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sábado, 23 de outubro de 2010

O suicídio dos adolescentes e jovens

Porque se suicidam os adolescentes e os jovens? – Porque nos demitimos de ensinar a transcendência da vida. Há vergonha de falar da dimensão espiritual da pessoa humana. As crianças são colocada desde cedo em todos lugares que cultivam o corpo (todas as modalidades desportivas, nunca se queixam da falta de clientes), mas, depois, há vergonha de levar as crianças à catequese e à missa, porque isso é careta, anacrónico. Digam-me quando é que a pessoa deixou de ser corpo e espírito? - A meu ver o suicídio radica principalmente na falta de sentido para a vida, na ausência de valores, na falta de fé em Deus, na recusa dos fracassos, na falta de espiritualidade/transcendência, no ruído geral da vida actual, na tristeza e na depressão… E porque é mais cansativo dar esses valores, recorre-se ao mais fácil, enche-se as casas com todas as coisas que dão prazer ao corpo e ocupa-se o dia todo com todas as actividades corporais para preencher todo o vazio. Ora, isto não é vida para pessoas. Mas, lembra a criação de animais para o abate, que têm que comer noite e dia para crescerem e engordarem rápido. É preciso mais quando se trata de pessoas.
Faz falta aprender que, quem não se aceita e não se ama a si mesmo, separa-se de Deus. Ora vejamos o que dizia a Velha Abadessa, no «Diálogo das Carmelitas» de Bernanos, quando falava com o jovem Blanche de la Force: «Acima de tudo, nunca se despreze a si mesmo. É muito difícil desprezarmo-nos sem ofender a Deus em nós». Sem este horizonte de Deus, facilmente, se desespera perante uma recusa, um abandono e como tem o sentido da vida bastante desvalorizado ou nulo, o termo da vida surge como algo muito fácil de realizar.
Muito se ensinou que a nulidade própria era importante para valorizar os outros, maior absurdo não pode haver. Quanta catequese se realizou com base neste pressuposto doentio. Por isso, reparemos nesta interessante passagem do livro de Henri Nouwen «O Regresso do Filho Pródigo». Diz assim: «Durante muito tempo considerei a baixa auto estima como uma virtude. Tinham-me prevenido tanto contra o orgulho e presunção que cheguei a pensar que desprezar-me era uma coisa boa. Mas agora dou conta de que o verdadeiro pecado é negar o amor que Deus me tem, ignorar o meu valor pessoal. Porque se não reconhecer este amor primeiro e este valor, perco o contacto com o meu verdadeiro eu e começo a procurar em falsos lugares o que se encontra só na casa do Pai».
Vamos agora todos ensinar sem medo, com coragem e convicção, que sejamos o que formos, a felicidade é possível. Que ninguém esteja privado de exercer o direito de ser o que entender ser. Vamos mostrar que a consciência deste direito leva depois à aceitação das limitações, dos erros, dos abandonos, dos insucessos e de tudo o que seja menos bom na vida. Este direito amansa a loucura de querer ser como os modelos da moda que a cultura actual apresenta. Sou o que sou e como sou, e pronto.
JLR
É apresentada a imagem em: otemadesvendado.blogs.sapo.pt

2 comentários:

tukakubana disse...

A dita educação moderna, isola cada vez mais os jovens, e mesmo os adultos, que saem da escola para o computador.Aí o mundo é só deles, sem controlo dos pais ou educadores.Se não estão no PC saem para a noite onde, antes do tempo, ensaiam frustrações, demências.
Esta falta de crescimento estruturado, do tudo querer fazer e experimentar quando o próprio organismo não suporta, quando a evolução mental e a capacidade emocional não estão desenvolvidas, leva o jovem à humilhação e à auto destruição. Resta aos educadores saber ler nos sinais do tempo que vão acontecendo.Quanto à parte espiritual é difícil argumentar com os jovens e com os seus pais, com o comportamento global que se vê na Igreja.

André Escórcio disse...

Caríssimo Padre José Luis,
A cerimónia de hoje, pelo João Francisco, tocou-me bem fundo. As palavras ditas e contextualizadas, cheias de sentido e de vida, provocaram-me um turbilhão de complexas emoções. Durante todo aquele tempo, escutando e analisando, tive a rara oportunidade de rever muita coisa e de cruzar as palavras com esta vida muitas vezes sem alma, passada ao ferro nivelador da uniformidade. Esta vida de desumanidade nos direitos. Esta vida marcada por uma dimensão económica que se esquece ou passa ao lado dos que sofrem, sejam jovens ou menos jovens. Esta vida, numa sociedade cheia de coisas mas vazia de significado.
Foi um momento de morte e de rara beleza para nós que acreditamos. A memória ficará, as profundas cicatrizes desta morte para os pais, irmãos e avós, certamente que levarão tempo a sarar, mas as convicções que os animam, estou certo, que esbaterão a indescritível angústia pela perda de um filho.
Obrigado pela excelente lição ecuménica e aos meus Amigos Rute e Gameiro, um grande abraço de viva solidariedade.