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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Comentário à Missa do próximo Domingo

01 Março 2009
Domingo I Tempo da Quaresma – Ano B
O Baptismo que salva
I Pe 3, 18-22
O baptismo é um dos vários requisitos indispensáveis para a salvação. São Pedro, compara o baptismo ao dilúvio dos dias de Noé. O dilúvio salvou Noé da corrupção e da perversidade do velho mundo. O baptismo salva-nos da corrupção e do pecado da nossa velha vida. Uma vez que o texto afirma que o baptismo nos salva, a questão é indiscutível. Por isso, vejamos o que diz o texto: «Ser baptizado não é tirar a imundície corporal, mas alcançar de Deus uma boa consciência…», isto é, pelo baptismo alcançamos a salvação de Deus. Depois de recebermos o baptismo a nossa vida não entra num caminho tipo «mar de rosas», sem problemas, sem sofrimentos e sem as peculiaridades de qualquer história pessoal. Todos estamos sujeitos às contingências desta vida. Não devemos temê-las, mas antes devemos robustecer-nos com os ensinamentos de Jesus para as vencermos sempre. O baptismo é o primeiro requesito desta força interior que Deus nos quer oferecer. A história pessoal de cada um e de todos nós, pode ser também um deserto, onde as tentações para o mal podem ser uma realidade bastante abundante. Mas, vejamos, que o deserto pode ter dois sentidos, um positivo e outro negativo. Esta experiência, descobrimo-la em Jesus a partir do Evangelho. Do ponto de vista positivo, podemos dizer que o deserto é uma ocasião propícia para o silêncio, para a oração, para a penitência e para a partilha. Mediante estes aspectos podemos reencontrar o sentido da vida e redescobrir tudo aquilo que é fundamental para sermos felizes. O deserto pode ser ainda uma ocasião onde deixamos o Espírito nos encher de verdade e assim criarmos as condições necessárias para assumir plenamente todos os projectos da nossa vida. Jesus dá-nos o exemplo. Do ponto de vista negativo, o deserto pode ser tudo o que não tem sabor nem é importante para nos tornarmos mais humanos e mais irmãos uns dos outros. O deserto pode ser toda a nossa propensão para a esterilidade do amor. Uma vida toda carregada de egoísmo, de violência e de ódio contra os outros é uma vida no deserto árido sem sombra de existência verdadeira. As tentações, fazem parte da vida e podem ser uma constante no nosso pensamento e no nosso coração. Porém, se, sob a condição de baptizada, à maneira de Jesus, acreditamos de verdade na mediação fiel do Espírito Santo, nada nos pode demover daquilo que escolhemos para as nossas caminhadas pessoais. Assim, o baptismo não é o único requisito para a salvação hoje, mas não podemos ser salvos sem ele. «Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus» (Jo 3, 5).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Terá sentido o sofrimento?

- É óbvio que o sofrimento nunca tem sentido. Porém, o sofrimento pode ser uma mediação de salvação e possibilidade de encontro ou reencontro para a descoberta do sentido da plenitude da vida. O sofrimento é apenas um momento da vida. Se tivesse sentido seria uma coisa agradável, todos gostariam de sofrer. A religião cristã, ensinará que o sofrimento não tem sentido nenhum, é apenas um momento da existência ou uma circunstância da vida à qual estamos todos sujeitos, mas é sempre apenas uma ocasião, uma passagem para uma outra realidade que se deve crer de glória e de eternidade. No entanto, descobrimos na tradição cristã sinais curiosos relacionados com os santos, onde a dimensão do sofrimento humano mais parece ser amada do que repudiada. Eles manifestam uma alegre loucura pelo sofrimento, como sinal de comunhão com o sofrimento de Cristo. São Paulo foi o primeiro a manifestar essa comunhão espiritual com Cristo sofredor: “Trago no meu corpo as marcas (estigmas) de Jesus” Gál. 6,17). Outros casos muito antigos revelam-nos essa comunhão apaixonada ao sofrimento de Jesus Cristo. A santidade de São Francisco de Assis levou a Igreja a admitir a respeitabilidade por este fenómeno. Com efeito, haverá alguém mais cómico, mais amigo da vida, da natureza, mais amante da alegria que o Poverello? Haverá alguém que se assemelhe mais a Jesus? Em nenhum santo descobrimos o sofrimento como uma derrota final irreversível, mas como sinal de comunhão com Cristo sofredor e como caminho para a alegria da glória da ressurreição. Com esta luz, vamos inicar o tempo da Quaresma, numa imposição de Cinzas, que só fazem sentido, mediante a esperança de um futuro feliz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Reintegração dos Lefebvreanos

A reintegração dos Lefebvreanos pelo Papa Bento XVI fez rebentar uma bomba de consequências imprevisíveis. Os Lefebvreanos pertencem à Fraternidade S. Pio X, fundado pelo arcebispo dissidente Marcel Lefebvre. Em 1988, Lefebvre tinha sido objecto de excomunhão pelo Papa João Paulo II por ter ordenado, sem autorização da Santa Sé, quatro bispos, também eles automaticamente excomungados. Alguém esperaria ventos de mudança com este Papa? - Quem os esperou, agora teve uma resposta bastante contundente. Sobre este assunto remeto para a leitura do excelente texto do Anselmo Borges no DN de Lisboa do Sábado passado (14-02-2009): «BENTO XVI E OBAMA». Boas leituras

Para que serve a Igreja?

Boa pergunta esta. A Igreja perdeu o inferno, o céu vai no mesmo caminho, dizem que os jovens não querem saber da Igreja para nada, os casais mandam às urtigas todas as directrizes morais que a Igreja lhes reclama, a sociedade em geral emancipou-se e faz tudo sem a referência ao religioso, a cultura actual funciona muito bem sem a Igreja, a vida é possível sem a doutrina da Igreja... Então para que serve a Igreja? A Igreja como está para pouco ou para nada servirá. A mudança é urgente e a onda que reclama essa mudança, pouco a pouco, está a ganhar cada vez mais adeptos quer dentro e quer fora de portas da Igreja. Se olharmos bem as coisas como estão, penso, que ninguém deseja uma Igreja apenas zeladora de património, que se preocupa apenas e quase exclusivamente com a gestão dos bens deste mundo, qual senhor rico que se gasta com as transações do mercado e com as papeladas burocráticas que ditam a posse e o domínio da propriedade. É para isto que a Igreja existe? – a ser para isto apenas, é muito pouco. Outro aspecto está no excessivo poder que a Igreja procura ter. A hierarquia da Igreja está mais preocupado com o poder e nada atenta à conversão constante. Por isso, uma Igreja que se envolve em quizilas internas por causa de títulos e por causa da autoridade não serve para nada. Também ainda encontramos uma Igreja que não sabe conviver com a pluralidade e a diferença. A maior parte das vezes quando alguém se manifesta contra determinadas posições e marca a diferença no modo de pensar, é logo conotado com qualquer rótulo indecente e contrário ao sentido do Evangelho. Para este nosso tempo onde o confronto das posições e a pluralidade do pensamento é uma constante, uma Igreja que não sabe perceber e cultivar essa realidade, está visto que não serve para nada.

Comentário a São Paulo na Missa do Domingo

22 Fevereiro 2009 Domingo VII Tempo Comum – Ano B
O que há Nele é um «sim»
II Cor 1, 18-22
A disponibilidade para em todos os momentos da nossa vida dizermos «sim» a Deus. Balduíno de Ford (?-c.1190), abade cisterciense na Homilia 10, sobre Ct 8, 6; PL 204, 513 ss. (trad. breviário) dirá sobre o amor a Cristo: «Grava-me como selo em teu coração [...], porque forte como a morte é o amor» (Ct 8,6). «Forte como a morte é o amor» porque o amor de Cristo é a morte da morte. [...] Da mesma forma, o amor com que amamos a Cristo é, também ele, forte como a morte, porque constitui, à sua maneira, uma morte: uma morte que põe fim à vida velha, em que os vícios são abolidos e as obras mortas são abandonadas. De facto, o amor que temos a Cristo [...] – mesmo estando longe de igualar aquele que Cristo tem por nós – é à imagem e semelhança do Seu. Cristo, de facto, «amou-nos primeiro» (1Jo 4,19) e, através do exemplo que nos deu, tornou-Se para nós um selo, a fim de que nos tornemos conformes à Sua imagem [...]». O Cristianismo que nós professamos não é uma religião de simples seguidores de um plano ou projecto político ou social. É antes uma forma de vida que nos toca por dentro, porque nos convoca para o seguimento de uma pessoa concreta que nos fala e desafia para atitudes de amor, isto é, os outros homens deixam de ser apenas semelhantes, mas irmãos devemos acolher e amar desmedidamente. Não vale estar à espreita falhas ou pecados para censurar e murmurar uns com os outros. Pede-nos Jesus que sejamos misericordiosos e que não nos deixemos levar pelos instintos primários das emoções mais fortes, condenando e desprezando logo à partida tudo o que venha daqueles que estão à nossa volta, como se cada um de nós fosse o mais perfeito do mundo. O exemplo de Jesus Cristo é muito evidente. Mais vale para Deus gestos de compaixão e de abertura para com os irmãos. Porque a regra do Reino de Deus está bem delineada diante do nosso coração: «que é mais fácil?...» perdoar os pecados ou pôr o paralítico a andar? Perante as dúvidas censórias, Jesus não se perde nos «mas» ou nos «talvez», mas perdoa os pecados e cura o paralítico, porque a sua opção é sempre um «sim» radical à vida em abundância para aqueles que a desejam acolher com verdade.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Comentário a São Paulo na Missa do Domingo

15 Fevereiro 2009
Domingo VI Tempo Comum – Ano B
Não sejais ocasião de escândalo para ninguém
1Cor 10, 31-11, 1
Ao tomar conta deste texto de São Paulo, saltou-me ao pensamento o tema do racismo e da xenofobia. Por isso, lá vão duas situações que se passaram na nossa cidade. Uma mulher de cor negra grávida entrou no autocarro a caminho da sua casa. Ao chegar ao interior do autocarro, duas ou três pessoas já de alguma idade, estavam sentadas junto das janelas, quando se aperceberam da chegada desta senhora saltaram repentinamente para os bancos da coxia para que a grávida não se sentasse ao seu pé. Alguém de cor branca noutra zona do autocarro presencia a «cena de terror», fazendo prevalecer o bom senso e que repudia qualquer sombra de xenofobia, levantou-se de imediato e ofereceu o seu lugar para a senhora mais necessitada de assento, tendo em conta o seu estado de gravidez. A seguir não faltaram ofertas de assento para esta outra senhora que se prontificou amavelmente a oferecer o seu lugar. Obviamente que esta mulher recusou com um misto de prazer as prontas ofertas carregadas de racismo doentio. Outra situação passou-se num lar de terceira idade, onde trabalha uma jovem de cor negra. Uma senhora de cor branca, cheia de salamaleques e muito dona do seu nariz, para não dizer de nariz empinado, outro dia caiu ao chão, sem conseguir levantar-se foi de imediato socorrida por esta funcionária, não se fez esperar as manifestações de racismo primário e doentio, diz a idosa o seguinte: «tira essas mãos pretas de cima de mim». Na mesma ocasião alguém de bom senso, ao presenciar a cena triste, dirige-se à idosa do seguinte modo: «óh dona tal… não diga semelhante barbaridade, esta jovem tem as mãos mais brancas do que a vossa alma, que está preta de rancor e de ingratidão». O rosto da jovem ficou lavado em lágrimas. A idosa parece ter aprendido a lição. São Paulo, aponta o caminho, Cristo a todos quer salvar, tenham a cor que tiverem. Não importa. Basta que cada coração esteja cheio de amor e aberto ao acolhimento do outro de forma desinteressada. Esta é a religião dos irmãos, porque todos filhos de um Pai comum. Por isso, dói saber-se que estas manifestações de racismo e xenofobia ainda fazem parte da nossa sociedade. É a lepra dos nossos tempos. Não pensemos que o racismo é só coisa de África ou da América, está muito bem implantado no nosso quotidiano. Silenciosamente provoca muitas injustiças e sofrimentos. O apelo do Apóstolo dos gentios deve calar fundo no coração de cada um de nós: «não sejais ocasião de pecado…». Não podia vir mais a propósito este apelo, para que cada um deixe de pensar que se salva sozinho e que ser cristão não implica uma abertura aos outros incondicionalmente. A salvação de Deus, nunca acontece individualmente, mas vem ao encontro de todos. E Deus quer que nos olhemos como irmãos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Comentário a São Paulo na Missa do Domingo

Domingo, 08 Fevereiro 2009
Domingo V Tempo Comum – Ano B
Ai de mim se não anunciar o Evangelho
1Cor 9, 16-19, 22-23
No ano dedicado ao Apóstolo dos gentios, temos de redescobrir a urgência da missão, a qual não se identifica com o proselitismo, constrangendo os outros a adoptar o nosso modo de pensar e de ver, nem se reduz a uma mera inculturação do Evangelho, mas que antes é uma encarnação da Palavra de Deus na multiplicidade de condições humanas, línguas e costumes das pessoas que se vão encontrando. A exclamação Paulina «Ai de mim se eu não anunciar o evangelho», é igualmente válida para todo aquele que, sendo leigo, presbítero ou bispo, recebeu das mãos da Igreja o Evangelho, esse mesmo Evangelho que deve propagar como se difunde «o perfume de Cristo» (2Cor 2,15) entre aqueles que estão perto e os que estão longe. O Senhor não quer que acabemos por desvalorizar o Evangelho que foi depositado em nós como «um tesouro, em vasos de barro» (2Cor 4,7), mas quer antes que arrisquemos tudo para o fazer atractivo e útil ao sentido da vida da humanidade inteira. Jesus Cristo em pessoa é o tesouro, achado no meio do campo, pelo qual vale a pena vender quanto possuímos e somos, a fim de o adquirir. Por ele somos chamados a considerar tudo como «lixo, a fim de ganhar Cristo e nele encontrados» (Fl 3,8-9). O Evangelho completa a sua carreira com os pés cansados, cobertos de pó e não raro feridos, com os pés de quem, como Paulo, «nada mais quis saber, a não ser Jesus Cristo e este crucificado» (1Cor2,2). Neste suspiro de São Paulo, todo o cristão se revê. O Evangelho, é a grande Palavra para o cristão – qual terreno, onde se mostra o tesouro Jesus Cristo – para ser depois apresentado por cada um de nós que já alimentamos o sentido da vida com as pérolas do seu ensinamento. A descoberta deste tesouro de alegria, de paz, de amor e de plenitude, deve fazer de todos os cristãos, pessoas inquietas enquanto a mensagem do Evangelho não chegar a todos os corações. Por isso, façamos do desabafo de Paulo a nossa respiração e que todos possam dizer, não sei viver neste mundo se não dou aos outros tudo o que Jesus já me deu. Esta oferta pode, se nós quisermos, embelezar o nosso mundo e a vida toda.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Freguesia do Jardim da Serra

O Diário de Notícias do Funchal, publicou uma reportagem no Domingo 1 de Fevereiro sobre a Freguesia do Jardim da Serra. A imagem que transparece desta Freguesia é do mais negativo que alguma vez vi sobre uma terra e um povo. Até parece que não existe ali mais nada senão misérias e viciados de toda a ordem. A beleza deste sítio e as gentes que o embelezam ainda mais mereciam que se destacasse o quanto custa a vida actualmente, porque a maioria da população vive da agricultura e uma grande parte (sobretudo os mais jovens) trabalham em serviços. O destaque não foi para o que de muito bom se faz nesta Freguesia e na beleza geral que a enforma, mas foi logo para chamada de primeira página o consumo de estupefacientes (droga), o consumo de álcool, pobreza geral e outras misérias. Naturalmente que ninguém nega que o trágico e consumo de estupefacientes sejam uma realidade dos nossos dias e está totalmente generalizado, todas as populações estão mais ou menos familiarizadas com esta realidade. Mas, nenhum povo se reduz a isso e está muito para além disso o pensamento e os seus afazeres. Este trabalho é pobre e desprestigiante para a Freguesia do Jardim da Serra. Por isso, fica uma imagem degradante da Freguesia que tanta luta precisou para ser o que é. Porém, resta o consolo que esta imagem negativa é passada por um órgão de informação que não se inibe de fazer um «jornalismo terrorista», porque sempre confunde a parte com tudo e um ou dois com toda a gente. Até quando durarão estes escribas de vão de escada, sem respeito pelas nossas gentes?

Até na religião a Madeira é um brinquinho

A «Flor do Mar» é uma telenovela da TVI que está a ser filmada na Madeira. Já por duas vezes me escandalizei com ela. A primeira, foi quando um amigo me informou que o Governo Regional da Madeira doou quinhentos mil euros – repito, 500 mil euros – para a produção de tão elevado momento cultural. Não procurei comprovar convenientemente este generoso donativo, apenas deduzi que se não foram 500 mil algum deve ter sido. A badalada justificação para a generosidade vem sempre à carga, a promoção da Madeira lá fora exige avultados donativos, que são sempre uma ninharia face aos benefícios que todo o povo saboreia. É muito verdade meus senhores esta justificação. Ora bem, com base nestes pensamentos encontrei razões mais do que suficientes para nunca ver esta telenovela. Porém, ressalvo que não sou apreciador de telenovelas, já vi uma ou outra e facilmente ficamos presos à sequência dos capítulos, por isso, procuro evitar prender-me a estes produtos tão elevados de espírito e de sabedoria sobre a vida humana. Actualmente, não vejo nenhuma em especial, vejo um curto momento na passagem do zaping ao fim do dia. Obviamente, que prefiro ver os canais temáticos e notícias em especial, não há tempo para mais. A segunda vez que me escandalizei com a telenovela «Flor do Mar», foi com o arraial que se fez a fingir por estes dias em São Vicente. O arraial tinha todos os ingredientes típicos das nossas festas tradicionais, nem faltou toda a panóplia religiosa que acompanha os arraiais que se fazem nas nossas comunidades paroquiais em honra dos Santos padroeiros e do Santíssimo Sacramento ou ainda aos diversos títulos marianos ou outros motivos religiosos, por exemplo, o Espírito Santo. Não gostei de ver uma procissão a fingir com a imagem de São Vicente sobre um andor como se de uma procissão a sério se tratasse. O interior de uma das nossas igrejas servir de palco de um espectáculo, os paramentos litúrgicos servem usados com indumentária de fantasia novelesca e ect. Para a maioria das pessoas, é óbvio que esta fantochada não lhes diz nada nem os fazem pensar, é mais um motivo para o despique folclórico e para correr atrás dos pequenos heróis que a televisão fabrica com estes produtos rascas. Outros, os mais arredados encontraram mais razões para dizerem que afinal têm razão quando afirmam que a religião se reduz a palhaça. A procissão em honra de São Vicente e todo o aparato religioso que tal acto implicou, realizaram-se fantasiosamente como se algo de sério se tratasse, penso que deve ter existido autorização eclesiástica para tal, a ter sido dada autorização, a meu ver resulta em pouca prudência que deve ser repudiada. Se tudo isto implicou contrapartida monetária para a igreja, então, estamos diante de algo muito grave que a todos deve indignar. A seriedade das coisas litúrgicas não tem preço. Obviamente, que não estou contra este género de produções, a democracia tolera tudo, mas devem existir fronteiras e o razoável deve ser regra para todos e, especialmente, no campo religioso. Assim, faltava cantar que às vezes até na religião a Madeira é um brinquinho.