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terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Amansar da fera


Terça-feira dia de Farpas no Banquete…

O Amansar da Fera, de William Shakespeare, é a história de Catarina, a fera insubmissa de feitio indomável, de Petrúquio, o domador, herói da grosseria e teimosia e de Cristóvão Finório, latoeiro e vagabundo transformado em rei por um dia, é presenteado com uma representação em que Catarina, a fera insubmissa, é amansada pela astúcia e persistência de Petrúquio, o domador que triunfalmente a irá reconduzir à ortodoxia da mulher obediente e exemplar.
Esta peça pode ainda ser vista no Cine Teatro de Santo António no próximo fim-de-semana 25,26,27 e 28 de Outubro (Quintas, Sextas e Sábados às 21.00 Domingos às 18.00).
Uma metáfora muito interessante que nos presenteia com a particularidade de ser apresenta numa terra onde alguns se apresentam ou representam essas qualidades de feras indomáveis. Acham-se os únicos, por sinal, importantes, insubstituíveis, coisa que destes estão os nossos cemitérios cheios e indomáveis, porque acham que podem, querem e mandam em tudo e em todos.
Estas características fazem uma realidade de uma terra domada pelas ameaças terríveis contra os princípios básicos da democracia. São reveladoras de uma terra vergada à soberba de um poder que se fixou à cadeira para tudo achar que pode dominar, com a sua verdade absoluta, o açambarcamento de tudo como se fosse dono de tudo, pois claro! Então, faz uma perseguição a tudo o que mexe em sentido contrário, porque o poder ora legitimado pelo voto - não se esqueça que as ditaduras mais sanguinárias também eram legitimadas pelo voto popular - acha-se com legitimidade absoluta para levar adiante o seu quero, posso e mando.
Pois, com os nossos impostos ou contraindo dívidas absurdas para todos os nascidos e os que vão nascer nos próximo 50 anos pagarem com suor e lágrimas, alimenta um Jornal de campanha, com a «bênção» de alguma Igreja Católica da Madeira, para levar adiante os seus intentos de domínio e continua a promover obras desnecessárias que não beneficiam toda a população mas a sede de meia dúzia que nos últimos 36 anos se alimentou com as benesses do poder instalado.
As feras indomáveis não toleram a diferença, o contraditório. Porque não sabem que a riqueza da humanidade radica na diferença e na diversidade. O seu fraco ou nulo sentido democrático está assente na sua vontade que se sacia no prazer do poder, porque de outra forma não teria brilho nenhum.
Eis que ainda alguns se fazem seguidores e defensores desta mania, deste absurdo gastador de energias e de dinheiros públicos, defendem as feras como se fora delas fosse o caos, o fim. Nada disso, este pensamento curto não pode continuar e chega de pensarmos desta forma, porque ele vai legitimando graves atentados contra a dignidade humana e a liberdade democrática. Faz imensa pena que estes doutos defensores desta lógica pidesca não percebam isto e continuem a atirar lama contra os nossos olhos como se fossemos uns fracos de juízo e que não tivéssemos capacidade de nenhuma para ver julgar e agir.
Porém, sempre desejo acreditar que haverá para aí um Petrúquio, mesmo que de forma rude e incivilizada, venha domar a fera Catarina para que a sociedade se faça orientar pelas ideias e pelos ideais de justiça e de bem comum. Aguardemos em jubilosa esperança…      

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