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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Os padres e a política partidária

O Papa Bento XVI disse o seguinte falando sobre o não envolvimento dos padres na política ativa/partidária, insistindo que tal tarefa deve ser destinada especialmente aos fiéis leigos: «é necessário evitar a secularização dos sacerdotes e a clericalização dos leigos». Em ambos os campos sempre se encontra gente mais papista que o papa.
Muito bem. Estou muito de acordo com a proibição da Igreja Católica que impede os padres de se candidatarem a cargos públicos à boleia dos partidos políticos, quando tal aconteceu entre nós, os padres tomaram a opção de abdicar da função clerical para assumirem a candidatura com clareza…
Tudo isto é aceitável e penso que há um consenso muito grande em todos os quadrantes sociais e religiosos.
No entanto, a Igreja Católica não impede ninguém de exercer a sua cidadania, participando a todos os níveis na vida da cidade. O padre, pelo facto de ter assumido esta condição ou função, tem direito a voto, paga impostos, está inserido na vida da cidade como qualquer cidadão, por isso, assiste-lhe o direito de participar com a sua reflexão, a sua opinião e o seu contributo para uma melhor convivência social.
Muitos entre nós admiram-se quando alguém se destaca a este nível. Porque, simplesmente pensa e partilha o seu pensamento com os demais. Não parece ter direito a tal, se reflete em sentido contrário ao pensamento geral, se não vai com o que dita a maioria e não subscreve o poder dominante, então, mete-se na política partidária. Uma lógica totalmente errada e sem sentido nenhum.
Assim sendo, então afira-se a mesma bitola para o Papa quando fala, os bispos. E não se descure tantas outras situações de colagem clara com os poderes dominantes. Por exemplo, o que será entre nós a Igreja Católica Diocesana conviver em parceria com o poder político partidário atual dominante para publicarem um jornal? A presença dos representantes políticos partidários em cerimónias religiosas e representantes de figuras religiosas em atos públicos com bênçãos e até algumas vezes utilizando a palavra para louvarem os feitos realizados pelo poder político? O que dizer das meias palavras, os silêncios estudados, os gestos calculados para não melindrar suscetibilidades políticas? – Apenas estas questões para nos fazer pensar e nos obrigar a não ver as coisas só e unicamente num sentido...
Para sermos honestos com o pensamento coloquemos, então, a verdade em todas as vertentes para que não sejamos injustos, não prejudiquemos a liberdade de expressão e a assunção do pensamento que pode revelar-se de importância crucial para uma sociedade mais humana e mais justa.
A título de curiosidade este blogue, «O BANQUETE DA PALAVRA», registou ontem uma fasquia bastante generosa em termos de visitantes: 898 visitas. Obrigado a todos os que vieram ao banquete, se degustaram com prazer o «alimento», muito bem, se não se «alimentaram» ou se não vos satisfez este alimento, tudo bem na mesma, passem adiante, há mais blogues com «alimentos» de toda a ordem, neste domínio passa fome quem quer.
José Luís Rodrigues
(Imagem Google)

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