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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Saber escolher sempre o bem


Comentário à missa do próximo domingo
XXVIII Tempo comum, 14 de Outubro de 2012

As escolhas. Saber escolher é também um grande desafio que Deus nas leituras deste Domingo nos coloca diante do pensamento. A primeira leitura faz alusão aos bens mais apetecidos deste mundo, poder, riqueza, fama, aplausos, saúde e beleza. Sobre isto rezava Gandhi: «Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos débeis». O mais cobiçado, está cheio de brilho, porém, não é perene nem coloca a vida no horizonte da plenitude.
Por causa da ganância baseada naquilo que brilha o mundo caiu nesta tragédia e teima em continuar assim, mesmo vendo que tais opções produzem uma multidão imensa de desamparados, de pobres sem o necessário para sobrevierem. Para onde vamos com esta falta de «Sabedoria»? Que o mundo se edificará baseado nesta ganância, nesta teimosia contra a justiça, o bem comum?
As políticas que se seguem são profundamente injustas e adensam a pobreza. A Sabedoria d Deus vem dizer-nos que a fazer sempre assim, o grito do pobres levanta-se e envergonha-nos profundamente, porque não seguindo o caminho de Deus os homens e as mulheres deste tempo e de todos os tempos semeiam a exploração e o gritante fosso entre ricos e pobres. Este desarranjo é contra o Reino de Deus e está nos píncaros da Sabedoria que Deus proclama, que sempre radica na base da justiça e do amor por todos, preferencialmente, os injustiçados, os pobres…  
No segundo texto, aprendemos que a Sabedoria da vida está no acolhimento da Palavra de Deus, que sempre nos guia para o bem. Ela é a grande riqueza que importa acolher, porque o ensinamento de Deus indaga, ilumina, orienta para o sentido da eternidade. Só a Palavra de Deus «é viva e eficaz» se tomada a sério, com fé e esperança, num futuro luminoso para toda a humanidade. Ora a Palavra de Deus deve ser anunciada com coragem, sem medo de nada nem de ninguém. Esta dimensão profética deve acompanhar sempre quem se dedica ao anúncio da Boa Nova da Salvação, para que se cumpra o que a Epístola aos hebreus proclama sobre a Palavra de Deus que é viva, eficaz, actuante. Uma vez acolhida no coração do homem, transforma-o, renova-o, ajuda-o a discernir o bem e o mal e a fazer as opções correctas. 
O Evangelho coloca diante de nós dois horizontes, a felicidade e o perigo das riquezas. Podem ser conciliáveis estes dois caminhos, mas quase sempre um não é sinónimo do outro. Assim, o perigo das riquezas ameaça a todos, sem excepção. O caminho da felicidade também é possível para todos.
Desta forma, consideramos que os cristãos devem ser uns maltrapilhos, uns pobretanas porque dessa forma serão felizes e salvar-se-ão? - Nada disso, Jesus faz o convite para que cada um O acolha e escute a Sua mensagem e com isso, lutar pelos bens em função do bem-comum. Por esta via serão felizes e saberão o que é a vida plena e eterna. Caso entrem pelo caminho do egoísmo e da ganância, acolhem a felicidade momentânea e nunca saberão o que é a vida eterna. A escolha certa é importante para a verdadeira felicidade, mesmo que não seja o mais brilhante logo à partida. Deus quer-nos felizes, vamos escolher sempre bem.

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