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segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Corpo de Deus

Trata-se de uma festa, uma grande festa, porque se falamos de um corpo, qualquer corpo, falamos de festa e acima de todos os corpos, está o Corpo de Deus, que nos remete para a grande festa, o banquete da vida, o comensal maior de toda a existência. Alguns dados históricos sobre a festa do Corpo e Sangue de Deus, «a Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como «Corpo de Deus», começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios. Teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa». Perante esta realidade que na Eucaristia, se denomina de Corpo e Sangue, simbolicamente ou sacramentalmente, descobrimos a oferta de um Deus que se permite fazer corpo na banalidade de uns dons materiais, pão e vinho, frutos do trabalho dos homens e das mulheres do tempo concreto, para que Ele seja todo oferta como alimento para a existência de todos. Deste Deus, sem precedentes na multifacetada história dos deuses, vêmo-Lo todo entregue em cada Missa (festa do Corpo), para moldar o barro ainda lamacento do coração da humanidade. Este Deus, Palavra de fogo, como diz tão bem o livro do Deuteronómio, escreve nas tábuas da vida de cada um o sabor sublime da alegria da esperança. Este Deus, fonte de Água Viva, como diz o Evangelho de São João no diálogo de Jesus com a Samaritana, encontramos a razão ou todas as razões para o amor. A vida, sem este condimento, seria um absurdo e fatalmente uma caminhada para a não existência. Também podemos dizer que sem o comensal que cada refeição proporciona o que seríamos nós senão uns solitários e uns tristes. E «um homem só está sempre mal acompanhado», reclamou Paul Valéry (escrtior francês, 1871-1945). Sem a festa do Corpo de Deus, feita realidade no corpo que cada um de nós é, seríamos corpos sem alma e corpo sem alma, está fatalmente morto. O Corpo de Deus, feito festa na Eucaristia, é um apelo de mudança a toda a injustiça, a todo o ódio, a todo o rancor, a toda a violência, a todo o poder, a todos os atentados contra a vida, contra os direitos humanos e contra todos os direitos da nossa mãe terra. Este é o apelo maior para todas as mudanças necessárias à fraternidade do mundo. A Missa, festa do Corpo de um Deus, é também a festa do nosso corpo, onde se guarda o sacrário do Deus feito dádiva de amor por cada um de nós. E por isso, fica-nos a palavra de uma santa a dar sentido à festa ou ao banquete que deve ser cada uma das Eucaristias que celebramos:
«Ó vida, que posso eu dar
a meu Deus, que vive em mim,
senão perder-te, a ti,
para merecer prová-Lo!
Desejo, morrendo, obtê-Lo,
pois tenho tal desejo do meu Amado
que morro de não morrer».
(In Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, Doutora da Igreja Poema «Vivo sin vivir en mí»).

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