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quarta-feira, 14 de março de 2012

O que, em breve, verei pela primeira vez

«Estou ainda _ na terra árida do mundo _ intuindo _
Claramente _ o ditoso encontro que me espera _
Gostaria de deixar _ sem mais _ as cinzas desta terra _
E contemplar _ face a face _ os Jardins de Maravilha _
Por vezes _ ao sonhar com a alegria que terei _ só
De vê-los _ o exílio, de súbito, _ se desvanece _
A verdade é que em breve _ à Pátria voltarei
Pela primeira vez _ voltarei à Pátria que deixei.
..........
Jesus _ meu amigo _ dá-me asas _brancas asas _
Quero lançar-me _ nos teus braços _ num voo alado _
Quero voar _ até às perguntas da eternidade _
Onde, finalmente _ te verei _ ó meu tesouro mudo _
Quero abandonar-me _ nos braços de Maria _
Descansar _ nesse regaço de eleição _
E _ pela primeira vez _ sentir-me beijada
Como filha _ por uma Mãe tão desejada.
..........
Não te demores _ meu Amor amado _ dá-me
A ver _ depressa, os primeiros traços do teu rosto _
E deixa-me _ no meu delírio apaixonado _ esconder-me
No coração com que _ desde sempre _ me tens amado _
Não quero pensar _ não consigo imaginar _ o instante
Em que _ pela primeira vez _ ouvirei o som da tua voz _
E _ logo _ reconhecendo-a _ o teu rosto de adoração.
Não quero imaginar sequer _ o fulgor do teu olhar.
..........
Como se não soubesses que _ o meu único martírio _
É o teu amor Jesus _ o do Coração sagrado _
Não quero ir para o céu _ por nada _ mas p’ra te amar _
Amar-te _ amar-te num crescendo inabalável _
Aspiro a esse Jardim _ como respiro _ inebriada
De ternura e de desejo _ amar-te desmedidamente
Fora de qualquer lei _ Não haverá vez segunda _
Sentirei que te amo _ sempre num começo.
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Santa Teresa de Lisieux
Trad: Maria Gabriela Llansol

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