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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Citação do dia

Muito bem dito... Apreciem o destaque que faço.
«Ficou-me marcada a visita ao Palheiro Ferreiro. Pelo negro do queimado e pelo cheiro que perdurou e ainda perdura nas áreas queimadas. Mas consegui encontrar dois carros de polícia, dois carros dos securitas e agentes dos seguros, já a tirar fotos para complementar relatórios de sinistros, no meio de gente que jogava golfe e tomava um chá. Para os lados de Gaula e arredores, nem vê-los. Havia apenas gente que olhava tristemente as cinzas que substituíram tudo aquilo que perderam. Casas, carros, plantações. Vidas inteiras que se queimaram num ápice, em fogos combatidos pelos desesperados habitantes, à espera dos bombeiros que tardaram. Tardaram porque são poucos e havia outras prioridades, tardaram porque tinham ordens de defender outros fogos mais perigosos. Tardaram porque seria um crime deixar arder a quinta do palheiro, mas já não foi crime deixar arder umas coisinhas dos pobres. E tranca-se a porta depois do roubo, os sabichões engalfinharam-se em cima dos que não limpam os terrenos e não deixam entrar para limpar, afinal incêndios tem havido todos os anos. Como se as expropriações não demonstrassem que o governo e câmaras podem entrar desde que queiram, toca a lavar as mãos e pedir a Lisboa que mande detetives para encontrar os incendiários. E insinua-se que são ataques a governos, a festas partidárias, a ajuntamentos políticos, apregoando asneiradas como aquela do helicóptero só servir para ataque de fogos em planície. Os gastos que um governo e os cidadãos afetados irão ter para repor tudo o que queimou, são superiores a 30 anos de manutenção de meios aéreos para combate a fogos. E seria uma boa altura para ter um relatório comprovativo da efetividade do helicóptero que se pagou durante alguns anos. E esperemos que não chova muito nos próximos tempos.»
Paulo Gomes, Diário de Notícia do Funchal, hoje, 06/08/2012

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