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segunda-feira, 14 de março de 2011

Japão: um fenómeno, muitos actos distintos. E Deus?

Quem pode ficar insensível perante a catástrofe do Japão (11.03.11)? Um mal da natureza com muitos sofrimentos humanos. E Deus no meio disto? Permitiu? Foi sua vontade? Mas o quê? Deus criou os céus e a terra para o homem. Criou-os com natureza evolutiva sujeitos a mudanças, a movimentos, a fenómenos …São uma morada não definitiva para o homem. Ele quer a terra como morada instável; mas o homem apega-se a ela e quere-a como morada definitiva. Deus criou-a em evolução e em ebulição e assim a quer como morada a prazo incerto para cada homem, para todos os homens de todos os tempos(?). E avisa o homem, uma e muitas vezes que a terra e os céus da terra que lhe deu são assim: morada a prazo incerto, muito instável, mas o seu amor é estável. E avisa que é sua vontade que os homens e as mulheres se preparem com as suas boas obras para que mais hoje mais amanhã, de forma inesperada, mudarem de morada para mais perto dele. Ele deseja que a terra em evolução e ebulição sirva para o homem se preparar para sair dela em dia incerto. E o homem, por vezes, teima em viver nela, talvez mal, como se não tivesse que preparar-se para sair.
Os modos de sair são centenas, e poucos estão na mão do homem. O que faz parte dos actos e escolhas dos homens é o BOM aproveitamento do seu tempo de morada nela. Esses actos, escolhas e decisões do AGORA do seu tempo de morada, são da sua responsabilidade, são seus actos, que podem ser bons ou maus.
Não está na mão do homem evitar todo os sofrimentos que vêm desta terra querida por Deus nem os que vêm da liberdade dos seus semelhantes, mas estão na sua mão as atitudes e actos que assumir livremente relativos a esses sofrimentos. As escolhas e seus actos, se livres, bons ou maus, são sua responsabilidade. Deus deseja que a vida que ofereceu ao homem lhe permita momentos para decidir e agir bem antes, e eventualmente imediatamente antes, e durante os mais atrozes sofrimentos que a natureza ou os seus semelhantes lhe provocam. Esses seus actos podem ser bons ou maus e ser preparados por outros actos seus, bons ou maus. Deus quer uma terra assim e quer homens livres que possam escolher fazer o bem e não mal em tempos sem sofrimentos e em tempos com muito sofrimento, enquanto conservam um mínimo de capacidades humanas de escolha. E Deus? Nesses momentos, de segundos talvez, de sofrimento atroz na catástrofe, Deus está ali com cada um a oferecer o seu amor e perdão misericordioso e a dizer “hoje, se quiseres, como eu quero, estarás comigo nas moradas eternas” .
Os terramotos, tesumanis e outras calamidades naturais com sofrimentos, sem ou com morte, são vontade de Deus e não são perda definitiva nem impedem por si mesmos o amor de Deus por cada pessoa. Os sofrimentos estão anunciados. Pela Palavra, a Bíblia, Jesus Cristo no Evangelho, Nossa Senhora nalgumas aparições, e principalmente pelas experiências de todos os dias. Os homens estão avisados desses sofrimentos sempre iminentes, para estarem sempre alerta e escolher no AGORA o que querem fazer. O bem ou mal que os homens fizerem durante eles são actos deles e não de Deus. A vontade de Deus é que sejam actos bons. Os actos maus não são vontade de Deus. O que cada homem fizer de bom nesses sofrimentos ajuda a mudança de morada daqui para lá.
A vontade Deus é que um terramoto seja ocasião para milhares, milhões, de pessoas praticarem actos bons. Mas são, como a vida, ocasião para actos maus, mas esses não são vontade de Deus. Os actos pessoais maus são de quem os pratica e não de Deus. O maior cuidado de Deus é dar e respeitar a liberdade de acordo com a dignidade com que criou cada pessoa. No meio do terramoto o sofredor pode adorar a vontade de Deus ou decidir blasfemar.
O que aí fica resolve o problema do sofrimento? Não. Até à morte e ressurreição haverá sempre sofrimentos alternados com alegrias e tempos neutros quase sem sofrimento ou alegria. E haverá sempre questões. Para nós cristão que contemplamos Jesus Cristo no Jardim das Oliveiras numa situação de optar pelo seu acto livre de fazer a vontade do Pai aceitando o facto da sua morte, facto que vai ser causado por muitos actos maus de ódio e vingança de alguns, e que não são, não podem ser vontade de Deus. Mas ocasionará muitos actos bons de muitos à sua volta e estes são vontade de Deus.
Funchal, 13 (1ºDom. da Quaresma) de Março de 2011
Aires Gameiro

4 comentários:

Arte e vida-Rosana disse...

Vim visitar seu espaço , e gostei muito dos textos.
Abraço

José Luís Rodrigues disse...

Muito benvinda «Arte e vida-Rosana». Sempre ao seu dispôr. Abraço

tukakubana disse...

Não "abusará" o Homem daquilo que Deus lhe deu? Não é Deus que consente; o Homem construiu em zona sísmica centrais nucleares, o Homem satura o ambiente de lixo, extrai ao máximo das entranhas da Terra e pratica o sub aproveitamento. Deus dá a Liberdade do agir. Se a ciência procurar os "porquês", vai encontra-los. Por isso já se tenta inactivar na Alemanha centrais nucleares...

José Luís Rodrigues disse...

Só ficará bem ao Homem se tirar lições dos seus erros.