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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Comentário à Missa de Domingo

11 Janeiro 2009 Domingo do Baptismo do Senhor – Ano B
A universalidade da salvação
Act 10,34-38
O Baptismo de Jesus nas águas do Jordão é uma das três epifanias, ou manifestações mais significativas, que a liturgia da Igreja canta na solenidade da Epifania do Senhor, junto com a manifestação aos magos vindos do Oriente e ao milagre nas bodas de Cana. Também o baptismo é uma presença e uma manifestação missionária de Jesus. Liturgicamente, celebramos hoje uma festa-ponte entre a infância de Jesus e a sua vida pública. Mas há mais: desde o seu início, a pregação missionária dos Apóstolos sobre a vida de Jesus começava “desde o baptismo de João até ao dia em que Ele foi elevado aos céus” (Actos 1,22). A dimensão universal desta epifania emerge de maneira concreta das leituras de hoje.Assim o confirma Pedro (II leitura) em casa do centurião Cornélio em Cesareia. Superada com dificuldade a resistência inicial -sua e da sua comunidade eclesial - Pedro visita Cornélio, acolhe-o e defende o seu ingresso na Igreja, afirmando uma verdade fundamental para a missão e para a teologia da salvação oferecida a todas as pessoas, mesmo se não oficialmente cristãs: “Deus não faz distinção de pessoas, mas acolhe a quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença” (v. 34-35).O acontecimento do Baptismo do Senhor projecta uma grande luz sobre a identidade e a missão de Jesus (Evangelho). Nele, manifesta-se a Santíssima Trindade: o Pai proclama-o seu “Filho amado” (v. 17); o Espírito desce sobre Ele (v. 16). A missão de Jesus é prefigurada já no primeiro cântico do “Servo do Senhor” (I leitura), com uma tarefa que ultrapassa os limites de Israel e chega até às nações (pagãs) como luz e salvação (v. 16). A sua é uma missão que evita a publicidade e o espectáculo (v.2); em vez disso, será de sustento, recuperação e valorização dos mais frágeis (v. 3.7); contanto sempre com a força daquele que o “tomou pela mão” (v.6). Trata-se de um programa entusiasmante, capaz de encher a vida de toda a pessoa que seja capaz de amor e de ideais generosos. Podemos lembrar aqui a famosa meditação sobre o Reino, que S. Inácio de Loyola coloca ao início da segunda semana dos seus Exercícios espirituais. Além disso, convém recordar que o programa do Servo se refere seja a pessoas individuais, seja também a uma comunidade ou mesmo um povo.

1 comentário:

Jose Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Gostei da sua análise à Missa de Domingo. O baptismo deveria ser maior compromisso com o mundo, mas sem perder o rasto da eternidade que cada cristão como crente trás em si. Ser crente é ultrapassar os limites da morte.