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domingo, 2 de maio de 2010

Tenho Saudades do Calor ó Mãe

I.
Tenho saudades do calor ó mãe que me penteias
Ó mãe que me cortas o cabelo — o meu cabelo
Adorna-te muito mais do que os anéis
II.
Dá-me um pouco do teu corpo como herança
Uma porção do teu corpo glorioso — não o que já tenho —
O que em ti já contempla o que os santos vêem nos céus
Dá-me o pão do céu porque morro
Faminto, morro à míngua do alto
III.
Tenho saudades dos caminhos quando me deixas
Em casa. Padeço tanto
Penso tanto
Canto tão alto quando calculo os corpos celestes
IV.
Ó infinita ó infinita mãe
Daniel Faria , in "Dos Líquidos"
Nota: Daniel Augusto da Cunha Faria nasceu em Baltar, Paredes, a 10 de Abril de 1971. Frequentou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa – Porto, tendo defendido a tese de licenciatura em 1996. No Seminário e na Faculdade de Teologia criou gosto por entender a poesia e dialogar com a expressão contemporânea. Licenciou-se em Estudos Portugueses na faculdade de Letras da Universidade do Porto. Durante esse período (1994 - 1998) a opção monástica criava solidez. A partir de 1990, e durante vários anos, esteve ligado à paróquia de Santa Marinha de Fornos, Marco de Canaveses. Aí demonstrou o seu enorme potencial de sensibilidade criativa encenando, com poucos recursos, As Artimanhas de Scapan e o Auto da Barca do Inferno. Faleceu a 9 de Junho de 1999 quando estava prestes a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga.

2 comentários:

Pelos caminhos da vida. disse...

Mãe o nosso maior amor.


Hoje à partir das 18 hrs, meu blog está concorrendo mais uma votação da Copa Blog, conto com seu voto amigo.Essa votação termina dia 05/05 e, depois aguardar a semi- final.

Meu blog é:

http://anamgs.blogspot.com

O site para a votação é esse aqui:

http://dado.pag.zip.net/

Caso não consiga acessar por aqui, o link está no final do post atual meu.

Desde já fico-lhe grata.

Uma semana de muita luz.

beijooo.

Juliana Lira disse...

Mãe!

Que palavra doce, aconchegante, tão chei desiginificados:
Me lembra colo, abrigo, leite quente...
Talvez seja um dom divino ser mãe, já que conheço algumas mulheres que não conseguem ser.

Lindo poema!

Milhões de beijos