Convite a quem nos visita

terça-feira, 31 de julho de 2012

Este Verão está ameno

Terça-feira, dia de farpas…
31 de Julho, estamos à porta de Agosto, mês de desgosto e de cabritos, porque ninguém casava neste mês por ser o que se dizia. Mas, neste agora, onde pouco ou nada se importam com cornos e outros adereços, fica um mês atípico para férias num Verão que não mexe, mas que se remeteu a alguma depressão derivada do infortúnio que se abateu sobre todas as cabeças que muitos pensam estarem descampadas. Vá lá contentem-se. 
Só mesmo este clima de férias para acalmar os ânimos e nos remeter de novo à pasmaceira costumeira em que mergulha a nossa terra.
Os incêndios animaram as festas de Verão. Provocaram um falatório entretido que nos fez bem, por um lado, mas, por outro, disse mais do inferno numa semana do que a catequese em 2000 anos de existência cristã.
Agora resta uma paisagem negra, sinal exterior de que «a coisa está mesmo preta».
Pois, está mesmo, para quem caiu na valeta do desemprego. Negro está para quem tem filhos para alimentar e mandar para escola, mas não tem um cêntimo na carteira para corresponder a este custo de vida altíssimo em que estamos mergulhados. Negro está para quem perdeu os bens na última tragédia. Negro está para quem está ameaçado com as próximas tragédias. O risco já era evidente, mas agora nem se fala. Negro parece estar para os nossos atletas que participam nos jogos Olímpicos que, pelos sinais, não trarão uma medalha que seja para salvar a honra do convento. Por isso, isto anda mesmo muito mal para o nosso lado…
Então vemos uma sociedade inquieta, incrédula perante as investidas de quem tem responsabilidade, mas não as assume. Antes se entretém a explorar o povo, dispara em tudo o que mexe e depois emenda a mão com uma festança, um brinde, uma charuteada, uma palmadinha nas costas, um disfarce qualquer para emendar a bacorada, a ofensa, a calúnia proclamada como verdade suprema, debita a análise sábia dos males do sistema, do regime e dos outros, sempre os outros… Este Verão, não aquece e se já esteve quente derivou do fogo que não se queria que existisse, aquele que os incendiários de florestas e da sociedade atearam.
No desenrolar deste tempo, falamos do que sabemos e vemos no descampado do pensamento, da ignorância e do vazio que se instalou em todos os domínios uma depressão preocupante, uma solidão que mata toda a possibilidade de qualquer ideal. Por isso, salta a vista o pensamento de Mário Quintana: «Sorri com tranquilidade / Quando alguém te calunia. / Quem sabe o que não seria / Se ele dissesse a verdade...». Neste esforço para tornar viva matéria já morta vemos um grande esforça, um sacrifício que nos anima a compaixão, mas gosto mais do grito de L. Uhland quando sentencia: «Levem ao túmulo, aquele que parece um cadáver!». Nem mais.
Ora num Verão atípico, o nosso estado de alma, o nosso pensamento também são atípicos e andam como que perdidos no desalento, no desencanto do nada que se avizinha em cada dia que o tempo nos reserva para viver. E neste deambular com pouco sentido, remetemo-nos a Fernando Pessoa que nos diz do nada que se vê neste clima impróprio para quem gosta de vibração e de animação cheia de esperança. Meditemos no «Ah, Onde Estou»:
Ah, onde estou onde passo, ou onde não estou nem passo,
A banalidade devorante das caras de toda a gente!
Ah, a angústia insuportável de gente!
O cansaço inconvertível de ver e ouvir!
(Murmúrio outrora de regatos próprios, de arvoredo meu.)

Queria vomitar o que vi, só da náusea de o ter visto,
Estômago da alma alvorotado de eu ser... 
José Luís Rodrigues

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Oração pelas férias


Para quem vá de férias...

Dá-nos, Senhor,
depois de todas as fadigas
um tempo verdadeiro de paz.

Dá-nos,
depois de tantas palavras
o dom do silêncio
que purifica e recria.

Dá-nos,
depois das insatisfações que travam
a alegria como um barco nítido.

Dá-nos,
a possibilidade de viver sem pressa,
deslumbrados com a surpresa
que os dias trazem pela mão.

Dá-nos
a capacidade de viver de olhos abertos,
de viver intensamente.

Dá-nos
de novo a graça do canto,
do assobio que imita
a felicidade aérea
dos pássaros,
das imagens reencontradas,
do riso partilhado.

Dá-nos
a força de impedir que a dura necessidade
esmague em nós o desejo
e a espuma branca dos sonhos
se dissipe.

Faz-nos
peregrinos que no visível
escutam a melodia secreta
do invisível.

José Tolentino Mendonça
Imagem Google...

Apelo ao coração (&)


Faz com que se derretam os corações secos,
Fortalece os moles,
Amolece os duros,
Enxuga os molhados,
Aquece os que estão frios,
Salva os que vão perecer.

Conrado de Hamburgo (séc. XIV)

(&) título do autor do blogue.

PÃO PARA TODOS


A não perder...

1. Viriato Soromenho Marques teme que este seja o último verão da Zona Euro. O último verão antes de uma nova, perigosa e incerta geografia política europeia, cujas dores de parto não pouparão ninguém.
Mesmo para aqueles que não dispõem da informação e do poder de análise deste filósofo ecologista, torna-se cada vez mais claro que a gentinha que reina na política europeia, servida por troikas iluminadas, vai continuar a fingir que acredita nas receitas ideológicas de um capitalismo financeiro desenfreado, para o qual as pessoas são um aborrecimento. A pior das corrupções políticas é a difusão de um veneno como se fosse um remédio milagroso.
Já quase não se pergunta se determinadas obras, organismos e instituições valem ou não valem a pena, servem ou não os cidadãos. Estes deixaram de contar. Basta dizer quantos milhões se vão poupar em certos cortes e despedimentos. Nem é preciso mostrar, com clareza, as suas virtudes. Seja como for, o crescimento colossal dos desempregados não pode ser fruto de boa árvore. Nos paraísos fiscais, onde se alojam 17 biliões de euros ou o equivalente ao PNB dos EUA e do Japão, não há crise.
É dispensável dizer a quem não está contente com a situação de desempregado que emigre ou “que se lixe”. É preferível que os autores dessas receitas as vão experimentar.
Abundam os livros de grandes economistas que explicam como se poderia acabar com a pobreza, reformar as grandes instituições financeiras internacionais e, se houvesse discernimento e vontade política nas lideranças, diz-se que seria possível acabar já com uma crise que se arrasta há quatro anos. Estou a lembrar-me de professores e investigadores como Jeffrey Sachs, Joseph E.Stiglitz, Abhijit V. Baneerjee/ Esther Duflo, Paul Krugman, etc.. Se isto não acontece, seria interessante identificar os interesses que ganham com a crise e a consideram uma grande oportunidade de negócios. As indústrias envolvidas nos incêndios não podem ser as mais preocupadas em convencer os governos e particulares a investir nos cuidados da prevenção ao longo do ano.
2. Portugal faz parte de uma paisagem humana muito vasta. Aproximemos alguns números disponíveis referidos por Carlos Borrego (Brotéria 5/6 p. 449). Se o mundo tem agora 7 mil milhões de pessoas, em 2050 terá 9 mil milhões. Se a natalidade, mesmo em países como a Africa está diminuir, este aumento populacional será feito com idosos.
Neste momento, 1,4 mil milhões vive actualmente com cerca de 1 euro por dia ou menos; 1, 5 mil milhões de pessoas no mundo não tem acesso à electricidade e 2,5 mil milhões não tem tratamento de esgotos. Quase mil milhões passam fome.
Leornardo Boff, um famoso eco-teólogo, pergunta-se se não estaremos perante a crise terminal do nosso modo de viver. Diz que foram encontradas 25 formas diferentes para destruir a espécie humana. Como a humanidade e a terra estão interligadas de forma indivisível, tudo é afectado pelas mudanças climáticas. Estamos a chegar ao fim da matriz energética baseada em produtos fósseis – petróleo, gás e carvão – o que obriga a procurar fontes alternativas e limpas e, mesmo assim, serão insuficientes para sustentar o nosso tipo de civilização. A tragédia social não é menor. As três pessoas mais ricas do mundo possuem activos superiores a toda a riqueza dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas; 257 pessoas sozinhas acumulam mais riqueza do que 3 biliões de pessoas, o que equivale a 45 por cento da humanidade. Resultado: 1, 2 biliões de pessoas passam fome e outros tantos vivem na miséria. Leonardo Boff, de quem recebo estes números, sem os ter ido verificar a outras fontes, acrescenta que, no Brasil, cerca de cinco mil famílias possuem 46 por cento da riqueza nacional.
3. Os números apresentados neste texto são conhecidos. Tornou-se, aliás, um lugar-comum dizer que, também em Portugal, cresce o abismo entre os poucos muito ricos e os muitos muito pobres. A Doutrina Social da Igreja, acerca do destino universal dos bens, é outro belo lugar-comum, do qual nada se espera.
A consciência ética começa quando chegamos à conclusão de que o mundo como está é uma vergonha, mas não é uma fatalidade. Jesus Cristo não deixou nenhuma receita automática para vencer este escândalo. Como se pode ler no Evangelho de S. Lucas, Jesus não alinhou nem com o regime de austeridade de João Baptista, nem com o estilo de vida do rico avarento. Gostava da vida, de comer e de beber, como toda a gente que tenha os sentidos bem apurados. Até lhe chamaram glutão e beberrão (Lc.7 e 16). Não suportava ver uns à mesa e outros à porta. Era a partir dos excluídos que encarava a transformação da sociedade.
Hoje, na Eucaristia, é lida uma narrativa da multiplicação dos pães e dos peixes. Já serviu para boas peças de humor. Tudo o que está escrito no Novo Testamento é para a nossa alegria.
Nos Evangelhos, os milagres não são reportagens. São parábolas. Faz-se uma coisa para dizer outra e para que os discípulos façam coisas ainda maiores. A aclamação e a meditação da leitura da multiplicação dos pães podem ter muitos efeitos: primeiro, não tem efeito nenhum; segundo, pode incomodar-nos, mas não muito; terceiro, pode abalar-nos. Quarto, pode tornar-nos militantes. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.
Até Setembro.
Frei Bento Domingues, in Público.

domingo, 29 de julho de 2012

Carta a um incendiário

Texto de «Sinais dos Tempos», Diário de Notícias do Funchal, 29 de Julho de 2012
José Luís Rodrigues
Incendiário, seja lá quem fores, não te trato com senhorias, quem tem prazer em ver a casa dos outros a arder não merece ser sr/a. Sim, segundo a nossa língua, tu és um pirómano. Ora, um pirómano segundo o dicionário, é alguém que incendeia pelo prazer de ver as chamas consumirem as coisas. A piromania é a «compulsão ou impulso mórbido de atear fogo às coisas. Os psiquiatras acreditam que muitos pirômanos sentem excitação sexual em decorrência da ação de atear fogo». Interessante, mas mórbido, grave demais.
Segundo algumas versões, na antiga Roma existia um famoso pirómano, Nero, um imperador sanguinário, que segundo alguns historiadores romanos e cristãos, teria mandado queimar a cidade de Roma, para perseguir os cristãos e pelo gosto que lhe deu ver a cidade em chamas, com o fim de levar a cabo um projecto megalómano. No romance «Quo Vadis» (Henryk Sienkiewicz, 1895), ele é mostrado tocando a sua lira, enquanto Roma ardia. Aqui entre nós não tocaram lira enquanto a Madeira ardia, mas acusavam-se entre si de protagonismos e quiçá quem tinha apresentado a gravata mais rica e fina na hora das chamas…
Será que deste famoso imperador haverá descendência que veio bater à Madeira? Haverá um Nero dentro de alguns madeirenses? Sentes este prazer em ver a nossa terra em chamas? Não te comoves nada quando alguém chora compulsivamente porque perdeu tudo o que tinha? Não te fez verter lágrimas ou não te arrepiou nada aquilo que disse no meio dos escombros uma senhora: «a minha casa não era um palácio, mas era a minha casa, onde eu tinha as minhas coisas…»? Não te diz nada isto? Não sentes vergonha diante das paisagens negras na terra que era uma «pérola» e agora é um pechisbeque pelo qual ninguém dá nada? Não te assustas com a fome que isto provoca nalgumas famílias, que poderão ficar sem emprego, porque os turistas desistem de vir à Madeira?
Não compreendo a mente e o coração de quem procede desta forma ateando fogo por todo lado. Será vingança? Ódio aos madeirenses? Insensibilidade perante o bem comum que é a floresta? Nenhum respeito pela ecologia?
Os males que os incêndios provocam são incontáveis e não podemos ainda contabilizar os danos que esta desgraça vai causar. Todos os madeirenses actuais e os vindouros irão assumir consequências horríveis. A principal, prende-se com o ar irrespirável que já vamos sentindo nalguns lugares em certas ocasiões. As doenças que não saberemos as suas causas. A paisagem verde, a principal característica da nossa terra desaparece, era a nossa galinha dos ovos de ouro, foi com isso que ganhamos fama pelo mundo fora, o que atraía turistas a virem à ilha, o que é sempre benéfico para a nossa economia e para o nosso enriquecimento cultural.
Não te importas nada com isto, pois claro! Não gostas de nós, andas desocupado, roubaram-te alguma coisa, a nós todos também nos roubaram, temos uma dívida astronómica pública para pagar, sobrecarregaram-nos de impostos, é verdade, mas nem todos tivemos culpa nem muito menos os madeirenses que nascem hoje nem os que vão nascer amanhã. Por isso, não nos mates ainda mais, não nos cerceies a alma, o património verdejante que a nossa terra apresenta ou apresentava.
Incendiário, pensa um pouco nestas palavras que alinhavei nesta hora. Escrevo sobre a cinza que nos encegueira os olhos, o papel foi feito de angústia de tantos conterrâneos nossos que viram o monstro das chamas sobre as suas cabeças e a tinta tomei-a das lágrimas de crianças em pânico porque o fogo não se tratava de brincadeira nenhuma. Tomei também as lágrimas de idosos que nunca imaginaram perder tudo em segundos. E há ainda mais lágrimas de revolta, medo e desalento perante a perda irremediável de acções irreflectidas que não merecem respeito nenhum. Pensa nisto.

sábado, 28 de julho de 2012

O degelo agita a barca


10 horas da manhã de hoje. A celebração das ordenações sacerdotais, na Sé Catedral do Funchal, começa precisamente a esta hora. Uma festa, quem assume a responsabilidade de presidir à cerimónia, repete até à exaustão. Muito bem. Também digo, uma festa para todos nós e mais um sinal de esperança para a nossa sociedade que bem precisa de gente que em todos os quadrantes se entregue de alma e corpo ao seu serviço. É o que esperamos de mais este quatro novos sacerdotes hoje consagrados para o serviço de todos.
Mas, vamos à mensagem que se proclamou e o que devia ficar para quem agora começa esta tarefa de ser padre e para o povo (a Igreja) que beneficia de mais estes colaboradores.
A mensagem reveste-se, em primeiro lugar do regozijo, alegria que este momento suscita em todos nós. Ideia repetida vezes sem conta.
Mais adiante salta uma ideia interessante, mas que não é desenvolvida: «os novos padres são enviados para o mundo para serem o rosto da misericórdia de Deus, especialmente, para os mais necessitados», disse o bispo do Funchal. Interessante, mas não tem desenvolvimento, nem muito menos reflecte sobre a realidade da Igreja que se perde em burocracias estéreis e facilmente esta ideia que se proclama sobre os telhados se converte em «verbum volant», (palavra levada pelo vento), porque são infindáveis as incompreensões diante dos pobres, as exigências de papéis e exigências face à recepção dos sacramentos. Nunca se aponta as questões que são as mais prementes em cada momento histórico que estamos a viver. Ou vergonha ou medo. Há algo aqui que não se entende.
Outra coisa que se aponta sem reflexão nem uma réstia de esclarecimento com uma leitura concreta, é esta ideia: «a crise da igreja é uma crise de fé». Será? – Não terá antes que ver com questões mais do foro humano e todas as questões sobre a hierarquia da Igreja Católica que continua a viver anacronicamente um funcionalismo que pouco ou nada diz à mentalidade dos nossos dias. O que será que afasta as pessoas da Igreja? - A meu ver todos os anacronismos e todas as questões sobre a vida profundamente conservadoras que a Igreja Católica teima em fazer valer para ninguém. Falta de fé não pode ser. A multidão de pessoas é enorme, que procura caminhos alternativos nas seitas religiosas, na bruxaria, nos movimentos religiosos de caris muçulmano e budista. São tantos os caminhos de procura para se expressarem no caminho da fé. Por isso, o que está em crise é a humanidade da Igreja Católica e não o valor da fé que continua bem vincado no coração da humanidade. Mais uma vez se pretende desvias as atenções. Ou será que se considera falta de fé a tendência cada vez mais forte da humanidade actual que vai menosprezando a hierarquia católica e que cada vez vai escutando menos o que se prega, porque a linguagem está profundamente desenraizada e fora de tempo? Será?  
A seguir são feitos um conjunto de informações. Palavras, mais palavras… Actividades e mais actividades em catadupa, que disfarçam as questões concretas sobre a sociedade madeirense, mergulhada numa crise financeira sem precedentes, onde o desemprego conduz famílias inteiras à fome, à emigração, à pobreza… Pelo meio, o vazio de reflexão sobre uma sociedade enganada, mergulhada na mentira, nos desvios quanto à responsabilidades, à caça de bruxas para justificar a incompetência e a incúria. As cada vez mais duras investidas sobre o clero, apelidados com epítetos de baixa categoria, as críticas humilhantes e inverdadeiras sobre pessoas da sociedade em geral, propagadas por um Jornal «afilhado amado» desta mesma Igreja Católica da Madeira, ficaram à porta da Igreja da Sé. Um degelo de reflexão, de ideias novas que apontem caminhos novos para problemas velhos e novos a consumirem os homens e as mulheres deste tempo que é o nosso tempo. Nada de nada.
Por fim, destaque-se que «o sacerdócio não é uma profissão». Não é de todo, mas também é… O sacerdote «anuncia Jesus Cristo, luz da vida em abundância». É ele o profeta, que levanta a sua voz em prol dos mais pobres, dos injustiçados e está até à última gota de sangue ao lado dos fracos contra os poderosos deste mundo que egoisticamente açambarcam tudo em detrimento do bem comum e da justiça. É ele o denunciador e o anunciador, para ser verdadeira luz em nome do «único» Mestre, Jesus Cristo. Dizia-se lá na cerimónia fazer tudo «sem medo». Que assim seja, sem medo de nada nem de ninguém.
Bom, eis tudo o que foi dita pela metade. Em singela reflexão neste espaço, acrescenta-se ao que se diz e celebrou uma achega, para que o degelo não seja tão estrondoso no mar de problemas em que andamos mergulhados. Uma tempestade que não sabemos para que porto seguro será conduzida a barca de Jesus Cristo. Que o Espírito Santo nos proteja cada vez mais nestas andanças e que o milagre da pesca milagrosa se faça sentir, não apenas com padres, bispos e outros hierarcas, mas com o pulsar da Igreja toda, que são todos os baptizados.
José Luís Rodrigues

Quando a liberdade não existe


Nota: Deveras impressionante... Não percam este vídeo. façamos dele uma oração pelas vítimas da falta de liberdade religiosa no mundo. Coisa que nos passa ao lado porque não experimentamos de forma tão violenta o que é viver na ausência de poder expressar a opinião, a fé e o encontro com os outros na celebração da liturgia... Doloroso.
Se há país no mundo onde a Igreja sofre, é a China.
Apesar de todos os anos haver milhares de novas conversões, o número de católicos na China não deverá exceder os 12 milhões numa população total que ultrapassa já os 1, 31 biliões de habitantes. Mas as autoridades sempre olharam para os crentes em Cristo com desconfiança. A tal ponto que foi até criada uma Igreja "oficial", a Associação Patriótica Católica, controlada por Pequim, para afastar os cristãos de Roma, que se mantém fiéis ao Papa e que pertencem à chamada "Igreja clandestina".
Se há país no mundo onde a Igreja tem sido mártir, é a China.
Ao longo de décadas, milhares de cristãos têm sido presos, internados em campos de reeducação, torturados e mortos. É uma longa história de martírio. Basta olhar para os dias de hoje para se compreender como é dramática esta realidade.
Ignora-se, por exemplo, o paradeiro do Bispo D. James Su Zhimin, de 77 anos, da Diocese de Baoding, desaparecido desde 1996, assim como se desconhece o que terá acontecido a D. Cosmas Shi Enxiang, de 88 anos, da Diocese de Yixian, desaparecido desde 2001.
Se há país no mundo onde a Igreja continua a ser perseguida, é a China.
A Igreja Católica na China é clandestina. As autoridades chinesas não reconhecem o Vaticano e, por isso, perseguem e prendem os seus fiéis, sacerdotes e bispos.
Pelo facto dos padres e religiosas clandestinos na China serem vigiados de perto, a Fundação AIS não pode falar nunca em casos concretos de projectos que estão em curso na China, ou dizer sequer o nome dos padres ou das irmãs que nos pedem ajuda. Publicar o nome deles é condená-los, muito provavelmente, à prisão.
É uma questão de fidelidade, não apenas para os padres, mas também para as religiosas e os leigos!
Nas viagens da Fundação AIS à China, os sacerdotes repetem-nos como dependem dos Estipêndios de Missa. Alguns não possuem nenhum outro rendimento além das ofertas que os benfeitores da Fundação AIS lhes enviam para que celebrem uma Missa pelas suas intenções.
Com 10€ pode "ADOPTAR" um destes sacerdotes através de um Estipêndio de missa.
Saiba mais sobre o trabalho da Fundação AIS em www.fundacao-ais.pt

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jesus não era religioso (&)

Fazemos muitas coisas «religiosamente», como se fossem sagradas ou, por outras palavras, com a intensidade dos santos. Fazemos religiosamente a nossa contabilidade, visitamos religiosamente as nossas mães, vamos aos jogos de futebol dos filhos religiosamente, passeamos o cão religiosamente, confessamos os nossos pecados religiosamente e praticamos a nossa religião religiosamente – o que significa que fazemos as coisas que devemos fazer e que as fazemos continuamente. E fazemo-las muito bem. E fazemo-las mais frequentemente que qualquer outra pessoa. Na verdade, fazemo-las tão bem que começámos a acreditar que é o próprio ato de as fazermos que nos torna santos.
Ser-se justo, por outro lado, é fazer aquilo que é conforme a Deus: ser-se decente, comprometer-se com o que está acima e para além dos ornamentos da religião, lutar pela essência da religião que, a acreditarmos no que Jesus ensina, é claramente a aceitação sem reserva , o abraço sem medida e sem limites daquilo que não é abarcável.
Jesus mostra-nos que a atitude mais religiosa pode ser a amorosa aceitação daqueles que têm dificuldade em fazer o que é «religioso» e «certo», por muito socialmente correto e por muito respeitável que seja, por muito corretos que eles próprios gostassem de ser.
Temos sido «liberais». Tornamo-nos laxistas. Decaímos. Ou melhor: eles decaíram. Nós não. E, assim, a nova religião, que, na verdade, é apenas uma extensão da anterior, revestida de indignação e de gritos amargos anunciando a condenação, está a instalar-se. A forma de ser castigadora, autoritária, conservadora – na verdade, reacionária – é agora um lugar comum. Queremos penas de prisão agravadas para quem comete uma primeira infração. Queremos uma abordagem sem perdão – do género: «um terceiro crime, e serás preso e guardado para sempre» ou «deita-se fora a chave» – para os reincidentes que cometeram pequenos delitos, mais prejudiciais para si próprios que para os outros. Não estamos interessados em proteger o inocente; queremos matar os assassinos. Queremos os dissidentes silenciados. Queremos os não-conformistas excomungados. Queremos os rebeldes reduzidos a nada. Queremos lei e ordem.
Estamos tão concentrados na religião que esquecemos a retidão. Não conseguimos entender pessoas como Helen Prejeans, que acompanham os condenados às nossas cadeiras elétricas. Não temos paciência para advogados astutos que fazem apelos das sentenças de pessoas que os nossos jornais já condenaram. Deploramos os juízes que dão sentenças razoáveis a pessoas decentes que deram por si em situações indecentes. Duvidamos daqueles que se dão com pessoas de quem suspeitamos. Olhamos, algo perplexos, para todas aquelas pessoas que tratam amorosamente aqueles que nós ainda não conseguimos amar, porque continuamos a ser mais religiosos do que retos. Que me importa o comportamento de Jesus com os ladrões? Que me importa o comportamento de Jesus com os cobradores de impostos? Que me importa o comportamento de Jesus com as mulheres apanhadas em adultério? Na verdade, que me importa um Evangelho enigmaticamente cheio do inaceitável, do suspeito, do desonesto, e de gente fraca – os leprosos, os samaritanos e as mulheres?
Obviamente, não é que não haja lugar para a responsabilidade. O que não há, de facto, é lugar para a condenação dos outros, quando enfrentamos os nossos próprios pecados. O problema é que, simplesmente, já não há lugar para apedrejar, enquanto não formos suficientemente puros para o fazer.
Ser-se justo, por outro lado, é fazer aquilo que é conforme a Deus: ser-se decente, comprometer-se com o que está acima e para além dos ornamentos da religião, lutar pela essência da religião que, a acreditarmos no que Jesus ensina, é claramente a aceitação sem reserva , o abraço sem medida e sem limites daquilo que não é abarcável.
Jesus mostra-nos que a atitude mais religiosa pode ser a amorosa aceitação daqueles que têm dificuldade em fazer o que é «religioso» e «certo», por muito socialmente correto e por muito respeitável que seja, por muito corretos que eles próprios gostassem de ser.
O problema é que Jesus não era nem saduceu nem fariseu, não era um conservador nem um liberal. O facto é que Jesus era demasiado liberal até para os liberais. Jesus não deixava que a Lei se tornasse uma barreira entre Ele e a pessoa à sua frente. Jesus era um radical. Jesus amava. Jesus era um radical que amava.
Joan Chittister
In O sopro da vida interior, ed. Paulinas
(&) Título do autor do blogue...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

CARROS DOS JUÍZES DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL


DESCULPEM A INGENUIDADE!... Mas, estamos perante mais uma ofensa que brada aos céus. Somos um país profundamente injusto. É urgente fazer-se leis que se conjuguem com a justiça e o bem universal dos bens. Esta é mais uma ofensa do Estado a tantas famílias que no nosso país estendem a mão a pedir pão, porque passam fome, a algum coração que se compadeça e dê asas à generosidade. Este escândalo brada aos céus, porque ofende quem trabalha honestamente e vive dos seus parcos rendimentos fazendo tripas coração para cumprir com as suas obrigações. 
A GORDURA DO ESTADO estava entre a pele e os ossos dos Funcionários Públicos de  Carreira! 
Como pode progredir um País assim saqueado permanentemente pelas pessoas que deviam dar o exemplo de seriedade?
Em quem podemos confiar quando os mais altos responsáveis dão estes exemplos de saque?
É indigno!!...
Aqui vai mais um bom exemplo:
- O Tribunal Constitucional é um tribunal de nomeação politica e,  por esse facto, resolveram comprar automóveis de Luxo e Super Luxo para cada um dos 'Juízes' (de nomeação política).
Estes carros são utilizados pelos Juízes  - num total de 13 Juízes - para todo o serviço, precisamente  como acontece nas grandes Empresas.
1-O Presidente tem um BMW 740 D  (129.245 € / 25.849 contos)
2- O Vice-Presidente: BMW 530 D  (72.664 € /14.533 contos)

3- Os restantes 11 Juízes têm BMW 320 D  (42.145 € /8.429 contos, cada)

Portanto, uma frota automóvel no valor de 665.504 €/ 133.101 contos ( muito mais de meio milhão de Euros?!!!).
É o único Tribunal Superior Europeu (se calhar mundial) onde os Juízes têm direito a carro como parte da sua remuneração (automóvel para uso pessoal). 
 E DEPOIS QUEREM-NOS COMPARAR AOS PAÍSES DO NORTE?
 - A que propósito? Pura ostentação! Ninguém se indigna? Quem é que autorizou este escândalo?
- Ao mesmo tempo que o Governo sobrecarrega os portugueses em geral compra justamente as viaturas mais caras, super-luxo.
Não é aceitável, não se pode compreender...
Vamos divulgar e chatear, por favor.
É por isso que a desobediência civil é necessária para mostrar a estes ladrões que não andamos a dormir!!

A abundância de Deus está no coração da humanidade


Comentário à missa do próximo domingo
XVII Tempo Comum

Já ouvi por muitas vezes pessoas interpretarem de forma errada esta passagem bíblica em Efésios 4, 2 "suportai-vos uns aos outros". Muitos interpretam a palavra "suportar" como "tolerar" e chegam ao cúmulo de dizer: " Não gosto de fulano mas suporto-o porque Deus manda!"Suportar é algo que está muito além desta concepção. Significa sustentar, estar debaixo de..., sofrer, etc. Creio que o exemplo de Cristo com a cruz às costas ilustra bem e melhor define o que verdadeiramente significa, suportai-vos uns aos outros...
Se nos remetemos ao Evangelho de Mateus, vamos encontrar uma alusão parecida com a de São Paulo, feita por Jesus. "Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes" (Mt 5.42). Nos tempos que correm este ensinamento tem muito que se lhe diga. E pela quantidade de gente que encontramos que não é capaz de ser fiel à palavra dada nem muito menos cumprir o que promete, estamos bem arrumados com este ensinamento… Num tempo de tantos aldrabões como viver isto? – Perguntamos.
Ora vejamos, tantas vezes, ao sermos solicitados a ajudar certas pessoas necessitadas, inclinamo-nos a perguntar: «São cristãos? São sérios? O que fazem no dia-a-dia? Fumam cigarros? Passam os dias nos cafés? Vivem correctamente? Se não, por que os haveríamos de ajudar»? Obviamente, que se descobre cada vez mais a consciência de que se deve ajudar quem precisa e não quem merece. Senão… Há uma velha alegoria judaica, mais ou menos neste teor: um dia Abraão estava sentado à porta da tenda, como tinha por costume, esperando hospedar estranhos, quando viu, caminhando na sua direcção, um homem de cem anos, todo curvado e amparado no seu bordão, fatigado pelos anos e pela viagem.
Abraão recebeu-o bondosamente, lavou-lhe os pés, fê-lo sentar-se e serviu-lhe a ceia. O ancião comeu, entretanto, sem pedir a bênção de Deus nem lhe dar graças. Ao ser-lhe perguntado por que não adorava o Deus do céu, o velho disse a Abraão que adorava unicamente o fogo, e não conhecia outro deus. Diante desta resposta, Abraão no seu zelo, ficou indignado a ponto de mandar embora o velho da sua tenda, expondo-o às trevas, aos males e perigos da noite, sem protecção. Deus chamou Abraão e perguntou-lhe onde estava o estrangeiro. Ao que o patriarca respondeu: "Atirei-o para fora, pois não Te adora". Deus então respondeu: "Eu tenho-o suportado por mais de cem anos, se bem que ele me desonre, e tu não o pudeste suportar por uma noite, sendo que ele não te causou nenhuma perturbação?" Tendo em conta isto, diz a história, Abraão chamou o homem de volta, foi hospitaleiro com ele, e proporcionou-lhe sábias instruções.
Nos nossos dias onde a fome assola algumas das famílias da nossa terra, porque o desemprego e a sobrecarga de impostos faz-se sentir de forma cruel, torna-se imperioso que a nossa reflexão se centre na dimensão da partilha. O milagre da multiplicação do pão e do peixe, realizado por Jesus vem dizer isso mesmo, que cada um seja capaz de pensar nos outros e se faz a descoberta do amor de Deus que se derrama em abundância, deve sentir este apelo da partilha e da solidariedade com os mais necessitados.
Os bens materiais que o mundo produz chegariam para saciar a humanidade inteira se a ganância e a propensão humana para acumular de forma tão desregrada não existisse. No fim sobraria muito. O importante seria descobrirmos a presença de Deus em cada um, nos que podem oferecer, porque sim, Deus dá com abundância, nos outros, os necessitados, porque recolhem da amizade e da partilha os que descobriram essa fartura de Deus que não se circunscreve ao egoísmo e à ganância.
Face a esta liturgia descobrimos mais ainda que o mundo podia ser um lugar de felicidade se a humanidade se concentrasse na verdadeira riqueza, que consiste na prática de valores, tudo o resto viria por acréscimo. Enquanto a cegueira que vem do açambarcamento e do acumular desmedido acontecerem vamos continuar a saber de discrepâncias quanto ao bem-estar da humanidade e a fome, a nudez e o abandono de alguns serão sempre o pior retrato que nos é dado contemplar.   
José Luís Rodrigues

Os jogos olímpicos


30.ª edição da Era Moderna dos Jogos Olímpicos, que decorrem a partir de sexta-feira em Londres.
Passagens bíblicas sobre o desporto:

1. «Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar. Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.» (1 Cor 9, 24-27)
2. «Aquele que participa numa competição não recebe o prémio, se não competir segundo as regras» (2 Tim 2, 5)
3. «O exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida presente e da futura» (1 Tim 4, 8)
4. «Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro, para ver se o alcanço, já que fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não me julgo como se já o tivesse alcançado. Mas uma coisa faço: esquecendo-me daquilo que está para trás e lançando-me para o que vem à frente, corro em direção à meta, para o prémio a que Deus, lá do alto, nos chama em Cristo Jesus.» (Fl 3, 13-14)
5. «Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado» (1 Tim 6, 12)
6. «Deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé» (Heb 12, 1-2)
7. «Porventura não sabes? Será que não ouviste? O Senhor é um Deus eterno, que criou os confins da terra. Não se cansa nem perde as forças. É insondável a sua sabedoria. Ele dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. Até os adolescentes se cansam e se fatigam e os jovens tropeçam e vacilam. Mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer.» (Is 40, 28-31)
Nota: Esperamos que os jogos olímpicos de Londres sejam um encontro de verdadeira fraternidade entre os povos. O convívio e a alegria que os jogos proporcionam devem ser o sinal do espírito que a humanidade reinventar sempre para que a paz possa ser o principal alimento no diálogo fraterno que deve existir na construção do mundo e no bem estar que se deseja para todos os povo. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Bispo se calhar tem razão...


A TROIKA sugere no “memorandum” a VENDA do “Sistema de SAÚDE” da CGD;
1.     O Governo NOMEIA António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos;
2.     A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos);
3.     O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um novo negócio: a SAÚDE (no início desta semana);
4.     A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este mês (notícia de  20/07/2012).
Agora é só esperar para ver…
Agradeço ao amigo Henrique Dias esta preciosa informação.

Cristiano, Paixão irresistível



Uma interessante oferta de José Manuel Leite de Sá, nado, criado e habitante de Vila do Conde (Junqueira). 
«Cristiano, Paixão irresistível», é uma história curiosa que serve para descrever a situação dos sacerdotes da Igreja Católica nos tempos que correm. A inteligente associação com o futebolista Cristiano Ronaldo, serve para chamar a atenção e obviamente convidar à leitura do livro. 
Estamos perante uma pequena metáfora que põe a nu muitas das dificuldades que os sacerdotes hoje passam. Isto é, passam se se colocam ao lado dos pobres contra os poderes de toda a ordem, os dramas sentimentais que muitos deles assumem, mergulhados nas piores frustrações, na solidão e no abandono daqueles que são nomeados para «cuidarem» de todas as «ovelhas» do rebanho, principalmente, os seus directos colaboradores. 
Quem puder ler este livrinho que o faça, serve para perceber os dramas sentidos por todo o lado por muito do clero católico que deixado no meio das populações experimenta as situações mais incríveis de pressão, sedução e compra levadas acabo pelos fariseus dos tempos e dos templos. São muitas as investidas de todo o género porque passa uma grande parte dos sacerdotes. 
Fico muito grato pela amável oferta e pela interessante dedicatória que me faz o autor do livro. Bem haja.  

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Madeira nova no seu melhor


Terça-feira. Dia de farpas no Banquete...

Já não há vergonha nenhuma nesta Madeira dita de nova. Como nos impressiona sobremaneira as atitudes. 
Um presidente de Câmara que, despudoradamente, arranca para férias, mergulhar nas serenas águas de uma piscina na outra ilha das férias dos madeirenses. Com o maior dos desplantes abandona os seus munícipes fustigados por chamas nunca vistas entre nós, que lhes devorou os bens e a alma. Estes, mergulhados na pior das tristezas ficam à mercê da sua sorte, ao relento, sem comida, sem roupa e às investidas dos oportunistas ladrões inconscientes que se aproveitam da fragilidade das pessoas para lhes roubar o que lhes restou da tragédia.
Porém, gostaria de salientar o trabalho incansável, a dedicação extraordinária da Junta de Freguesia de Gaula e o vereador do Grupo de Cidadãos na Câmara de Santa Cruz. Só posso tomar as suas atitudes como exemplares e são uma lição de cidadania extraordinária. Uma lição aos partidos políticos. Uma lição a todos os cidadãos. No meio de tanta insensibilidade dos governantes, deparamo-nos com este oásis bonito de amor aos pobres e aos desafortunados da nossa terra. Estes cidadãos não se encaixam em nenhuma nomenclatura das Madeiras, nem velha nem nova, são cidadãos pela Madeira e isso basta. Bem hajam
Outra fénix na sofreguidão de cumprir agenda, na quinta das araras, desperta do meio das cinzas e lembra-se de fazer carnaval. Nada melhor para esquecer uma tragédia senão promover um banquete para as trupes que participam nos carnavais. A melhor altura para a Madeira nova mostrar para que servem os nossos impostos. Um desplante, que afronta quem perdeu tudo, quem viu abrasar em segundos o trabalho, suor e lágrimas de uma vida inteira.
Bom, não me surpreende mais esta falta de vergonha, surpreende-me não sabermos de alguém que no meio da trupe dissesse não vou, não participo em nenhum carnaval nesta ocasião porque sei de conterrâneos que precisam de ajuda, de solidariedade, de amizade, de uma palavra, de exemplos de sobriedade… Ninguém nem um que seja, teve coragem para pronunciar o que era necessário e tomar a atitude mais sensata nesta ocasião. Uma pena. Um drama que é fruto da Madeira nova.
Outro regabofe com falta de vergonha à mistura é o rali que emerge das cinzas para divertir os madeirenses e fazer esquecer a tragédia. Outra afronta que envergonha pelo argumento que justifica a sua realização. Se não fosse ridículo merecia algum respeito, mas sendo mais do mesmo para gastar à fartança e encher os bolsos dos mesmos, lá vamos nós gramando estas doses de palhaçada que não faz rir ninguém, mas corar de vergonha perante a insensibilidade deste sistema que virou circo em todas as ocasiões sejam de sorte ou de má sorte. Os desgraçados que se lixem.
As festas partidárias são também uma afronta. Sempre o foram. Primeiro, porque se gasta à grande e à francesa. Segundo, porque rebentam com os arraiais religiosos que já tínhamos em demasia por todo o lado (felizmente, que os apertos financeiros estão a moderar estas festanças e torná-las mais sóbrias e mais dentro daquilo que devem ser mesmo). Terceiro, pelo que representam de ofensas aos pobres, aos adversários e contra Portugal Continental. Quarto, estas festanças sempre foi mais um número do circo que tem sido esta Madeira nova.   
Um partido político adiou a sua festa. Outro vai fazê-la com a ideia enganosa que o produto do lucro dessa festa será para os desalojados. Gostava muito de saber como se põe arraiais a dar lucro. Mais poeira para os olhos. Quanto a esta ideia, seria bonita se simplesmente cancelassem a ramboiada e dissessem que o dinheiro que há para gastar na festa partidária reverte todo para os desalojados. Isso sim, seria interessante e de louvar. Qual o mérito de darem licença a barracas às instituições de solidariedade para angariarem fundos? Qual o mérito de pegarem no produto da venda de bilhetes dos autocarros (5 euros) e depois entregá-lo aos desalojados? – Mais caridade com o dinheiro dos outros… Assim não.
Estou para ver se algumas festas mesmo que para já garantidas que se vão realizar lá para Setembro se forem canceladas, como justificarão os outros - os partidos mais pequenos - o facto de terem realizado a sua ramboiada! Vão ouvir um arraial de críticas tremendo...
José Luís Rodrigues

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Escapadas de quem governa à vista


"Terrorismo incendiário", expressão criada pelo "nosso" Governo Regional para livrar-se de qualquer culpa nos incêndios. Não se lembra antes que não aprendeu nada com as várias calamidades que se têm abatido sobre nós nos últimos anos, não se lembra do menosprezo ou desprezo pelos "soldados da paz" (bombeiros). Não se lembra do desordenamento do território que se traduz em políticas sobre o joelho no que diz respeito às nossas serras, não se lembra da indiferença quanto aos frequentes atentados ambientais que a nossa terra tem sofrido. Não se lembra da perseguição que faz quando alguém levanta a voz para denunciar o que se tem feito contra o ambiente nas nossas serras e nas nossas ribeiras. Não se lembra das negociatas que têm sido feitas com o património que pertence a todos para beneficiar economicamente alguns grupos e famílias influentes da nossa terra. 
Não se lembra de nada, porque governa à vista e quando surgem as desgraças, é preciso inventar escapadas que ajudem a sacudir a água do capote ou as cinzas que se impregnaram nas gravatas. Umas coisinhas que não se lembra quem governa em maioria contra a maioria da população da Madeira. 
Agora no calor dos incêndios, com as ideias um pouco chamuscadas lembrou-se de inventar esta expressão radical e incendiária "Terrorismo incendiário" e mais se lembrou de apelar à população que se faça vigia de si própria, que denuncie tudo o que cheire a queimado e tudo o que seja suspeita de fumo. Tenha cuidadinho quem aprecia o belo churrasco em fim de tarde. 
Um governo responsável, devia lembrar-se que existe para proteger o povo, para garantir a segurança das populações e assegurar um futuro saudável para a nossa terra. Mais ainda devia lembrar-se que não é infalível, que pode errar, que pode não ter acertado em tudo, que devia pedir perdão ao povo, por tê-lo enganado  frequentemente e não ter sido capaz de prevenir tudo o que estivesse ao seu alcance para não acontecerem ou serem  mais suaves estas desgraças para as nossas famílias. 
Nada disto parece muito. Mas podia fazer a diferença no que toca aos sentimentos de abandono e de revolta que mais uma vez sentimos face à desolação dos incêndios que nos queimaram o nosso habitat e a nossa alma por estes dias... Mais um bom pedaço de pulmões que secamos. 
Uma tragédia que nos hipoteca o futuro e que nos trará consequências horríveis em todos os aspectos. Dois deles são bem salientes, já estão mais que identificados, a qualidade ambiental e a economia (o turismo sofreu mais um rombo fatal). 
Por favor, pedimos ao Governo Regional da Madeira que não desvie as atenções e que se concentre no que é importante neste momento. Assim, propomos o seguinte:
Primeiro, ajudar a fundo perdido quem ficou sem nada, quem está desalojado... Mas que não ande a fazer que ajuda e depois não chega nada a quem precisa de verdade. É horrível que ainda existam pessoas à espera das ajudas da tragédia/aluvião do 20 de Fevereiro de 2010. 
Segundo, fazer um levantamento dos prejuízos e arrepiar caminho, prevenir, prevenir, prevenir... Todas as situações deste teor que venham a por em causa as pessoas e bens.
Terceiro, não se aproveitar das calamidades que se abatem sobre nós para continuar a guerrilha dentro do seu partido. 
Quarto, deixe-se de andar à caça de bruxas, bodes expiatórios para justificar a sua inabilidade antes, durante e depois das calamidades.
Quinto, mandar limpar todos os terrenos públicos e privados atolados de lixo e mato, autênticos barris de pólvora mais que aptos a serem detonados por qualquer louco insensível que, afinal, aparece, serem bem em abundância entre nós.
Sexto, lá para diante virá outro Inverno, é preciso preparar-se para ele...
Bom, são apenas algumas sugestões simples de um simples cidadão preocupado com o futuro da nossa terra, mas que poderão fazer a diferença no que toca ao bem estar que desejamos para todos os habitantes da Madeira. Mãos à obra. 
José Luís Rodrigues

domingo, 22 de julho de 2012

Oração de São Francisco para nós hoje

Proponho esta oração de S. Francisco de Assis, que a rezou de forma tão simples mas sublime. No tempo das chamas, de cinzas e de negro que nos leva ao desalento, à revolta e ao sofrimento, Deus deve permitir-nos ainda forças para balbuciar estas palavras, esta oração, para nos conduzir ao perdão e ao arrepear caminhos novos para o nosso futuro que ansiamos ser de paz e felicidade para todos os madeirenses... 
Oração:
“Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio que eu leve o amor.
Onde houver ofensa que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia que eu leve a união.
Onde houver dúvida que eu leve a fé.
Onde houver erro que eu leve a verdade.
Onde houver desespero que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza que eu leve alegria.
Onde houver trevas que eu leve a luz.
Ó mestre,
Fazei que eu procure mais
Consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar que ser amado,
Pois,
É dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado”.

- Como seria bom que todos os homens e mulheres tivessem a coragem de rezar com S. Francisco esta oração ousada no desejo do amor e na paz  para toda a humanidade.

sábado, 21 de julho de 2012

O luto dos incêndios


A todas as vítimas dos incêndios que assolam a Madeira...
Um calor imenso faz soar os poros
Incrédulos perante as ideias
Os pensamentos
O medo
A dor
O desalento
A melancolia destrutiva
Daquele fogo que sem licença
Engole a vida
Os bens
As roupas
As casas…
Pois, quando da chama avança
Descontrolado sob o espanto
Mais dor ainda
Mais angústia que verte lágrimas
E a impotência vem do alto
Porque disse mais forte
O egoísmo impiedoso
Da morte.
Agora todos choram
É o luto desordenado
No rosto triste maquilhado de cinza
Que os escombros fizeram
Na visão terrível do caos.
E no fim veio a brisa branda
Dizer do quanto sabe bem
Acreditar que das cinzas
És fénix renascida para sempre.
José Luís Rodrigues

Um recado….


A foto que o Dnotícias publica hoje na edição impressa, merece o seguinte comentário... Cheios de esperança, vamos adiante e tenhamos a certeza que sempre será possível renascer das cinzas...
«Não tenho milagres para te dar. Mas tenho milagres para te propor.
Não tenho milagres para te fazer. Mas há milagres que podem acontecer entre nós.
Se tiveres Fé, acontecerão milagres. Se tiveres Fé... em ti, se calhar, sobretudo em ti... Às vezes gostava que tivesses menos crenças acerca de mim e mais Fé em ti mesmo e do que nós podemos fazer juntos!
Pediram-me para te dizer do que eu sou capaz... há 2000 anos que me pedem isto... há 2000 anos que não respondo. Vou-te dizer do que tu és capaz comigo, vou-te lembrar aquele refrão tão repetido: “A tua Fé te salvou... a tua Fé te salvou...”
Assentas os pés na Esperança que te proponho, e em verdade em verdade te digo que estarás a condenar à morte os medos que te habitam. O medo é a noite da alma, a cegueira dos sentidos.
Se me deixas amar-te de verdade reencontrarás a tua dignidade mais profunda, tantas vezes esquecida, ganharás ânsias de liberdade e aprenderás de novo a soletrar o teu Nome, mais novo, mais inteiro, mais intenso...
Descansa na meditação do meu amor por ti, repousa na contemplação das minhas parábolas e faz-te aos papéis todos do evangelho em que couberes, e perceberás que estará a nascer dentro de ti uma torrente de libertação e de cura interior... O que era antigo passou, nós somos capazes de fazer juntos coisas novas! Findou o tempo da servidão. Hoje é dia de Nascer.
Nada em ti me assusta, nada de ti me repele. Conheço-te tanto quanto te amo e vejo-te tão bem quanto te quero. Por isso é que não deves preocupar-te comigo... não quero nunca estar na tua vida como motivo de preocupação ou de angústia, mas dar-te a Paz. Vinde a mim os que andais cansados e atribulados, que eu vos aliviarei... Porque tudo em mim é suave, tudo em mim é leve, e não tenho para te colocar sobre os ombros outro peso que não o do meu braço estendido amorosamente sobre ti, como o braço do esposo sobre a sua esposa. Outro cargo não tenho, outro peso não trago. Confia em mim.
És maior que todos os teus pecados. Nada nem ninguém te poderá separar do meu amor. Não está ao teu alcance a possibilidade de eu deixar de te amar!
Prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te sempre, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, todos os dias da nossa vida...
É uma proposta simples, esta coisa da Fé... vivermos a dois as nossas vidas. É um trato simples: eu não me entender sem ti, e tu não te entenderes sem mim! Preparo o dia em que isso ficará finalmente claro para ti, sem outras complicações nem paleio: que a Fé é uma história de amizade, vivermos a dois todas as coisas. Preparo o dia em que vou finalmente segurar-te o rosto entre as mãos e dizer-te só com os olhos: “A tua Fé te salvou! A tua Fé te salvou do peso dos dias e da fatiga da tristeza! A tua Fé te salvou da indiferença mais homicida e da impaciência que violenta! A tua Fé te salvou do desespero e dos maus agoiros da superficialidade! A tua Fé te salvou!”
Entretanto, renovo a promessa, como uma jura: “Eu estarei sempre convosco. Eu estarei sempre convosco! Chego, vencendo as portas e janelas fechadas de alguns corações, para presentar a Paz e a Energia do Espírito: Recebei o Espírito Santo... A Paz esteja convosco... A Paz esteja sempre convosco, porque eu estarei sempre convosco!”
Não tenho milagres para te dar. Mas tenho milagres para te propor.
Não tenho milagres para te fazer. Mas há milagres que podem acontecer entre nós.
Com carinho, o teu irmão, Yeshu ( Jesus )».
De P. Rui Santiago cssr     

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Morreu Hermano Saraiva

Morreu o grande comunicador. Tudo bem. Nalgumas coisas encantava e prendia a nossa atenção. Mas morreu mabém o maior aldrabão da história e pintava a ditadura de Salazar cor de rosa. Deixemo-nos de hipocrisias. Após a morte o maior aldrabão converte-se num santo. Ainda assim que Deus o receba e Salazar lhe agradeça o serviço que fez à «causa» do fascismo.
Imagem Google...

Cristo é a nossa paz


Comentário à missa do próximo domingo
22 de Julho de 2012, Domingo XVI Tempo Comum
Cristo é a nossa paz, proclama solenemente São Paulo. Não a paz podre do comodismo da vida ou a paz das pequenas orações que não libertam, mas oprimem ainda mais. Jesus Cristo é a paz que provoca para o amor, para a solidariedade ou caridade. Uma paz que nos desinstala para o encontro dos outros como irmãos. Uma paz que nos faz mais sérios no nosso trabalho. Uma paz que se inquieta porque há fome no mundo. Uma paz porque não tolera a mentira. Uma paz que não se deixa vergar à intolerância seja de que ordem for, de raças ou de religiões. Uma paz que sofre, porque as famílias estão divididas, o esposo não fala com a esposa e vice-versa, os filhos não falam com os pais e vice-versa.
A paz de Jesus liberta o nosso coração para a alegria da festa e para a luta diária por um mundo melhor, onde todos possam ter o necessário para sobreviver, tanto os bens materiais, mas também os espirituais. Neste encontro com Jesus Cristo, cada pessoa descobre uma dignidade mais elevada, isto é, «podemos aproximar-nos do Pai», por isso, deve depois agir segundo a sua condição, isto é, de acordo com a descoberta de um Deus que é Mãe e Pai, que se acerca de cada pessoa com o abraço maternal e paternal para fazer feliz cada homem e cada mulher que se deixa envolver por esse envolvimento de amor. Assim, estes não se deixam conduzir pelo egoísmo, pela violência e pela vingança.
Este encontro com Jesus é um encontro de salvação, uma glória maior que faz cada um ser feliz e não descansa enquanto todos os outros também não sejam verdadeiramente felizes. Esta Boa Nova que Jesus Cristo no oferece não se coaduna com a violência das palavras que se tornam muitas vezes o pão-nosso de cada dia na vida de tanta gente.
Encontrar Jesus deve fazer com que a delicadeza seja  um valor elementar no falar e no proceder. Jesus Cristo é um apelo para que o respeito seja alimento de cada dia nas nossas famílias, nas nossas escolas, nas empresas, na política e na sociedade em geral. Todas as perversidades deste mundo acontecem por uma única razão, a ausência de Paz no coração de cada mulher e cada homem, falta de respeito por Deus e amor ao próximo. A paz verdadeira só tem um nome para nós, tem o nome de uma pessoa, Jesus Cristo, o filho do Deus Vivo.
Esta Paz não se adquiriu com dinheiro, porque ela não está à venda nas prateleiras dos supermercados, mas virá pela humildade, bondade, fé, esperança, confiança que colocamos no nosso coração a partir dos ensinamentos que Jesus nos oferece. Esta oferta está ao alcance de todos, basta que cada um e cada qual sintam predisposição para o valor da vida e o sentido da vida a partir de Jesus Cristo. Ele é a paz do amor e da certeza de que a vida não se reduz à imperfeição deste mundo.
José Luís Rodrigues