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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O moralismo

É intolerável o falso moralismo ou o moralismo para ficar bem na imagem de circunstância, isto é, um moralismo de encomenda, que não passa de falsidade hipócrita. De que vale indignar-se com determinadas palavras, histórias e anedotas, se depois são muito procurados, desalmadamente, programas de televisão, filmes pornográficos e novelas intriguistas de fraca inteligência, onde se fala da forma mais abjecta possível, onde os personagens se desnudam frequentemente e onde fazem sexo pior que os animais?
Não suporto as palavrinhas mansas de gente sem princípios que bajula só para ficar bem. Nem tolero a preguiça de pensamento que produz gente desmoralizada que não é capaz de ter opinião própria e pensamento próprio. A lógica, que não é lógica nenhuma, mas pura tontice, que gera funcionários - existe por todo o lado - que não pensam por si mesmo, é uma nova forma de escravidão que muitos chefes alimentam para terem à sua volta um bando de energúmenos desmiolados sem tino para fazer nada de jeito. Basta isto para se iludir que se tem poder e que tudo funciona.
Todos estes mecanismos, a nós provocam desprezo e o mais profundo esquecimento para que esta forma de vida não perturbe o verdadeiro sentido que queremos perseguir.E termino com uma citação provocante, para que se admirem que os meus dias estão cheios de esperança. Tiro esta citação do magnífico texto de Alexandra Lucas Coelho, do Público de 2 de Julho de 01. Diz a jornalista que no impacto da sua descoberta da obra de Sade, em 1947, Octavio Paz escreveu um poema que termina assim: «Ousa fazê-lo: / sê o arco e a flecha, a corda e o «sim»! / Sonhar é explosivo. Explode. Sê novamente um sol./ No teu castelo de diamantes, a tua imagem / autodestrói-se, auto-refaz-se, e nunca se cansa».

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