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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Beatos, tiranos e populistas

Feita a proclamação solene do bem-aventurado Papa João Paulo II, merecida, é claro, pelas muito nobres actividades em prol da Igreja e do mundo, eis o momento de alguma reflexão para pensar todos os momentos em que vivemos hoje. Sinais dos tempos, diremos para enquadrar com uma expressão muito querida ao Concílio Vaticano II.
Quanto aos beatos pouca relevância têm, embora revelem uma Igreja Católica injusta até nisto da «coisa» da santidade, se uns baptizados são, porque não são outros tantos… Por mim há muito que canonizei os meus saudosos avós e outras tantas pessoas que passaram pela minha vida e que tanto bem me fizeram, e mais, também acredito que fizeram imenso pela verdadeira Igreja de Jesus Cristo que se espalha pelos imensos recantos anónimos desta vida e deste mundo. A multidão dos beatos ou santos é infinita. Cada cristão pode sê-lo e cada um pode contar no seu coração com as pessoas mais importantes das suas vidas e, por conseguinte, considerá-las beatas ou santas.
Para a mediática beatificação de João Paulo II, o Vaticano convidou o sanguinário Robert Mugabe, que está proibido de entrar nos Estados Unidos da América (USA) e na União Europeia. Ao mesmo tempo que o tirano-beato ditador participava na Santa Missa de beatificação de um Papa, os USA mandavam para o céu o terrorista Bin Laden e este acto igualmente terrorista fica nomeado por toda a gente, incluindo o Vaticano, que é um bem para humanidade o assassinato de um terrorista pela primeira democracia do mundo.
Eis que nós hoje celebramos o dia da Europa, o continente da união, da liberdade, da fraternidade, da igualdade e do iluminismo, mas, convive com indiferença e diz que não cabemos todos neste espaço. Está impávida com os milhares de refugiados vindos do norte África à procura do «el dourado» da Europa. Nada é feito por estes pobres e tristes seres humanos que se afundam no mar Mediterrâneo, como se fossem isco enviado aos peixes. A nobre Europa limita-se a dizer que eles não cabem aqui, são indesejados, capturados como se fossem ratos e outros morrem da pior forma, à sede e à fome em alto mar perante a insensibilidade de outros que concebem a beleza da vida só e unicamente para si. Não acredito nesta Europa e não aceito que a Europa dos povos se torne um gueto de egoismos ou quem sabe um campo aramado onde passeiam velhos decrépitos.
Neste contexto segue a campanha eleitoral para as próximas eleições de 5 de Junho. O populismo soma e segue. Temos um programa de governo imposto pela «Troika» abalizado pelos três maiores partidos (PSD, PS e CDS). Todos fazem de conta que não o assinaram. O PSD pretende privatizar quase tudo, acho que seria mais fácil dizer o que não será entregue aos privados e promete subidas de impostos. O PS entretém-nos com mais promessas. O CDS parecendo ter o segredo do sucesso comporta-se como se tudo o que fez é sempre o melhor do mundo e, mais, já tem a certeza também que vai ter uma grande votação. Todos nos enganam como se a próxima governação não fosse feita com base no famoso memorando da «Troika». Uma palavra devia ser o mote para a campanha em todos os partidos, a verdade. Nesse âmbito, deviam conjugar as suas ideias com as medidas do memorando e com toda a responsabilidade fazerem as suas propostas com seriedade sem qualquer sombra de populismo e como pura e simples caça ao voto...
No contexto, em que nos encontramos, precisamos urgentemente de instituições e pessoas que reacendam a nossa confiança e a esperança no futuro. Esta sim seria a chave do sucesso do nosso país, da Europa e da nossa Igreja Católica.
JLR
Imagem Google

1 comentário:

maria disse...

:)

Sim senhor!!!!

(desconhecia isso do Mugabe...também o assunto não me mereceu grandes atenções)