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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Advento: precisamos de prepararmo-nos...

Domingo I Tempo do Advento
27 de Novembro de 2011
O terror do tempo presente assusta e faz perder a esperança, porém, não sentirá o mesmo a mulher que está a dar à luz. A sua criança é fruto de dores. Por isso, os homens e as mulheres deste tempo que atravessamos são como se fossem essa mulher agoniada com sofrimento, mas certos que desse sofrimento emerge a vida em todo o seu esplendor.
É urgente dar lugar à esperança nesta hora de sofrimentos vários, de dores desmedidas e de desesperos angustiantes. Não há tempo a perder-se, cada um trás em si o lugar de Deus. O lugar do Seu nascimento.
Mas que lugar tão pobre, dirão os mais exigentes! Sim, pobres todos os corações humanos, mas lugares eleitos para o nascimento de Deus, o Senhor da esperança e da salvação para todos. O Deus da vida partilhada não se deixa intimidar com a pobreza de cada um. É dos pobres que Deus gosta. É dos lugares pobres que se faz a eleição para Ele nascer.
Este ano, é especial. O ano do espectro da crise que a todos inquieta face ao futuro. Este, o ano dos cortes salariais e do desemprego que condena várias famílias à fome e especialmente crianças a não saborearem algo especial no Natal e quem sabe pior do que isso, ter que irem para a escola sem se alimentarem convenientemente ou a estarem sujeitas à marginalização perante os coleguinhas, porque não têm vestidas as roupas que os mais novos estandardizaram para o momento. O ano onde nos surpreendemos ou não com mais pobreza e caímos na real de quanto é vulnerável a condição humana e tudo o que essa condição humana criou como definitivo e acabado. Tudo surpreendente para nós que nos habituamos à Internet, às viagens frequentes de avião, ao bem estar social e económico... Tudo parecia assegurado e garantido, mas, afinal, facilmente desmoronaram sobre as nossas cabeças as torres de Babel, que teimosamente erguemos até ao mais alto dos céus.
Eis então que continua o cheiro a cinza, o monte de entulho e as bombas em nome da paz lançadas sobre populações inocentes, são razões de sobra para o desespero. No entanto, será daí mesmo desse panorama desolador que a vida emerge, que a tristeza dá lugar à alegria e que a força do amor será mais uma vez o outro nome da paz para todos.
As entranhas do nosso ser rasgam-se e contorcem-se com a tristeza deste tempo cheio de contradições, de sombras e de penumbras obscuras que não permitem outro sentido, outra paz e outra alegria.
A quem se destina este apelo? - Diz-nos, essa voz de longe que bate de porta em porta, que «precisamos de prepararmo-nos...». - Um grito, um apelo ou uma chamada cristã, evangélica que nos sonda a todos com este pedido, para que qualquer recanto seja lugar propício para emergir a criança, para nascer a «carne» do amor, que redime todo este mundo tão necessitado de razões para viver e lutar por momentos mais férteis de prazer fecundo em favor da existência feliz para todos.
JLR
Imagem Google

5 comentários:

lucia disse...

Quanta sabedoria! A fé não tornando-se alheia ao capitalismo emergente e destruidor, que assola todos os cantos desse imenso mundo! Uma realidade que não pode deixar-nos na quietude dos bancos da igreja, ou nos pequenos serviços pastorais, tem mesmo que ser ultrapassada para muito mais além dali..

MARIA MANUELA disse...

Esta sabedoria que Deus lhe Deus é uma preparação para o nosso advento, a esperança, a fé, que saibamos partilhar o pouco que temos em beneficio dos outros, seja partilha material ou espiritual

Manuela

José Luís Rodrigues disse...

Mto obrigado amigas. Boas leituras com a benção de Deus. Bom fim de semana...

lucia disse...

Oi Pe.José Luiz
Paz e fé!
Parabéns pela forma clara de escrever!
Esse texto do advento está excelente.
Gostaria de saber se há possibilidade de divulgarmos tanto no jornal mensal da Paróquia (faço parte da Pascom) quanto no blog da própria paróquia...
É claro, com a sua assinatura e autorização...
Um abraço e já compreendendo qualquer que seja a resposta...

José Luís Rodrigues disse...

Cara amiga Lúcia... Quem sou eu para não aceitar tão interessante pedido. Faço este trabalho em nome de Jesus, depois de feito e publicado não me pertence, é da obra do Reino. Por isso, agradeço muito a vossa atenção e não hesitem avancem com tudo o que desejam fazer para divulgar este textos e outros que considerem úteis. Um abraço fraterno e bom domingo.