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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Jesus Cristo hoje. Como?

Jesus Cristo continua a ser uma proposta para a vida toda e a vida de todos os homens. A descoberta de Jesus Cristo salvador de toda a humanidade é algo de elementar na acção da Igreja de hoje. A Igreja, Nele e por Ele descobre-se a si mesma como caminho possível de redenção e de sentido para os passos do homem. No entanto, salvaguarde-se que a pessoa de Cristo é sempre muito mais do que aquilo que somos capazes de viver e de propor.
Jesus Cristo, é a chave que abre os corações, sem jamais os trancar, para luz da paz, da fraternidade e do amor.
Este que nos falou e que continua a falar a cada um de nós hoje, oferece a ressurreição, a plenitude da vida (resposta à tão procurada eternidade pelo homem) como dom ou graça. Esta gratuidade é a tomada de consciência do meu “eu”, condição do despertar para a realidade do Reino de Cristo - o lugar da experiência do encontro, a condição essencial do ser cristão hoje e sempre (cf. Jo 1, 1-4).
A ressurreição tem esse preço: despertar para a realidade do Reino. Um reino onde se entra não pela guerra, pela invasão ou pela conquista, mas pela dose de entrega ao serviço do outro, o que implica um eficaz desprendimento dos bens, que no fundo manifesta uma radical preocupação mais em dar do em receber. Onde está esse Reino?
O Reino está onde o homem realiza a disponibilidade para o amor, porque Deus é amor. Se teimas em dizer “que não chegou” é porque continua de pé o desafio: é preciso realizar em nós todos essa relação de amor com o mundo. É pois, nesta tensão entre o “já realizado” do despertar pessoal para o desejo do reino, e o “ainda não” do despertar de todos para esse mesmo fim, que formam o drama inquietante da errância. Não parar nunca é a única razão constitutiva dessa tensão que nos torna, por conseguinte, responsáveis pelo despertar de todos.
Chegamos à única regra de Jesus, a do amor. Cristo, esse Deus sem raios e sem coroa (a não ser a de espinhos), não é um rei legislador. Não impôs mandamentos ou leis, evocou as “Bem-aventuranças”. A única lei possível, é a lei do amor, vivida sempre em todas as circunstâncias da existência humana.
As estradas do mundo ficam em melhores condições para serem encetadas pelos homens, quando iluminadas pelo ícone Jesus Cristo. Assim sendo, no rosto de Jesus percebemos como a misericórdia de Deus se radicaliza cada vez mais. Daí, comungamos a vontade de dar mais nas vias do diálogo que une para lá das diferenças de língua e de raça, na partilha dos ideais e dos dons, dos problemas e das esperanças… Com tudo isto, se fará uma experiência viva da realidade prometida por Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles” (Mt 18, 20).

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