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terça-feira, 3 de julho de 2012

Acrópole


Ascende a sabedoria, a glória e o poder antigo
Atena se eleva esbelta e segura
No seu Templo Partenia marmorearam o sangue
Na luzidia pedra cortada a músculos e suor
- Foram o engenho e a força dos escravos.

Nesta hora fez a sorte da vida que eu me elevasse
A mais nobre das miragens antigas de Júpiter
Graças à generosidade de Neptuno
Que fez deslizar até aqui o pensamento e a fé
- Assim contemplo a rocha bíblica do Apóstolo.

O calhau mítico deste lugar e tempo dos deuses
Esconde o segredo maior do mundo
Quando do anúncio do Deus Desconhecido
Se riram os maiorais da sabedoria grega
- Oh que absurdo o desconhecido ressuscitar dos mortos.

Mas reviveu toda a vida morta em Nazaré
Ou em todas as Acrópoles do mundo
Para que por detrás de ruinas possamos escutar
O silêncio que prega bem alto toda a esperança
- Que o passado concebeu neste presente para a glória do futuro.

Nesta Grécia dos deuses e das ilhas
Abraça-nos o mar Ageu das águas quentes
No recanto de um místico Mediterrâneo
Calmo e sereno ante a meditação do sorriso
- E cumulei o imaginário com a alegria segura de uma pedra.

Vai e dorme o sono profundo da paz
Mesmo que a aridez escaldante se faça cada dia
Que esse desabrochar quente faz história
- A Antiga Ágora, o Templo Olímpico de Zeus e o Teatro de Dionísio.

Oh Atena deslumbrante do fogo da paixão
Fica-te no enlace divino entre a terra e o eterno olimpo
E mais não é preciso para fazer da crise uma leveza
- Em cinza levada pelo sopro dos deuses que te criaram.
José Luís Rodrigues

Nota: Dedico este poema à querida Grécia que como nós se vê a braços com a labuta da austeridade das implacáveis troikas deste mundo. Também o ofereço ao maior amante de livros que a história da Madeira conheceu e eu conheci, Jorge Figueira de Sousa. Paz eterna à sua alma...

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