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domingo, 25 de novembro de 2012

Para que serve assustar as pessoas?

O que se passou nas últimas horas entre nós é muito grave e deve servir de lição para o futuro. As entidades responsáveis pelas previsões meteorológicas e outras intensidades responsáveis pela coisa  pública, deviam ter mais cuidado na forma como fazem os anúncios de mau tempo. A Madeira tremeu durante dois dias, não porque o frio seja coisa por aí além, mas de susto e de expectativa à espera do que aí vinha, uma tempestade pior que o 20 de Fevereiro. 
A Madeira parou, as actividades de todo o género foram canceladas, as pessoas andavam tristes e recolhidas em casa e alguns até pernoitaram sei lá onde, em hotéis, pensões e na casa de amigos e familiares... Bom, fizeram, exactamente o que se lhes pediu, ficaram em casa fazendo a vida normal. Como se pode fazer a vida habitual preso em casa? - Levantou-se uma paranóia que considero grave. Até parecia que era a primeira vez que vinha chuva e vento entre nós. 
Quem provoca isto não está ver o alcance da gravidade da coisa. Um dia destes fazem mesmo uma previsão que resulta certeira e porque ninguém os levou a sério, então sim, teremos consequências graves. Mais, tudo isto acontece porque de facto ninguém está preparado para as catástrofes e, mais grave ainda, especialmente quem devia estar, as entidades públicas, que se fartam de fazer graves asneiras contra o ambiente e depois ficam aflitos quando parece chover um pouco mais fora do normal. Façam-me um favor, deixem-se de teatros e respeitem o ambiente, não façam da natureza um chinelo em nome da ganância, do lucro desenfreado, prepararem-se devidamente para o ano inteiro, para a chuva e para o calor. Quando tal acontecer, vamos encarar com serenidade e calma tudo o que vier porque estamos devidamente preparados. Precisamos desta maturidade. Toda a vida houve ondas de  calor e tempestades, tremores de terra... Coisas que pouco tempo antes de acontecerem ninguém as previu, a natureza estava na mais perfeita normalidade, às vezes até surpreendentemente dá-nos um quadro belo e sereno. Por isso, para quê este rodopio desnecessário. Insisto, estejamos preparados, aliás já é um princípio evangélico: «Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora...» (Mt 25,13).
Penso, que é tempo de irmos perdendo esta paranóia do 20 de Fevereiro... Até agora nenhuma entidade conseguiu prever o verdadeiro alcance das tragédias. Foi assim com o 20 de Fevereiro e agora com as derrocadas do Seixal, Ribeira da Janela e Faial. Estas coisas acontecem no mais cruel inesperado e disso ninguém nos livra. O melhor estarmos permanentemente preparados. Não há volta a dar.  

12 comentários:

Edu disse...

Evidentemente Vc não sabe nada de meteorologia nem viu as fotos do satelite.
ainda está a tempo de deixar de asneirar
http://www.sat24.com/en/ce

José Luís Rodrigues disse...

Sr. Edu, tenho visto imensas fotos sobre as previsões, obviamente, que não me atrevo a fazer a interpretação delas, porque como vc diz com toda a razão não sei nada meterologia,não me sinto nada inferiorizado por isso. Essa hermenêutica sobre as fotos fica para vc e outros técnicos, mas quem sabe se alguma humildade lhe ficassa bem e que pelo facto de saber destas coisas se não saltasse assim com tanta arrogância poderia também ainda ajudar-nos melhor a enfrentar as intempéries. Caro sr. limitei-me a escutar as pessoas e intrepretei o que vi socialmente. Penso que não ofendo ninguém com o que disse apenas reflicto e chamo atenção.

Espaço do João disse...

Meu Caro amigo.
Ninguém , como bem frisou será capaz de avaliar o que vai acontecer com as previsões meteorológicas. Claro como água o seu artigo.Mas muitas vezes as autoridades competentes em vez de gastarem somas astronómicas em obra faraónicas se aplicassem melhor os dinheiros públicos e, com gente séria e competente, talvez se evitassem muitas catástrofes e, muitos males que enfermam o pobre povo da Madeira. Quando aí estive em Agosto último, fiz uma publicação sobre a foz da ribeira de Santa Luzia e, caiu-me o Carmo e a Trindade, apelidando-me de tantos nomes que não vale a pena referir. Certo que ninguém é culto, pois para tal teria de dominar todos os temas mas, esse Sr. Edu, é duma arrogância e duma ignorância de se lhe tirar o chapéu. Não lhe ligue. Quantas previsões vistas de satélite, em nada resultam? Esse senhor deve ser dos tais que está bem na vida...E de conhecimentos, deve ser uma enciclopédia de cordel.
Aquele abraço de sempre.

João H. disse...

É um incómodo, é chato e estraga o fim de semana a muita gente. Mas não se deixa de trancar a porta da casa só pq o ladrão roubou o vizinho e não a nossa casa. A meteorologia faz-se de previsões e não de adivinhações. Não há bruxos. Em situação de RISCO as pessoas têm que estar preparadas, não se deve esconder a potencial gravidade dos fenómenos meteorológicos. Que é chato, é. Mas não podemos deixar de estar precavidos.

José Luís Rodrigues disse...

Obrigado amigos pela partilha. O debate sem arrogâncias e sem ofensas enriquece a reflexão e certamente ajuda a evolução da humanidade. Abraço para todos.

Graça Pereira disse...

De Meteorologia não percebo nada mas...parece-me que eles também não!!
Abraço e boa semana com o Senhor que, esse sim ,percebe de tudo!
Graça

me ",) disse...

É claro que as pessoas ficaram assustadas e que, para já, quem vê de fora, pensa que foi por nada de especial.
Mas aquilo que os metereologistas previram aconteceu...só não passou directamente em cima da Madeira.
Na minha opinião, é preferivel que as pessoas fiquem alarmadas e avisadas face a este tipo de situações. Evitam-se muitos acidentes. Já diz o ditado "mais vale prevenir que remediar"!

José Luís Rodrigues disse...

Que tal os experts da meteorologia começarem a aprender a conviver com todas as reflexões e opiniões ao invés de saltarem com ofensas... Escute-se mais esta que recolhi do Facebook do António Jorge Pinto:

«O Instituto de Meteorologia deveria explicar à população o porquê de ter decretado o "Alerta Vermelho", o máximo na escala. Não se questiona o trabalho indispensável deste Instituto, mas já o mesmo não se pode dizer de algumas (muitas) análises científicas que faz. Decretar "Alerta Vermelho" para a Madeira, foi a forma de deixar populações em pânico. Criou, aliás, na população uma espécie de hora psicológica, ao informar a hora para o início da chuva: 18 horas. O que levou algumas organizações a pedir aos pais que fossem buscar as crianças em actividades antes dessa hora. Depois de alguns fracassos, como foram os casos do furacão no Algarve e das enxurradas no Norte da Madeira, no início deste mês, que aquele organismo não previu, parece haver a tendência para depois exagerar. Como parece ter sido o caso deste fim-de-semana».

BM disse...

E será que você não entende que o instituto não exagerou? A Madeira escapou por uma unha à grande tempestade que esteve ao largo!
A única ofensa que vi foi o seu artigo a denegrir o trabalho da instituição.
Considero legitimo criticar a ausencia de avisos, agora criticar a existência deste é de muito baixo nível!
Mais uma vez: vá abençoar e deixe estas andanças!

José Luís Rodrigues disse...

Amigo BM, você não acha que não vai a lado nenhum com essa treta de se achar um infalível nessa área. Diga-me quem é que sabe de tudo mesmo na naquilo que estudou e trabalha? Não lhe fica bem falar dessa forma. Humildade e respeito fica-nos tão bem. E quanto ao ambiente e a natureza, então nem se fala. Não denegri a imagem do Instituto de Meteorologia, considero o vosso trabalho muito importante. Mas, não estão acima da crítica e qualquer cidadão tem direito a expressar o que pensa sobre tudo. Um diálogo consigo deve ser uma chatice, só fala de chuva, vento e calor... Não o mando para sítio nenhum porque aprendi a respeitar as pessoas e as suas opiniões. Se não quer respeitar a minha, tudo bem, só revela o seu nível de educação.

BM disse...

Ninguém é infalível! Nem aquele a quem você venera parece ser (se é que ele existe...)
E é por isso mesmo que estes avisos têm de existir e ser respeitados! Não enxuvalhados depois dos acontecimentos (neste caso do não-acontecimento duma desgraça)!
O 20/02 não é paranóia... foi apenas o despoletar de uma realidade que até à altura toda a gente descurava! E tendo em conta o estado atual da ilha (chuvas intensas, incêndios, erosão e desflorestação, etc...) é necessário tomar precauções!
Se você quer ficar como o Mateus a "vigiar", fique... Mas não critique aqueles que tentam avisar

José Luís Rodrigues disse...

BM, parece que estamos de acordo em alguns aspectos. Menos em dois, que passo a esclarecer. Eu creio e assumo esta fé sem vergonha nenhuma que «Aquele que eu venero» como você disse, existe e é infalível porque faz parte do Mistério de Deus. O segundo aspecto, tem a ver com o «vigiai» do Evangelho. Sim senhor, uma vigilância que seja deseja militante permanentemente e não apenas para quando se vislumbram tempos desfavoráveis mas permanentemente, foi o que eu pretendi com a minha reflexão... Em todo o caso, desejo sinceramente, que seja sempre muito feliz no seu trabalho e isso basta.