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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Vamos a um balanço

Está a fazer dois anos que entrou um novo Bispo na Diocese do Funchal. Uma lufada de ar fresco que bem precisava esta nossa Igreja do Funchal. Como sempre acontece, quando chegam pessoas novas a lugares novos, a esperança reacende-se, o entusiásmo acontece e renovam-se uma série de sentimentos. Muito bem, foi o que aconteceu com a chegada de D. António Carrilho.
Juntamente com este Pastor veio o sorriso e a bondade que se expressam incontidamente no seu rosto. Algumas ovelhas do rebanho pularam de alegria e de esperança.
Algumas coisas se alteraram, nomeadamente, a relação humana e afectuosa entre os sacerdotes e o seu bispo. A proximidade também tornou-se mais evidente. Novos secretariados e comissões para todas as causas. Uma dinâmica que mostra uma certa vontade para dinamizar toda a Igreja para a pastoral. Uma atenção especial às camadas mais jovens, à cultura, aos idosos, à família e à pobreza. Muitas actividades têm sido realizadas nestes domínios, que importa salientar. As poucas visitas pastorais às paróquias também foram uma novidade entre nós, quanto ao método e quanto à duração de cada uma delas. No global podemos considerar muito positivos estes dois anos da acção de D. António Carrilho.
Porém, importa salientar alguns aspectos que já deviam ter tido uma atenção especial. Nestes dois anos já deviam ter mostrado mais trabalho os diversos organismos que continuaram do anterior bispo e os que foram criados agora. Vamos, então, apontar os aspectos que consideramos que não deviam estar na mesma passados estes dois anos.
À cabeça, o Jornal da Madeira, que é o símbolo-escândalo maior do «casamento» entre a igreja madeirense e o poder político. Logo depois a resolução da ostracizada comunidade paroquial da Ribeira Seca, que merecia uma palavra especial do seu Pastor ou, porque não, até uma visita pastoral. A seguir, já diviam ter mudado algumas pessoas, que vieram do antigamente, que sem sombra de dúvida, prestaram um serviço muito importante para a igreja madeirense, mas chegou a hora da mudança. Neste domínio falo a título de exemplo do Secretário do Bispo e do Vigário Geral. Passados dois anos era importante que novas dinâmicas também recebessem novos rostos, para que a aceitação fosse outra e o entusiásmo não ficasse agora tão gorado.
Também outro aspecto a salientar prende-se com a quantidade de pessoas nomeadas para cargos, secretariados e comissões que não percebem nada sobre as coisas a que diz respeito cada uma dessas estruturas. A maior parte são padres novos sem nenhuma experiência de vida pastoral e com formação conservadora, oferecida pelos nossos seminários actuais, onde parece ser proibido falar da vida do mundo de hoje. Outras pessoas (leigos) foram reconfirmados, porque já vinham do antigamente, habituados a não fazer nada, apenas a fazerem parte de coisas que serviam para mostrar que existiam. Todas estas nomeações foram feitas com o maior dos brilharetes, mas passado este tempo o que resta, nada de nada. Se me pedirem dou uma série de exemplos.
Quanto à pobreza. Muita conversa e pouca acção. Não sabemos o que faz a cáritas diocesana, temos cada vez mais pobres, nada se faz de concreto e consistente, muito apelo à esmola e à caridadizinha. Nestes dias estive confrontado com uma situação muito difícil de uma família que ficou sem nada, porque a casa ardeu, pensei pedir auxílio à diocese (à cáritas), mas logo depois rezei para que estes pensamentos («maus») se afastassem de mim.
As contas e o património da diocese é uma questão velha, mas sempre actual. Continua bem guardado o segredo quanto a receitas e despesas da Igreja do Funchal. Aos Párocos são pedidas responsabilidades quanto às contas, mas nada se diz sobre o que entra e sai dos cofres da diocese. O património de todos os fiéis, fica no segredo de alguns, que não se sabendo em que lei se baseia só diz respeito a esses iluminados, as restantes ovelhas só servem para dar e de resto que fechem a boca, porque não lhes diz respeito esses assuntos do alto. Que grande tristeza continuarmos a falar deste assunto!
Porém, compreendo que este meio não seja fácil de trabalhar, porque a massa não ajuda. O ambiente geral é de um sectarismo atroz, são exemplo disso as congregações religiosas, que em agonia na subida do Calvário com falta de sangue novo, tornam-se cada vez mais fechadas e sectárias, desprezam a novidade e tudo o que seja diferente.
Bom, lá estamos no tempo do sorriso e da bondade, valha-nos isso. Mas, esperavámos mais, muito mais de um novo bispo, numa Igreja sedenta de novidade e de acção pastoral consertada para que a Evangelização fosse um abrir de portas para o mundo do nosso tempo, sem medo de nada nem de ninguém, mas de coração aberto a tudo o que seja vida a escorrer nos caminhos da humanidade deste tempo que é o nosso.

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro colega P. José Luís
Agradeço a tua preocupação pelo meu trabalho e a consideração que tens por ele e por mim. O meu lugar de secretário vem do antigamente, como o teu de pároco das paróquias onde estás, também vem do antigamente. A mudança não pode ser querida só para um lado. Desculpa que diga isto. Eu estou com a mesma disponibilidade que entrei para também sair, mas quando o meu bispo assim o entender. O meu lugar está á disposição desde que o asssumi, não estou agarrado a coisa nenhuma ao contrário do que muitos pensam e falam sem saberem e pro razões que desconheço. Desculpa que te escreva isto, mas um dia, não tem muito tempo disseste-me que eras frontal,por isso gostaria que me disses algumas coisas pessoalmente! Devemos é unirmo-nos para construir a paz e não a divisão sobretudo entre nós padres.
Desejo-te sempre o melhor com a graça de Deus.
um abraço amigo
Cón Carlos Nunes

José Luís Rodrigues disse...

Se o problema da Igreja da Madeira é a minha presença, pois então, que eu seja mudado... Mas de uma vez para sempre, para que as minhas ideias não incomodem mais ninguém e a Igreja então vá de vento em poupa...
Quanto a frontalidade, estamos falados - mas do que falei, se bem me lembro, foi de tudo pela assinatura por baixo e tudo contra o anonimato. Mas tudo bem...
Vamos contruir a paz e não a divisão, começando pela transparência e pelo tratar os padres todos por igual, porque entre irmãos não devia haver uns mais outros menos. Não acham?