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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Viver segundo o caminho da fé

Comentário à missa do próximo domingo
17 de Junho de 2012, Domingo XI Tempo Comum 
O Cristão, homem e mulher, são da esperança. São Paulo utiliza a palavra fé para designar essa condição do cristão. Porque estamos ainda neste corpo, nesta vida terrena, distantes do Senhor da vida verdadeira, "caminhamos pela fé" até ao dia em que seremos chamados a tomar parte na vida verdadeira, que não se encontra aqui neste mundo, mas no lugar de Deus, aquilo que a catequese designa como sendo o céu.
O ponto crucial da vida cristã radica na descoberta da fé. A fé é uma só e acontece na vida de uma pessoa de forma mais intensa ou menos intensa, mas nunca pode estar votada para a simples privacidade ou pior ainda, é um assunto que só tem a ver com a dimensão pública, porque se manifesta de uma forma determinada. Assim sendo, entende-se que a fé é uma realidade interior da pessoa que está para a vida toda. Uma pessoa de fé deixa envolver todo o seu viver mediante o caminho da fé.
Ninguém que se diga crente, pode num determinado momento da vida afirmar que agiu segundo a sua fé, mas noutro agiu segundo princípios estritamente humanos ou racionais. O assunto da fé é demais importante para ser algo que se usa e abusa quando nos convém apenas. Por isso, pretender reduzir a fé a um mero assunto privado sem nenhuma incidência prática e pública, redunda num profundo disparate. Porque a fé, vive-se em todos os lugares da vida e não apenas dentro de determinadas conveniências pessoais ou muito menos mediante interesses puramente materialistas. Por exemplo, quando a desgraça nos bate à porta ou quando se pretende prejudicar o nosso próximo. A fé não alimenta instrumentalizações nem se conjuga com interesses intimistas ou de ordem fanática.
Mas repare-se ainda no que nos ensina S. Tiago: "Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Será que a fé poderá salvá-lo?..." E mais ainda acrescenta: "Assim também é a fé: sem obras, está completamente morta" (Cf Tia 2, 14-17).
A convicção do Apóstolo prova-nos que a fé não pode obedecer de forma alguma à dicotomia privado e público a que se pretende remeter a fé.
Porém, vivemos num tempo onde alguém se atrever a confessar a sua fé ou a falar de religião no seu trabalho, nas escolas e nas ruas é logo atacado, mal interpretado e distorcido. Não se pode afirmar valores desta ou daquela religião porque os ambientes são adversos a tudo o que inspire religiosidade. Estamos num tempo onde parece não existir lugar para a fé. Mas, nunca a fé foi tão necessária como hoje.            
 José Luís Rodrigues
(Imagem Google)

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, Amigo e Irmão, acredito na fé como manifestação pública, mas prefiro quando ela se restringe ao domínio mais intimo, de grande profundidade mística no fundo da qual encontro-me com DEUS. Uma fé com ostentações, de rituais ou mesmo cultuais pouco me diz. Diria que estaria vocacionado para uma mística activa com a qual debruço-me sobre os problemas do mundo, dos homens e da própria Natureza. Não acredito no ser humano crente ou não que chegue melhor aos problemas do Outro (irmã ou irmão) sem ter um sentido de que é Deus que provoca isso. "Amar o próximo como me amo a mim mesmo" tem como força motriz "amar a Deus sobre todas coisas e ao próximo como a nós mesmos". Nada de fugir do mundo e da sua acção consequente da sua transformação para o melhor. E Jesus quis a antecipação do seu Reino .Não o mandou para as calendas gregas. Sinto que um elemento importante para um boa caminhada está na Oração. Se eu não me introspectivo dificilmente chegarei ao objectivo dessa caminhada: O Mundo.Tal como Deus O quer. Igualdade para todos. Chegando até a "amar os meus adversários ou inimigos" .Com efeito, não significa que tenha de ostentar um silêncio cobarde de falta de coragem,mas, sobremaneira, de denuncia do que está mal. Eis "endireitai as veredas do Senhor" Disse-o João Baptista,chegando a ser o melhor intérprete do Evangelho e da sua Mensagem. Quero uma fé activa e não escondida das pessoas e do mundo em que estou inserido. Vem, Senhor Jesus, e "aumenta a minha fé"