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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Uma fé livre de ideologias


 O que a fé não é (3)
A fé não é uma ideologia
Antes de mais eis a definição do que é uma ideologia: «Conjunto de doutrinas ou crenças que formam a base de um sistema político, económico ou de qualquer outra natureza» (tirado de um dicionário).
A fé não é o que qualquer doutrina, dogma, ideia, norma… pretenda circunscrever, porque se assim for, todos aqueles que vivem de acordo com tais parâmetros e os impõem aos outros, não aceitarão mais nada que esteja fora desse âmbito de pensamento. A variedade de pontos de vista, de perspectivas, de atitudes, de opções e de pensamentos que a fé sempre implica e daí a sua riqueza, não serão aceites por aqueles que defendem a fé dentro dessa redoma pessoal ou do grupo.
Quando a fé se torna ideologia a vida fica mais pequena, não há espaço para uma visão pluralista da existência e do mundo. Por isso, o mais pequeno sinal diferente da fé ideologia que se concebe torna-se diferente, errado ou falso. Está justificada a razão do combate a realizar. Quando assim se procede é ver a insegurança, o sofrimento e a morte que se semeia no mundo. Ai meu Deus quantos conflitos absurdos em nome da fé já foram e serão realizados. Eis uma cegueira que ainda persiste em tantas mentes humanas na actualidade.
Tudo isso resulta quando a fé se torna uma ideologia ou doutrina em nome do poder instalado porque não se permite a variedade teológica e, eventualmente, quando o pensamento que não esteja dentro dos princípios que se delineou para definir o que é a fé, assim sendo, facilmente o tal poder encontra razões para impor o silêncio, o saneamento de pessoas e a proibição do acesso de alguns à comunhão fraterna.
Daí ainda se ouvir falar, vergonhosamente, nos nossos tempos de teólogos que foram banidos, silenciados ou excomungados porque ousaram sair das interpretações oficiais e oficiosas sobre o que «alguns» desejam que seja a fé. O pensamento livre, é um perigo, alguns assustam-se com isso e melhor será imporem o que entendem ser o pensamento de Deus e a acção do Espírito Santo. Esta fé não serve.  
Esta fezada que resulta de uma ideologia não constrói a vida nem muito menos está ao serviço do Evangelho de Jesus Cristo, que sempre nos convoca para a diferença e para o respeito da pluralidade.
A fé não se resume a um dogma, ou a uma única definição do catecismo, ela leva para uma experiência viva quanto ao rico tesouro da mensagem da salvação, que no nosso caso (cristão) está na práxis do nosso Mestre Jesus Cristo. Assim, como Pedro nos alerta para estarmos sempre prontos, a não vacilar diante de tantas doutrinas e interpretações de um mundo frio, calculista, vivendo sob o império do poder que domina os fracos, dz-nos: «Estai sempre prontos a responder para a vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão da vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito» (1Pe. 3,15).
Eis a nossa fé que não que deve ser vivida na liberdade e no respeito pelos os outros. Uma fé que nos anima para a militância na luta constante pela justiça, porque se descobre uma relação pessoal com um transcendente que liberta e que repugna tudo o que sejam meios e formas de opressão da dignidade humana. Por esta fé empenhada, consciente e esclarecida é que vamos, isso nos basta!

Quando as pessoas são coisas


A frase de Fernando Ulrich: «O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta». «Os gregos estão vivos, protestam com um bocadinho de mais veemência do que nós, partem umas montras, mas eles estão lá, estão vivos».  - Simplesmente, imbecil...
Estou de acordo com este senhor. O país aguenta mais austeridade sim senhor... Então, aquele país das mordomias, do luxo, a banca, os gestores, os políticos que acumulam salários e pensões altíssimas e toda a cambada de gente que se alimenta com as benesses vergonhosas do Orçamento de Estado em todos os tempos, mesmo até, escandalosamente, em tempos de crise como este que estamos a viver…
Na Madeira, então temos uma Madeira prontinha para que se carregue mais austeridade sobre ela. A Madeira da classe política que recebe mensalmente salários e pensões, alguns levando para casa todos os meses 10 mil euros entre outros valores que só Deus sabe, o Jornal da Madeira que esbanja diariamente 11 mil euros, as obras inúteis que se estão a fazer para um caís norte na nossa cidade que o mar já concertou por três vezes em dois meses, toda a Madeira das festas e festanças à conta do erário público e todas as mordomias que ainda beneficiam todos os que são colocados em locais estratégicos da Administração pública... Há um país e parcelas grandes do país que suportam muito mais austeridade, senhor Ulrich. Por isso, força com eles!  
Todo o que país que ainda não sabe o que é a crise aguenta mais austeridade. Esse país deve ser chamado a contribuir para resolver os problemas que criam ao país com os roubos que fizeram ao bem comum. É obrigatório que passe pela «mais austeridade» que fala senhor Ulrich.
Mas, senhor Ulrich o país dos salários e pensões de miséria não aguenta mais. O país real não… Aquele país que os senhores empobreceram com os lucros altíssimos que os vossos bancos arrecadam todos os anos. Sim, senhor Ulrich, aqueles lucros que vossas excelências publicam nos jornais a gozar com o país real. Uma vergonha.
Por isso, senhor Ulrich peça isso sim mais austeridade para todos os seus amigos instalados nos cargos públicos com os salários e benesses vergonhosas, peça mais austeridade para os gestores de bancos e empresas públicas, exija a devolução do dinheiro roubado ao BPN e que os que enriqueceram à conta dessa máfia paguem impostos do luxo em que estão mergulhados. O senhor Ulrich sabe que os pobres estão a pagar com fome esses tais roubos? - Se não sabe fique pois a saber…
O senhor Ulrich, teve uma oportunidade para estar calado. Mas, a sua cegueira é tanta que vomitou o que lhe apeteceu para agradar a cambada que se presta estar ao serviço da alta finança sem se importar com as pessoas. Oxalá, um dia destes «o melhor povo do mundo», que ao invés de partir montras como anda a fazer o povo grego, a quem ofensivamente o senhor Ulrich fez referência, não vá às ventas de quem se presta a fazer declarações ofensivas contra o povo português como o faz o senhor Ulrich cada vez que abre a boca. Não se admire com o que possa provocar as suas bacoradas incendiárias. 
O desplante e a falta de vergonha dos responsáveis pela injustiça em que está mergulhado o mundo e nosso país especialmente, perderam a vergonha e não se inibe de levar adiante os seus intentos sem qualquer sombra de escrúpulo. Pessoas para esta gente são coisas. Ai, até quanto aguenta mais a injustiça e a horrenda má distribuição da riqueza que grassa no nosso país?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A agonia da «gratocracia»


Terça-feira, farpas da Madeira Nova
Hoje seria um dia perfeitamente normal se não tivéssemos sobre as costas esta tempestade de chuva e vento que já vai causando alguma preocupação. Mas não é um dia normal. Antes de mais saímos a terreiro para elaborar algumas farpas para animar a malta na reflexão com algum sentido de humor e algum cinismo.
Estamos no dia em se inicia na Assembleia da República o debate sobre o Orçamente de Estado, a «Bíblia Sagrada», de qualquer governo. Rezam as crónicas que este Orçamente é especial, acaba com o resto do Estado Social, que tanto trabalho deu a erguer a duas gerações de portugueses. Quem sabe se não será também o fim do povo português?
Por isso, somos levados a pensar que hoje estamos mergulhados por três formas de governo que se situam muito bem em conceitos que nos deram os antigos e em um outro que inventei para definir o que temos na tabanca chamada Madeira, porque aqui tudo é diferente, especial mesmo…
Estamos ante uma «Plutocracia (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder) é um sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. Do ponto de vista social, esta concentração de poder nas mãos de uma classe é acompanhada de uma grande desigualdade e de uma pequena mobilidade» (in Wikipedia); não será também um «Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos» (in Wikipedia); e ainda  perante «Autocracia literalmente significa a partir dos radicais gregos autos (por si próprio) e kratos (poder), poder por si próprio. É uma forma de governo na qual há um único detentor do poder. Pode ser um líder, um comité, uma assembleia... O governante tem controlo absoluto em todos os níveis de governo sem o consentimento dos governados» (in Wikipedia).
Mas, especialmente para nós haverá ainda um que se inventou para designar o que temos no burgo madeirense, onde só nos falta ver vacas a voar, a «Gratocracia», que é um termo profundamente irritante para apelar-se ao voto numa pessoa ou fação candidata a um cargo ou liderança partidária. Este sistema tornou-se insuportável de se ouvir, porque em democracia não há gratidão quanto aos cargos públicos, porque todos eles são muito bem pagos a peso de ouro ao abrigo da carga de impostos que se impõe sobre os cidadãos.
Esta forte onda «gratocrática» patética emerge porque os poderes sempre andaram nesse misto de Autocracia e a Plutocracia. Tudo subjugado ao domínio de um só ou de alguns que se consideram iluminados e legitimados para fazer tudo o que lhes dá na real gana sem olhar à lei e aos mais elementares princípios (isso sim) da Democracia. Então é vê-los em todas as instâncias do rebanho vergados ao «querido» que lhes garantiu emprego, vez e voz no palanque dos poderes que se ramificam nos corredores das retretes que a «gratocracia» foi edificando. Pouco ou nada importam ideias, propostas, caminhos para tirar-nos do atoleiro, da lama da fome e da pobreza. Só a gratidão importa salientar neste momento. Um fundo sem ponta que nos segure para nos livrarmos do afogamento.
Por esta via será melhor rir, rir desalmadamente do patetismo que a «gratocracia» fez germinar. Os grupos privilegiados durante estes anos todos saltam à praça e dizem quem apoiam porque a gratidão impera. Os malucos do governo da nação inventaram outra doutrina que pretende fazer a «refundação» da guilhotina que nos coloram ao pescoço pelas troicas deste mundo que não sabem o que são pessoas nem muito menos povo. Ainda não perceberam estes pseudointelectuais da governação que já estamos no fundo e que é impossível ir mais abaixo. Parece lógico. Uma refundação significa ir ao fundo outra vez, mas onde já lá estamos. Ou quererá dizer refundação que com o orçamento que aí vem o fundo ficará cimentado com as cabeças de mortos que esta cicuta vai provocar?
Por cá impera a campanha sórdida pelo providencialismo que também já bateu no fundo. O mar vai reclamando o que resta e as cadeiras vão ficando vazias. Um sinal importante revelador do que foi, ausência de diálogo, o tempo do quero, posso e mando (nepotismo)… Do eu é que sei, do dou como me apetece e dou a quem quero dar porque me servem para manter o poder na freguesia chamada Madeira (autocracia). A cadeira vazia na hora do debate mostra também o sinal da queda que virá, porque o vento do tempo varreu esta forma de pensar e de governar. Nada mais purificador do que natureza, por ela sempre nutro um grande respeito.
Os tempos correm a favor da regeneração e devemos nos preparar para essa bonança que fará do mundo, deste mundo chamado Madeira um lugar mais aprazível para todos. Vai chegando a hora em que sempre os mesmos privilegiados serão postos no seu devido lugar. Os poderes serão um serviço ao bem comum, à amizade e fraternidade para todos. Não haverá uma mesa farta onde se lambuzam apenas os «gratocráticos», os amiguinhos e os bajuladores tomados pela cegueira das benesses. Face às dificuldades que gritam em cada esquina do mundo, estamos diante da agonia da «gratocracia» que não salvará senão sempre os mesmos. Para isso não contem com a minha gratidão. Porque recuso essa submissão doentia que nos empurra para o inferno da pedincha de mão estendida.
Sonho com a realidade que fará mexer gente séria, que não será mais um bando de seguidistas de uma lógica pessoal e de um poder que se serve a si mesmo com o dinheiro de todos os que trabalham e descontam sem nenhuma forma de fugir aos impostos soberbos que lhes são cobrados.
Este dia não tardará e fará vingar uma paz, uma luz que nenhuma plutocracia nem nenhuma autocracia/nepotismo ou nem muito menos a «gratocracia» vai ofuscar, porque será mais forte o sentido do serviço ao bem comum.
Um sonho, um ideal, uma profecia… Seja lá o que quisermos chamar. Não quero, não posso e recuso perder a esperança.

domingo, 28 de outubro de 2012

Uma voz a favor dos fracos e contra a morte de Portugal


 O bispo D. Januário volta a criticar o governo de Portugal pelas medidas profundamente injustas que teima em levar para diante, que prejudicam os mais pobres em detrimento dos grandes deste país que não abdicam das mordomias e de salários de luxo. Daí ter feito hoje uma homilia profética e apegada à denúncia contra as injustiças que é o melhor que o Evangelho nos ensina - reparem uma homilia numa celebração da Eucaristia no dia do Exército. Muito bem. É  deste homem da Igreja de Jesus Cristo, D. Januário Torgal Ferreira, que já rebentaram títulos a favor dos mais fracos e contra os poderosos que teimam em vender a nossa alma ao diabo. Dizem assim alguns dos títulos: «D. Januário Torgal lança fortes críticas ao Governo»; «Bispo das Forças Armadas diz que Vítor Gaspar usou de 'linguagem salazarista'»; «Só os trabalhadores é que apanham no lombo, pergunta Dom Januário» e hoje cai em cima com este apelo essencial para este tempo em que vemos meia dúzia de ignorantes a vender a pátria que tanto trabalho deu a tantos a construir. Afirma o Bispo: «é necessário o empenho de todos na reconquista da independência económica e financeira do país, mas não à custa dos mais necessitados» - Disse.
Esta luz que brilha no episcopado português, é a única, a melhor perante o nevoeiro de silêncio que paira na maioria dos bispos, que se entretêm a fazer discurso triunfalistas sobre uma Igreja Católica que já não existe, animadinhos e submissos aos «seus legístimos superiores» (como gostam de dizer), a falar de fé em nossa Senhora e nos Santos, muito longe de Jesus de Nazaré, porque a fé de que falam deve estar reservada ao intimismo e ao domínio das sensações, porque uma fé militante que empurra para a rua e para a luta diária pelos direitos humanos, pela dignidade e pelo Bem Comum, é uma fé que não serve a maioria dos «nossos» bispos. É melhor um bando de «Doroteias» a rezar na penumbra das capelas e das igrejas, na defesa hipócrita da «moral e dos bons costumes» que gente animada a fazer manifestações «inúteis» que nada resolvem como alguns têm o displante de apregoar nos seus discursos (digo discursos, porque enquanto não fizerem do púlpito o lugar da pregação sobre o Evangelho com esta dimensão profética como o fez hoje o D. Januário não lhes chamarei de homilias).
Neste sentido, não podemos desanimar e contamos que dentro do episcopado há pelo menos uma com uma voz, nem que seja uma, para proclamar alto e bom som a defesa dos mais fracos, dos pobres deste país. Não estmos sós. Por isso, vamos colocar-nos ao lado deste homem, porque deve estar a sofrer uma perseguição enorme junto dos seus pares e já devem estar na rua o bando das «Doroteias» deste país e desta Igreja Católica com o seu fundamentalismo exacerbado para condenar o homem às penas duras do fogo do inferno. Fomos por ele chamados à luta contra estes energúmenos que tomaram o poder do nosso país sabe Deus como e para levarem adiante um plano que destrói a nossa nação e o nosso povo em cada dia que passa.
Dizem que devia estar presente na celebração da Eucaristia o «distinto» Ministro da Defesa, que ostenta o pujante nome de Aguiar Branco, fez-se rogado, amuou e não esteve presente. É deste calibre esta gente que foge à verdade e volta as costas ao bem, porque se sentem incomodados com alguém que lhes aponta a careca e destapa os seus intentos absurdos contra os mais necessitados. As verdades não servem a estes Aguiares que se escondem no Branco do nevoeiro que eles acham que nos encegueira a visão.
A voz de D. Januário, mesmo que sendo aquela voz isolada no episcopado português (até ver, porque não tardará nada a vingança dos poderosos contra ele), não nos deixa órfãos, retempera a nossa esperança e coragem para nos empenharmos na luta pela verdade das coisas. Somos chamados a tomar a sério a defesa dos mais fracos deste nosso país agarrado às mãos de gente sem escrúpulos, porque não se inibe de levar adiante medidas que violentam as nossas famílias, põem em causa a pátria só para satisfazer os caprichos dos grandes grupos económicos e os monstros da alta finança que saqueiam em nome do vil metal o mundo, os seus recursos em proveito da sua ganância e do se egoísmo...
Não vamos permitir que esteja no fim o nosso país e o nosso povo. Vamos levantar a nossa voz e dizer bem alto que morreremos se necessário pelo nosso amado país PORTUGAL. 

sábado, 27 de outubro de 2012

A revolta contra a pobreza


Uma pequena muito pequena aproximação à poesia...

Sonhos que se vão ao encontro do lugar sem nome
Ante a perdição de ver o que tiram deste pão
São cada vez mais os inocentes com fome
Na solidão da casa batem os pés no chão
À procura da alegria que roubaram do coração.

Porém eis-me aqui ante o vazio e a impotência
Que vejo face a uma dura cruel necessidade
Nos rostos pobres que choram por clemência
Um gesto de justiça que nunca seja piedade
Mas o trabalho que se faz alimento sem caridade.

Nesta frenética loucura sem rumo e sem horizonte
Que na insensibilidade fere a dignidade e o sonho
Onde estão os valores que fazem a ponte?
Ah como foram revelados no grito medonho
Da criança que mostra neste vazio o rosto tristonho.

Nada mais infeliz é ver um desejo frustrado
Mas pior em tudo no mundo é saber de gente
Que no indolente devir finda o sonho acobardado
Na revolta de ver hipócritas que não olham de frente.

E revejo mesmo que na penumbra do tempo
A esperança da paz na vertigem deste momento.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O hábito não faz o monge

Os ornamentos clericais estão caros...

Veio no DN - Lisboa no dia 21 de Outubro de 2012

Adão e Eva no Paraíso

Depois de mais uma reunião da UE alguns Ministros, para "aliviar" a pressão, resolvem passar pelo Museu do Prado em Madrid e, alguns deles param meditativos perante uma excelente pintura de Adão e Eva no Paraíso.

Desabafa Angela Merkel:
- Olhem, que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... São necessariamente estereótipos alemães.
Imediatamente Sarkozy reagiu:
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino...Sabem que em breve chegará a tentação... Só poderiam ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça, o Gordon Brown arrisca:
- Of course not! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.

Depois de alguns segundos mais de contemplação, Passos Coelho exclama:
- Não concordo.
- Reparem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Não tenham a menor dúvida, são portugueses!

Porque rir é o melhor remédio

Tudo isto devia fazer-nos chorar, mas porque é melhor verter lágrimas a  rir, pois então! - Que assim seja...










quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A luz e a liberdade

Mesa da Palavra
30° Domingo do Tempo Comum - Ano B
28 de Outubro de 2012
Jesus no Evangelho valoriza o dom da fé acima de todos os valores. A visão física é muito importante, mas mais valor tem a salvação que a fé faz acontecer. A cura do cego Bartimeu é um exemplo sintomático.
A luz, que se pode traduzir por liberdade, é um valor que devemos preservar e lutar por ele sempre que sintamos que está a ser ameaçado pela ganância e pelos intuitos ditatoriais que muita gente alimenta como pão para a boca a fim de fazer vingar e impor os seus intentos manipuladores sobre os outros. Nós fomos educados para andar na luz, Jesus é luz e sonha que todos os que o seguem sejam luz na sociedade e no mundo. Nenhum tipo de opressão entra no projecto de Jesus.
A educação mais inteligente é a que gera compromissos sociais, a mais inútil é a que gera parasitas sociais. Deste género de educação estamos bem saciados. A lição do Evangelho recomenda a todos que procurem educar vivendo para serem luz, gerando prazer em servir e em ser solidário. A vida para Bartimeu nunca mais foi a mesma, pôs-se a seguir Jesus pelo caminho de Jerusalém com dignidade e verdadeiramente integrado na sociedade. São estes que sabendo da sua dignidade e da sua utilidade na construção da vida e do mundo se tornam os paradigmas do autêntico discípulo de Jesus.
Sempre faz muita impressão que andemos preocupados que os nossos jovens sejam uma luz para si mesmos ou, no máximo, para o seu fechado grupo social. Este ensinamento pode ser bom para satisfazer o nosso egoísmo, mas é um crime contra a humanidade. Agora torna-se mais compreensível o mau uso da liberdade e como facilmente a liberdade que se transmite pela educação dos nossos jovens redunda em libertinagem ou pura rebeldia irresponsável, porque não valorizam a sua dignidade e dos outros. Então é vê-los mergulhados no mundo da droga, da prostituição e da vida sem qualquer tipo de compromisso com nada nem com ninguém.
Jesus convoca-nos para o caminho do amor, que é luz, ou seja, a verdadeira liberdade que nos leva a caminhos felizes em favor de todos e não apenas à satisfação imediata do ego. Jesus chama-nos para o amor. Muitos querem a reverência e a obediência sega, Ele não, quer o amor. Muitos querem anular os outros, Ele quer estruturá-los integrando-os no caminho da felicidade. Afinal, trata-se de descobrir em Jesus a omnipotência do amor cheio de compaixão e ternura de um Deus que é Mãe/Pai. E perante a cegueira do mundo, Deus é a luz para todos, a liberdade que é a luz. Então, por esta via descobrimos que a liberdade é um dos atributos de Deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A fé não é uma fonte de conhecimento secreto


O que a fé não é (2)
Nos primeiros séculos do Cristianismo desenvolveu-se uma crença que se veio a chamar de «gnosticismo». O gnosticismo tem origem na palavra grega «gnoses», que significa «saber».
Os gnósticos acreditam que possuem um conhecimento mais elevado, são uma classe privilegiada em relação às outras, porque têm um conhecimento superior e mais profundo sobre Deus. A salvação dependia de uma iluminação ou conhecimento interior que libertasse do mal e da ignorância da vida neste mundo. Negam a humanidade de Jesus, recusam aceitar o Antigo e o Novo Testamentos. Negam a doutrina da Igreja e a tradição cristã. O gnosticismo tem uma visão dualista da pessoa e da criação. A alma humana está aprisionada ao corpo e a criação não é vista como um bem, mas enformada pelas forças do mal. Os humanos desejam o bem e a verdade, mas estas realidades estão fora das realidades criadas. Neste sentido, Deus é uma entidade totalmente transcendente, que envia uma pequena luz e um ténue conhecimento secreto (gnoses) para alguns privilegiados que tenham a «sorte» de aceitar essa iluminação interior.
Bom, a fé não é esta forma de conhecimento nem outra que se encaixe num circunscrito mundo pessoal ou de um grupo. Está muito além deste parâmetro e encontra terra fértil no coração de todos aqueles e aquelas que se abram ao abraço do mistério. Tudo o que seja conhecimento esotérico, secreto, sobre as coisas de Deus, da vida e do mundo, para dizer de uma fé, que só está ao alcance de alguns, não se enquadra no pensar do Evangelho de Jesus de Nazaré nem encontra justificação na doutrina e tradição cristãs.
As pessoas que acreditam não têm informações «confidenciais e secretas» sobre nada. A fé abre ao mistério de Deus e faz com que o crente possa perscrutar nem que seja por pequenos sinais a vontade de Deus em relação à sua vida e à vida do mundo. Por isso, a criação não pode ser um mal desde logo, mas um bem que nos revela a acção de Deus. Em tantos sinais da vida e do mundo criados, podemos vislumbrar a presença de Deus e a Sua vontade. São Paulo confirma: «Com efeito, desde a criação do mundo, as suas perfeições invisíveis, eterno poder e divindade, são visíveis nas suas obras, para a inteligência…» (Rom 1, 18-21). 
A fé não pode ser uma forma de conhecimento centrado num secretismo qualquer, mas uma realidade interior que abre o coração da pessoa não apenas para o «seu» conhecimento ou a «sua» iluminação, mas para todas as realidades que desvelem alguns conhecimentos acerca de Deus, da salvação e do sentido da vida em plenitude. Acolher a fé desta forma livra-nos do perigo do fundamentalismo e da propensão para a violência que a fé reduzida ao afunilamento podem facilmente levar aqueles que assim concebem o caminho da fé. Temos tido ainda recentemente muita violência e insegurança em nome de «fezadas» propagadas por grupos e pessoas individualmente. A fé nunca destrói. Se conduz a algum mal, então estamos perante a ausência da fé ou então perante conteúdos totalmente distorcidos acerca do que é e deve ser o acolhimento da fé.  
A fé não sendo esse conhecimento secreto e afunilado, apresenta-se em nós como um dom que nos revela o que somos, de onde viemos e para onde vamos. Como diz Simon Weil: «Se mergulhamos em nós mesmos, descobrimos que possuímos exactamente o que desejamos». A fé por este caminho nunca nos violenta nem muito menos faz violentar os outros e a obra da criação. Porque, «Deus é cheio de compaixão e nunca falha com os aflitos e desprezados, se estes confiarem apenas Nele» (Santa Teresa D’Avila).
A fé não sendo um conhecimento que nos dá as maiores certezas e a segurança que tanto procuramos, leva-nos à confiança no mistério, envolve-nos nele e nesse «abandono» podemos encontrar um sentido para a vida presente e a vida futura.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Amansar da fera


Terça-feira dia de Farpas no Banquete…

O Amansar da Fera, de William Shakespeare, é a história de Catarina, a fera insubmissa de feitio indomável, de Petrúquio, o domador, herói da grosseria e teimosia e de Cristóvão Finório, latoeiro e vagabundo transformado em rei por um dia, é presenteado com uma representação em que Catarina, a fera insubmissa, é amansada pela astúcia e persistência de Petrúquio, o domador que triunfalmente a irá reconduzir à ortodoxia da mulher obediente e exemplar.
Esta peça pode ainda ser vista no Cine Teatro de Santo António no próximo fim-de-semana 25,26,27 e 28 de Outubro (Quintas, Sextas e Sábados às 21.00 Domingos às 18.00).
Uma metáfora muito interessante que nos presenteia com a particularidade de ser apresenta numa terra onde alguns se apresentam ou representam essas qualidades de feras indomáveis. Acham-se os únicos, por sinal, importantes, insubstituíveis, coisa que destes estão os nossos cemitérios cheios e indomáveis, porque acham que podem, querem e mandam em tudo e em todos.
Estas características fazem uma realidade de uma terra domada pelas ameaças terríveis contra os princípios básicos da democracia. São reveladoras de uma terra vergada à soberba de um poder que se fixou à cadeira para tudo achar que pode dominar, com a sua verdade absoluta, o açambarcamento de tudo como se fosse dono de tudo, pois claro! Então, faz uma perseguição a tudo o que mexe em sentido contrário, porque o poder ora legitimado pelo voto - não se esqueça que as ditaduras mais sanguinárias também eram legitimadas pelo voto popular - acha-se com legitimidade absoluta para levar adiante o seu quero, posso e mando.
Pois, com os nossos impostos ou contraindo dívidas absurdas para todos os nascidos e os que vão nascer nos próximo 50 anos pagarem com suor e lágrimas, alimenta um Jornal de campanha, com a «bênção» de alguma Igreja Católica da Madeira, para levar adiante os seus intentos de domínio e continua a promover obras desnecessárias que não beneficiam toda a população mas a sede de meia dúzia que nos últimos 36 anos se alimentou com as benesses do poder instalado.
As feras indomáveis não toleram a diferença, o contraditório. Porque não sabem que a riqueza da humanidade radica na diferença e na diversidade. O seu fraco ou nulo sentido democrático está assente na sua vontade que se sacia no prazer do poder, porque de outra forma não teria brilho nenhum.
Eis que ainda alguns se fazem seguidores e defensores desta mania, deste absurdo gastador de energias e de dinheiros públicos, defendem as feras como se fora delas fosse o caos, o fim. Nada disso, este pensamento curto não pode continuar e chega de pensarmos desta forma, porque ele vai legitimando graves atentados contra a dignidade humana e a liberdade democrática. Faz imensa pena que estes doutos defensores desta lógica pidesca não percebam isto e continuem a atirar lama contra os nossos olhos como se fossemos uns fracos de juízo e que não tivéssemos capacidade de nenhuma para ver julgar e agir.
Porém, sempre desejo acreditar que haverá para aí um Petrúquio, mesmo que de forma rude e incivilizada, venha domar a fera Catarina para que a sociedade se faça orientar pelas ideias e pelos ideais de justiça e de bem comum. Aguardemos em jubilosa esperança…      

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A frase do fim de semana

Nota do Banquete: Em tempos de circo espiritual. Fica a frase que nos provoca a todos e desconcerta sobremaneira  esta religião do quietismo que alimentamos. O circo continua, diante da fome. Inaugurações com bênção e comezaina à fartança,  transferências de párocos ao som de foguetes, bandas de música e festa, mais festa ainda para entreter porque assim o circo o exige e serve aos poderosos desta terra. A participação nas coisas da cidade e o compromisso no que transforma a vida e o mundo nem ouvir falar. Com muita pena minha não pude estar presente na marcha contra a fome que se realizou ontem. Mas fica aqui a minha solidariedade para com a iniciativa e espero que não seja a última. Que a fraca participação não faça desanimar quem está nesta luta.

Agora fiquemos com o pensamento:
«Estou triste. Isto devia ser uma marcha maior do que a procissão do Corpo de Deus, devia ser uma procissão maior do que a Nossa Senhora de Fátima. Uma religião que não se transforma - e hoje o evangelho foi precisamente sobre o serviço - uma religião que não se transforma em serviço aos pobres é um entretenimento espiritual. É um divertimento. Vamos lá uma vez por semana, a gente diverte-se, fica bem, sente-se muito bem. Em vez de tomar drogas, toma um bocadinho de religião durante uma hora e vai para casa satisfeitos. Eu acredito numa religião que nos compromete até aos ossos, com os mais pobres, com os mais repugnantes, com aqueles que ninguém gosta» - disse o padre Bernardino Andrade, capelão do Hospital Dr. Nélio Mendonça.

domingo, 21 de outubro de 2012

A caridade que salva nestes tempos de fome

Nota do Banquete: Texto de opinião publicado no Dnotícias, 21 de Outubro de 2012.
Por José Luís Rodrigues

«Acredito ainda mais na caridade anónima, que é, felizmente, uma realidade importante, que vai salvando muita gente» - destaque Dnotícias

À falta de valores junta-se a escassez de bens essenciais, pobreza séria e fome. Não há como dizer a realidade de outra forma. 
Um exemplo. A Maria abandonada pelo marido, desempregada, ela e três filhos, um deles, o João, é doente, asmático, somam quatro criaturas dentro de uma casa, que sobrevivem à pala da caridade senão morrem de fome. 
Uma família, um caso entre imensos que nos rodeiam. Um exemplo concreto para dizermos de um universo. Antes coisas destas passavam na TV, era distante a realidade da fome, da miséria… Agora, está à nossa porta, convive connosco, é companheira de imensas famílias na nossa terra. A tragédia da fome aí está, nunca imaginávamos que viesse a estar tão perto e que pudesse ameaçar tantas das nossas famílias. E pelo andar das coisas, ninguém se pode gabar que não venha a cair neste flagelo.
Face a este panorama, temos entre nós finalmente uma instituição, o Banco Alimentar Contra a Fome (BA), que tenho grande esperança que venha a fazer um grande trabalho na recolha e distribuição de géneros alimentares. Espero que exista um grande cuidado em que se estabeleça uma ponte eficaz entre esta instituição e os principais organismos que estão no terreno nesta ajuda aos mais pobres (cito como exemplo as Conferências de São Vicente de Paulo). 
Tendo em conta este contexto de necessidades prementes, peço aos madeirenses em geral que acarinhem o BA, porque não fazem ideia do trabalho e da luta que foi necessário travar para que na Madeira tivéssemos uma delegação do BA. Primeiro, porque «nunca houve nem ia haver fome na Madeira» nem muito menos havia pobres. Porque era necessário esconder as misérias para salvar o turismo. O que resultou? - Perdemos o turismo na mesma e temos uma avalanche de pragas sobre as costas, entre elas, as principais, a pobreza e a fome. Segundo, os organismos que já existiam na Madeira que se dedicam a este trabalho da ajuda aos pobres, cada um circunscrito à sua capelinha, nada abertos a novas dinâmicas e a trabalharem em rede, tudo fizeram para impedir que o BA viesse para a Madeira. Foi uma luta sem tréguas que tive que travar contra ideias preconcebidas e preconceitos, instituições fechadas no seu egoísmo, e pessoas agarradas aos seus tachos, pouco abertas ao bem comum e nada preocupadas com os pobres, uma sede de protagonismo e um patético prestar-se a fazer fretes aos poderes estabelecidos da nossa terra.
Por isso, hoje uma delegação do BA, graças a muita persistência, luta e a um grupo extraordinário que desde a primeira hora se congregou comigo nesta causa, está entre nós para funcionar só e exclusivamente com voluntários, porque as instituições para este género de serviços a funcionar com assalariados gera desconfiança, descrédito… Entre nós há instituições assim, apresentam-se o mais profissionalizante possível, mas violam o seu carisma e falham na caridade incondicional, porque sobrecarregam as pessoas pobres com burocracias e passam uma imagem que são uma extensão da Segurança Social. Esta caridade oficial ou oficiosa dá para desconfiar.
Alguns perguntarão porque aconteceu isto? - Porque estamos na Madeira e porque temos entre nós uma anarquia total quanto à ajuda aos pobres. A baralhada das ajudas no 20 de fevereiro é reveladora. Há serviços profundamente burocratizados e fechados em capelas que beneficiam quem lá está, ora com emprego garantido e salário, ora aproveitando os donativos para si, para os familiares, os amigos e uns pobres em detrimento de outros. Quanto aos da Igreja Católica, os que acredito alguma coisa e que funcionam minimamente, são os grupos das Conferências de São Vicente de Paulo, que estão ligados às paróquias e conhecem a realidade como ninguém. 
Por fim, acredito ainda mais na caridade anónima, que é, felizmente, uma realidade importante, que vai salvando muita gente. O que é este tipo de caridade? - Aquela que cada um vai fazendo por sua livre iniciativa. São os pais para os filhos, os filhos para os pais, avós para netos, vizinhança entre si e algumas empresas.

sábado, 20 de outubro de 2012

Missão


Não vejo o sol diante desta sombra
Que a inquietação desvela
Só resta a fé no caminho que se faz
No vale da paixão pelo trabalho.

Nesta firme certeza se encanta
Porém uma missão pelos outros
Quando fecho os olhos
A toda a provocação da indiferença.

Então calam-se as árvores solidárias
Na encosta das pedras do meu tempo
Quando no inverno da solidão
Choram as lágrimas salgadas da fome.

Assim veio nesta esperança
Um fermento de alegria
Que se fez útil e riqueza
No horizonte que vislumbro pela fé.

Nesta experiência silenciosa e minha
Digo tudo no esquecimento
Na ilusão deste mundo que vejo.
José Luís Rodrigues
Nota do Banquete: Poema dedicado a vós todos os leitores deste espaço. Bom fim de semana com a paz e bênção de Deus!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Uma Santíssima Trindade


Esta é a Santíssima Trindade que faz a minha fé...

Sei de ti meu Deus Grande e Omnipotente
Na encosta amiga de uma vontade
E como Ti vi no sorriso terno da criança
Que recebeu uma roupa
Um pão
Um beijo de um amigo
No impulso solidário.

Mas estava o Outro Deus em Jesus
Na fome saciada
No trabalho empregue no bem
Na sentida paixão pelo abraço fraterno
Na prisão do crime
Na prisão do sofrimento
Na prisão da solidão e do abandono
Na prisão da má sorte
Daquela vida que tinha tudo para ser certa
Mas falhou o juízo
E o mistério fez a miséria deste mundo
Que sem Jesus ainda seria mais órfão de tudo.

Porém, senti o terceiro Deus em Espírito
Que dizem Santo na oração da paz
No perdão que mata a distância
E fecunda a alegria de uma festa 
Porque diz do fim da divisão
Gera vida em terra boa
Em abundância
Em verdade
Em beleza
Nos caminhos que se engalanaram
Para o encontro do amor
Dos passos em volta
No canto alegre deste momento
Amparado pelo dom antigo
Que os anjos anunciam
Na caridade dos carismas
Que vejo nas mãos e nos pés
Que se soltam do egoísmo.

A vida neste mundo só faz sentido
Se fazemos alguma coisa pelos outros.
- Se não for assim pouco vale a pena ter vindo para aqui! 
José Luís Rodrigues

Os outros sempre, porque sim! E acabou em nome da fé

Será que é só os governantes que devem fazer isto? 


Pronunciamentos tirados do antigo Jornal da Madeira, Jornal da Diocese ou dos padres, como cada um quiser... Digo «antigo» porque actualmente é jornal de campanha de um candidato a líder de um partido político, com a devida bênção de algumas autoridades eclesiásticas desta terra. Vamos isso...


«Aos governantes, pede-se que não exijam sacrifícios para além dos estritamente necessários e que tratem com sentido de igualdade, respeito e equidade todos os cidadãos», disse D. António Carrilho na homilia da celebração que assinalou os 495 anos da Dedicação da Catedral e o início oficial do Ano da Fé na nossa Diocese.

Note-se:
- Não vou dizer muito para não me vergastarem mais as arcas já sobejamente flageladas. 
Mas, lá que nestes tempos de penúria, de fome e em que os políticos tomaram como missão do alto levar todo o povo à pobreza, podia a «nossa» Igreja Católica contribuir com o exemplo, com «muita verdade e transparência», com o desprendimento e a disponibilidade de alguns dos seus bens para ajudar na partilha que tanto se defende... Mas, nada que se veja para dar exemplo!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O mundo do avesso


MESA DA PALAVRA
Comentário à Missa do próximo domingo - ANO B
29º DOMINGO DO TEMPO COMUM
21 de Outubro de 2012

É o que Jesus faz. Coloca tudo ao contrário do pensamento dominante e não se atemoriza nada com essa tarefa «ilógica» que conscientemente realiza. É a revolução de Jesus, que apela a uma profunda conversão espiritual. Uma desconstrução urgente que precisa o mundo e a nossa Igreja Católica, feita ao modo de Jesus.
Jesus fala do dar a outra face ao opressor em vez de recorrer à vingança, de amar os inimigos em vez de odiá-los, de fazer o bem a quem nos odeia ou faz mal, de abençoar os que nos insultam e de perdoar todos setenta vezes sete. E vai por aí adiante dizendo tudo ao contrário, os ricos são amaldiçoados e infelizes, os pobres abençoados e felizes, os pecadores e as mulheres de má vida afinal têm igual dignidade e passarão adiante no Reino de Deus, os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros, o grande deve fazer-se pequeno e servir a todos, o poder converte-se em serviço à comunidade e não domínio sobre ninguém. Tudo isto cria um rebuliço infernal na cabeça do mundo que pensa de modo distinto de tudo isto.
Obviamente, que Jesus sofre um duro golpe na sua reputação. Aquilo com que Jesus menos se preocupava é com a sua reputação, coisa que os homens do poder que domina se preocupam imenso. Basta reparar no que fazem os governantes, o Papa, os Cardeais, os padres e tanta gente que com a mínima responsabilidade de chefia se preocupa imenso com o que diz a opinião pública. É preciso a todo o custo não ferir susceptibilidades e mesmo que tal atitude implique cometer injustiças, é melhor ficar quieto porque o poder sabe bem, não querem abdicar das mordomias e benesses que tais cargos conferem.
A lógica de Jesus é outra, a subversão é total. O Evangelho está cheio de exemplos muito claros da «loucura» que Jesus propõe. Faz algum sentido para o mundo certinho, organizado em classes e estruturas sociais distintas esta lógica, «quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos»? - A resposta é dada pelo próprio Jesus: «Os que se exaltam serão humilhados e os que se humilham serão exaltados» (Lc 14,11, 18, 14; Mt 23, 12).
O que importa para Jesus são as pessoas e as suas necessidades. O nosso mundo actual precisa de converter toda a lógica do poder que oprime e aliena as multidões. Somos todos chamados libertar o ego do egoísmo, dar a vida pelo bem comum e a promover uma justiça que salve a humanidade inteira e não apenas alguns.
O mundo precisa de uma lógica de partilha e de fraternidade, para que a distribuição da riqueza seja mais equitativa e venha ao encontro do bem para todos os povos, para que não tenhamos alguns muito ricos e uma imensa porção da humanidade ainda mergulhados no escândalo da fome e da pobreza. É este o sonho de Jesus que devemos fazer nosso ideal e motivação para a luta em todos os momentos da nossa vida. Porque o mundo só se concerta verdadeiramente quando o poder se torne um meio ao serviço da justiça e não um fim para a soberba ou domínio sobre os demais. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A fé não é um medicamento

O que a fé não é (1)
Em 1962 teve início o Concílio Vaticano II. Em 2012, passados 50 anos o Papa Bento XVI convocou o Sínodo dos Bispos para este mês de outubro que terá como tema: «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã», e que abre o «Ano da Fé», que irá até à Festa de Cristo Rei, em novembro de 2013. É a Igreja cumprindo a missão que Jesus lhe deu: «Ide evangelizar!». A missão da Igreja é esta. O Papa Paulo VI disse que esta é a identidade e a missão da Igreja. A Igreja deixar de evangelizar seria como o sol deixar de brilhar  e a chuva deixar de regar a terra.
Neste contexto abro aqui uma rubrica nova no Banquete sobre o tema da fé. Ao meio de cada semana vou procurar partilhar com os leitores do blogue «O BANQUETE DA PALAVRA», uma pequena reflexão sobre o que a fé não é, para logo no fim se concluir sobre o que a fé é ou pode ser no coração de cada pessoa que se abre ao mistério de Deus e da humanidade. Não quer dizer que ao longo das reflexões sobre o que a fé não é, já não se vá percebendo sobre o que a fé, afinal, é na vida de cada pessoa.
Vamos lá então.
A fé não é uma aspirina espiritual
Muitas vezes as pessoas que crêem e também as que não crêem entendem a fé como uma espécie de aspirina ou que deve ser um analgésico, que se toma quando as dores físicas, emocionais, mentais e espirituais se fazem sentir. Aí a fé seria uma pastilha que se tomaria para aliviar a dor. Por isso, muitas vezes as pessoas perdem-se na procura de milagres, correndo atrás de todas as religiões ou confissões religiosas, os seus directos responsáveis, todos os santos, bruxas, curandeiros, horóscopos e outras realidades deste teor para que por magia espectacular todos os males que esta vida implica desapareçam num ápice. Nada mais errado encarar a fé desta forma. Proceder desta forma é deixar-se levar pela frustração e pelo desencanto da fé que não tardará nada a chegar.
A fé vai ajudar-nos a acolher o mistério da vida, o que ela tem de extraordinário, belo, bom. Mas, também o que tem de dor, de sofrimento e de todo o género de limitação. Nós cristãos, descobrimos um exemplo, Jesus Cristo, que podia muito bem livrar-se do sofrimento e da morte, porque é Deus, mas não o fez, enfrenta-o com coragem, porque acredita na vontade e no amor de Deus Pai e Mãe, que o abraça na vertigem da dor e da morte, para o ressuscitar ao terceiro dia. Não quer isto dizer que o crente deve ser um masoquista, um submisso, não, pelo contrário, o crente é um inconformado perante o sofrimento e a morte. Não se deixa abater por essa limitação e abre o seu coração à grandeza de Deus e confia que de qualquer forma participará um dia dessa glória.
Neste âmbito o grande ficcionista católico de meados do século XX, Flanerry O’Connor, disse-o bem, e melhor do que muitos. Numa carta de 1959, dizia o autor: «O que as pessoas não percebem é quanto a religião custa. Elas pensam que a fé é um grande cobertor eléctrico, quando, claro, ela é cruz. É muito mais difícil acreditar do que não acreditar». A fé sendo essa opção interior que se abre ao mistério, desafia para a coragem e para a força com que enfrentamos os males desta vida, sem alienação, mas com esperança.   
A fé não é uma «novocaína espiritual», mas um caminho, uma opção de vida que faz entrar na profundidade de um mistério que enforma a vida toda. Obviamente, que a fé não nos dá garantias. Pode até dar-nos mais dificuldades e mais embaraços para a vida. Mas a mulher que concebe uma criança e a dá à luz também não tem garantias nenhumas do que pode vir a ser daquela criança, no entanto, avança, mergulhada no sofrimento e em toda a trabalheira que dá criar uma pessoa.Sem qualquer garantia aposta no futuro que a vida lhe oferece. Neste contexto percebemos que sem cruz não há ressurreição. O crente, nunca desiste resiste. Acreditar é isso… 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Velório de um defunto chamado democracia


Terça-feira dia de Farpas no Banquete…

Em nome de quem estão estes governantes actuais? Que poderes e pessoas estão a telecomandar esta gente? Como funcionam assim contra o povo? Porque será que manifestam tanta insensibilidade social? Porque será que não têm sentido nenhum do que é a nossa pátria? Porque não olham mais a nossa realidade e menos a realidade daqueles que os mandam fazer estas barbaridades contra as nossas famílias e contra o nosso povo? Para onde vamos com esta desgraça de ter que tolerar gente insensível ao sofrimento e ao empobrecimento do povo que os elegeu? (…)
Algumas questões que nos saltam neste momento em que presenciamos uma série de atitudes que nos deixam perplexos.
Mas vamos ao que se vai passando nosso burgo. Hoje ao deparar-me com o quadro no Dnotícias sobre os gastos dos partidos políticos representados na Assembleia Legislativa Regional dá para ficar intrigado, irritado, revoltado e mais do que desgostoso com esta democracia que alguns pensam impor a todos nós. Nesta hora lembrei-me do Eça de Queiroz quando afirma o seguinte: «os Políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão». É disto que se trata. 
Muita gente não gosta da alternância e prefere manter o que está, porque já está cheio e quem chega ainda não tem nada, chega sedento para se encher. Este argumento é patético e justifica as malfeitorias daqueles que se plantam no poder eternamente. O que ganhamos em manter sempre os mesmos a nos desgovernarem deste feito? - A mudança constante seria melhor para todos nós. Sinto pena que o eleitorado não perceba isto. Os políticos eleitos deviam só estar quatro anos, ao fim desse tempo rua com eles.
Ao olhar este famigerado quadro vemos o que fazem os partidos políticos com o dinheiro que nos sacam. Não será preciso dizer que ficamos indignados com os gastos daqueles subsídios horríveis que os partidos eleitos se atribuíram a si próprios sacados dos impostos de quem trabalha e consome neste país. Uma vergonha. Porque observamos que tais subsídios são na sua maioria para pagar salários. Sim, salários da clientela familiar e membros do partido que representam. Não imaginava tanta gente na retaguarda a trabalhar para os ilustres senhores deputados. Um escândalo em tempos de penúria e de miséria do povo conduzido por estes governantes incompetentes.
A cegueira do défice leva-nos à pobreza e ao abismo. Só os incompetentes que nos desgovernam não vêm isso. Com esta cegueira hipotecamos os valores democráticos e faz-se o desrespeito das instituições democráticas como sendo o mais normal porque a austeridade tudo pode e tudo manda. O Orçamento de Estado entregue na Assembleia da República não pode sofrer alterações. Está fechado nome dos poderosos obscuros que telecomandam o desgoverno português. Nesse caso feche-se «a casa da Democracia», a Assembleia da República, porque o lugar do debate, do diálogo para que tudo seja aprovado para o bem de todos depara-se com um Orçamento contra o povo e isso está encerrado porque não podemos melindrar os poderosos que tomaram conta do mundo e dos povos. Esta obscuridade é preocupante e conduz-nos à tragédia irremediável. Só os «desgovernantes» não querem ver isso.
Entre nós também a cegueira comanda a vida. Temos um sr. Presidente do Governo Regional que se limita a vir à Madeira mudar a mala. Anda sempre em viagem, porque o «reino» que devia governar tornou-se o melhor dos mundos. Não há pobreza, desemprego, doentes de dengue, escolas sem rumo e outras injustiças nunca experimentadas entre nós. Assim, dormimos sobre os jazigos de petróleo que foram descobertos nas inúteis obras realizadas sobre o dinheirinho da famosa lei de meios.
Mas, melhor ainda assistimos perplexos à disputa entre dois candidatos à liderança de um partido político. Uma vergonha o que se vê quanto ao desrespeito de um pelo outro. As regras da mais elementar democracia que deviam ser cumpridas à risca para exemplo da sociedade em geral, são pura e simplesmente violadas, sob uma baixaria debitada pelas mesmas vozes e caras que vemos há séculos à frente desta «freguesia» chamada Madeira. A democracia entre nós nunca existiu de verdade. Não nos alegramos com isso, mas sentimos revolta e indignação porque já era tempo de se ver outros rostos e outras propostas que viessem edificar uma sociedade mais humana, justa e fraterna. Até quando vamos suportar isto?
Imagens google  

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A irritação da separação da Madeira



A banda do reumático do PPD da Madeira continua sempre com aquela treta da independência da Madeira. Mas esta gente não percebe que está a tornar-se dada vez mais ridícula? Não sabe que nós amamos ser portugueses? Não percebe que nós já percebemos que este recurso reincidente sobre a separação da Madeira é apenas uma forma de desviar as atenções e para ocupar-nos com um não assunto?
Para mim este assunto não passa de treta e esta gente que teima em manter-se à frente dos nossos destinos devia deixar-se de balelas e ocupar-se com assuntos sérios. Mais os informo que uma porção bem grande da população da Madeira anda mais que irritada com este reincidente tiro para o ar sobre a independência da Madeira. Em bom português quer dizer, estamos fartos desta treta da separação e mais ainda estamos fartos de vossas senhorias. Porque não têm o mínimo de sensibilidade quanto ao sofrimento que causaram ao povo da Madeira. Agora ainda por cima querem que nós fiquemos para aí totalmente isolados com uma dívida horrível para pagar que vossas excelências esconderam, que serviu para encher o ego de betão a quem se alimentou disso a vida toda e encheu os bolsos de dinheiro aos clientes habituais que se encostaram ao pote do poder.
Acho que deviam estar mais preocupados não com a separação da Madeira, porque a maioria dos madeirenses ama ser português e penso que nunca abdicarão disso. Sim, querem-nos isolados e separados de Portugal, da Europa com uma dívida às costas que nos vai custar mais fome, suor e lágrimas para ser paga e outras mais pragas que nos estão a pôr doentes e não tardará podem levar-nos aos cemitérios. É nesta tristeza que esta banda do reumático nos quer ver enterrados.
Pensem antes como resolver a desgraça que se abateu sobre as nossas famílias, pensem em como lhes matar a fome, pensem em como resolver as injustiças que subjugam a nossa população, pensem em como ajudar os alunos das nossas escolas que não têm dinheiro para pagar passes e outros bens necessários para estarem a auferir um direito que os assiste, estar na escola.
Antes desta balela da independência da Madeira, pensem como resolver os problemas que se abatem sobre o sistema de saúde da nossa terra. Consta que várias foram as pessoas que estão a morrer porque não há medicação necessária para os devidos tratamentos…
Concluímos, então, estamos irritados com vossas excelências, porque brincam connosco considerando-nos uns totós, que não ouvem nem vêem  Por isso, esta da separação já pegou noutro tempo e noutra circunstância, quando as vacas ainda estavam gordas, mas agora perante o drama que se abateu sobre nós, este é chão que já deu uvas. Vamos lá ser sérios. Todas as vossas excelências que já se reformaram, com altas bombas de pensão juntamente com os salários que vossas excelências recusam abdicar, porque há leis bem-feitas à medida do vosso fato, vão para casa cuidar dos netinhos e permitam que os mais jovens peguem nisto. Porque precisamos de sangue novo, novas ideias e criatividade para sairmos do atoleiro em que vossas excelências nos fizeram mergulhar. Autonomia sim independência não, porque gostamos muito de ser portugueses e não somos masoquistas.