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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo VIII Tempo Comum
27 de Fevereiro de 2011
Os bens e a liberdade
São Paulo dá-nos uma grande lição sobre a função do «chefe» ou da «chefia» da comunidade que deve ser sempre assumido como um serviço à pessoa de Cristo e do Seu projecto. O «chefe» vai ajudando a comunidade a perceber a vontade de Deus no momento presente. E a sua fidelidade prende-se primeiramente ao Senhor da comunidade. Quando fazemos juízos a respeito das pessoas, nem sempre somos justos ou imparciais. O nosso julgamento é, quase sempre, fruto da nossa visão (ou deformação) do projecto de Deus. Paulo tem a certeza de que a sua consciência não o acusa, mas nem por isso se sente justificado, pois quem justifica é somente Deus: «Quem me julga é o Senhor».
O Evangelho ensina-nos a viver o desprendimento e a liberdade face aos bens deste mundo, particularmente, perante o dinheiro. Este deve ser sempre um bem ao serviço e nunca uma pressão que escravize o pensamento e a liberdade de acção. Quando faz parte da vida esse desprendimento, emerge a partilha e vontade de justiça como valores essenciais. O egoísmo e a ganância não têm lugar. O mundo seria menos injusto, isto é, mais fraterno, teria muito menos pobres, famintos e indigentes se estivesse organizado como uma casa comum, um lugar onde fosse possível a festa do amor partilhado. Neste banquete, os bens não seriam só e apenas para alguns, mas para todos, porque não faltaria lugar à mesa para ninguém. Todos estariam convidados e entrariam nessa grande festa da fraternidade universal.
Um sonho? Um desejo? - Sim, ambas as coisas, sonho e desejo, que devem fazer parte do coração de todos os povos, especialmente, nós cristãos, que lemos e celebramos as palavras de Jesus. E não serão o sonho e o desejo, condimentos essenciais da vida? - É preciso tomar a sério este ideal cristão e lutar para que o mundo seja estruturado, não apenas na simples caridade, mas na justiça e na partilha dos bens. De que serve o mundo estar a saque por uma minoria que nunca se farta de dinheiro e por isso suga quanto mais pode os recursos naturais, que pertencem a todos, e com eles monta negócios chorudos só e apenas em seu benefício e dos seus familiares? - Serve esta lógica para acentuar mais a pobreza, a fome e a indigência. A seguir a raiva e a revolta.
Urge uma outra lógica, mais de acordo com o bem comum, para que o mundo seja conduzido para o ideal da paz e da justiça que contempla toda a humanidade. É este o sonho de Deus, é este o nosso sonho.
JLR

2 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luis palavras tão actuais essas que escreveu no texto de hj.Que Deus o proteja por reescrever O Evangelho nos tempos actuais. Tão dilacerado ele está.Tempos de penúria,de contrastes, uns com tudo e outros sem nada, .Claro onde há tudo terá de haver o nada. Porque ningujém é rico só pq trabalhou e poupou. Onde impera a riqueza de certeza que a pobreza avança. Este texto é de celebrar a morte, há cerca de um mês, de Mons.Samuel Ruiz, bispo jubilado de Chiapas (México). Homem da Teologia da Libertação , totalmente entregue aos pobres. Certamente, que a Igreja nunca o beatificará porque ele era um Cristo do sec XXI. Mal fez 75 anos foi logo jubilado, enquanto outros -mais conservadores- ficam quase até morrerem. Foi , efectivamente, um Profeta,denunciador das injustiças flagrantes que matam e dizimam povos, sobretudo os indígenas.

José Luís Rodrigues disse...

Belo comentário amigo Ângelo. Obrigado pelo contributo para a reflexão.