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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Estar preparado…

Comentário à Missa do próximo domingo
Domingo XXXII Tempo Comum
6 de Novembro de 2011
Santo Agostinho, pensando no vazio da mulher e do homem sem Deus, escreveu: "O nosso coração não tem descanso, ó Deus, até que encontremos descanso em Ti". É razoável crer que Deus, na Sua ânsia por ter comunhão com a humanidade, diga: "o meu coração anela por ti, ó humanidade, até que tu encontres descanso em Mim. Eu amo-te e me comprazo na tua salvação e comunhão". O que concluímos através da razão coincide com a própria afirmação das Escrituras. Deus disse ao Seu povo: "Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (2Cor 6, 16). Referindo-se aos que seriam remidos e introduzidos nessa comunhão, Deus disse: "Serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas" (2Cor 6, 18).
Esta verdade sobre Deus habitar entre o Seu povo deve ser vista em conexão com a Igreja. Na nova aliança, a Igreja é o templo de Deus, uma casa espiritual (1Pe 2, 5), sendo cada cristão, uma pedra viva dessa casa (1Pe 2, 5) e todo o edifício, a habitação de Deus no Espírito Santo (Ef 2, 21-22). Esta consciência devia levar-nos a todos a ter um respeito muito grande uns pelos outros, porque cada pessoa é sinal da presença de Deus.
O livro da Sabedoria que vamos proclamar na missa deste domingo, é um convite a ser feliz. Deus não é um adversário da humanidade, ciumento, preocupado em impedir a felicidade e a realização humana, mas é um Deus de amor, que se preocupa com a felicidade humana e manifesta o desejo que a humanidade se realize plenamente.
São Paulo nesta passagem da Carta aos Tessalonicenses, garante-nos que diante da promessa da ressurreição, Deus tem um plano de salvação para a humanidade. A vida presente não pode ser única e exclusivamente um drama absurdo, que se for vivido sem esperança e fé numa realidade futura de salvação pode conduzir ao desespero e à infelicidade. Por isso, sem medo de nada nem de ninguém, podemos comprometer-nos na luta pela justiça e pela paz, com a certeza de que a injustiça e a opressão não podem pôr fim à vida que nos anima. Se humanamente sairmos derrotados, divinamente, seremos vencedores. Esta certeza dá sentido à vida e retempera as forças interiores para a esperança. E a vida sem esse condimento da esperança torna-se a mais insossa tristeza do mundo.
A «parábola das dez virgens» no Evangelho de São Mateus, pretende ensinar, que nós cristãos, não podemos afrouxar a vigilância e enfraquecer o nosso compromisso com os valores do Reino. As nossas comunidades às vezes caiem no comodismo, adormecem sobre os costumes, no descuido e no deixa andar, numa vida de fé que não compromete, uma fezada, uma religião de facilidade, pouco comprometida com a realidade, sem testemunho pouco empenhado e pouco coerente… A militância religiosa é um horizonte muito distante nos cristãos. O nosso compromisso com Jesus precisa de renovação constante. Acreditar que Ele vem outra vez, deve desafiar-nos a um compromisso activo com os valores do Evangelho.
Essencialmente o texto faz um convite a estar preparado, vigilante. Assim, não significa isto, ter a «alminha» limpa e sem mancha, para que, quando nos encontrarmos com Deus face a face, Ele não nos aponte nenhuma falta não confessada e não nos leve para o céu. Significa antes, vivermos o quotidiano, de forma comprometida e animada na esperança, na fidelidade ao baptismo. «Estar preparado» passa por descobrirmos dia a dia os projectos de Deus para nós e para o mundo e procurar levá-los adiante, com alegria, felicidade e com toda a vivacidade. «Estar preparado» passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos outros (os irmãos), no serviço, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus. Não há outro caminho para ser feliz e fazer os outros felizes.
JLR

2 comentários:

Administrador disse...

Adorei o blog, e certamente me ajudará e muito em minha caminhada.

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Deus o abençoe.

José Luís Rodrigues disse...

Muito obrigado Administrador. Disponha sempre. Já vou apreciar o seu blogue. Abraço