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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pérolas da Madeira Nova em tempo de penúria

Porque é Terça-feira, dia de farpas no menu do Banquete... Divirtam-se.
1. Mais uma loucura. Tantas capelas que por aí andam parcial ou totalmente degradas, votadas ao abandono e outras que funcionam a tempo inteiro ou a meio gás a criarem sérios problemas... Teima-se em erguer mais uma capela em tempos de penúria, quando se sabe de gente a passar fome. Neste panorama há vontade de gastar para quê mais 400 mil euros para erguer uma capela feia, sem justificação plausível só pela vaidade de se erguer mais um mamarracho para perpetuar um momento histórico, a celebração dos 500 anos da Diocese do Funchal e que ficará para receber mortos,  sim, porque será um espaço para a celebração de missas aos defuntos...
Serão feitos peditórios para este fim. Repare-se na joia que relata o catolicíssimo Jornal da Madeira de hoje: «Nesse sentido, e aproveitando a grande afluência de peregrinos nestes dias da Festa de Nossa Senhora do Monte (principalmente hoje e amanhã) serão solicitados donativos, ofertas, no Largo das Babosas, num espaço devidamente identificado pela paróquia, confirmou ao JM o Pe. Giselo Andrade. Com a mesma intenção tem-se promovido também a “devoção dos primeiros sábados”, com uma procissão entre a igreja do Monte e as Babosas. O custo total das obras está orçado em 400 mil euros. O projecto de arquitectura, em traços gerais, representa simbolicamente uma “vela ou chama”, sempre ”acesa”, enquadrada no ambiente natural. A “novidade” está centrada numa espécie de «triângulo», em referência às três Pessoas da Santíssima Trindade: «Pai, Filho e Espírito Santo.» A comunidade espera receber alguns apoios institucionais e outros dos católicos madeirenses em geral, uma vez que aquela capela está relacionada com o empenho de toda a Diocese no 50.º aniversário (em 1904) da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição» (Jornal da Madeira, 14 de Agosto de 2012). 
A maior parte dos templos erguidos pela Madeira Nova ainda não foram pagos - lembram-se do mausoléu Igreja do Livramento?- Pois é, mas a sede de inaugurações tem de ter resposta, por isso, para que o burro não morra à beira do poço de sede, então a Igreja Católica da Madeira ajuda à festa, dá um empurrão, inventa capelas e outras obras para encher a vista dos incautos «patas rapadas» que alimentam a Madeira Nova com o seu voto. Façam-me um favor, moderem-se, porque os tempos são de penúria e sejam solidários com os padres que estão aflitos para pagar as dívidas astronómicas que a Madeira Nova lhes colocou nas costas. 
2. Mas a Madeira Nova no seu melhor continua. Sabe bem ouvir e ler isto tendo em conta «o céu aberto» em que os nossos «queridos» governantes tornaram a Madeira.
«Há aqui algo misterioso que não sei se envolve a influência americana nos Açores e ser uma zona que por razões estratégicas é exigido um certo recato». «É uma situação nebulosa, sobretudo por uma certa omissão que se nota neste período pré-eleitoral», disse, mostrando-se convicto de que os Açores não vão sofrer os mesmos ataques de que a Madeira foi vítima. (Alberto João Jardim, Jornal da Madeira, 13 de Agosto de 2012).
3. Mais uma pérola:
Num título a gordas, o jovem padre Giselo, pároco do Monte em festa, afirma que a «crise não se nota tanto quando se fala de fé».
Mas, também se a crise é só material, então, estamos bem, muito bem quanto à fé. Sim pelo restauro que de chãos que deram uvas antes do Concílio Vaticano II, realmente, é para crer de verdade que a fé está viva, forte e recomenda-se. Basta apreciar como a «nossa» igreja católica está tão forte de militância católica, tão atenta aos sinais dos tempos, tão empenhada na renovação à luz do Concílio Vaticano II, tão sofredora e quase mártir porque tremendamente profética na opção preferencial pelos pobres, na denúncia das injustiças, despojada de bens porque os coloca ao serviço de todos, tão transparente nas contas e no património que pertence a todos os fiéis da Madeira, um clero dos mais cultos do mundo, uma vibração espiritual que faz inveja a todas as igrejas particulares do mundo, uma igreja cheia de coragem que não descansa no trabalho que tem tido a resolver o grave problema que é o Jornal da Madeira, que passou de Jornal Católico a órgão oficial de um partido político e ao serviço da perpetuação de um homem no poder político e também religioso, por sinal. Finalmente, agora na efeméride da celebração dos 50 anos de vida sacerdotal do Padre Martins Júnior, com mais de metade suspenso ad divinis, encontramos uma igreja católica a fazer jus ao seu nome, incansável a resolver este problema e a reintegrar uma comunidade ostracizada pela loucura de antístes e governantes de Madeira Nova… Um quadro fantástico, que nos ajuda imenso a compreender a frase do Padre Giselo.  
4. Outra pérola está na manchete do Dnotícias de hoje 14 de Agosto de 2012. «A reformulação do concurso internacional para a construção do novo Cais do Funchal vai ficar três milhões mais caros. O valor da obra passou dos 15 milhões (valor previsto) para os 18 milhões».
Perguntamos nós: de onde virão mais estes milhões… Será que «o céu aberto» que é a Madeira fará cair do céu esta dinheirama toda? - Mais uma loucura em tempos de penúria…
5. Depois de muita rega de palavras e «muita água perdida, Pimenta de França, mesmo com os ânimos exaltados, esteve a explicar aos agricultores o que está a ser feito pelo IGA para resolver os problemas do abastecimento da água de rega».
Rebentaram com o sistema da água de «giro» que congregava as populações, que se juntava para organizar entre si a melhor forma de rega, de cuidar dos poços e das levadas. Estes sabotadores do melhor que as nossas populações tinham, em nome da ganância, do lucro e da criação de mais tachos desrespeitaram o nosso povo e mandaram às urtigas essas formas espontâneas de amizade e solidariedade que acompanharam o povo da Madeira desde os primeiros séculos. Mas em nome da Madeira Nova, era preciso rebentar e rebentou-se com tudo o que fazia a alma de um povo. Os ânimos já se exaltaram e será a meu ver apenas um cheirinho do que virá a seguir em todos os sectores da nossa sociedade. Aguardemos…
José Luís Rodrigues

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