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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Postal de Natal

Postal de Natal para que não se soubesse nunca destas barbaridades.
Mães que dão vida mães que matam
Se, felizmente, há imensas mães que dão vida e no Natal celebramos essa grandeza, há outras que, infelizmente, matam e fazem-nos entristecer perante a sua cruel frieza em tirar a vida. 
A mulher de origem brasileira suspeita de ter matado os dois filhos pegando fogo à casa onde residia, em Preces, Alenquer, foi detida em Castanheira de Ribatejo enquanto circulava na rua, segundo disse ao Expresso fonte da GNR.
Kely Alessandra Santos, de 30 anos, mãe das duas crianças de um e três anos, estava a ser procurada pelas autoridades desde quarta-feira à noite, data em que terá incendiado a casa e ligado à sogra a confessar o crime. (In Expresso online)

Mesmo que a realidade teime em não ser Natal, desejo que todas as mulheres e todos os homens de bem façam Natal nos seus corações em nome do sublime que resplandece em cada vida que Deus faz acontecer diante dos nossos olhos. Feliz Natal para todos!

2 comentários:

Jordão Freitas disse...

É um triste fato este que abriu as notícias de todas as estações televisivas. Mas como posso julgar esta mulher? Só Deus saberá a angústia em que vivia! Afinal todos permitimos que ela cometesse esse crime na medida que não identificámos o seu sofrimento. Dói-me a alma ao saber que duas crianças morreram.
Mas o meu avô tantas vezes dizia que sempre que alguém morre morre um pouco dos que ficam e que sempre que alguém nasce também renascemos!
Que o Menino Jesus nos faça renascer para sermos melhores e mais atentos ao sofrimento do outro, que afinal é também nosso sofrimento.

Zu disse...

Esta história fez-me lembrar um outro caso que aconteceu há algum tempo com uma rapariga que conhecia de vista. Inventava uns "quistos" para disfarçar a gravidez e depois desfazia-se das crianças ao nascer... Confessou tê-lo feito pelo menos três vezes...a última vez correu mal, teve complicações no parto e acabaram por descobrir um bebé morto dentro do roupeiro...
No meio desta história macabra, como tantas que vão enchendo os noticiários, confesso que acabei por sentir pena da rapariga. O que fez foi horrível e está a pagar por isso mas acho que não podemos confundir as pessoas com os atos. Toda a gente erra e eu pergunto-me que circunstâncias a teriam levado a agir assim. Que educação terá tido? Que valores lhe foram incutidos? Que oportunidades é que a vida lhe terá dado (ou não) para conseguir procurar outros caminhos?
Fácil é atirar pedras.
E nós, perante as mesmas circunstâncias, como reagiríamos? Seríamos melhores ou piores que ela?
Alguns dias depois desta notícia, li no jornal que os pais da rapariga, dois pobres velhotes, se queixavam de não terem ninguém a quem recorrer - os vizinhos viraram-lhe as costas, ninguém lhes queria falar, e a rapariga não tinha quem a fosse visitar, embora dissesse que estava bem instalada e “até tinha televisão no quarto”!...
Fiquei a pensar naquela miséria… Nos pobres velhotes que mal devem saber ler e que sem carro e sem meios não poderão ir visitar a filha a 200km de distância…
Na filha, que na prisão, ainda não tinha tomado real consciência do crime que tinha cometido e das suas consequências e continuava a viver a vida como se o importante fosse ter uma televisão no quarto…
Pensei nas crianças que não tiveram oportunidade de viver, e nos pais dessas crianças… Terão sabido alguma vez da sua existência? E se souberam, ter-se-iam alguma vez interrogado sobre o seu destino? Ou seria mais confortável para eles ignorar?
E pensei que não havia pior pena para aquele (ou para qualquer) crime que viver com o peso de o ter cometido, porque um dia ela sairá da prisão, mas o crime permanecerá na sua memória e na sua história pessoal para sempre…
No que diz respeito à notícia dos últimos dias, também acho que é fácil julgar. Mas mais do que criminosa acho que a mulher em questão é doente. E, ás vezes, a dimensão do sofrimento das pessoas é tão grande que não as deixa ver as coisas de forma clara, e se vêm não querem ver…
Abraço.
Carla