em meu caminho piso e despedaço
Que ideia de Deus? Sei lá… nenhuma!
Perguntai vós ao hálito da espuma
O que entende do mar: se O sente e O vê…
Amo-O, pressinto-O, e mais não sei. Quem ama
Responde, não pergunta. É como a chama:
Sobe, alumia, sem saber porquê!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Morreu um dos maiores teólogos do séc. XX

Edward Schillebeeckx, um dos maiores teólogos católicos do século XX, faleceu ontem, em Nimega, Holanda, com a idade de 95 anos.Tendo sido um nome de referência durante e após o Concílio Vaticano II, Schillebeeckx publicou mais de 400 trabalhos, entre livros e artigos, traduzidos em mais de uma dúzia de idiomas.Este teólogo dominicano, durante anos assessor do Episcopado holandês, preocupou-se com a fundamentação teológica da incarnação na mensagem cristã nas condições do mundo de hoje. Logo nos anos pós-conciliares teve de depor diante da Congregação da Doutrina da Fé por causa das posições que defendia. No entanto, nunca chegou a ser silenciado ou impedido de leccionar.Há exactamente dois anos, o jornalista Robert J. McClory, da revista norte-americana National Catholic Reporter, entrevistou o teólogo na sua casa de Nimega. Entre os temas tratados, veio ao de cima a questão de quem pode presidir à Eucaristia. Eis a transcrição do texto publicado por aquela publicação católica:
Foi Schillebeeckx quem alegou, no seu livro de 1980, "Ministério: Liderança da Comunidade de Jesus Cristo", que a Igreja se tinha equivocado, ao ligar o direito dos fiéis à Eucaristia a um certo poder "mágico" da hierarquia para ordenar, desligando-o, desse modo, da comunidade dos cristãos. Ele observou que o Concílio de Calcedónia, no século V, havia declarado qualquer ordenação de sacerdote ou diácono ilegal, nula e sem efeito, a não ser que a pessoa em causa tenha sido escolhido por uma dada comunidade para ser seu líder.
Porque a Igreja tem ignorado, basicamente, esta clara directiva dos primórdios da igreja ao longo do segundo milénio, Schillebeeckx apontou "novas possibilidades" para restabelecer a ligação da Eucaristia às raízes da sua comunidade, mesmo que tais acções contradigam a lei da Igreja actual.
Em "Igreja e Ministério," o documento recém-lançado, os dominicanos apresentam como "novas possibilidades" esta: "Homens e mulheres podem ser escolhidos para presidir à Eucaristia pela comunidade da igreja, isto é,"a partir de baixo ", e esta pode, então, pedir a um bispo local para ordenar essas pessoas "a partir de cima".
Se, no entanto, "um bispo tiver de recusar uma confirmação ou coordenação" dessas pessoas "com base em argumentos que não envolvam a essência da Eucaristia, como a exigência de os diáconos ou sacerdotes serem celibatários, as paróquias poderão avançar sem a participação dos bispos, confiantes "de que eles são capazes de celebrar uma Eucaristia real e genuína quando estão juntos na oração e partilham o pão e o vinho."
Nota biográfica sobre E. Schillebeeckx: aqui.
Para conhecer melhor o teólogo: aqui.
(Gravura: capa da biografia do teólogo A Theologian in his History, escrita por Erik Borgman e publicada em 2004 pela Continuum, em inglês)
In Religionline

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Para rezar junto à Manjedoura

Bem-aventurados os que no coração se reconhecem pobres
pois é deles tudo o que há-de vir
Bem-aventurados os que existem mansamente
pois a terra os escolherá para herdeiros
Bem-aventurados os que rompem o muro das implacáveis certezas
pois são outros os caminhos da consolação
Bem aventurados os que sentem, pela justiça, fome e sede verdadeiras:
não ficarão por saciar
Bem-aventurados os que estendem largos os gestos de misericórdia
pois a misericórdia os iluminará
Bem-aventurados os que se afadigam pela paz:
isso torna os mortais filhos de Deus
Bem-aventurados os que não turvam seu olhar puro
pois no confuso do mundo verão passar o próprio Deus
Texto: José Tolentino Mendonça
Desenho: Rui Aleixo

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Homilia Noite de Natal 2009

Nota do autor do blog: Sempre achei que a celebração da Noite de Natal, o Nascimento do Menino Deus, não é ocasião para grandes pregações. Então, todos os anos reservo o curto tempo da homilia para falar quem melhor sabe e fala da magia desta noite, os poetas. Este ano vou declamar um poema de José Régio, Toada de Natal, e outro do Pe Tolentino Mendonça. Bom Natal para todos os que fazem deste tempo, o momento da renovação interior. Vamos todos permitir que o Menino Deus, se aconchegue no nosso corção.
Poema - Toada do Natal, de José RégioNatal.
Eis que anunciando o Cristo que nasceu, De branco, um Serafim voou do céu,
À fímbria do vestido a poeira dos sóis presa...
Vinte anos faz que o viste a par do Sete-Estrelo.
Cresceste... e nunca mais tornaste a vê-1o!
Pois basta-te querê-lo:
Ergue as mãos juntas,
Reza...

Natal. Eis que inviolada, uma Mulher foi Mãe,
E se venera agora (e para sempre, amém)
A que deu fruto e é pura — ideal pureza...
Não sabes já vencer-te e crer sem compreender?
Esquece o que os manuais dão a aprender:
Mergulha no teu ser,
Como num templo:
Reza...
Natal. Eis que ao luar, os mortos que dormiam
Dos frios leitos lôbregos se erguiam,
E vinham consoar à sua antiga mesa...
Não tens que lhes dizer desde que te hão deixado?
Não sentes os teus mortos a teu lado?
Pois fala-lhes calado,
Para que te ouçam:
Reza...
Natal. Eis que uma paz, que ao certo é doutra vida,
Abranda toda a terra empedernida,
E é cada mesa em festa uma igrejinha acesa...
Abre hoje o coração — portal que se franqueia.
São todos teus irmãos: até os da cadeia,
As que andam na má sina e os que não têm ceia...
Por todos e por ti, Ave, Maria:
Reza...
(In Natal... Natais – Oito Séculos de Poesia sobre o Natal,antologia de Vasco Graça Moura, ed. Público)
Natal não é ornamento: é fermento
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade
O Natal não é ornamento: é fermento
Dentro de nós recria, amplia, expande
O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções
O Natal não é ornamento: é movimento
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!
Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará
Pe José Tolentino Mendonça

Procure-se os responsáveis

Pergunta trazido pelo vento esta manhã: quem são os responsáveis dos estragos provocados pelo mau tempo na Madeira, especialmente, em São Vicente?
Só há uma resposta, os Madeirenses que, consecutivamente, durante estes anos todos foram votando num mesmo partido político e em políticos irresponsáveis que não se importam com o futuro de todos, mas só e apenas, em saciar a fome do lucro e da ganância deles próprios e do séquito que os rodeia... Lamentável o presidente da Câmara de São Vicente dizer perante as câmaras de televisão que a culpa dos estragos não eram das obras que se fizeram no leito da ribeira e muito menos culpa tinha um estaleiro ou britadeira que funciona no centro da ribeira. Estes sim, cegos a conduzir outros cegos. E assim se dança o bailinho na terra do «povo superior»...
Salvaguarda: Este foi mais um aviso. Outras desgraças deste género irão acontecer, porque todas as principais ribeiras da nossa terra estão afuniladas e desrespeitados os seus leitos até à exaustão, quem puder que se cuide ao máximo, porque com a natureza não se brinca e todos nós já devíamos saber isso muito bem. Seria também muito bom dar mais atenção às palavras sábias do nosso melhor especialista nestas coisas do ambiente, Dr. Raimundo Quintal. Um grande profeta do nosso tempo que as autoridades deviam dar muita atenção. Bem haja Dr. Raimundo Quintal pelas suas palavras sábias, pela desenvoltura e pela coragem.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 23 - Jesus Cristo hoje. Como?

Nota do autor do blog: para a última Missa do Parto, vamos reflectir sobre a Pessoa de Jesus Cristo, figura central do Presépio e do Natal que deve acontecer no coração de cada pessoa, que deseja todos os anos e cada momento da sua existência neste mundo ser sinal de vida nova ou de renovação constante. Bom Natal para todos.
Jesus Cristo continua a ser uma proposta para a vida toda e a vida de todos os homens. A descoberta de Jesus Cristo salvador de toda a humanidade é algo de elementar na acção da Igreja de hoje. A Igreja, Nele e por Ele descobre-se a si mesma como caminho possível de redenção e de sentido para os passos do homem. No entanto, salvaguarde-se que a pessoa de Cristo é sempre muito mais do que aquilo que somos capazes de viver e de propor.
Jesus Cristo, é a chave que abre os corações, sem jamais os trancar, para a luz da paz, da fraternidade e do amor.
Conta-se assim a brincar mas com um fundo de verdade algo impressionante. No primeiro aniversário de casamento, a esposa ou o marido podem dizer: “faz hoje um ano que te dei as chaves do meu coração!” O outro, com a voz dorida pela frieza da constatação pronuncia: “é verdade! Mas 15 dias depois mudaste-lhe a fechadura!!!” Jesus será essa chave nova que abre as fechaduras sem nunca as fechar por qualquer razão.
A paixão ou entusiasmo pelo projecto de Cristo, nunca se verga aos laços macabros do egoísmo e da soberba humana. Qualquer atitude desenfreada que violente essa relação pessoal com Cristo, estabelece desde logo uma ruptura com o dinamismo novo que a proposta Jesus Cristo inaugura, como perspectiva de salvação. É, por isso, que a mudança de fechadura será sempre um duro golpe na paixão pelo outro e pela vida.
Pensava-se que era impossível viver na apatia e na banalização dos ideais e sem fim transcendente que justificasse um seguro investimento na realização pessoal. Porém, a nossa sociedade prova que, afinal, o que conta apenas, é continuar a zelar pela saúde própria, preservar a situação dos bens pessoais e esperar que cheguem os fins de semana, o final do mês e as férias. Conta apenas o viver o presente intensamente como se fosse o último momento da vida.
As palavras de Jesus aos discípulos de João Baptista, são resposta para as nossas questões acerca Dele, que também perguntavam se podiam dar crédito ao que estavam vendo com os seus próprios olhos. Em jeito de resposta, Jesus diz-lhes que a única prova que podia dar é, que tudo aquilo era coisa de Deus, isto é, “os surdos ouvem, os coxos andam e os pobres anunciam a Boa Notícia”.
Tudo o que é próprio do macabro e do absurdo da vida, morre como resultado do despojamento dessa entrega que Cristo redentor desafia ou convida a assumir. Vivemos séculos de doutrina doce e continuamos a mascar a pastilha elástica insonsa de uma mensagem no sentido de um moralismo mole que não podem eliminar a força da mensagem daquele que veio “lançar fogo à terra” (Lc 12, 49). “Julgam que vim trazer a paz ao mundo?! De modo nenhum: o que eu vim trazer foi a divisão” (Lc 12, 51).
Este que nos falou e que continua a falar a cada um de nós hoje, oferece a ressurreição, a plenitude da vida (resposta à tão procurada eternidade pelo homem) como dom ou graça. Esta gratuidade é a tomada de consciência do meu “eu”, condição do despertar para a realidade do Reino de Cristo - o lugar da experiência do encontro, a condição essencial do ser cristão hoje e sempre (cf. Jo 1, 1-4).
A ressurreição tem esse preço: despertar para a realidade do Reino. Um reino onde se entra não pela guerra, pela invasão ou pela conquista, mas pela dose de entrega ao serviço do outro, o que implica um eficaz desprendimento dos bens, que no fundo manifesta uma radical preocupação mais em dar do em receber. Onde está esse Reino?
O Reino está onde o homem realiza a disponibilidade para o amor, porque Deus é amor. Se teimas em dizer “que não chegou” é porque continua de pé o desafio: é preciso realizar em nós todos essa relação de amor com o mundo. É pois, nesta tensão entre o “já realizado” do despertar pessoal para o desejo do reino, e o “ainda não” do despertar de todos para esse mesmo fim, que formam o drama inquietante da errância. Não parar nunca é a única razão constitutiva dessa tensão que nos torna, por conseguinte, responsáveis pelo despertar de todos.
Chegamos à única regra de Jesus, a do amor. Cristo, esse Deus sem raios e sem coroa (a não ser a de espinhos), não é um rei legislador. Não impôs mandamentos ou leis, evocou as “Bem-aventuranças”. A única lei possível, é a lei do amor, vivida sempre em todas as circunstâncias da existência humana.As estradas do mundo ficam em melhores condições para serem encetadas pelos homens, quando iluminadas pelo ícone Jesus Cristo. Assim sendo, no rosto de Jesus percebemos como a misericórdia de Deus se radicaliza cada vez mais. Daí, comungamos a vontade de dar mais nas vias do diálogo que une para lá das diferenças de língua e de raça, na partilha dos ideais e dos dons, dos problemas e das esperanças… Com tudo isto, se fará uma experiência viva da realidade prometida por Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18, 20).

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 22 - O Rei Herodes

O rei Herodes é uma daquelas figuras da História que só se conhece pelas afirmações dos seus adversários. A sua imagem é tão sinistra, que nela se ajusta o infanticídio de Belém (Mat. 2,16).
Herodes não respeita ninguém, nem mesmo a família, nem os seus amigos mais íntimos, como os Sacerdotes, nem o povo. Na estatística dos seus assassínios figuram dois maridos da sua irmã Salomé, a sua mulher Mariane e os seus filhos Alexandre e Aristóbulo. Mandou afogar o seu cunhado no Jordão e eliminou Alexandra, sua sogra. Dois sábios que tinham arrancado as águias romanas de ouro da porta do templo foram queimados vivos; várias famílias nobres foram completamente exterminadas; muitos fariseus afastados do seu caminho. Cinco dias antes da sua morte ainda mandou matar o seu filho Antifaiter. E isto é apenas uma parte daquele que «como soberano era uma fera».
A perseguição do Menino Jesus por Herodes adapta-se muito bem à fuga de José e Maria para o Egipto, cuja razão é indicada pelo evangelista: «Assim se cumpria a palavra do Senhor pela boca do seu profeta: ‘chamei o meu filho ao Egipto’».
Em contrapartida existe tão pouca documentação histórica ou arqueológica para a “fuga para o Egipto” como para a estadia de Jesus em Nazaré. Era desastrosa a situação quando José, Maria e o Menino regressaram do Egipto. Depois da morte de Herodes sucedeu-lhe o filho Arquelar “e por isso temeu ir para lá”. No entanto instalaram-se em Nazaré onde José trabalhava como carpinteiro.
De facto Jesus nasceu num período político e socialmente instável: um tirano louco que não poupava ninguém, desordem no país, controlo de contribuições e impostos, recenseamentos, perseguição de milhares de Judeus e revolta de Jerusalém.
E os Herodes de hoje?... Pensemos, pois…. Nos Herodes das nações que matam, exploram os seus povos a todos os níveis; os Herodes das famílias que fazem vítimas todos os dias sob a violência doméstica; os herodes das igrejas que se fazem santorolas mas apontam o dedo, caluniam e sujam o nome a toda a gente condenando e ostracizando tudo quanto podem; todos os lugares da sociedade em geral onde há vítimas da prepotência e do quero posso e mando, como se alguma vez Deus criasse donos do mundo... É infindável a lista de Herodianos que os lugares da vida apresentam.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 21 - Os Reis Magos

Homilia Sétima Missa do Parto dia 21 de Dezembro 2009
Os três reis magos (Melquior, Baltazar e Gaspar) são personagens bíblicos. Segundo o apóstolo Mateus, eles vieram do Oriente, conduzidos por uma estrela. Chegaram à cidade de Belém, local de nascimento do Menino Jesus, trazendo presentes (mirra, ouro e incenso). Estes presentes possuíam um sentido simbólico. O ouro representava a realeza, a mirra (resina anticéptica) simbolizava a pureza, enquanto o incenso simbolizava a fé.
Eram magos, isto é, astrólogos e não feiticeiros. Naquele tempo a palavra mago tinha esse sentido, confundindo-se também com os termos sábio e filósofo. Eles perscrutavam o firmamento e sentiram-se chocados com a presença de um novo astro e, cada um deles, deixando as suas terras depois de consultar os seus pergaminhos e papiros cheios de palavras mágicas e fórmulas secretas, teve a revelação de que havia nascido o novo Rei de Judá e, que ele, como soberano, deveria, também, prestar a sua homenagem ao menino que seria o monarca de todos os povos, embora o seu Reino não fosse deste mundo. Os magos são também no presépio o sinal visível da universalidade da salvação.
No contexto bíblico, a palavra “mago” não significa bruxo ou feiticeiro, mas sim assume o sentido de sacerdote ou sábio. Eles possuíam poderes e dons divinos. A Liturgia da Igreja Católica, celebra o dia de Reis a 6 de Janeiro, mas tendo em conta que actualmente entre nós este dia não é considerado feriado ou dia santo de guarda, a Igreja celebra o dia de reis no primeiro Domingo de Janeiro. À volta deste dia há muitas tradições.
Na tradição cristã os três Reis Magos simbolizavam os poderosos que deveriam curvar-se diante dos humildes na repetição real do canto da Virgem Maria à sua prima Isabel, o "Magnificat", pois a sua alma rejubilava no Senhor, que exaltaria os pequenos de Israel e humilharia os poderosos.
A Igreja celebra os Reis Magos dentro desse simbolismo. Representam os tronos, os potentados, os senhores da Terra que se curvaram diante de Cristo, reconhecendo-lhe a divina realeza. É a busca dos poderosos que vêem em Belchior, Gaspar e Baltazar o exemplo de submissão aos desígnios de Deus e que devem, como os magos, despojar-se dos seus bens e depositá-los aos pés dos demais seres humanos, partilhando a sua fortuna como dignos despenseiros de Deus. Os presentes de Natal também têm esse sentido. São as ofertas dos adultos às crianças que com a sua pureza representam Jesus.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 20 - O Encontro

Homilia sexta Missa do Parto dia 20 de Dezembro 2009 Maria de Nazaré - o encontro
Salvaguarda: o tema «Maria de Nazaré», tem pano para mangas. Por isso, apresento-vos apenas um breve comentário sobre o encontro entre as duas primas, Isabel e Maria, dado que é o tema do 4º Domingo do Advento. Sobre Maria de Nazaré há abundante literatura. Sugiro um livrinho muito interessante sobre «Maria, a maior educadora da história», de Augusto Cury. Um texto singelo, mas muito bonito e muito instrutivo sobre Maria de Nazaré. Todos os pais deviam ser «obrigados» a ler este livrinho.
Este encontro das duas primas, Maria de Nazaré e Isabel, é dos encontros mais comoventes da Bíblia. Imagino Maria, a jovem de Nazaré, revestida de sol como são os olhos de Deus. Vestida para significar isso mesmo, o amor e a ternura de Deus que veste os lírios do campo mais gloriosos que o rei Salomão (Cf. Mt 6, 29-30), que adorna de vestes finíssimas e ornamentos preciosos a sua esposa Israel (Ez 16, 10-13), que reveste Sião da sua magnificência (Is 52, 1). A esta mulher-sinal, Deus a veste de sol, de toda a luz da sua própria glória e poder.
Por isso, toda a devoção não poderia ser melhor cantada naquela estrofe inesquecível do poema «A Nossa Senhora» de Ruy Cinatti: «Vómitos de cera / honram-na em lágrimas / humedecidas faces / ou repentes de alegria. / Ei-la, portanto, senhora / nos espaços sederais / e na terra mãe / desamparada. / Seu olhar magoado / fere um intranquilo / raio de luz. / E entro no templo / onde milhares de mãos compadecidas / acendem círios. / Digo: Maria! / Ouço: Meu filho!» (in Corpo-Alma, p. 79-80). Creio que foram estas palavras que balbuciou a prima, Isabel, que recebia de braços estendidos «a Bendita entre todas as mulheres...», porque já sabia de longe do «fruto bendito do teu ventre». Assim, todos nós estamos diante daquela que transporta a salvação. Perante este encontro de mulheres, somos nós convidados a admirar o Mistério de Deus que cada um transporta. Daí, ser contra o Plano de Deus, todo o desrespeito pela dignidade de cada pessoa, a violência doméstica, o ódio, os palavrões que se aplicam aos outros, os roubos e toda insensibilidade perante a vida e o bem para todos. Somos desafiados a contemplar o mistério que o sémen do Espírito Santo derrama sobre os nossos corações. Se o Natal for exterior ao coração de cada pessoa, é puro folclore como alguns teimam em fazer crer que deva ser assim mesmo. Nós precisamos de verdadeiros encontros, porque estamos fartos dos desencontros que este mundo nos dá.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 19 - Os Anjos

Homilia quinta Missa do Parto dia 19 de Dezembro 2009
Anjo (do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro), segundo a tradição judaico-Cristã, a mais divulgada no ocidente, é uma criatur celestial, acreditada como sendo superior aos homens, que serve como ajudante ou mensageiro de Deus. Na iconografoia comum, os anjos geralmente têm asas de pássros e uma auréola. São donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, por serem constituídos de energia, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude. Os Anjos são seres espirituais, que têm inteligência, emoções e vontade. Isto é verdadeiro tanto para anjos bons quanto para anjos do mal. Os anjos possuem inteligência (Mateus 8:29; II Coríntios 11:3; I Pedro 1:12), demonstram as suas emoções (Lucas 2:13, Tiago 2:19; Apocalipse 12:17) e demonstram que têm vontades (Lucas 8:28-31; II Timóteo 2:26; Judas 1:6). Os anjos são seres espirituais (Hebreus 1:14), sem um corpo físico real. Apesar de terem vontade, os anjos são, como todas as criaturas, sujeitos à vontade de Deus. Os anjos bons são enviados por Deus para ajudar os crentes (Hebreus 1:14). A seguir, algumas actividades que a Bíblia atribui aos anjos:- Eles louvam a Deus (Salmos 148:1,2; Isaías 6:3).- Eles adoram a Deus (Hebreus 1:6; Apocalipse 5:8-13).- Eles se regozijam nos feitos de Deus (Job 38:6-7).- Eles servem a Deus (Salmos 103:20; Apocalipse 22:9).- Eles apresentam-se perante Deus (Job 1:6; 2:1).- Eles são instrumentos dos julgamentos de Deus (Apocalipse 7:1; 8:2).- Eles trazem respostas às orações (Actos 12:5-10).- Eles ajudam a ganhar pessoas para Cristo (Actos 8:26; 10:3).- Eles observam a ordem cristã, obra e sofrimento (I Coríntios 4:9; 11:10; Efésios 3:10; I Pedro 1:12).- Eles dão encorajamento nos tempos de perigo (Actos 27:23-24).- Eles cuidam dos justos no momento da morte (Lucas 16:22). Nos tempos de insegurança e de instabilidade que estamos a viver, todos precisamos dos anjos e de modo especial do «Anjo da Guarda» - esse que a catequese nos ensinava como sendo o maior aliado para nos proteger nos momentos de perigo. O mundo cheio de forças diabólicas: o ódio, o egoísmo, a maledicência, a violência, a fome e todos os perigos que ameaçam a humanidade, que conduzem à injustiça e ao sofrimento de multidões imensas, precisa de forças do bem que conduza a humanidade para a partilha, para o amor, para o perdão e para o verdadeiro encontro da paz. Que os Anjos nos ajudem a sermos mais verdadeira humanidade e amigos uns dos outros.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 18 - São José

Esquema de homilia quarta Missa do Parto dia 18 de Dezembro 2009
São José – Pai extraordinário criou filho igualmente extraordinário

[Ilustração: Mestre de Flémalle, José na sua Oficina (pormenor), 1425-28/Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque]
É uma das figuras mais enigmáticas ligadas à história de Jesus. Dele pouco se sabe, dele pouco se fala, o próprio não é nunca citado dizendo alguma coisa. É uma espécie de personagem passiva, de figurino. Faz de pai, mas diz-se que não é o verdadeiro pai. Quem é este José, o carpinteiro?
“Chamado para esposo de Maria/ E para pai de Deus feito menino,/ Tu protegeste e deste alimento/ Ao próprio Deus.// Patriarca do silêncio e do trabalho/ Escondes na humildade o coração/ Cheio de amor a Cristo e sua mãe/ Em Nazaré.” (Hino da Liturgia das Horas)
São mais as perguntas que as certezas que, mesmo entre investigadores e especialistas da Bíblia, se formulam a propósito de José, o “pai putativo” de Jesus, como lhe chamou o Papa João Paulo II [exortação Redemptoris Custos (O protector do redentor), sobre a figura e missão de S. José na vida de Cristo]. De José, supõe-se que ele é o que não é, para seguir à risca a definição do dicionário. Mas, de facto, ele é o que foi, acredita a tradição cristã.
Confuso? O biblista francês Charles Perrot, do Insituto Católico de Paris, descreve o quadro da situação antes de sintetizar alguns dos problemas que se colocam aos teólogos: «Maria estava noiva ou já era casada com José. Ora, ela encontrou-se grávida por obra do Espírito Santo, isto é, pela força de Deus, conforme o sentido que habitualmente se dá a esta palavra». (Narrativas da Infância de Jesus, ed. Difusora Bíblica) Ou seja, tal como acredita a tradição cristã, a partir dos relatos evangélicos, Jesus nasceu sem qualquer intervenção de José.
Esta descrição contém já «um paradoxo: Maria é a esposa de José e a criança que ela trás no seio vem de Deus. Isto é uma dificuldade» para demonstrar que Jesus é da linhagem do rei David, como afirmam os relatos evangélicos. Há uma segunda dificuldade, regista Perrot, citando a Bíblia: «José, que era um homem justo e não queria difamá-la [Maria], resolveu deixá-la secretamente».
Tal afirmação bíblica colide com as práticas judaicas conhecida do repúdio no casamento. Situando-se exclusivamente n texto, Perrot verifica que «o casamento de José e Maria fica posto em questão pela presença da criança». E só a adopção legal, a que corresponde a decisão de José, permite converter Jesus em seu filho, «com todos os direitos e pretensões». Se Maria dá a vida a Jesus, é a atitude de José que acaba por fazer de Jesus um ser social, assumindo, mesmo se misteriosamente, a paternidade.José era carpinteiro – uma profissão especializada que, no tempo, equivaleria a uma classe média actual, pelo importante estatuto social que tinha. Nada a ver, portanto, com a descrição do «humilde» carpinteiro com que tantas vezes a hagiografia cristã o descreve. E foi entre essas lides que Jesus cresceu e pela profissão do pai ficou também conhecido. De tal modo que um dia, quando regressa à Nazaré da sua infância, conta o evangelho de Mateus, «ensinava os habitantes na sinagoga deles, de modo que todos se enchiam de assombro e diziam: ‘De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?’» (13, 54).
Na carta citada, de Agosto de 1989, João Paulo II escreve que «o filho de Maria é também filho de José». Mas os evangelhos «não registam palavra alguma que ele tenha dito». E foi nesse mistério, nessa paternidade escondida e muda, no silêncio de José e no silêncio feito à sua volta, que a espiritualidade cristã construiu a sua figura. Mas «esse silêncio tem uma especial eloquência», regista o anterior Papa. «Graças a tal atitude pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o evangelho: ‘o justo’».
In Religionline

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 17 - Os Pastores

Lucas, o Evangelista escreve que Maria «Deu à luz o Seu filho primogénito. Envolveu-o em panos e colocou-o num presépio, porque não encontraram lugar na hospedaria». O presépio aparece também no texto do profeta Isaías (Is. 1, 3) quando Deus se queixa de que «o boi conhece o seu dono e o asno conhece o presépio do Seu Senhor, mas Israel não me conhece, o Meu povo não se recorda de mim». E daí aparecem os dois animais míticos.
Mas foi São Francisco de Assis, por meio da representação da cena da natividade, (o presépio) que tentou de forma visual passar para os camponeses o mistério da noite de Natal. Temos então a representação do presépio como um estábulo, incluindo a mula, o boi, e com a visita dos magos e pastores. A representação apoia-se em trechos bíblicos. Na Bíblia a actividade do pastor é fundamental para a sobrevivência das pessoas. O primeiro pastor, em sentido literal, é Abel (Gênesis 4,2). Naquele ambiente árido, o pastor tinha que encontrar erva e água (Salmos 23,2), proteger o rebanho das feras e recuperar a ovelha perdida (Ezequiel 34,8; Mateus 18,12). Se o pastor não obedecia ao seu compromisso tinha que pagar do próprio bolso cada ovelha perdida (Gênesis 31,39).
Os pastores eram considerados ladrões. Porque não sabiam de fronteiras nas pastagens. Eram odiados por muitos que se viam espoliados nas suas terras. São estes de má fama os primeiros a saberem do nascimento do Menino Deus. Assim desejou Deus, apresentar-se diante dos ostracizados da sociedade. Tal como antes também hoje Deus manifesta-se sempre em primeiro lugar aos simples, aos humildes e aos pobres.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 16 - São João Batista

Esquema de homilia para Segunda Missa do Parto dia 16 de Dezembro 2009

A relevância do papel de São João Baptista reside no facto de ter sido o "precursor" de Cristo, a voz que clamava no deserto e anunciava a chegada do Messias, insistindo para que os judeus se preparassem, pela penitência, para essa vinda. Já no Antigo Testamento encontramos passagens que se referem a João Baptista. Ele é anunciado por Malaquias e principalmente por Isaías. Os outros profetas são um prenúncio do Baptista e é com ele que a missão profética atingiu a sua plenitude. Ele é assim, um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. Segundo o Evangelho de Lucas, João, mais tarde chamado o Baptista, nasceu numa cidade do reino de Judá, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta próxima de Maria, mãe de Jesus. Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do menino. Isabel, estéril e já idosa, viu a sua vontade de ter filhos satisfeita, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que devia chamar-se João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. "Ora quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu-lhe no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: «bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me é dado que a mãe do meu Senhor me venha visitar?» (Lc 1:41-43). Todas essas circunstâncias realçam o papel que se atribui a João Baptista como precursor de Cristo. Ao atingir a maturidade, o Baptista encaminhou-se para o deserto e, nesse ambiente, preparou-se, através da oração e da penitência - que significa mudança de atitude, para cumprir a sua missão. Através de uma vida extremamente coerente, não cessava jamais de chamar os homens à conversão, advertindo: «Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo». João Baptista passou a ser conhecido como profeta. Alertava o povo para a proximidade da vinda do Messias e praticava um ritual de purificação corporal por meio da imersão dos fiéis na água, para simbolizar uma mudança interior de vida. A vaidade, o orgulho, ou até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Baptista e podemos comprová-lo pelos relatos evangélicos. Pela sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, esclareceu: «Eu não sou o Cristo» (Jo 3, 28) e «não sou digno de Lhe desatar a correia das suas sandálias». (Jo 1, 27). Quando os seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direcção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: «Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». (Jo 1,29). João baptizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti e tu vens a mim ?» (Mt 3, 14). Mais tarde, João foi preso e degolado por Herodes Antipas, por denunciar a vida imoral do governante. Marcos relata, no seu Evangelho (Mc 6, 14-29), a execução: Salomé, filha de Herodíades, mulher de Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi servida numa bandeja. O corpo de João foi, segundo Marcos, enterrado pelos seus discípulos.

Adaptado do site: «Cultura Brasil».

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Missa do Parto dia 15 - Quem foi Isaías?

Esquema de homilia para a Primeira Missa do Parto
Geralmente considerado como o maior de todos os profetas bíblicos, Isaías terá nascido em Jerusalém por volta do ano 560 a.C., sendo proveniente de uma família nobre e homem de elevado cultura. O livro de Isaías (classificado pela Bíblia Cristã como livro profético) é, juntamente com o dos Salmos, o mais citado no Novo Testamento. Este divide-se em três secções bastante distintas: Isaías I, Isaías II (ou Livro da Consolação) e Isaías III. Em Isaías I, Isaías condena as alianças com as nações infiéis e anuncia a vinda de um Salvador. O Livro da Consolação é dirigido aos exilados na Babilónia e exorta à libertação e ao retorno a Israel. O livro Isaías III é dirigido aos Judeus que voltaram a Jerusalém e que necessitam ser consolados, terminando com uma cena do julgamento final.
- Isaías - O Profeta do Messias
Is 7, 14-16: «Pois sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal ('ôth): Eis que a jovem está grávida (hinnêh hâ'almâh hârâh) e dará à luz um filho e por-lhe-á o nome de Emanuel ('immânû 'êl). Ele se alimentará de coalhada e de mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem. Com efeito, antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, por cujos dois reis tu te apavoras, ficará reduzida a um ermo».
- Isaías – O Profeta da denúncia de Deus
«Que me importam os vossos inúmeros sacrifícios? - diz Iahweh Estou farto de holocaustos de carneiros e da gordura de bezerros cevados; no sangue de touros, de cordeiros e de bodes não tenho prazer. Quando vindes à minha presença, quem vos pediu que pisásseis os meus átrios? Basta de trazer-me oferendas vãs: elas são para mim um incenso abominável. Lua nova, sábado e assembléia, não posso suportar iniqüidade e solenidade» (Is 1,11-13). Isaías 5,20-23: «Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem mal, dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas, dos que mudam o amargo em doce e o doce em amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião! Ai dos que são fortes para beber vinho e dos que são valentes para misturar bebidas, que absolvem o ímpio mediante suborno e negam ao justo a sua justiça».
- Isaías – O Profeta do sonho de Deus
Is 2,12-17: «Porque haverá um dia de Iahweh dos Exércitos contra tudo o que é orgulhoso e altivo, contra tudo o que se exalta, para que seja humilhado; contra todos os cedros do Líbano, altaneiros e elevados, e contra todos os carvalhos de Basã; contra todos os montes altaneiros e contra todos os outeiros elevados; contra toda a torre alta e contra toda a muralha fortificada; contra todos os navios de Társis e contra tudo o que parece precioso. O orgulho do homem será humilhado, a altivez dos varões se abaterá, e só Iahweh será exaltado naquele dia».

As Missas do Parto na Madeira

Dia 15 de Dezembro, vamos dar início à celebração das Missas do Parto na Madeira. É uma tradição que remonta ao povoamento da Ilha da Madeira. São Missas de cariz mariano, animadas com cânticos de mensagem exclusimente mariana. Pensamos que, estas celebrações marianas, sejam uma adaptação da devoção à Senhora do «Ó», muito típica do Norte de Portugal Continental. Na Madeira, ganharam alguma adaptação e são celebradas logo pela manhã, a partir das 5, 6, 7 horas. Há uma adesão de pessoas bastante grande à participação destas missas. Muita gente anda o ano inteiro arredada das lides da religião, mas chegado este tempo do Natal, não falha à participação nestas missas, dizem que é o que lembra o Natal. Obviamente, que as missas são muito animadas no interior das igrejas, mas mais ainda no exterior, nos adros e nos salões paroquiais, com muita música, comes e bebes típicos desta quadra.
Actualmente, a Igreja aproveita para fazer um pouco de evangelização, propondo um conjunto de temas para serem seguidos pelos párocos nas suas homilias. Também me cabe presidir a estas celebrações em duas comunidades paroquiais. Os temas que vamos seguir têm a ver com o quadro do presépio e do Advento. Em cada dia vamos apresentar uma figura, dando-lhe a devida actualidade e procurando descobrir quais os ensinamentos que daí advêm para vida de cada um de nós hoje. Os temas são os sguintes: dia 15 - O Profeta Isaías; dia 16 - João Baptista; dia 17 - Os pastores; dia 18 - São José; dia 19 - Os anjos; dia 20 - Maria de Nazaré; dia 21 - Os Reis Magos; dia 22 - O Rei Herodes; dia 23 - O Menino Deus - Jesus Cristo. Todos os estes dias haverá Missa do Parto às 6 horas na Paróquia de São Roque, Funchal. Bom Natal para todos e que todos os que desejem participar acolha a mensagem da salvação que este tempo nos oferece.

Chama de amor viva

Oh chama de amor viva, que ternamente feres da minha alma o mais profundo ponto!, já que não és esquiva, acaba já, se queres; rasga o tecido deste suave encontro. Oh cautério suave! Oh deleitosa chaga! Oh toque delicado! Oh mão querida, que à vida eterna sabe, toda a dívida paga!, matando, a morte transformaste em vida. Oh lâmpadas de fogo, em cujos resplendores as profundas cavernas do sentido, escuro e cego, logo com estranhos primores calor e luz dão junto ao seu querido! Quão manso e amoroso acordas em meu seio, onde em segredo, solitário, moras; e em teu aspirar gostoso, de bem e glória cheio, quão delicadamente me enamoras! S. João da Cruz (1542-1591)

sábado, 12 de dezembro de 2009

D. Manuel Clemente

O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, P. José Tolentino Mendonça, considera que a atribuição do Prémio Pessoa 2009 a D. Manuel Clemente distingue “uma das grandes testemunhas do nosso tempo”.
Em declarações à Agência Ecclesia, o biblista fala num “reconhecimento justíssimo” para um percurso que se tem destacado “quer pelo pensamento, quer pela acção”.
“D. Manuel Clemente é um dos pensadores mais originais e vivos deste tempo português e alguém que faz do pensamento um exercício de responsabilidade ética”, afirmou.
Para o P. Tolentino Mendonça, o magistério do bispo do Porto “tem sido também um exemplo do que é o diálogo entre a fé e a cultura”.
“A mim toca-me sempre o modo como a cultura aparece no magistério de D. Manuel Clemente, não como um território de fronteira, que ele visita ocasionalmente, mas como o lugar por excelência onde ele inscreve a tradição cristã e o seu trabalho de pastor”, afirma o sacerdote madeirense.
O poeta madeirense diz que este é “um prémio importante, precisamente porque mostra a relevância do pensamento e da acção de D. Manuel Clemente não apenas para o espaço eclesial, mas também para o mundo da cultura”.
“Ele é alguém de que a cultura tem necessidade e isso parece-me um ponto muito importante”, conclui.
Nota da redacção: Parabéns D. Manuel. É um oasis no âmbito da Igreja. Que grande resposta aos que consideram as expressões culturais como realidades pagãs. E que grande ânimo para quem considera a cultura como o sacrário onde Deus se revela. O prémio veio na hora certa e para o homem certo, porque faz um bem enorme à nossa Igreja Católica, que se fecha cada vez mais ao mundo e à cultura, temendo perder o poder ou a hegemonia medieval que ainda alimenta os espíritos de muitos no interior das igrejas. O diálogo religião e cultura ganham um impulso muito importante entre nós. Um bem haja ao júri pela lucidez e pelo apurado sentido visionário.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo, 13 de Dezembro de 2009
III Advento
REPARTIR
Após a reflexão que o Advento nos tem proporcionado sobre verbos fortes, vigiar e preparar, somos convidados a acolher o desafio da partilha, com o verbo repartir. Novamente um verbo forte, repartir ou partilhar, que pela voz de João Baptista aponta como dimensão essencial do Natal de Jesus.
Interessante que o ano que vem, 2010, foi declarado, Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social. Mais força encontra o apelo de João Baptista que, já no Advento de Jesus, nos convida a repartir alguma coisa com quem nada tem.
O mundo está cheio de injustiça, porque são muito poucos os que têm muitos bens para viverem na abastança, no desperdício e na riqueza desmedida; mas são muitos os que nada têm para sobreviver com a mínima dignidade. E lá vamos nós vivendo com este escândalo, habitamos um mundo que produz bens suficientes para que ninguém fosse chamado de pobre, mas não há forma de acabar com a fome, com a miséria que afecta todas as sociedades. Era preciso criar políticas de protecção social e mecanismos de partilha que levassem os Estados a serem solidários e a contribuírem para a acabar com a exclusão e com todo o género de pobreza.
Mas, o que dizer face à corrupção e ao roubo que mina a política, a justiça e a sociedade em geral. O nosso mundo enferma por causa da ganância, do egoísmo e do desejo de enriquecimento fácil. Por isso, o roubo é uma realidade do dia a dia e a insensibilidade em relação ao Bem-comum é regra que comanda a vida de muita gente. Daí a pobreza e a exclusão social de uma multidão imensa. À luz do sermão de João Baptista, Indira Ghandi, dizia: «De punhos cerrados, não se pode apertar a mão a ninguém». Que o Advento nos abra o coração e as mãos para repartir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Imaculada Conceição

A celebração da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, é também a celebração do começo ou dos recomeços de Deus e de Maria. De Deus, porque esta celebração coloca-nos diante do mistério da Encarnação e da Redenção. De Maria, porque esta mulher, é o primeiro ser humano a beneficiar dos frutos desse mistério que se faz presença real.
Por causa de tudo isto, celebramos uma festa só acessível à fé e difícil de explicar. Trata-se da ousadia dos recomeços. Deus escolheu Maria com predilecção, para templo vivo da Encarnação do Seu Filho. Tudo obra de Deus, não mérito desta mulher eleita, a “cheia de graça”. Desde o princípio Ela recebeu o que nós recebemos no Baptismo: a dignidade de filhos de Deus e também cheios de graça. Ela desde sempre sem ser afectada pelo mal do mundo. E assim foi durante toda a sua vida terrena. Sem pecado; sempre bela, Imaculada. E no fim, se se poderá dizer que é um fim, rainha de glória para toda a eternidade.
Difícil este mistério, mas belo para a fé dos crentes e riqueza única que nos distingue e nos torna diferentes neste mundo que pretende estandardizar pessoas e coisas.
Esta festa é, então, a proclamação da Encarnação de Deus sem qualquer sombra de mácula ou mancha que a subverta na sua originalidade, na sua visibilidade e no fim a que se destina (a salvação da humanidade).
Parece, logo à partida, o tema da Imaculada Conceição não estar associado aos Direitos Humanos. Mas está, porque, o seio da humanidade acolhe a Imaculada vontade de Deus em conceder todos os direitos a toda a humanidade.
As intenções de Deus estão desde sempre marcadas pelo desejo que o homem se salve e viva liberto das manchas que o inferiorizam. A intenção de Deus não é senão tornar vivos os direitos e os deveres da humanidade. De outro modo, prevalecem os ódios, os egoismos e as vinganças que destróem e provocam as ferozes guerras fratricidas.
Maria, a Imaculada, é o ser humano repleto de direitos e deveres assumidos em plenitude, o ser humano perfeito, como Deus o sonhou. Maria, é um rosto que reflecte Deus, um espelho da beleza divina, um olhar que se volta para nós com amor e se transforma numa esperança para sermos melhores. Porque é sempre Mãe de Deus e nossa! Que Maria nos ajude a mudar o coração para que logo depois possamos mudar o mundo à nossa volta.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crianças cristãs usadas em anúncio ateu - Inglaterra

A mais recente campanha contra a religião levada a cabo por Richard Dawkins recorre à imagem de duas crianças que são filhas de um dos mais conhecidos músicos cristãos do país.
“Não me rotule por favor – Deixe-me crescer e escolher por mim.” É este o lema que aparece entre as fotografias de duas crianças aos saltos, com um grande sorriso na cara, numa imagem que pretende revelar liberdade e felicidade.
A campanha está a ser realizada pela British Humanist Association e pelo biólogo e militante ateu Richard Dawkins, com o objectivo de criticar a educação religiosa das crianças. Segundo um dos dirigentes da BHA, Andrew Copson, “rotular as crianças segundo a religião dos seus pais atenta contra os seus direitos e a sua autonomia”.
Contudo, uma vez que as imagens foram adquiridas de uma base de dados on-line, os promotores da campanha não tinham forma de saber que as duas crianças são filhas de Brad Mason, um cristão pentecostal, baterista da banda de um conhecido cantor cristão chamado Noel Richards.
“Tem piada”, explicou o pai e fotógrafo Brad Mason, “porque obviamente estavam à procura de imagens de crianças que parecessem felizes e livres. Aconteceu escolherem estas crianças cristãs. É irónico. No fundo é um elogio, demonstra que educámos bem os nossos filhos, e que são felizes” disse.
Filipe d'Avillez, in Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, 03.12.09

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo II Tempo do Advento
6 de Dezembro 2009
Preparai
João Baptista, é a voz que clama no deserto a revolução de Deus de forma mais imediata: «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». A voz do Filho de Zacarias, está na senda do profeta Isaías que proclama o sonho de Deus, que consiste na grande revolução que Deus deseja levar a cabo. Diz assim o Profeta: «No monte Sião, o Senhor do universo prepara para todos os povos um banquete de carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos, carnes gordas e saborosas, vinhos velhos e bem tratados»; «Aniquilará a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces, e eliminará o opróbrio que pesa sobre o seu povo, sobre toda a nação». É o sonho de Deus, proclamado pelos profetas. Esta urgência de Deus nada tem a ver com a lógica dos poderes instalados deste mundo, porque não procuram o bem para todos. Os poderes actuais do mundo estão todos ao serviço dos interesses de grupos económicos e seguem a lógica do mercado. É o lucro e as mais valias do dinheiro que movem os poderes. As várias cimeiras temáticas, não levam a conclusões nem levam as nações a compromissos sérios na construção do bem comum. Porque não se acaba com o escândalo da fome no mundo? Porque não se distribui a riqueza de forma partilhada, para que toda a humanidade pudesse sobreviver condignamente? - Faz falta mudar atitudes e deixar de criar subterfúgios comodistas. A mudança, implica sempre expressar acções concretas de justiça e de fraternidade, é o único modo de nos preparamos para a vinda de Jesus. O nosso mundo enfarta-nos de tudo, mas só a vida doseada com alguma espiritualidade poderá levar-nos à felicidade.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Advento - Rezar com Maria em tempo de Advento

Texto: José Tolentino Mendonça
Imagem: Rui Aleixo
O que te peço, Senhor, é a graça de ser. Não te peço mapas, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida. Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta, mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade. Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias. Que eu não pense saber já tudo acerca mim e dos outros. Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho, sei que posso ser, ser simplesmente. É isso que te peço, Senhor: a graça de ser de nova. Chegou sem ser esperado, veio sem ter sido concebido. Só a mãe sabia que era filho de um anúncio do sémen que existe na voz de um anjo. Tinha acontecido a outras mulheres hebreias, a Sara por exemplo. Só as mulheres, as mães, sabem o que é o verbo esperar. O género masculino não tem constância nem corpo para hospedar esperas. Sinto de novo a agravante de ignorar fisicamente a voz do verbo esperar. Não por impaciência, mas por falta de capacidade: nem mesmo durante as febres de malária me acontecia recorrer ao repertório das fantasias de me curar, de estar à espera de. Nos despertares matutinos ao folhear Isaías leio: «Felizes aqueles que o esperam» (Is 30,18). Não conheci esta sábia e física alegria. Mas mais forte do que esta notícia, no mesmo versículo está escrito «Por isso esperará Iod/Deus para vos fazer misericórdia». Existe uma primeira espera, que espera por Deus e tem o mesmo verbo hebraico hacchè. Na sua redução à forma da espécie humana, o Seu tempo infinito contrai-se no finito de uma espera. Deus espera: «para vos fazer misericórdia». O tempo de Advento vive desta imitação, defronte à eternidade de um Deus que aceita fazer-se tempo, irrompendo no mundo em meses estabelecidos com nascimento, morte e ressurreição. Quem tem no seu corpo os recursos para conceber esperas, conhece do versículo de Isaías a imensidade da correspondente espera de Deus.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As cinco coisas que nos fazem felizes

Olho para a janela
E vejo a beleza do Mar
A beleza do céu
O movimento do mar
As ondas inacabadas
O horizonte que não se
Sabe onde irá acabar
O céu azul
Trazendo com ele
Forças para que quando
Olharmos para ele não desistirmos.
Nuvens de variadas formas
Brancas como a alegria, força
Que sentimos dentro de nós.
Cada nuvem tem uma
Missão, um desejo para realizar.
As aves que voam, até
Encontrarem um lugar onde fiquem
Felizes, caminham sem destino
Vão olhando em seu redor toda
A pureza do céu, toda a verdade.
O vento que vem ao nosso
Encontro trazendo mensagens,
Conselhos.
A luz do sol, dando magia
Para continuarmos felizes com
O que temos para dar
Força de enfrentar a vida de uma
Maneira verdadeira, simples e alegre.
Ana Isabel Ferreira
Nota do autor do blog: Caros amigos, este poema foi urdido por esta jovem, Ana Isabel Ferreira, da catequese que acontece todos os Sábados pelas 16 horas, sob a minha orientação. Um momento único este que a Ana Isabel, me proporcionou. Estivemos a ver durante duas semanas o filme sobre a extraordinária vida de São Francisco de Assis, «Irmão Sol, Irmã Lua», de Franco Zeffirelli. O encanto dos jovens e a ressonância que daí veio é extraordinária. Deixemos os jovens serem sujeitos da vida e da sua história.

sábado, 28 de novembro de 2009

«O Arcebispo de Dublin exprimiu, na televisão, a sua vergonha diante do acontecimento de sacerdotes abusadores sexuais de crianças, pelo atentado a essas crianças, ao sacerdócio e a Deus. Em todas as matérias da vida, não são consentidas ambiguidades ou meias palavras. Há sempre justificações para o crime. Repudiar este, sem nunca nos excluirmos da responsabilidade, é um acontecimento de rara limpidez moral. Nunca as vítimas podem ser abandonadas!»
In «Ao Compasso do Tempo» - Crónica de 27 de Novembro de 2009, D. Januário Torgal Ferreira, «Páginas de um diário».
Nota da redacção: Um grande exemplo para outras situações tão graves como estas que aconteceram e acontecem em tantas paragens do mundo e da Igreja...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo I Tempo do Advento
29 de Novembro 2009
Vigiar

É este o Tempo do Advento, aquele tempo que nos prepara para o encontro com o homem, empoeirado, de barbas raladas e grandes, passando ao lado de um rio, que está ali diante de todos nós. E Ele da outra margem faz-nos um aceno afectuoso, certo que em nós existe abertura suficiente para acolher uma graça, um dom ou uma possibilidade de redenção. É isso o Natal.
O Tempo do Advento, são as quatro semanas que antecedem o Natal. Uma das palavras fortes deste tempo, é a palavra vigiar. É uma palavra interessante, porque nos convida a olhar a realidade da vida e do mundo com esperança, como um caminho seguro que nos mostra uma luz verdadeira, nem que seja ao fundo túnel desta existência carregada de tantos pesadelos difíceis de encarar. Nada pode ser o fim, está sempre lá no fundo a luz da salvação, basta confiar e acreditar na pessoa que nos aponta nessa direcção, Jesus Cristo.
Este é o tempo da expectativa do «ainda não», mas que nos remete para a certeza do «já» presente na história. Neste contrabalançar expectante, descortinamos vias de possibilidades sempre novas que nos conduzem ao nascimento da vida em cada pessoa que não hesita em abrir-se ao sublime da vida transcendente. Essa é a vida revelada pelo nascimento do Filho de Deus.
Neste tempo de preparação vigilante, somos chamados a dizer não a tudo o que ofusca a luz. Não a todo o género de violência, a todo o desrespeito pelos outros, às crises que nos cerceiam a liberdade e nos remetem para o medo do futuro, não ao consumismo desenfreado que já começou como primeira preocupação para o Natal, não ao individualismo e ao carreirismo tolo que gera muita injustiça, não à veneração do ego como valor da actividade frenética que caracteriza o nosso tempo, não à espiritualidade privatizada e solitária... Eis o tempo em que devemos procurar uma luz que nos torne mais solidários, mais amigos uns dos outros. Porque, o Natal, ou faz da humanidade uma família ou nunca passará de uma festa que enche o olhos e nada mais.
Que este tempo nos faça tomar a sério a sabedoria africana que diz: «Uma pessoa torna-se pessoa através de outras pessoas». A vigilância deve levar sempre à construção do Bem-Comum.

Hino à Tolerância

«Já será grande a tua obra se tiveres conseguido levar a tolerância ao espírito dos que vivem em volta; tolerância que não seja feita de indiferença, da cinzenta igualdade que o mundo apresenta aos olhos que não vêem e às mãos que não agem; tolerância que, afirmando o que pensa, ainda nas horas mais perigosas, se coíba de eliminar o adversário e tenha sempre presente a diferença das almas e dos hábitos; dar-lhe-ão, se quiserem, o tom da ironia, para si próprio, para os outros; mas não hão-de cair no cepticismo e no cómodo sorriso superior; quando chegar o proceder, saberão o gosto da energia e das firmes atitudes. Mais a hão-de ter como vencedores do que como vencidos; a tolerância em face do que esmaga não anda longe do temor; então, antes os quero violentos que cobardes. Mas tu mesmo, Marcos, com que direito és tolerante? Acaso te julgas possuidor da verdade? Em que trono te sentaram para que assim olhes de cima o resto dos humanos e todo o mundo em redor? Por que tão cedo te separas de compreender e de amar? Tens a pena do rico para o pobre, dás-lhe a esmola de lhe não fazer mal; baixaste a suportar o que é divino como tu; e queres que te vejamos superior porque já te não deixas irritar por gestos ou palavras dos irmãos. Mais alto te pretendo e mais humilde; à tolerância que envergonha substitui o cálido interesse pedagógico, o gosto fraternal de aprender e de guiar; não levantes barreiras, mas abate-as; se consideras pior o caminho dos outros vai junto deles, aconselha-os e guia-os; não os deixes errar só porque os dominarias, se quisesses; transforma em forte, viva chama o que a pouco e pouco se dirige a não ser mais que um gelado desdém».
In Agostinho da Silva, in 'Considerações'
Nota do autor do blog: A violência contra quem quer que seja é um acto de covardia que brada aos céus. A pedagogia da tolerância e do respeito pelo outro é o caminho de Deus, e, por isso, deve ser o caminho das criaturas humanas criadas pelo grande amor deste Deus criador, sempre apaixonado pela tolerância e pelo respeito...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quem são os leigos?

Às vezes são quase como os «coitados» que não são padres nem freiras nem frades. São a maioria na Igreja Católica, continua a ser dada alguma atenção aos fiéis leigos, mas pouca. Alguma hierarquia da Igreja «brinca» a alguns encontros para mostrarem que eles são importantes e dão-lhes algumas migalhas. Fazem-se umas conferências para que eles tenham alguma sabedoria, formatada segundo uma determinada visão oficial, tudo bem delineado antecipadamente para não se romper o redil. O pensamento único na Igreja é uma tentação recorrente.
O esquecimento e menoridade dos leigos vem de longe, repare-se, a título de exemplo, no seu conhecido livro sobre a História da Igreja, comentando os resultados do Concílio de Trento, Daniel-Rops afirma: «É de admirar que, entre tantas sessões, não tenha havido uma que traçasse o retrato do verdadeiro cristão leigo... como se tinham traçado os do bispo e do sacerdote».
Só o Concílio Vaticano II irá repor alguma dignidade aos leigos. Mas, só passados 20 anos do Vaticano II, o Papa quis voltar-se para um tema que teve destaque no Concílio e dedicou o Sínodo dos Bispos de 1987 ao estudo de aspectos relativos aos fiéis leigos. O documento pós-sinodal, a exortação Christifideles Laici, apresenta temas dignos de estudo. Não vamos aqui analisar os temas desta exortação, está por aí e pode ser lida e estudada por quem assim o desejar.
Este assunto dos leigos na Igreja requer um estudo bastante apurado, é um tema complexo e as soluções não são fáceis de encontrar se a Igreja não abrir mão de outros temas carentes também de solução e de adaptação à realidade do nosso tempo. Ora vejamos o seguinte elenco: as questões sobre a vida em geral, nas quais incluo os temas sobre a sexualidade. A hierarquia tal como se apresenta desde os tempos medievais, cheia de títulos anacrónicos e repleta de mordomias, é, por vezes, um insulto aos fiéis leigos e de modo especial aos pobres. O celibato é um cravo que mina o trabalho vocacional. O não querer abrir mão com total transparência dos assuntos da Igreja que dizem respeito a todos, por exemplo, a economia e o património da Igreja. Os sacramentos, são sete, a humanidade masculina pode receber todos os sacramentos, mas a humanidade feminina apenas pode receber seis sacramentos, porque o sacramento da Ordem lhe está vedado. As incongruências no discurso são reveladores, muita conversa sobre a comunhão e a unidade, mas na prática, fazem-se acepção de pessoas, uns são mais do que outros. Estes aspectos são alguns entre tantos, que senão resolvidos, reduzem os fiéis leigos, a meros espectadores, bons para darem esmolas, remetidos à assembleia, porque não são «idóneos» para serem autores da construção da Igreja.
É preciso ousar e empenhar-se a fundo para que os leigos tenham espaço livre para se empenharem com verdadeira militância na vida da Igreja em todos os aspectos que fazem parte dela. Não se chegará a nada, enquanto as migalhas que são dadas aos leigos sossegarem a consciência de alguma hierarquia e que tais leigos se satisfaçam pacificamente com o pouco que lhes é dado.
O grande mal actual, é que a Igreja esteja também moribunda daquilo que enfermam as nossas sociedades. Não há militância. Poucos estão para ser interventivos e exigirem com a sua acção militante as mudanças necessárias. Neste domínio dos leigos precisamos de um verdadeiro milagre na Igreja para bem do mundo inteiro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

22 de Novembro de 2009
Domingo XXXIV Tempo Comum - CRISTO REI
A escola de Jesus
Jesus, por fim, assume que é Rei, como diz Pilatos. Não o um rei dos jogos do poder, da corrupção e do domínio sobre os demais. É o Rei da verdade, só isso diz tudo. Quem segue esta verdade, pertence ao seu reinado.
De que se trata esta realeza? - Trata-se de uma realeza ao contrário. É um reinado do avesso. Nada tem a ver com a realeza dos reis deste mundo. Não se trata de um Jesus Rei, rodeado de gente importante, exércitos ávidos de combate e poder. O Reino de Jesus, é antes dos famintos, dos que têm sede e fome de justiça, dos peregrinos, dos sem roupa, dos desempregados que já são tantos entre nós, dos doentes e dos prisioneiros...
Nietzsche, no seu «Anticristo», proclamará que o «Reino de Deus», é uma «lastimável mentira», que serviu para a Igreja fixar os seus valores que chama «vontade de Deus». Nisso consistia o domínio e o poder da Igreja. Neste sentido, para este autor o Cristianismo é uma religião da «decadência» e não da libertação da humanidade. Em muitos momentos da história da Igreja e ainda nalguns meios da Igreja na actualidade devemos dar razão ao autor de «Assim falou Zaratrusta». Mas, de acordo com o sentido do Evangelho e a postura de Jesus, descobre-se um sentido cheio de libertação no Reino de Jesus. Por esta verdade, Jesus estende os braços na Cruz, como um derrotado humanamente falando, mas do ponto de vista espiritual, Ele vai até ao fim pela verdade que salva. A aparente derrota de Jesus, é a lógica do poder posta do avesso. Jesus é um Rei que não se coaduna com as injustiças sociais, pessoais e institucionais.
A sua morte na Cruz é o resultado da sua acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor. É o preço a pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo. Na escola de Jesus, só se ensina uma única matéria: o Reino! Este Reino que se aprende da vida e do exemplo do Mestre. O exemplo de Jesus e a Sua vida radicam na partilha que resulta na fraternidade. É este Reino que sonhamos para o mundo, o nosso mundo. Urge acabar a lógica do domínio do forte sobre o mais fraco, é preciso acabar com a ganância geradora de pobreza. Urge semear a vida para todos. Urge considerar cada um como um ser único e digno de ser amado, como acontecia na escola de Jesus.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A CARTA

O jornal italiano La Ditesa, publicou, há tempos, uma carta dirigida a César, Imperador de Roma, por Públio Lêntulo, governador da Judeia, antecessor de Pôncio Pilatos. Foi encontrada pelos monges «Lazaristas» em 1928.
A carta diz o seguinte: «Soube, ó César, que desejavas ter conhecimento do que passo a dizer-te. Há aqui um homem, chamado Jesus Cristo, a quem o povo chama profeta, e os seus discípulos afirmam ser o Filho de Deus. Realmente, ó César, todos os dias chegam notícias das maravilhas deste Cristo: ressuscita mortos, cura doentes e surpreende toda a Jerusalém. Belo e de aspecto insinuante, é uma figura tão majestosa que todos o amam irresistivelmente. O rosto moreno, com uma barba espessa, é de uma beleza incomparável. O olhar é profundo e grave... É o mais belo homem que imaginar se pode, muito semelhante a sua mãe, a mais bela figura de mulher que jamais por aqui se viu. Diz-se que ninguém o viu rir. Algumas vezes o têm visto chorar. É amigo de todos e mostra-se alegre. Quando repreende apavora. Quando adverte, chora. Na conversação é amável com todos. Se Tua Majestade, é César, desejas vê-lo, avisa-me, que eu logo to enviarei. Nunca estuda e sabe todas as ciências. No dizer dos hebreus nunca se ouviram conselhos semelhantes, nem tão sublime doutrina como a que ensina este Cristo. Muitos judeus o têm por divino e crêem nele. Também muitos o acusam a mim, dizendo, ó César, que ele é contra a Tua Majestade porque afirma que reis e vassalos são todos iguais diante de Deus.
Ando apoquentado com estes hebreus, que pretendem convencer-me de que ele nos é prejudicial. Os que o conhecem e a ele têm recorrido afirmam que só têm recebido benefícios e saúde. Estou pronto, ó César, a obedecer-te e cumprirei o que ordenares. Adeus».

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Nova Igreja do Jardim da Serra

Faz-se realidade um sonho antigo. Um sonho não apenas de um só, mas de um povo inteiro, o povo do Jardim da Serra. Foram necessários passar quase 50 anos para que este povo visse o seu sonho tornar-se realidade. Aí está a nova igreja feita de argamassa, visibilidade de um corpo que sonhava e trabalhava para que o dia chegasse. Não há outra obra, que me lembre, entre nós, onde se possa aplicar de forma tão evidente a expressão do poeta, «Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce» (Fernando Pessoa). As vontades estiveram juntas e tudo nasceu para o bem deste povo, votado também a algum ostracismo e abandono. Já chegava a injúria de ser da serra ou do alto como se tratasse do buraco dos leprosos. A cidade era longe e a Serra distante mesmo quando lhe chamavam Jardim.
Nesta hora não convém esquecer as várias famílias que sonharam e deram as suas ofertas generosamente para este projecto de Deus e da humanidade. Não digam agora que muito disto advém dos impostos (o Erário Público), é verdade que grande parte daí vem, mas melhor será dizer que vem daquele povo que ama o trabalho e que contribui como todos os outros para o bem público com os seus impostos.
Após estes anos também são muitos os que sonharam ver, mas já partiram do convívio dos mortais, para eles fica a nossa homenagem e que lá no lugar da imortalidade possam alegrar-se com a concretização deste ideal.
Pois bem, termino, pedindo a Deus força e coragem ao povo do Jardim da Serra, o meu querido povo – aqui foi o meu berço – para que feita a Igreja todos a amem e nela sintam o abraço do transcendente, que nos retempera para a luta da vida feliz para todos. E não esqueçamos quem encontrou antes a sintonia da razão, «Para fazer uma obra de arte não basta ter talento; não basta ter força; é preciso viver um grande amor» (Wolfgang Amadeus Mozart). O nosso povo sabe desta música há muitos anos. Toda a sorte do mundo para este povo, que se edifica nos vales e lombos do tempo quase tocando o céu da esperança de outro Jardim.
Próximo Domingo 15 de Novembro será a bênção e sagração da nova igreja de S. Tiago Menor, o padroeiro do Jardim da Serra, que a sua bênção se derrame sobre os nossos corações.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo XXXIII Tempo Comum
15 de Novembro de 2009
Tudo Passa
Os tempos correm tristes. A depressão toma conta de muita gente. A situação económica do país contagia os estados de alma de toda a gente. As medidas de austeridade provocam sobressaltos em muitos sectores e pouco ou nada parecem resultar. Ninguém escapa a um certo desânimo e parece não ter lugar o sentido da esperança. Porém, cabe-nos recordar que em cada manhã a vida volta a ressuscitar e a dádiva de sabermos que os nossos olhos se reabrem para a luz da manhã deve ser um dom maravilhoso que todos devemos saber contemplar. A regra do «tudo passa» é importante.
Mas, não pode esta certeza privar-nos de denunciar que os tempos estão tristes, não só porque continuamos a ouvir palavras sobre o terrorismo, a violência, a miséria, os refugiados, o sida, a droga, a corrupção... Mas também, porque ouvimos em todo lado, palavras ofensivas, palavrões, de pessoas que se esperaria elevação e dignidade. As ofensas roçam a linguagem do calhau e poucos se indignam com isso. Parece já não existirem pessoas que merecem respeito.
A linguagem estalou com o verniz dos tempos que correm, porque a mentira vale muito mais, mas mesmo muito mais do que toda a verdade. São poucos os que são escravos da palavra e muitos os que se limitam a dizer palavras ocas que depois não induzem à fidelidade do seu cumprimento. Só uma palavra se faz luz e reacende a verdade sobre o futuro, porque, felizmente, tudo passará menos uma palavra, aquela que Jesus faz ecoar no deserto do mundo, «Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão». Se assim não fosse, o que seria de nós?
Por fim, o povo é o bombo da festa. Está satisfeito. Basta-lhe vegetar à sombra da ignorância e comprazer-se com os arrotos da abundância de festas, quiçá, migalhas que caiem da mesa dos corruptos ou dos ditos democratas que este mundo «pariu» para nos governarem. Os tempos estão tristes. Ainda estou para crer na crise que os verdadeiros ladrões inventaram. Só acredito na crise dos bolsos vazios da generalidade das pessoas. A pobreza toma conta de muitas das nossas famílias. Os tempos estão tristes e ninguém se importa nada com isso. É pena!