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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comentário à Missa do Próximo Domingo

Domingo XXVIII Tempo Comum
09 de Outubro de 2011
O Banquete está pronto
O banquete é o Reino de Deus. Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter acesso a essa festa de vida eterna. Porém, não chega entrar na sala do banquete, é preciso, além disso, vestir um traje de vida que ponha em prática os ensinamentos de Jesus. Quem foi baptizado e aderiu ao banquete, mas recusou o traje do amor, da partilha, do serviço, da misericórdia, do dom da vida e continua vestido de egoísmo, de arrogância, de orgulho, de injustiça, não pode participar na festa do encontro e da comunhão com Deus. Deus chamou todos os homens e mulheres para participarem no «Seu» banquete, mas só serão admitidos aqueles que responderem ao convite e mudarem completamente a sua vida.
Na mensagem sobre o banquete muito bem expressa em Isaías e no Evangelho de Mateus, descobrimos, um Deus que quer oferecer a toda a humanidade uma esperança e um sentido para o futuro. Não somos «filhos de um deus menor», pobre humanidade abandonada à sua sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada, somos pessoas a quem Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua família e a quem Ele oferece a vida plena e definitiva. Neste sentido, todos os que nesta vida açambarcaram tudo o que puderam em detrimento da festa da vida para todos, enganam-se redondamente e podem até algum tempo gozarem o prazer do ter muito, mas logo virá em seguida as consequências nefastas da injustiça, que na primeira vez prejudicam todos, especialmente, os mais fracos e indefesos, mas visto da perspectiva de Deus, a justiça triunfará. A mensagem do banquete é óbvia quanto à acção de Deus.
O Apóstolo Paulo está preso e recebe uma ajuda monetária razoável, recolhida na comunidade de Filipos. Porém, embora a ajuda seja bem vinda, porque alivia a "aflição" de Paulo, mas não é o mais importante para ele, porque se sente preparado para viver na fartura e para passar fome, e assim, acontece, porque, "Tudo posso por Cristo, que me dá força".
Neste contexto, São Paulo apela aos filipenses que é muito importante partilhar e interessar-se pelas aflições dos outros e viver a solidariedade com os mais necessitados. Quem abre o coração à partilha, Deus provém a todas as suas necessidades. Deus não falta com tudo o que seja necessário em relação a todos os que abrem o seu coração à solidariedade e partilha. Já vem de longe o ensinamento, "quem dá aos pobres empresta a Deus".
Este texto dá-nos uma grande lição em duas vertentes. Primeira, devemos ser solidário e sempre que as necessidades à nossa volta apareçam devemos procurar ajudar na medida do possível. Segunda, devemos aprender a viver em cada circunstância com aquilo que a vida nos oferece. Quantas pessoas encontramos revoltadas, porque não têm abundância de dinheiro e de bens materiais? Quantos vivem amargurados porque a vida não lhes acena com a sorte de ter muito? Quantos vivem a contra-gosto porque a vida não lhes sorri com tudo aquilo que a publicidade seduz? - O desespero é grande, porque se desaprendeu a viver com pouco e com aquilo que é absolutamente necessário para a vida.
Por um lado, para nós cristãos, o Apóstolo São Paulo é apelativo quanto à necessidade que temos em estar atentos às aflições dos outros. Muitas vezes encontramos muitas razões para não ajudar ninguém, porque ora a miséria e a aflição é o resultado de más opções e de atitudes desregradas. Mas, não é esse o princípio cristão. Ser cristão é ser solidário, amigo e fraterno mesmo que se receba todo o mal do mundo e todas as incompreensões possíveis. A partilha e a caridade (solidariedade) devem fazer parte da vida de todo o cristão. É na vida cristã que radica a visibilidade de outro ditado popular: "Fazer o bem sem olhar a quem".
Por outro, aprender a viver com aquilo que a vida nos dá é muito importante. Não digo satisfazer-se e acomodar-se absolutamente, mas antes lutar sempre mais sem desesperos nem atropelos. Esta aprendizagem é importante, porque nos ajuda nos momentos menos bons, os da crise. Muita da pobreza não resulta por falta de bens, mas falta de sabedoria e equilíbrio para governar-se. O cristão, deve saber viver em qualquer circunstância, tenha muito ou tenha pouco. O mais extraordinário, é que a maior generosidade não vem de quem tem muito, mas de quem do pouco sabe fazer muito.
JLR

3 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís mais um belissimos texto literário oriundo de uma profunda interpretação teológica. Trata-se, pois, de um Evangelho aberto aos homens e mulheres do nosso tempo. Linguagem que não vem de situações herméticas, fechadas, submissas a arquétipos institucionais. Apresenta-nos, o Pe. José Luís, um Deus que se compromete com o seu Povo e com ele quer fazer comunidades vivas e operantes na perpectiva que o pão da igualdade chegue a todas e a todos sem constrangimentos sociais e politicos. Bem haja pelo seu magnifico texto que deveria ser lido em todas as igrejas para substituir homilias que nada dizem .Limitam-se simplesmente à narrativa do que aconteceu há 2000 anos ou a repetir frasas do Beato João Paulo II, o qual queria cristianizar o mundo ocultando outros pensamentos e outras formas de viver Deus. Tentou polanizar o mundo, numa igreja embora destemida em relação ao comunisno obscurantista da União Soviética , mas pouco comprometedora com o mundo e tb com o marxismo humanista. A visão de João Paulo II restringia-se tão-somente à globalização do espírito mariológico de procissões, rosários e pouco aprofundamente teológico. Em substituição temos, hj, um certo proselitismo religioso tipo protestantismo ou pentecostismo dos Estados Unidos. Reagan e João Paulo II foram os co-fundadores de uma religião que achava a política apenas para os mais ricos, defendendo os seus privilégios. A igreja dos pobres e das comunidades base foi destruída. Vem, Senhor Jesus, e dá-nos o teu verdadeiro Banquete em que todos sejamos comensais do amor e da entrega e solidariedade com os outros irmãos e irmãs e com a própria Natureza. Repudiando esse Belzebu chamado dinheiro.

José Luís Rodrigues disse...

Caro amigo: uma Igreja Católica sem mundo conduziu a um mundo sem Igreja Católica... O grande tema dos nossos tempos para ler e reflectir para que seja depois possível dar resposta aos grandes desafios que são colocados à Igreja Católica hoje. Abraço e obrigado pelo contributo.

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Onde digo :Polarizar queria dizer polonizar