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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Até na religião a Madeira é um brinquinho

A «Flor do Mar» é uma telenovela da TVI que está a ser filmada na Madeira. Já por duas vezes me escandalizei com ela. A primeira, foi quando um amigo me informou que o Governo Regional da Madeira doou quinhentos mil euros – repito, 500 mil euros – para a produção de tão elevado momento cultural. Não procurei comprovar convenientemente este generoso donativo, apenas deduzi que se não foram 500 mil algum deve ter sido. A badalada justificação para a generosidade vem sempre à carga, a promoção da Madeira lá fora exige avultados donativos, que são sempre uma ninharia face aos benefícios que todo o povo saboreia. É muito verdade meus senhores esta justificação. Ora bem, com base nestes pensamentos encontrei razões mais do que suficientes para nunca ver esta telenovela. Porém, ressalvo que não sou apreciador de telenovelas, já vi uma ou outra e facilmente ficamos presos à sequência dos capítulos, por isso, procuro evitar prender-me a estes produtos tão elevados de espírito e de sabedoria sobre a vida humana. Actualmente, não vejo nenhuma em especial, vejo um curto momento na passagem do zaping ao fim do dia. Obviamente, que prefiro ver os canais temáticos e notícias em especial, não há tempo para mais. A segunda vez que me escandalizei com a telenovela «Flor do Mar», foi com o arraial que se fez a fingir por estes dias em São Vicente. O arraial tinha todos os ingredientes típicos das nossas festas tradicionais, nem faltou toda a panóplia religiosa que acompanha os arraiais que se fazem nas nossas comunidades paroquiais em honra dos Santos padroeiros e do Santíssimo Sacramento ou ainda aos diversos títulos marianos ou outros motivos religiosos, por exemplo, o Espírito Santo. Não gostei de ver uma procissão a fingir com a imagem de São Vicente sobre um andor como se de uma procissão a sério se tratasse. O interior de uma das nossas igrejas servir de palco de um espectáculo, os paramentos litúrgicos servem usados com indumentária de fantasia novelesca e ect. Para a maioria das pessoas, é óbvio que esta fantochada não lhes diz nada nem os fazem pensar, é mais um motivo para o despique folclórico e para correr atrás dos pequenos heróis que a televisão fabrica com estes produtos rascas. Outros, os mais arredados encontraram mais razões para dizerem que afinal têm razão quando afirmam que a religião se reduz a palhaça. A procissão em honra de São Vicente e todo o aparato religioso que tal acto implicou, realizaram-se fantasiosamente como se algo de sério se tratasse, penso que deve ter existido autorização eclesiástica para tal, a ter sido dada autorização, a meu ver resulta em pouca prudência que deve ser repudiada. Se tudo isto implicou contrapartida monetária para a igreja, então, estamos diante de algo muito grave que a todos deve indignar. A seriedade das coisas litúrgicas não tem preço. Obviamente, que não estou contra este género de produções, a democracia tolera tudo, mas devem existir fronteiras e o razoável deve ser regra para todos e, especialmente, no campo religioso. Assim, faltava cantar que às vezes até na religião a Madeira é um brinquinho.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Meu Amigo estou de acordo com os seus dois ultimos artigos. Mas são todos os resultado desta política conluiada com a religião. Não me admira que a igreja católica regional -não digo madeirense- esteja ligada a deusa "mamona".