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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quem não é contra nós é por nós


Domingo 26º Tempo Comum
30 de Setembro de 2012
O tema geral da liturgia da Missa do próximo domingo é muito importante e serve para pensarmos que Deus, pela acção do Espírito Santo, está em todos os lugares, porque o perigo de nos fecharmos no «nosso» mundo e considerarmos que Deus só está em nós e que fora de nós é o caos, é sempre uma tendência reincidente. Pode esta forma de pensar levar-nos ao desprezo, intolerância e fundamentalismo. Disto o mundo parece estar cheio.
Assim, somos levados a pensar e celebrar neste domingo a universalidade de Deus, a respeitar todas as formas de expressão da fé e até mesmo respeitar todos aqueles que eventualmente acolham a sua opção pelo não acreditar. No fundo, o que se pensa é que Deus está em todos e que todos foram criados para o bem. Daí que Jesus afirme no Evangelho de forma categórica: «Quem não é contra nós é por nós». Basta isto para vermos como Jesus se apresenta totalmente entregue à salvação de toda a humanidade.
A imensa multidão de gente que não pertence à instituição Igreja ou igrejas, que faz o bem e tem gestos enormes de fraternidade são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo. Não será o currículo imenso do rol das missas e dos terços, que faz uma pessoa ser melhor do que ninguém. São formas distintas que Deus utiliza para o mesmo fim, que a humanidade seja capaz do bem e que depois todos comunguem da felicidade do Reino. É isto que importa verdadeiramente para Deus.
A primeira leitura confirma claramente esta ideia da salvação universal de Deus. O autor do texto recorrendo à errância do Povo de Deus no deserto, ensina-nos que o Espírito de Deus realiza uma norma teológica importante: «O Espírito de Deus sopra onde quer, quando quer e em quem quer», sem que nenhuma regra ou norma, interesse pessoal, privilégio ou manias de qualquer grupo, estejam aí para limitar ou condicionar a acção de Deus na vida e no mundo. Neste sentido acreditar em Deus é reconhecer os sinais de Deus em tudo o que é expressão e gesto com mais ou menos conotação religiosa, que as pessoas são capazes de realizar para a felicidade e bem-estar daqueles que estão à sua volta.
Seguindo esta reflexão o Evangelho é uma catequese interessante que põe as coisas bem a claro. A instrução de Jesus centra o discipulado no caminho do Reino de Deus. O desafio é este, vamos edificar uma comunidade que, sem arrogâncias, sem ciúmes, sem qualquer resquício de vontade de poder nem muito menos num sentido único, sem a presunção do exclusivismo do bem e da verdade absoluta.
A doutrina exclusivista - «fora da Igreja não há salvação» - que antes do Concílio Vaticano II a Igreja Católica defendia conduziu a um oceano imenso de injustiças, de sofrimentos. O caminho da comunidade de Jesus radica no acolhimento e na estimulação das diferenças. Daí que o seu cuidado com os mais fracos e os pobres tenha que ser uma dimensão essencial das comunidades de Jesus, porque estes são os marginais da sociedade, que sempre faz acepção de pessoas, especialmente, se forem pequenos e pobres. Tudo que seja sinal de exclusão nas comunidades de Jesus deve ser banido e a vocação da inclusão deve ser a espinha dorsal do ser cristão.
A segunda leitura, Epístola de São Tiago, que deve ser lida e relida nas missas, dispensa qualquer comentário. Porque, se falarmos muito sobre o que aqui está dito corremos o risco de estragar. Uma actualidade impressionante. Reparem: «Agora, vós, ó ricos, chorai e lamentai-vos, por causa das desgraças que vão cair sobre vós. As vossas riquezas estão apodrecidas e as vossas vestes estão comidas pela traça. O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se, e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo. Acumulastes tesouros no fim dos tempos. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; e os brados dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. Levastes na terra uma vida regalada e libertina, cevastes os vossos corações para o dia da matança. Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste (Tg 5,1-6). Está dito!

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Obrigado Amigo por esta leitura. Uma conversa catequética.
É urgente procurar Deus e deixá-Lo actuar na nossa vida assim como respeitar aqueles que não são nem pensam como nós.

Votos de uma boa semana e uma melhor sementeira.