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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Porque estamos no Ano da Fé


O que a fé não é (9)
A fé não é para dar resposta a todas as perguntas

Ainda bem que se descobre que a fé não pode servir para dar respostas a todas as perguntas. Todas as perguntas são legítimas e a fé que não pergunta, está muito pobre do transcendente, de Deus. Porque a procura inquieta é uma força da alma impulsionada pela fé. Por isso ensinou São Paulo: «Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas» (2Cor 4,18). Para chegar a esta meta, precisamos de procurar sempre.
Sempre o que importa mais é compreender a fé como uma realidade interior, misteriosa que vem de Deus, não tanto para dar respostas, mas antes, para suscitar dúvidas, perguntas e inquietações diante do presente e sobre o futuro. Esta condição é aquela que acompanha mais permanentemente o ser humano. Mas, nenhuma pergunta pode chegar a uma resposta absoluta, mas sempre reservar-se ao Mistério e nessa condição contemplar o Mistério que envolve a condição da vida toda, porque nunca se pode chegar àquilo que Dostoievski escreveu no romance Os Irmãos Karamázov: «Se Deus não existe, tudo é permitido». Mas, apesar disso, não faz mal dizer-se, «eu não tenho respostas, o que tenho é fé». Não podemos encontrar nada mais característico na vida guiada pela fé.
Para todas as perguntas, emerge uma «única» resposta na boca de Jesus quando diz no Evangelho: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me». Nada é mais inquietante do que este querer de Jesus. Nem sempre é fácil abdicar do que temos, do que somos, do que pensamos e do que queremos, mas não há outro caminho para que a vida seja útil para nós e para os outros. Quando tal dificuldade não é ultrapassada emerge em força o egoísmo, que é a pior das tragédias no coração de uma pessoa.
São João Damasceno (675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja, diz o seguinte: «Hoje é o abismo da luz inacessível… As coisas humanas tornam-se as de Deus, e as coisas divinas, as do homem». Sabe bem entendermos que Deus, hoje, se manifesta a cada um de nós, para oferecer o que é «Seu» a «nós» e tudo o que é de «nós» passar a ser «Seu». Nesta correlação confirmamos em absoluto a nossa divindade e descobrimos a resposta às questões existenciais, de onde viemos? E para onde vamos? - Resposta: «feitos à imagem e semelhança…» e peregrinos da sublime transfiguração divina. É de Santo Ireneu que sabemos, em Jesus Cristo divinizamo-nos e a Glória de Deus é o Homem vivo. Não há maior fortuna do que esta.
Mais ainda, «vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora» (Jesus no em São Mateus). E «Quem procura a verdade procura Deus, ainda que não o saiba», oferece-nos Edith Stein. Nestes pensamentos encontramos um apelo e uma convicção, ninguém está fora de Deus. É desta universalidade divina que precisa o mundo de hoje. Somos convidados a estar vigilantes, atentos perante os desafios da vida e na mentira fazer valer a verdade, na injustiça a justiça, no ódio o amor, no egoísmo a partilha, na inimizade a amizade, na violência a paz, na incompreensão a compreensão e em tudo o que seja sisudez um sorriso, mesmo que a hora seja a mais perturbadora de todas e o oceano de perguntas seja infinito.

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