Convite a quem nos visita

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As férias

Passo a passo um desejo
Na hora do descanso
Sem ritmo quotidiano
Que tome lugar a fadiga
Nesse tempo retempera o sonho
E a vida… A isso nomearam férias.
Não o dispenses. Porque o mereces Para sempre. Boas férias para mim e para vós…
Obrigado por vires sempre a esta mesa tomar do nosso «Banquete da Palavra».
Aguarda, porque depois das férias servir-te-ei de novo as iguarias possíveis
Que a palavra confecciona.
Fica bem meu amigo/a e faz tudo para seres feliz…
José Luís Rodrigues
Imagem apresentada: In imotion.com.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Recomeçar!

O segredo das vitórias está na perseverança audaz. A vida oferece-nos tantas vezes derrotas desanimadoras, mas, se olharmos a natureza, encontramos na vida dos pássaros um exemplo formidável de perseverança. Observemos a lição das avezitas perante a adversidade. Gastam dias e dias a construir seu ninho. Com que entusiasmo buscam materiais tantas vezes em locais distantes. Partem cantado em busca de materiais apropriados: pedacitos de ramos secos, de palha, de penas. Sempre com entusiasmo indescritível. Mas, quando o ninho se esboça quase pronto para acolher os ovos, um temporal imprevisto ou um animal ou uma criança ignorante desfazem aquela pequenina construção de amor. Mas os pássaros não desistem. Recomeçam a faina de construção, sempre cantando num canto de entusiasmo e de esperança, num vaivem incansável, para realizarem seu sonho. E o ninho surge e recebe os primeiros ovos. Muitas vezes, porém, algo inesperado volta a destruir aquele sonho lindo...
Dói recomeçar do zero, mas mais uma vez aqueles pássaros não desistem. Recomeçam cantando. Pouco a pouco, pacientemente, vão construindo novo ninho para colocar seus ovos e acalentar seus filhotes. Na nossa vida deparamos algumas vezes com desaires que nos prostram e nos desanimam, que destroem nossos sonhos e projectos. Quantos golpes atiram por terra o nosso emprego, a nossa saúde, os nossos empreendimentos, as nossas realizações. Quantas vezes teremos pensado e dito: Basta!
Mas a lição de perseverança das aves ensina-nos a recomeçar uma vez, duas vezes ou mais, até conseguirmos reconstruir os nossos sonhos – pessoais ou da nossa família. Dói imenso ter de recomeçar, de renovar tantos sacrifícios, tanto trabalho, tantas lutas, tantas lágrimas. Mas recomeçando com entusiasmo, com a ajuda dos homens e de Deus, alcançaremos a alegria da vitória e da felicidade.
Mário Salgueirinho
imagem apresentada em: blogs.abril.com.br/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo XXI Tempo Comum
22 de Agosto de 2010
Haverá últimos que serão dos primeiros... Lc 13, 22-30
A salvação de Deus consiste em cumprir a Boa Nova que Jesus nos trouxe. Muitos pensarão que basta cumprir à risca todas as tradições e todos os costumes que nos ensinaram. Mas segundo as palavras de Jesus não parece ser esse o essencial para a vida. Não chega apenas ter todas as devoções cumpridas, muitas orações em depósito e muitas missas rezadas. Será antes mais importante conjugar a vida de oração com a vida quotidiana. Isto é, Jesus ensina que a salvação encontra-se na coragem e na capacidade que se mostra na prática da justiça.
Parece que Deus não aceita de modo nenhum a injustiça. A vida não se constrói na base da maldade contra os outros nem se edifica o bem quando vivemos na desconfiança em relação a tudo e a todos. A injustiça que nos fala o Evangelho é algo muito vasto, tem a ver com tudo o que não promove a Boa Nova do Reino e a salvação. Por isso, somos chamados a ser compreensivos com os outros e a saber perdoar sempre que necessário.
No tempo de Jesus muitos pensavam que pertencer ao judaísmo, seguindo as suas tradições e os seus preceitos, bastava para garantir a salvação. Uns defendiam que todo o povo judeu se salvaria e outros mais radicais consideravam que só os mais praticantes é que alcançariam a salvação. Neste contexto Lucas coloca na boca de Jesus uma outra visão sobre a salvação. Nada nos garante essa meta senão a prática do Reino de Deus. A porta do reino é estreita, devemos esforçar-nos por entrar nela. Mas não devemos pensar que esta porta está reservada apenas para nós. Pela boca de Jesus aprendemos que todos os povos do mundo poderão entrar por ela.
Deste modo, somos levados a considerar que não basta pensar que o facto de pertencermos a uma igreja, a um movimento religioso, a um partido envernizado de cristianismo já nos assegura a salvação. O mais importante para Deus está no esforço que fazemos para alcançar a salvação, que consiste em assumir o compromisso radical na prática do Reino de Deus e que a vontade de Deus requer a prática da justiça de forma afectiva sempre e em todos os momentos da vida.
A parábola da porta fechada é muito esclarecedora. A porta fechada refere-se ao banquete do Reino, onde estão reunidos os convidados à volta da mesa. Aqueles que se consideram mais amigos de Jesus, que conviveram com Ele, que ouviram as suas pregações (Eucaristia), que sempre se acharam muito obedientes à sua palavra batem à porta que se encontra fechada. Estes que crêem ter prioridade de acesso dirão: «Senhor, abre-nos a porta». São muitos os que pensam ter direitos adquiridos, porque se acham os mais santos e os mais fieis. Por isso, convenceram-se que tudo está garantido quanto à sua entrada no Reino de Deus. A resposta do interior é bastante contundente e nega qualquer possibilidade de entendimento: «Não sei de onde sois!» Mas os que se acham muito amigos de Jesus, porque comeram, beberam com Ele e ouviram as suas pregações (talvez seja uma alusão à eucaristia) acham que têm direito a entrar, mas a segunda resposta deixa muito claro que a técnica dos arranjos, das cunhas, dos «compadrios» e dos «jeitinhos» não entra no plano de Deus: «Repito-vos que não sei donde sois! Afastai-vos de Mim, vós todos que praticais a injustiça».
Os legalismos farisaicos, as nossas missas, encontros de reflexão e oração, reuniões de grupos, retiros, sermões, catequese, participação em movimentos... se não são acompanhados da prática da justiça, do amor e da compreensão em relação aos outros, de nada servem, e acabam contra nós: «não sei de onde sois! Afastai-vos de mim».
José Luís Rodrigues
É apresentada a imagem em: poemasencantos.blogspot.com

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tudo o que sou não é mais do que abismo

Tudo o que sou não é mais do que abismo
Em que uma vaga luz
Com que sei que sou eu, e nisto cismo,
Obscura me conduz.
Um intervalo entre não-ser e ser
Feito de eu ter lugar
Como o pó, que se vê o vento erguer,
Vive de ele o mostrar.

Fernando Pessoa
Nota da redacção: Não isto a leitura consequente da resposta de Deus a Moisés na aridez do deserto: «Eu Sou Aquele que Sou» (cf. Ex 3,13-15); e mais ainda uma resposta à pergunta de Jesus: «Quem dizem os Homens que Eu Sou?» (cf. Mc 8, 27ss) e mais, provavelmente, encaixa na lucidez de Sócrates que do alto da antiguidade grega proclamou para a eternidade: «Só sei que nada sei» (cf. citado por Platão in: "Apologia de Sócrates", o primeiro discurso). É do mistério que se fala e dele precisamos muito para viver a vida cada dia, por isso, contemplemo-lo com muito amor para que a alma não mergulhe no abismo irremediável, mas descanse nos braços do inefável Deus misteriosamente amoroso.
É apresentada a imagem em: meme.yahoo.com/taismr/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Porque o fogo...

O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio, porque o peso não só tende para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim o fogo encaminha-se para cima, e a pedra para baixo. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite submerge-se debaixo deste: movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam.
O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele quem me leva. O vosso Dom inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Ardemos e partimos. Fazemos canções no coração e cantamos o "cântico dos degraus". É o vosso fogo, o vosso fogo benfazejo que nos consome enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. "Regozijei-me com aquilo que me disseram: Iremos para a casa do Senhor". Lá nos colocará a "boa vontade", para que nada mais desejemos senão permanecer ali eternamente.
Santo Agostinho - Confissões

Nota da redacção: Apesar do fogo, os incendios, vai o pensamento sobre o fogo, o verdadeiro fogo de um lugar que não sabemos de onde, que queima o que tem de ser queimado, sem devorar o essencial, mas que o purifica e o faz permanecer na eternidade. Muito bonito.

Quem brincar com fogo queima-se

As nossas serras em brasa, terra queimada pelo elemento fogo que quando usado para o bem é gerador de vida e alimenta a vida. Porém descontrolado semeia a negritude, a desolação e a morte. Por mais violência, estamos todos em lágrimas, não só pelo fumo que preenche ares, mas também pela tristeza e por sabermos que há gente, imensa gente, que não sabe o que é o bem comum. Tenho falado disso. Neste tempo onde se manda às favas a consciência dos bens que são de todos e para sustento de todos. Perdoem-me a desconfiança, mas não acredito que nenhum incêndio seja ateado por forças naturais, todos têm que ter obrigatoriamente mão humana, e que mão maldosa e consciente! Há uma vingança nisto tudo, que devia ser investigada. Mais, uma tragédia para somar a outras tantas a conduzir a humanidade para o abismo e alguns estão muito felizes com isso. Que pena… Que Deus nos ajude e nossa Senhora do Monte (Senhora da Assunção) nos proteja, porque estamos bem precisando desta ajuda e protecção.
José Luís Rodrigues
foto: satélite Terra/instrumento MODIS - Área ardida na Madeira, vista por satélite.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Arrisca a tua Vida

Não digas: sou demasiado pobre!
Dá o que tens.
Não digas: sou demasiado fraco!
Lança-te para diante.
Não digas: sou demasiado ignorante!
Diz o que sabes.
Não digas: sou demasiado velho!
Dá as tuas forças e a tua experiência.
Não digas: isso matar-me-ia!
Se morreres, reviverás e farás viver.
Se o fardo te é pesado, pensa nos outros.
Se atrasas o passo, eles param.
Se te sentas, eles deitam-se.
Se te deitas, eles adormecem.
Se fraquejas, eles fogem.
Se duvidas, eles desesperam.
Se hesitas, eles recuam.
Mas se andas, eles correm.
Se corres, eles voam.
Se lhes estendes a mão,
Eles sustentam-te e ajudam-te.
Reza por eles e serás exaltado.
Arrisca a tua vida e viverás.
Prosper Monier

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Eis a grandeza de Deus

Deus é capaz de trocar reinos por ti,
abrir mares pra que possas atravessar
e se preciso fosse daria novamente a vida por ti!
Deus só não é capaz,de deixar de te amar...
Padre Fabio de Mello

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo, 15 de Agosto de 2010
Assunção e Glorificação de Nossa Senhora
O olhar sobre Maria, renasce ou nasce inteiramente de uma forma nova, com uma densidade fundamental para a devoção da Igreja. A mulher do Apocalipse, aparece como um sinal, uma revelação oferecida por Deus. Temos, então, a Assunção de Maria, sinal último dessa utopia tornada realidade para os homens.
E aparece vestida de sol como são os olhos de Deus. Vestida para significar isso mesmo: o amor e a ternura apaixonada de Deus que veste os lírios do campo mais glorioso que o rei Salomão (cf. Mt 6, 30), que adorna de vestes finíssimas e ornamentos preciosos a sua esposa Israel (Ez 16, 10-13), que reveste Sião da sua magnificência (Is 52, 1). A esta mulher-sinal, Deus a veste de sol, de toda a luz da sua própria glória e poder.
Toda a devoção não poderia ser melhor cantada naquela estrofe inesquecível do poema “A Nossa Senhora” de Ruy Cinatti: “Vómitos de cera/ honram-na em lágrimas/ humedecendo faces/ ou repentes de alegria./ Ei-la, portanto, senhora/ nos espaços sederais/ e na terra mãe/ desamparada./ Seu olhar magoado/ fere um intranquilo/ raio de luz./ E entro no templo/ onde milhares de mãos compadecidas/ acendem círios./ Digo: Maria!/ Ouço: Meu filho!”( Corpo-Alma, p. 79-80).
O dia da Assunção de Maria, constitui por si mesmo não o último sinal do desígnio salvador de Deus, mas a confirmação em glória do papel essencial de Maria na obra de Redenção. A criação de Deus, a História do mundo e dos homens, conheceram outras veredas que não levavam à felicidade. Por isso, quis Deus, por graça, manifestar outros sentidos e outras possibilidades de salvação.
Maria, foi e é a primeira criatura a tomar parte nesse desejo, a obra de Deus no mundo. Ela acolhe no seio o caminho último do sentido da vida. Maria, fecunda a possibilidade redentora para toda a família humana. A “sublimidade” desceu radicalmente através do seio dessa mulher, à natureza que se dizia irremediavelmente perdida.
A sua Assunção e Glorificação são o reacender da luz na obscuridade do silêncio das trevas e aí confirma-se a visibilidade clara das paisagens baças da humanidade. Nela, a esperança renasce com toda a força fecundante. A devoção a Maria encontra um lugar seguro, onde descansa a razão de ser da esperança e encontra também um sentido para os contornos inquietantes da vida.
José Luís Rodrigues

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MESMO ASSIM

As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ama-as MESMO ASSIM.
Se tu tens sucesso nas tuas realizações,
ganharás falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tem sucesso MESMO ASSIM.
O bem que tu fazes será esquecido amanhã.
Faz o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza torna-nos vulneráveis.
Sê honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que te levou anos para construir,
pode ser destruído de um dia para o outro.
Constrói MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda,
mas alguns deles podem te atacar se tu os ajudares.
Ajuda-os MESMO ASSIM.
Se tu deres ao mundo e aos outros o melhor de ti mesmo,
corres o risco de te saíres muito mal.
Dá o que tu tens de melhor MESMO ASSIM.

Madre Teresa de Calcutá

sábado, 7 de agosto de 2010

Interligações

Nestes tempos difíceis que correm, urge fazer uma reevangelização que melhore esta sociedade sem fé e sem valores morais. Vai fazer-nos bem a lição deste inteligente agricultor.
Toda a gente ficava admirada e gostava de saber como um fazendeiro ganhava sempre o primeiro prémio no concurso «milho crescido». Certo dia, um jornalista, sabendo que o lavrador partilhava a boa semente do seu milho com os vizinhos, entrevistou-o. - Como pode você partilhar a sua semente com os vizinhos que concorrem também, todos os anos, competindo consigo? - Vai saber - respondeu o fazendeiro. O vento apanha o pólen do milho maduro e leva-o de campo em campo. Se os meus vizinhos cultivarem milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu quero produzir milho bom, tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.
Este agricultor inteligente conhecia as interligações da vida. Para ter bom milho, seus vizinhos tinham de tê-lo também. Para melhorar o seu milho, tinha de ajudar os vizinhos a cultivarem também bom milho.
Há uma interligação, invisível mas real entre o que fazemos e o que fazem os outros. Entre o que os outros fazem e fazemos nós. Se queremos ser felizes, temos de ajudar os outros a serem felizes também, porque o bem-estar de uns depende do bem-estar dos outros. Se queremos viver em paz temos de ajudar os outros, começando pelos nossos vizinhos, a viverem em paz. Se queremos fortalecer a nossa fé, temos de fortalecer a fé dos outros. Se vivemos num mundo desesperado, temos de dar-lhe a semente da nossa esperança cristã. Se vivemos num mundo de ódio, de vingança, de terrorismo, temos de levar a esse mundo a semente do amor, como orava S. Francisco, para recriar um mundo mais feliz. Para ser feliz é preciso saber suportar, saber perder, saber sofrer, saber perdoar, saber amar.
Mário Salgueirinho
Nota da redacção: Serve também este texto para melhor assemelhar a Liturgia deste domingo. Bom domingo para todos.
Imagem: «Berdades da Boca P'ra Fora»

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo XIX do Tempo Comum
08 de Agosto de 2010
Estar preparado para a chegada de Deus
A vinda de Deus tem a ver com todos os nossos projectos e com todos os nossos planos assumidos na história concreta da existência. Por isso, descobre-se a presença da vinda do Filho de Deus em todos os momentos em que somos capazes de viver a verdade acima de tudo; na nossa casa, Deus vem em todas as ocasiões em que correspondemos ao amor para não criar conflitos com os pais, os irmãos e contribuirmos assim para a paz familiar tão necessária para a felicidade de todos; no trabalho, Deus está presente todas as vezes que soubemos assumir a responsabilidade no sentido em que aquilo que fazemos é um serviço elementar para a construção da sociedade; em todos os momentos em que não nos inibimos de lutar contra a maldade, a inveja e a mentira, o Filho de Deus nem precisa de bater à porta porque já se faz realidade plena através das nossas acções... Como vemos o acontecer de Deus é sempre muito mais simples do que aquilo que nós somos capazes de imaginar. Afinal, descobre-se que são tantos os momentos em que Deus vem para a nossa vida e que não é só nessa hora final da vida terrena que Deus revela a sua presença. Assim, preparação no Evangelho equivale a viver sempre na fé.
A presença de Deus é muito importante para sermos o que somos. A nossa vida seria muito pior sem essa presença. O sentido da existência seria uma miragem e já estaríamos mortos muito antes da morte física se não encontramos sentido para o dia a dia. A pior caminhada é aquela que nunca encontrou sentido e todas as pessoas que nunca descobriram a resposta para a sua origem, para o agora da vida e para o destino futuro, nunca serão verdadeiramente felizes e não enfrentam com coragem essa ocasião derradeira que chamamos de morte. E quando a coragem nos acompanha, a morte converte-se verdadeiramente naquilo que nos ensina Vítor Hugo, autor dos Miseráveis, «a morte é a suprema manhã».
O cristão não deve temer nada de nada e deve enfrentar toda a vida com a maior das liberdades. Porque viver toda uma vida cheia de medos e com desconfiança de tudo parece impossível, mas muitas vezes encontramos pessoas profundamente inquietas com o coração oprimido pelo medo e pelo desespero em relação ao futuro.
José Luís Rodrigues

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Canção Nova...

Um bem... Um perigo...
Um bem, porque algumas vezes tem mensagens interessantes de conforto humano e espiritual muito bonitas. Fico feliz que uma grande parte das pessoas saiba fazer esse discernimento.
Um perigo, porque para as pessoas debilitadas emocionalmente ou doentes psicologicamente sofrem terrivelmente com a linguagem, com a pressão e com a verborreia sectária que a «Canção Nova» às vezes apresenta.
Ainda agora abeirou-se de mim um jovem, que sofre de uma esquizofrenia e de uma debilidade emocional impressionantes, pelo meio do nosso diálogo falou-me da «Canção Nova». Perante o que me dizia, conclui, que seria melhor não ver mais a «Canção Nova», disse-lhe com frontalidade, por favor não vejas mais a «Canção Nova», diz-me o rapaz com um sorriso luminoso, «é engraçado, que quando vejo a 'Canção Nova', fico mais deprimido e com um peso na consciência terrível». Ora, veja-se, excesso de religião prejudica e faz muito mal. Muito do mal-estar deste jovem, resulta de excesso de religiosidade e dos medos que a religião algumas vezes impõe sobre as pessoas.
A religião se não liberta e se não faz as pessoas felizes não serve para nada. Um basta, devemos proclamar, a toda a linguagem obsessiva sobre o pecado e sobre a mortificação neste mundo para alcançar depois da morte o paraíso. O Deus de Jesus Cristo, Pai/Mãe, não quer de modo nenhum esta tristeza para os seus filhos. Quem anunciar o seu contrário comete um crime grave contra a humanidade e contra Deus. Por isso, a «Canção Nova» e outras manifestações religiosas, sim para pessoas fortes emocionalmente e esclarecidas na sua fé. Para outras, mais débeis e fracas emocionalmente ou já doentes psicologicamente ou doentes da religião, por favor, não vejam mais este canal nem se deixem corromper ainda mais com expressões religiosas que ao invés de vos libertarem vos oprimem. O Jesus Cristo do Evangelho não vos deseja isso. Por favor, libertem-se seguindo Jesus libertador à imagem do Seu Evangelho.
Por fim, não se compreende que bispos, padres e catequistas sejam os principais propagandistas deste canal. A estes em primeiro lugar devia-se-lhes exigir a devida cautela perante tudo, mesmo até o que aparente ser profundamente religioso. Os perigos estão em todo o lado. E neste caso, a meu ver, parece existir desde logo duas faces que é preciso sempre considerar.
José Luís Rodrigues

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Meditação - Jogar às escondidas com Deus

Eu detesto e rejeito as vossas festas; e não sinto nenhum gosto nas vossas assembleias. Se me ofereceis holocaustos e oblações, não as aceito, nem ponho os meus olhos nos sacrifícios das vossas vítimas gordas. Afastai de mim o vozear dos vossos cânticos, não quero ouvir mais a música das vossas harpas. Antes jorre a equidade como uma fonte, e a justiça como torrente que não seca.” (Amós 5, 21-24)
Em cada geração, um das brincadeiras infantis mais populares é jogar às escondidas: uma criança tapa os olhos enquanto as outras se ocultam; após alguns segundos, a primeira tenta encontrar as restantes. Os adultos costumam muitas vezes usar uma variante: procuram um lugar para se esconderem da realidade ou da verdade, em vez de a tentarem procurar ou encontrar.
Os profetas do Antigo Testamento, e mais tarde o próprio Jesus, viram muito disto no núcleo das práticas religiosas. Muitos judeus pensavam que se poderiam esconder de Deus sob a capa de elaborados rituais, observâncias e sacrifícios. Como devia ser pequeno e ingénuo o Deus que concebiam para pensarem que a estratégia de se esconderem na religião haveria de resultar. Não resultou porque Deus não pode ser enganado!
A única coisa que pode resultar com Deus é um coração puro e confiante, do qual nascem atos de amor. As nossas práticas religiosas são meios para atingir um fim, e apenas para isso, e só são legítimas se nos ajudarem a construir um coração puro e confiante de onde brote a equidade, a justiça e o amor.
Assim chegamos à questão de hoje: Estaremos apenas pendurados ou escondidos na Igreja e nas nossas práticas religiosas? Ou estaremos a ser transformados por elas? Estará o nosso coração a ser reconfigurado ou continuamos sem passar da cepa torta?

P. Dennis Clark, In Catholic Exchange, Trad. / adapt.: rm© SNPC (trad.)

Imagem in burrovelhonãoaprendelinguas.blogspot.com

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Precisamos de Santos

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo o dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem a sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrigerante ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos".
João Paulo II
Nota redacção: Muito obrigado ao Papa João Paulo II...