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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sombras e delírios de uma sociedade maluca

Farpas no Banquete...
Os tempos correm perplexos e nós ainda mais do que eles. As barbaridades e alarvidades tomam a dianteira. São em catadupa os contornos da linguagem absurda que manifestam insensibilidade cruel, um desplante, um insulto a quem trabalha e a todos os que se remedeiam com o pouco que a sorte os bafeja. Sabem viver assim. Não há maior felicidade do que essa, ser capaz de ser rico com o que o seu trabalho, que lhe dá para comer, viver condignamente e ainda para partilhar com quem tem menos. Para nós é a maior alegria experimentar isto e saber de tantas gente que leva à prática esta experiência extraordinária.
Mas, levantam-se algumas coisas por aí que não podemos deixar de dizer algo, não digo comentar porque não merecem o nosso comentário, só a nossa atenção para sorrirmos nem que seja assim de relance com pesada compaixão e pena de gente que não tem vergonha, não sabe o que diz, mente descaradamente e procura aldrabar os outros com o maior desplante. A nós resta ficarmos aí no prazer de nos fazermos idiotas, diante dos imensos idiotas que se julgam serem inteligentes. Pois bem, de que se trata o seguinte?

- «Hipócrita e socialmente iníqua a tendencial gratuitidade da educação e da saúde, levando a que haja espaço para uma educação/saúde de primeira e de segunda», disse o líder da JSD nacional que defende o fim da educação e da saúde tendencialmente gratuitas em Portugal. Esta foi uma das ideias mais polémicas da moção «Cumprir Portugal», que Hugo Soares – único candidato à liderança – defendeu no congresso dos jovens social-democratas, que se realizou no último fim-de-semana em Fátima. Onde esteve o desbocado do Pedro Passos Coelho, que faz de Primeiro-ministro de Portugal, que também pronunciou uma série de insultos sobre as pensões de reforma. É caso para perguntarmos o que pretende esta gente fazer do Estado Social e da Democracia? – Tudo isto, ironicamente, em Fátima onde Nossa Senhora, deve ter chorado amargamente e onde se arrastam milhares de pessoas do nosso país para agradecer graças alcançadas e pedir ajuda para os «milagres» que esta vida às vezes precisa, porque quem devia cuidar não cuida, quem devia sarar não sara e quem devia cumprir o seu dever não cumpre…
Porém, ao lado desto desta tragédia e deste intuito de agravar o genocídio, veio a público dar o grito que sempre registamos com simpatia. O Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, que aponta a reforma do Código de Trabalho como o reflexo de uma sociedade cada vez mais centrada no dinheiro. Disse então: «Nós sabemos que o grande deus desta Europa é realmente o deus dinheiro encarnando isso na Alemanha. Mas é a Alemanha, o sistema bancário, os grandes ricos que movem o mundo. Esse Código do Trabalho é uma imanação perfeita desse deus dinheiro, desse deus capitalista que manda no mundo e que engorda à custa do emagrecimento dos outros». Eis a reflexão que falta fazer-se e o essencial onde devem estar centradas todas as nossas forças. 
O alerta de D. Manuel Martins vai ainda mais longe para dizer que a desumanização na Europa e em Portugal precisa de ser travada com uma mudança de atitude e mais atenção dos «homens de poder». Pois, se tivéssemos verdadeiros «homens de poder», isto é, que fossem cultos, que soubessem de economia, mas também tivessem sensibilidade e sabedoria a todos os níveis culturalmente e espiritualmente falando. Mas o que temos? – Gente medíocre, mentirosa, aldrabona, imprudente, desbocada e tantos outros mimos que circulam na praça que se aplicam às várias figuras que hoje comandam os destinos das nossas sociedades.
Então o antigo Bispo de Setúbal sentencia, «se calhar temos necessidade de vir para a rua gritar de tal forma que os homens do poder ouçam e adoptem outro modo de estar e de viver». A todos compete esta luta.
Mais um que devia estar calado se não tinha nada melhor para dizer. O presidente da União das Misericórdias Manuel Lemos garante que enquanto houver Misericórdias não há razão para haver fome em Portugal, criticando a utilização deste assunto no cenário político. O que disse o homem das misericórdias? – Isto: «enquanto houver Misericórdias não há razão para haver fome em Portugal porque nós e muitas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do país temos juntado energias para que qualquer situação de fome seja detectada», afirmou. Onde anda este senhor? Pensa que a «sua» caridade realiza milagres? Mais um que pensa que a fome se sacia hoje e está resolvida para sempre? – Há um delírio geral que afectou as pessoas a quem se pedia seriedade, serenidade e algum senso na língua quando falam da situação actual das nossas famílias e de quem se esperaria que não andassem aqui a fazer fretes ao poder político instalado que pretende levar adiante medidas que violentam o nosso povo de forma tão cruel e desumana. A luta contra a pobreza não pode ser feita contra os pobres.
Para este contexto e para dar resposta a este delírio em que mergulharam as famosas instituições de solidariedade social, recorro à grande figura, São Vicente de Paulo, patrono da libertação dos pobres, que diz assim «Não sei quem é mais carente: se o pobre que pede pão ou o rico que pede amor». E vai ainda mais longe na sua consciência quanto à indignidade que é ser pobre, «Quando socorreres um pobre, oferece-lhe o teu melhor sorriso, para que ele te perdoe a esmola que lhe dás». Pois, é isso a esmola caridosa, uma ofensa, porque nunca deveria existir, porque a necessidade de ser feita, resulta da sociedade injusta que teimamos em levar adiante. Revela falta de inteligência, porque não nos escandalizamos nem nos revoltamos com o facto de existem necessitados à nossa volta.
Ora vivemos assim e parece que tudo se conjuga para que tal sempre seja dessa forma, porque «A sociedade compõe-se de duas classes: os que têm mais jantares que apetite, e os que têm mais apetite que jantares», disse Sébastien-Roch Chamfort. Até quando?

2 comentários:

rouxinol de Bernardim disse...

«Homens de poder»? são os banqueiros, os tubarões da alta finança, os barões da droga que, bem escondidos e protegidos, vão ditando sentenças. São investidores nos partidos do arco da governação__ como dizem__ e depois colhem os frutos desse investimento. Políticos já não são detentores do poder: são marionetas servis e obedientes...
O código do trabalho é a cartilha da sra Merkel distribuída aos endividados. Espremer o limão até secar. Depois, ela virá com um sorriso magnanimo fechar os saldos.Mas a IC__ nem toda__ também tem culpas no cartório. Então a hirarquia da Madeira é CUMPLICE no regabofe e conduziu o rebanho a uma espécie de «síndroma de Estocolmo»...

Zu disse...

Sr. padre
Dá gosto saber que pensa assim.
Ainda bem que há vozes que não se calam perante as injustiças deste mundo.
Tristemente somos um povo de gente resignada e tantas vezes ouço a expressão "enquanto tiver para um prato de sopa..." Por Amor de Deus! Viver é mais do que sobreviver! E se não fosse a ganância de alguns, no mundo haveria o suficiente para todos!
O que era preciso era que fossemos coerentes e não medrosos. Mas a verdade é que estamos todos preocupados em conservar a nossa "migalhita"... É assim que se vão ganhando eleições...