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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Em Ano Sacerdotal…

Um bispo que incomodou Salazar
Não, desta vez não é de D. António Ferreira Gomes que vou falar.
No livro “A Igreja Católica e o Estado Novo em Moçambique”, encontrei duas afirmações que provocaram este texto:
1ª. - Em Portugal, raros são aqueles que sabem quem foi D. Sebastião Soares de Resende. Desconhecem a importância deste homem na História de Portugal e de Moçambique.
2ª.- A historiografia portuguesa nunca deu relevo algum a este homem, nem ao facto de o “Caso do primeiro bispo da Beira” ter tido, em termos internacionais, mais repercussões que o conhecidíssimo “Caso do bispo do Porto”, nem ao facto de ter sido um autêntico herói nacional.
Em “Ano Sacerdotal” é da mais elementar justiça evocar esta figura insigne do Clero do Porto, no aniversário da sua morte, ocorrida em 25 de Janeiro de 1967.
Natural de Milheiós de Poiares, Feira, D. Sebastião Soares de Resende foi sagrado Bispo na Sé do Porto em 15 de Agosto 1943. Logo em 8 de Dezembro tomou posse como primeiro bispo da Diocese da Beira, em Moçambique.
Um Profeta * No anúncio
Apóstolo da Palavra privilegiou a escrita, para o que criou o “Diário de Moçambique” (“Um jornal é mais importante que três ou quatro missões.”, dizia). Difundiu a Palavra, também, através da Rádio Pax. Logo na primeira das suas quinze pastorais, afirmou a sua preocupação. “Pretendia lutar por um conjunto de princípios e ia empenhar-se na resolução de graves problemas que assolavam a sociedade africana” (obra citada).
* Na denúncia
- “Impera na Beira a escravatura!”
- “ Querem o preto selvagem para continuar a ser animal de carga.”
* No prenúncio
- “ Haverá no futuro muito sangue a correr em África”.
- “Moçambique tem os seus direitos e uma vez que seja possível, deve tornar-se independente, com negros e brancos a governar”.
* No sofrimento.
O seu jornal foi suspenso por três vezes; todos os seus movimentos eram controlados pela PIDE e, em 1962, Salazar impediu a sua nomeação para Arcebispo de Lourenço Marques.
A sua voz teve grande repercussão internacional. Nos Estados Unidos, foi ouvida pelo Presidente Kennedy e pelo Arcebispo de Nova Iorque, Fulton Sheen. No Brasil, foi sócio correspondente da Academia de Letras. Fez dez intervenções directas no Vaticano II: “ Tratei da igualdade da pessoa humana, do amor para com os inimigos e da igualdade entre os homens”
Um Precursor
* Na democratização do ensino. Criou muitas escolas básicas. Introduziu o ensino secundário na Beira. Fundou escolas para professores, especialmente nativos. Lutou pela “ Universidade da África Portuguesa aberta igualmente a todas as raças e dotada de todas as faculdades”
* Na ida de missionários estrangeiros, ao arrepio da vontade de Salazar. Fizeram História os “Padres de Burgos” na denúncia dos massacres de Wiriyamu.
J. ALVES DIAS, in Voz-Portucalense de 20/01/10

1 comentário:

Anónimo disse...

Padre José Luís fez bem noseu bloque relembrar a memória de Sebasteão Soares Resende. Ele e António Ferreira Gomessegundo bispos que estiveram no Concílio disseram que foram os dois mais brilhantes do episcopado português, cujas vozes proféticas contra a ditadura eram bem ouvidas. Outros coitados nada disseram. A dupla Sebasteão Resende e António Ferreira Gomes denunciaram os atropelos de Salazar e condenaram a ditadura que então imperava em Portugal e que era do gosto da maioria do episcopado português e da sua cabeça cardeal Cerejeira. O Carceal Montini futuro Paulo VI disse em pleno Concílio "que pedia a Salazar e a Franco que não desse privilégios à igreja de modo a que ela se tornasse livre na sua missão de ser fiel ao Evangelho na defesa dos oprimidos" Mas também neste Ano Sacerdotal porque não lembrar outras figuras nomeadamente os Padres Teixeira da Fonte e Maurício de Freitas. O primeiro natural do Estreito da Calheta o segundo do Caniço. Eles foram vozes discordantes com a posição da hierarquia madeirense e tal como alguns padres actuais que tomam posições corajosas, entre os quais o Padre José Luís, foram ostracizados e expulsos da Madeira.
Para não não falar de Abel Varzim , Joaquim Correia Alves e Américo Aguiar o célebre Padre Américo da Casa do Gaiato. O P. Alves Correia morreu no exílio nos EUA. E muitos outros: Felicidade Alves, Honorato Rosa etc etc .