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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Só para lembrar à curta visão do ser ilhéu

Nota da redacção: Serve a presente citação apenas e só para lembrar às doutas mentes que governam a diocese do Funchal e a nós todos, que Somos Igreja...
Vem esta citação do Professor Anselmo Borges a propósito da bela entrevista que Frei Bento Domingues concedeu no Sábado passado ao DN do Funchal e que mereceu o mais estapafúrdio comentário da auto denominada voz da Diocese do Funchal, na qual não me revejo em absoluto. Lembramos também que o nome Frei Bento Domingues coloca-nos perante um dos mais importantes teólogos portugueses da actualidade, com muitas provas dadas nesta área quer a nível nacional quer internacionalmente falando. Não merecia que a Diocese lhe prestasse tamanha ofensa. Já não é a primeira vez, que se ofende figuras nacionais, só porque, desassombradamente, colocam o dedo da nossa insarável ferida, o «matrimónio» entre a Igreja da Madeira e o partido que governa a Madeira. A isso chama-se cooperação. Ó santa ignorância e não nos façam de parvos com a ilusão que nos cegam com poeira atirada aos olhos.
Qual será o porquê de entregar pronunciamentos oficiais da Diocese do Funchal, a gente tão impreparada, que faz doer a alma? - Salta-nos a palavra seguinte para tais pronunciamentos, ridículo, apenas e só... E quem entra por aí que assuma a responsabilidade do ridículo, mas que fale só e unicamente em seu nome pessoal. Não se nomeie voz oficial, nem muito menos juiz da Igreja, porque a Igreja não precisa de juízes, mas de profetas ousados e discípulos corajosos do Mestre Jesus Cristo. Confundir a voz da Igreja com a voz do Jesus de Nazaré, é a maior das ofensas ao Evangelho. Mas, que se há-de esperar de tamanha miséria em que caiu a nossa Igreja. Responsáveis? - Os pobres padres, feitos bispos pelos amigalhaços que depois nos disseram a nós, o povo, serem fruto da acção do Espírito Santo. Mas, a quem serve esta manipulação ao redor do Espírito Santo? - Nem ao Espírito Santo nem muito menos à Igreja de Jesus Cristo, pela qual derramaram o sangue a multidão de mártires que a história do Cristianismo pode contar.
Coitado do Espírito Santo, não sabe de metade da missa que tais senhores rezam todos os dias, devotamente, com o cálice do orgulho e o pão da ignorância que o pretenso poder lhes confere. Fiquem-se com o ridículo que tais pronunciamos lhes conferem, porque, nós vamos adiante por outros caminhos. Porque, por um lado, não nos revemos numa igreja que não aceita o diferente, o debate de ideias, a ousadia das iniciativas pastorais, a coragem perante os poderes dominantes deste mundo... Ora, tudo o que a seguinte citação refere em baixo.
Por outro lado, como aceitar uma igreja que tolera gente sexualmente doente, abusadores de menores, vulgo, pedófilos, frustrados com aventuras amorosas, carreiristas ignorantes e pobres de espírito que se fazem vozes do dono, seguros que a bajulice os irá recompensar com mordomias e o pretenso poder? - Não, não e não, estamos contra esta forma de ser igreja e queremos antes uma Igreja de irmãos que tomam o pão da vida e o cálice do amor pelo «Bem-Comum» todos os dias na Eucaristia de Jesus de Nazaré e não nas missas do poder dos senhores deste mundo.
A seguir já estou a ver as baboseiras da comunhão e da devoção ao Papa e aos bispos que muitos só sabem fazer e lembrar aos que eles consideram perdidos, só porque pensam de modo diferente da ortodoxia que interpretam à sua maneira puramente pessoal, porém, lembro que o Cristianismo não teria passado de mais uma singela seita se tais baboseiras tivessem feito história. São Paulo, é a figura sintomática dessa «afronta» que vós dizeis ser pensar de modo diferente da vossa ortodoxia. Por isso, deixemo-nos de tontices e vamos preencher o coração com a abertura ao debate de ideias como reclamou o Bispo D. Januário Torgal Ferreira, quando dizia há dias na sua crónica semanal, que na Igreja portuguesa nada se debate e essa era uma das grandes lacunas da nossa Igreja actual. De resto, só a Deus se deve prestar contas.
Por fim, termino com a prometida citação de um «cubano». Mas, espero que a condição do ser ilhéu não nos encurte a distância da sabedoria nem os limites geográficos sejam norma para aferir o que quer que seja, porque, se tal se fizer regra, então, que sirva para todos os domínios sem excepção e depois ver-se-á a pobreza em que nos tornamos.
«A doutrina social católica assenta nos seguintes princípios: "o bem comum, a solidariedade, a opção pelos pobres, a subsidiariedade, o destino comum dos bens, a integridade da criação, o centramento nas pessoas", que se baseiam e seguem o Evangelho.
Estes princípios deveriam "capacitar-nos enquanto Igreja para criticar construtivamente todos os sistemas e políticas sócio-político-económicos", especificamente a partir dos seus efeitos sobre os mais pobres e vulneráveis. Mas, cá está: para poder criticar, a autoridade da Igreja deve estar também disposta a submeter-se à crítica e seguir ela própria os princípios que prega.
O princípio de subsidiariedade deixou de aplicar-se na vida da Igreja por causa da centralização das decisões no Vaticano e "a ortodoxia é cada vez mais identificada com opiniões e perspectivas conservadoras, seguindo-se daí que o que cheira a 'liberal' é suspeito e não ortodoxo".
Como reconciliar diferentes visões e modelos de Igreja? O bispo não tem a resposta, mas sabe que "devemos encontrar uma atitude de respeito e reverência pela diferença e diversidade enquanto procuramos uma unidade viva na Igreja"».
Citação de «O restauracionismo na Igreja», por ANSELMO BORGES, DN - Lisboa, 17 de Julho de 2010.

2 comentários:

tukakubana disse...

Bem vindo ao "Banquete" e valeu a ausência pela mestria das palavras que hoje nos serve.
Já há, felizmente, muitos católicos que admiram Fr. Bento Domingues, Anselmo Borges, mas também D- Carlos ou D. Januário que, a seu tempo, lá vão alertando e dizendo as Verdades.
Claro que o "bolor" é difícil de limpar, é preciso esfregar, pintar, restaurar...é preciso paciência! Esperemos que os que gostam de ler e ouvir, destes Homens de Igreja, as verdades, mantenham a atenção e saibam transmitir a outros essas mesmas palavras, fazendo orelhas moucas às palavras bolorentas e macias que tanto se ouvem e se queixam. Os corajosos sempre foram em menor número: é da sua persistência que a História, civil ou religiosa, se escreve.

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís ratifico tudo quanto disse e tb que escreveu a Tukakubana. Esta igreja madeirense vive de fantasmas. Cria-os de maneira a subordinar o povo aos caprichos do bispo e de alguns padres. Eles é que sabem o que nós devemos fazer. ASs frustrações e as desiluções pairam nesta igreja madeirense conluiada com o poder politico regional. Homens de nomeada como o Frei Bento Domingues que é um dos maiores teólogos , conhecido de bispos que nunca o chamaram atenção nem os seus superiores da COngregação a que ele pertence a não ser ao tempo da ditadura e vem agora um miúdo de um padre que tem a responsabilidade a igreja do Colégio criticá-lo e dizer que ele está fora da igreja. E uma vergonha. O que é esse individuo, cinzento, quase nunca ri , que quer ser bispo . Oh meu Deus que triste Igreja é esta .
Mas tb só andam lá os beatos e os que estão sempre ao lado dos poderosos . Há um programa que dá aos sabados, creio que seu nome é "Amanhã é Festa" é uma miséria. Os comentarios ao Evangelho doDomingo seguinte, bem como, as "estórias" que contam. Querem-nos infantilizar mas vou por outro caminhho , não vou por aí. Como dizia José Régio.