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terça-feira, 15 de junho de 2010

O rei está a morrer

"Uma das experiências teatrais mais impressionantes"
A peça, do escritor romeno Eugene Ionesco (1909-1994), fala da essência da existência humana diante do golpe do destino que todo o ser humano tem de enfrentar, mesmo com os temores do que pode acontecer ao dar o último suspiro.
Uma comédia que mostra até que ponto o ser humano se pode tornar ridículo quando é confrontado com a efemeridade da vida e o inútil apego que temos às coisas materiais.
"Julgava erroneamente, que se tratava de uma peça sobre o poder do mundo confrontado com a transitoriedade humana, da qual a morte é etapa definitiva", escreve Pedro Mexia no texto de apresentação da peça.
"É também isso, claro, mas é sobre a nossa morte, de nós todos, sobre o mundo que acaba quando nós acabamos", explica o subdirector da Cinemateca Portuguesa.
"No princípio da peça - prossegue o poeta - somos logo informados de que o rei vai morrer dali a uma hora e meia (a duração do espectáculo) e durante esses noventa minutos assistimos à agonia do rei Bérenger, que perde o reino, perde a sua «entourage», perde o sentido da realidade, delira, desespera, e desfalece ainda rodeado dos últimos, e já ridículos, cerimoniais régios."
"Ionesco escreveu a peça depois de ter estado internado num hospital, e este corajoso confronto com a mortalidade é uma das experiências teatrais mais impressionantes que conheco", refere Pedro Mexia.
"Vivemos na 'solidão' e na 'incomunicabilidade' mas sobretudo na angústia de haver ou não metafísica, de tudo acabar ou não quando acabamos, Talvez seja um tema absurdo, talvez seja o tema mais verdadeiro", conclui.
"O Rei está a morrer", encenado por João Mota, pode ser visto no Teatro da Comuna, em Lisboa, até 27 de Junho. (O vídeo está no post anterior)
In Pastoral da Cultura

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luis, todo o sofrimento da morte acaba por ser sempre um acto solitário. A angústia da morte é sempre individual por mais circundantes que tenhamos. Mas, curiosamente, é sempre protagonizado pelo o angustiante e, consequetemente, pelo morto. Tudo se evapora. Se não houvesse a morto não existia a religião nem a filosofia.Os fins últimos são de grande complexidade.