Convite a quem nos visita

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Eu creio... (2)

Secção: E eu creio...

Olá amigos. Partilho convosco o contributo/partilha da Bebiana Silva, que deu largas ao seu coração e participou nesta secção do Banquete «E eu creio...». O convite mantém-se de pé para todos os que desejarem participar. Pode ser um incentivo a outros para acreditarem e reanimarem a riqueza da vida com o caminho da fé. Somos exemplo uns para os outros e a utilidade da nossa vida radica aí mesmo na capacidade que temos para partilhar o que somos e vivemos, sem isso a vida não tem sabor e servirá para pouco. Por isso, continuo a aguardar a vossa participação.

EU CREIO

Creio no Amor.
Creio na fé, embora por vezes duvide.
Creio no dom da vida.
Creio na felicidade, apesar dos momentos menos felizes.
Creio na amizade.
Creio na verdade, mas por vezes omito.
Creio na paz.
Creio no perdão, mas tenho dificuldade em perdoar.
Creio em Deus!
Que me permite:
Amar.
Ter fé.
Viver.
Ser feliz.
Ser amigo.
Ser verdadeiro.
Estar em paz.
Saber perdoar.
Creio ser eu em união com Deus.

Bebiana Silva

A vigilância e a vinda

Mesa da Palavra
Comentário à Missa do próximo domingo
I domingo do Advento - Ano C
É este o Tempo do Advento, aquele tempo que nos prepara para o encontro com o homem, empoeirado, de barbas raladas e grandes, passando ao lado de um rio, que está ali diante de todos nós. E Ele da outra margem faz-nos um aceno afetuoso, certo que em nós existe abertura suficiente para acolher uma graça, um dom ou uma possibilidade de redenção. É isso o Natal.
O Tempo do Advento, são as quatro semanas que antecedem o Natal. Uma das palavras fortes deste tempo, é a palavra vigiar e de preparação para uma vinda, uma chegada de alguém que vem aos nosso encontro, revelar-nos a salvação e o caminho melhor que nos conduz à felicidade.
As palavras «vigiar e vinda» são interessantes, porque nos convidam a olhar a realidade da vida e do mundo com esperança, como algo seguro que nos mostra uma luz verdadeira, nem que seja ao fundo túnel desta existência carregada de tantos pesadelos difíceis de encarar. Eles são a crise, a austeridade, o desemprego, o empobrecimento, a fome e tudo o que nos rodeia de menos bom que não abre horizontes razoáveis para o futuro de todos nós, especialmente, as crianças e os jovens. Porém, nada pode ser o fim, está sempre lá no fundo a luz da salvação, basta confiar e acreditar na pessoa que nos aponta nessa direção, Jesus Cristo.
Este é o tempo da expectativa do «ainda não», mas que nos remete para a certeza do «já» presente na história. Neste contrabalançar expectante, descortinamos vias de possibilidades sempre novas que nos conduzem ao nascimento da vida em cada pessoa que não hesita em abrir-se ao sublime da vida transcendente. Essa é a vida revelada pelo nascimento do Filho de Deus.
Neste tempo de preparação vigilante, somos chamados a dizer não a tudo o que ofusca a luz. Não a todo o género de violência, a todo o desrespeito pelos outros, às crises que nos cerceiam a liberdade e nos remetem para o medo do futuro, não aos gastos desnecessários para o Natal, não ao individualismo e ao carreirismo tolo que gera muita injustiça, não à veneração do ego como valor da atividade frenética que caracteriza o nosso tempo, não à espiritualidade privatizada e solitária... Eis o tempo em que devemos procurar uma luz que nos torne mais solidários, mais amigos uns dos outros. Porque, o Natal, ou faz da humanidade uma família ou nunca passará de uma festa que enche o olhos e nada mais. Que este tempo nos faça tomar a sério a sabedoria africana que diz: «Uma pessoa torna-se pessoa através de outras pessoas». A vigilância e a espera da vinda devem levar-nos sempre à construção do Bem-Comum.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Teologia em acção no Funchal a não perder esta sexta feira

Sempre há qualquer coisa que destoa na Igreja Católica

Amanhã dia 30 de Novembro às 18 horas no Teatro Baltazar Dias acontecerá um momento interessante e importante de cultura e formação religiosa, Andrés Torres Queiruga, teólogo espanhol, apresentará o seu recente livro «Quem foi, Quem é Jesus Cristo?». Obra que lhe valeu a condenação dos bispos espanhóis. Escreveu o Instituto Humanitas Unisinos o seguinte sobre esta atitude de alguma Igreja a propósito da publicação desta obra: «Os bispos acabam de condená-lo “sem diálogo prévio sério” e Andrés Torres Queiruga diz sentir-se “surpreso, escandalizado e triste”. Surpreso “pelo procedimento inusitado”. Escandalizado, porque os problemas que colocam à sua obra “passariam com muita dificuldade por um exame de Teologia”. E triste, pelo “duríssimo golpe” que o caso representa “para a credibilidade da Igreja”. Profundamente agradecido pelas demonstrações de solidariedade, que “são um rio que não para”, o teólogo galego pede “diálogo público” com os promotores da sua condenação e garante que continuará refletindo, publicando e “repensando a fé em categorias atuais; é minha vocação e minha paixão”.
Algumas referências da vida de Andrés Torres Queiruga ( Ribeira, Galiza, 1940) é um teólogo e escritor galego.
Realizou estudos no seminário de Santiago de Compostela e na Universidade de Comillas, passou dois anos em Roma realizando a sua tese.
Foi professor de Teologia no Instituto Teolóxico compostelá e de Filosofia da Religião na Universidade de Santiago de Compostela.
É membro da Real Academia Galega e do Consello da Cultura Galega; foi um dos fundadores e diretor da revista Encrucillada.
Está entre nós uma das figuras mais proeminentes da teologia da atualidade, o professor Andrés Torres Queiroga, que diz do seu trabalho o seguinte: «O núcleo mais vivo e fundamental da minha teologia move-se sempre entre dois polos: 'repensar' os conceitos da teologia, a partir do reconhecimento da autonomia das criaturas, e 'recuperar' a experiência original, tornando patente a sua relação constitutiva com Deus. A 'reformulação' é uma consequência». A não perder de forma nenhuma.  

O Plano D de Deus em reportagem na RTP-Madeira

Delírios religiosos
A propósito de uma reportagem da RTP-Madeira passada no dia 28 de Novembro de 2012.
Blá, blá, blá , blá... religioso
À medida que se desenrolava a reportagem pensava comigo, "tirem-me deste filme". Uma imagem péssima da religião e do cristianismo. Tudo idêntico àquilo que a Igreja Católica se farta de criticar nas seitas religiosas. Um mau serviço se prestou à oração e um horrível trabalho da RTP-Madeira, um mau momento de televisão e de religiosidade. 
A RTP-Madeira, fez um alinhamento apocalíptico, primeiro passa uma reportagem sobre uma crendice infantil com balelas proféticas sobre as catástrofes pelo meio e  a seguir um programa com especialistas que apresentam dados e opiniões científicas sobre as alterações climáticas. Mas o que é isto? Onde estamos? - Nos antípodas da humanidade e da religiosidade. Por isso, grave, muito grave porque se prestou um péssimo serviço a quem deve estudar com seriedade e cientificamente os fenómenos que têm assolado a Madeira e mundo. As balelas religiosas ditas na reportagem como profecias, são de uma infantilidade impressionante e revelador de pura ignorância.
Blá, blá, blá , blá... religioso
Os vários protagonistas deste «filme» são de um vazio tal que nos fez sorrir compassivamente. Senti pena, muita pena de toda esta gente que reza de braços elevados para o alto, que se submetem ao jogo da emotividade, à exploração da afetividade, à teatralizada da missa que oferece um tijolo a todos fiéis, ao exagero das bênçãos, aos delírios para não dizer loucuras pessoais que são apresentadas como experiências místicas e a certeza da presença de Deus...
Tudo o que fazem as seitas religiosas há muito tempo, coisa que se deve elogiar a qualidade com que fazem esta metodologia, estes grupos da Igreja Católica que fazem os mesmo não passam de singelos imitadores e submetem a um ridículo que nos comove e não passam de aprendizes.   A seguir os milagres a pacote que consolam e são prova da existência divina e, finalmente, tudo tão pobre de Deus e do Seu verdadeiro Espírito Santo, que nos leva a perguntar onde anda nestes grupos Jesus de Nazaré? Aos padres e bispos, de quem se espera inteligência e sabedoria, alimentam esta pobreza, fixados na ideia de que se «restaura» alguma coisa. Andamos muito pior do que eu às vezes penso... 
Blá, blá, blá , blá... religioso
Blá, blá, blá , blá... religioso
Esta pobreza de ser cristão e de ser igreja, felizmente, só reúne entre nós cerca de mil pessoas. E pelo que se viu e se falou, que foi nada, um blá, blá, blá, blá, blá (...) religioso perigoso, que gera confusão nas pessoas e faz regredir imenso quanto ao ser igreja que se deve procurar fazer a partir do Evangelho de Jesus de Nazaré e à luz do Concílio Vaticano II. Foi dito que estes grupos "restauram" o melhor da igreja, meu Deus, se esta salada russa de religiosidade pretende ser alguma coisa de mudança na Igreja e de transformação do mundo estamos feitos. Ainda bem que a Igreja Católica é muito grande e abriga oceanos imensos de diversidade que são o sinal mais que suficiente para acreditarmos na eficácia da acção do Espírito Santo da Santíssima Trindade, que Jesus de Nazaré nos revela como «um Deus» contra todas as formas de opressão e de manipulação da dignidade humana.
Quanto às profecias não passam de blá, blá, blá, blá religioso. Tudo um trapiche religioso que não representa nada, mas que encanta alguns excelentíssimos zarolhos da Igreja Católica que se perdem neste folclore pobre de Evangelho e de Jesus Cristo. 
Bom, fica o «filme» sobre uma realidade que a Igreja Católica tomou como imitação das seitas religiosas, com a qual gastou pensamento, reflexão, tinta e tempo a estudar e a produzir imensa doutrina «contra» para esclarecer e pensávamos nós nunca viria a fazer o mesmo que criticou, mas nada disso, faz da pior forma, numa reles imitação. Ficará esta reportagem para a história, a minha história, como o «tesourinho» televisivo mais deprimente que os nossos olhos no ano de 2012 viram.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Porque estamos no ANO DA FÉ

 O que a fé não é (7)
A fé não é a solução para todos os problemas
Esta fórmula é muito interessante, porque toca naquilo que mais serviu/serve para atacar os crentes e até mesmo para os próprios crentes também tantas vezes se verem confrontados e se lamentarem perante os insucessos. Se acredita porque tem problemas? Se tem fé porque não encontra uma solução rápida para os seus problemas e dificuldades que vai encontrando ao longo da sua vida? Se acredito tanto em Deus porque me aconteceu isto? Porque morreu o minha mãe, o meu pai, um filho ainda criança… Porque sou vítima de tantos azares no meu dia-a-dia? - Tantas questões que ora são colocadas pelos próprios crentes, ora pelos que não acreditam para ridicularizar ou atacar quem tem fé.
Nada disto é dramático. Há é um tomar a fé de forma errada, isto é, coisificada como se fosse algo deste mundo. A fé não é a solução para todos os problemas, mas antes um caminho, um acolhimento, que anima na esperança e remete a pessoa humana para a transcendência, para Deus. Nisso encontra forças dentro de si para enfrentar os problemas e serve sempre para descobrir sentido para a vida e para a morte.
A fé não é garantia de solução imediata para os problemas, não é um xarope, uma aspirina que imediatamente alivia as dificuldade e os desafios da vida. Na fé cada crente descobre-se na relação da amizade com Deus, eleva-se da miséria deste mundo e procura a libertação de tudo o que seja opressão, todas as vias e meios que conduzam ao amenizar do seu sofrimento e dos outros. Numa palavra, o crente descobre-se um com todos no abraço da transcendência.
A fé não livra ninguém de nada desta vida material, até pode ser que o crente seja o que tem menos sorte, aquele que experimenta mais problemas, mais injustiças, mais sofrimento... (Tudo isto é sempre muito relativo e subjetivo). Porém, nessa circunstância o crente descobre-se como pessoa, é gente criada e amada por Deus, em Quem encontra dinamismo interior para vencer. A fé não é o remédio para todos os males e com essa qualidade interior os problemas podem mais facilmente serem ultrapassados e a luz interior pode ser mais intensa para que a solução apareça mais rapidamente e com mais qualidade.
Não será por acaso que cada vez mais se vá percebendo nos lugares dos cuidados de saúde que a dimensão espiritual tem um papel cada vez mais relevante. São cada vez mais os agentes de saúde que me vão dizendo que é mais fácil tratar um doente com fé do que um que não a tenha… Só isto parece dar resposta a quem tantas vezes acusa os crentes de serem uns simplórios que perdem tempo a acreditar em realidades que não existem nem dão garantias de nada.
 A fé reduzida a coisificação não serve para nada, mas trabalhada pela maravilha do dom de Deus, faz viver a vida com problemas ou sem eles na serenidade e na paz.  

terça-feira, 27 de novembro de 2012

«Não vale a pena perder tempo com fantasmas»

Farpas
Foi a mensagem principal do Congresso do Partido Social Democrata da Madeira, dita pelo líder nacional do PSD, que também é Primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho. Fiquei encantado com esta frase, serve para exorcizar todos os fantasmas que nos últimos tempos nos andam a perseguir.
Quando feito o anúncio da vinda do líder do PSD ao Funchal botar palavra no congresso dos laranjas de cá, ainda pensei no que poderia servir esta visita ao Funchal senão para levar em cima uns apupos e ouvir uns mimos de alguns que andam ressabiados com a «santa» austeridade e com os políticos que desgovernar isto, especialmente, o cabecilha Pedro Passos Coelho. Ora se o sr. ia ouvir poucas e boas, mas as previsões de tempestade reteve em casa todas as pessoas.
Foi bom assim, porque o homem manteve a serenidade e ainda disse algumas para os de cá ouvirem e meterem a viola no saco quanto a algumas coisas do costume, por exemplo, a independência da Madeira e a revisão constitucional. E fica esta frase como o melhor que se podia ouvir neste momento, «não vale a pena perder tempo com fantasmas».
Não podemos estar mais de acordo e radiantes com tão sábia conclusão. Para que serve perder mais tempo com gente que não sabe uma série de coisas elementares para uma boa administração do bem comum e que fecha os olhos a tudo o que seja grito de sofrimento, de fome e de miséria sob o jugo terrível da dupla austeridade?
Os fantasmas persistem entre nós, não merecem que se gaste tempo nenhum. As incongruências de máximas relacionadas com a tolerância, a transparência, a pluralidade da comunicação, a democracia dentro e fora dos partidos, o desrespeito pela crítica, a loucura dos gastos em obras desnecessárias em linhas de água, na costa marítima e em locais perigosos ou em reservas da natureza que deviam merecer um grande respeito porque a natureza é um bem de todos e quando violentada, alterando-se as suas regras põe em causa a vida e os bens de todos. Não digo que estes assuntos por si não mereçam todo o nosso empenho, atenção e reflexão. O que não merece atenção nenhuma e que não se gaste tempo, são os delírios de doutrinas que se tem produzido para violentar e falar de coisas que não se leva à prática. Não passam de fantasmas que atormentam a solidão de muitos que na sombra do poder pensam ser os únicos esclarecidos, os sábios que nasceram para serem os salvadores do mundo, os iluminados de coisa nenhuma que não respeitam as mais elementares regras da democracia e depois soletram doutrinas de como se deve ser democrático e de como se de levar à prática a doutrina da tolerância, o bom governo da coisa pública, a pluralidade de algumas coisa, o respeito pelo diferente e tanto blá, blá que se vai ouvindo... E que nos torra a paciência.
Agora sim, chegou a hora de concentrar esforços numa luta sem tréguas contra tudo o que ainda faz valer o mundo pela injustiça. Vale a pena sonhar e fazer esforços para ser possível uma sociedade mais fraterna contra todos os poderosos (vergando-os ao crivo da lei) que tomaram de assalto os bens universais e os açambarcam para dar alimento à sua ganancia, mesmo que com isso tenham produzido uma multidão de pobres atrás de si. Os fantasmas, das grandezas exacerbadas deve ter um fim, e já, antes que seja tarde de mais.
A frase de Pedro Passos Coelho, não poderia soar melhor e mesmo que corresse o país inteiro e a pronunciasse à saciedade por todo o canto não poderia surtir tanto efeito como cá. Porque a nossa terra está envolta em terríveis fantasmas que fazem tremer imensa gente. Os fantasmas estão por todo o lado e amedrontam todas as classes sociais. Ninguém escapa aos uivos fantasmagóricos que nos ensurdecem de dia e de noite. Neste sentido, Pedro Passos Coelho, veio até nós dizer-nos o melhor da festa, mas lá que deve ter feito ranger os dentes a alguns anfitriões, lá isso deve e não foi nenhum fantasma que me garantiu esta convicção. Bom, vamos empenhar-nos nas coisas boas da vida, porque não «vale a pena perder tempo com fantasmas». Com toda a razão! 

domingo, 25 de novembro de 2012

Para que serve assustar as pessoas?

O que se passou nas últimas horas entre nós é muito grave e deve servir de lição para o futuro. As entidades responsáveis pelas previsões meteorológicas e outras intensidades responsáveis pela coisa  pública, deviam ter mais cuidado na forma como fazem os anúncios de mau tempo. A Madeira tremeu durante dois dias, não porque o frio seja coisa por aí além, mas de susto e de expectativa à espera do que aí vinha, uma tempestade pior que o 20 de Fevereiro. 
A Madeira parou, as actividades de todo o género foram canceladas, as pessoas andavam tristes e recolhidas em casa e alguns até pernoitaram sei lá onde, em hotéis, pensões e na casa de amigos e familiares... Bom, fizeram, exactamente o que se lhes pediu, ficaram em casa fazendo a vida normal. Como se pode fazer a vida habitual preso em casa? - Levantou-se uma paranóia que considero grave. Até parecia que era a primeira vez que vinha chuva e vento entre nós. 
Quem provoca isto não está ver o alcance da gravidade da coisa. Um dia destes fazem mesmo uma previsão que resulta certeira e porque ninguém os levou a sério, então sim, teremos consequências graves. Mais, tudo isto acontece porque de facto ninguém está preparado para as catástrofes e, mais grave ainda, especialmente quem devia estar, as entidades públicas, que se fartam de fazer graves asneiras contra o ambiente e depois ficam aflitos quando parece chover um pouco mais fora do normal. Façam-me um favor, deixem-se de teatros e respeitem o ambiente, não façam da natureza um chinelo em nome da ganância, do lucro desenfreado, prepararem-se devidamente para o ano inteiro, para a chuva e para o calor. Quando tal acontecer, vamos encarar com serenidade e calma tudo o que vier porque estamos devidamente preparados. Precisamos desta maturidade. Toda a vida houve ondas de  calor e tempestades, tremores de terra... Coisas que pouco tempo antes de acontecerem ninguém as previu, a natureza estava na mais perfeita normalidade, às vezes até surpreendentemente dá-nos um quadro belo e sereno. Por isso, para quê este rodopio desnecessário. Insisto, estejamos preparados, aliás já é um princípio evangélico: «Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora...» (Mt 25,13).
Penso, que é tempo de irmos perdendo esta paranóia do 20 de Fevereiro... Até agora nenhuma entidade conseguiu prever o verdadeiro alcance das tragédias. Foi assim com o 20 de Fevereiro e agora com as derrocadas do Seixal, Ribeira da Janela e Faial. Estas coisas acontecem no mais cruel inesperado e disso ninguém nos livra. O melhor estarmos permanentemente preparados. Não há volta a dar.  

sábado, 24 de novembro de 2012

Povo nobre e valente já era


Como podemos estar bem-dispostos
Até soaram os sinos a rebate ante a injustiça
Que fizeram ao povo trabalhador deste país
O fardo carregado de mais e mais impostos
Faz a tristeza ornamento aos simples nos rostos.

E no alto dos seus pedestais riem e soam o canto
Os poderosos em feliz descanso sem consciência
Porque lhes faz falta roubar à mesa o pão
A quem trabalha com suor e pranto
Mas de salário e justo valor sai o pior espanto.

Infeliz faz-se Portugal em défice sem piedade
Morre a esperança aos jovens e a todos
Pois que nos garantem estes injustos roubos
Senão pobreza, fome e falta de oportunidade
Má sorte a nossa com políticos que se vestem de vaidade.

Dos apertos que nos fazem mais nada direi
As loucuras de mentirosos sem escrúpulos
Que sugam o povo o quanto podem com enganos
Para as suas asneiras e desmandos não há lei
Porque se protegem a ferros disso eu sei.

Ah nobre povo nação valente canta o hino ao tempo
E agora que dizes de ti mesma nesta hora triste
Solta as amarras do medo e vai para a rua
Gritar bem alto mesmo que ao vento
Não te aprisiones no marasmo sonolento.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Banco Alimentar da Madeira

Amigos, começa hoje a campanha online para «O Banco Alimentar Contra a Fome (BACF)». Apesar de tudo o que se tem passado, vamos pensar nos mais necessitados, os pobres, os esfomeados da nossa terra. 
Vamos tentar não permitir em nós alguma revolta e alguma má vontade contra o BA e contra algumas instituições de solidariedade que proliferam por aí que são autênticos negócios para meia dúzia (uma coisa são as pessoas que representam mal as instituições, outra são os utentes que são servidos por tais instituições, tentemos nos concentrar nestes  últimos)
Por isso, vamos na medida das nossas possibilidades contribuir para o Banco Alimentar da Madeira. Sempre digo que não precisamos de dar muito, mas se forem muitos a dar, o bolo aumenta significativamente e assim sem sobrecarregar ninguém estamos todos na mesma causa, pensando nos nossos semelhantes que caíram na fatalidade da pobreza, da fome... 
Este ano esta partilha do inverno para o BA, deve ainda ser maior porque a verdadeira indignação e revolta que nos assiste não é contra ninguém, mas contra este mundo, esta sociedade, esta humanidade que teima numa organização de um mundo que em fez de produzir gente com dignidade e feliz, produz pessoas pobres e infelizes. É contra isto que estamos e deve ser contra esta injustiça e má distribuição da riqueza que devemos levar a efeito uma luta bem determinada. Tenho vergonha de viver num país que apresenta dados que nos revelam ser o pior país da Europa no que diz respeito má distribuição da riqueza. Que Deus nos inspire e nos ajude a lutar contra isto. 
Neste site podemos dar alimento a esta ideia da partilha e da solidariedade: www.alimentestaideia.net 
A recompensa virá de Deus e da paz que o coração encontra quando fez o gesto da partilha. Fazer o bem sem olhar a quem, é o que nos deve orientar e dessa forma cada um pode ser sinal de Deus e militante empenhado na construção de um mundo mais amigo, fraterno e justo. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O que é o Reino de Deus?

Comentário à Missa do próximo domingo
Solenidade de Cristo, Rei do Universo
Ano B - XXXIV Domingo Comum
Jesus, por fim, assume que é Rei, como diz Pilatos. Não um rei dos jogos do poder, da corrupção e do domínio sobre os demais. É o Rei da verdade, da beleza e da bondade só isso diz tudo. Quem segue este valores, pertence ao seu reinado.
De que se trata esta realeza? - Trata-se de uma realeza ao contrário. É um reinado do avesso. Nada tem a ver com a realeza dos reis deste mundo. Não se trata de um Jesus Rei, rodeado de gente importante, exércitos ávidos de combate e de poder. O Reino de Jesus é antes dos famintos, dos que têm sede e fome de justiça, dos peregrinos, dos sem roupa, dos desempregados que são tantos entre nós e que é a pior das tragédias que se abateu sobre as nossas famílias, dos doentes e dos prisioneiros... Jesus é rei da possibilidade da justiça e do amor que deve ser dado gratuitamente a quem a vida devotou á desgraça, ao sofrimento. Porque são estes de quem ninguém quer saber. Os habitantes da margem são as multidões abandonados pelos poderes deste mundo que se plantam em poltronas douradas para dominar, servir-se e servir os seus familiares e amigos.
Nietzsche, no seu «Anticristo», proclamará que o «Reino de Deus» é uma «lastimável mentira», que serviu para a Igreja fixar os seus valores que chama «vontade de Deus». Nisso consistia o domínio e o poder da Igreja. Neste sentido, para este autor o Cristianismo é uma religião da «decadência» e não da libertação da humanidade. Em muitos momentos da história da Igreja e ainda nalguns meios da Igreja na actualidade devemos dar razão ao autor de «Assim falou Zaratrusta». Mas, de acordo com o sentido do Evangelho e a postura de Jesus, descobre-se um sentido cheio de libertação no Reino de Jesus. Por esta verdade, Jesus estende os braços na Cruz, como um derrotado humanamente falando, mas do ponto de vista espiritual, Ele vai até ao fim pela verdade que salva.
A aparente derrota de Jesus é a lógica do poder posta do avesso. Jesus é um Rei que não se coaduna com as injustiças sociais, pessoais e institucionais. A sua morte na Cruz é o resultado da sua acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor. É o preço a pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo. Na escola de Jesus, só se ensina uma única matéria: o Reino! Este Reino que se aprende da vida e do exemplo do Mestre. O exemplo de Jesus e a Sua vida radicam na partilha que resulta na fraternidade, na amizade e no amor ao próximo. É este Reino que sonhamos para o mundo, o nosso mundo. Urge acabar com a lógica do domínio do forte sobre o mais fraco, é preciso acabar com a ganância geradora de pobreza. Urge semear a vida para todos. Urge considerar cada um como um ser único e digno de ser amado, como fazia Jesus.  

A virgindade de Maria e o Presépio

Delírios religiosos

A notícia resume-se a isto: «Papa reafirma virgindade de Maria e diz que o burro e a vaca não estavam no presépio».
Mas o que é isto? – Bom, delírio, só pode.
Não podia haver alguém lá pelo Vaticano que dissesse ao Papa que este tema da virgindade de Maria não interessa a ninguém? Que hoje é um trabalho inglório explicar a um jovem normal que uma mulher que teve um filho continua a ser virgem? – Um tema que não interessa a ninguém…
Como eu gostaria de ouvir do Papa o seguinte. Irmãos de todo o mundo, Nossa Senhora, a nossa mãe do céu, Maria de Nazaré, foi a primeira e principal Apostola de Jesus, tantas vezes no Evangelho toma a dianteira, achega-se à frente. É o presépio onde Maria assume um grande destaque, senão o principal. As Bodas de Caná. Maria junto à Cruz. Parece ter liderado todo o processo do milagre de Pentecostes… Apenas alguns só para vermos que a sua condição de apostola se destaca no Evangelho e a «nossa» Igreja Católica dá importância quase nula a esse aspecto, porque quer manter o lugar da mulher na Igreja exactamente como está, na limpeza das igrejas e a colocar flores nos altares. Os homens é que mandam e exercem o poder. Assim, devemos sempre reafirmar Maria sempre virgem, e quiçá quase assexuada, uma mulher pacífica que recolhe as migalhas que a hermenêutica do poder continua teimosamente a tirar equivocadamente do Evangelho.
O burro e a vaca não estavam no presépio.
É caso para perguntar para onde foram os raios dos bichos?
Mais um tema que não interessa a ninguém. Só como gozo e diversão de Natal. É triste que alguma da «nossa» Igreja Católica se preste a isto.
Os tempos são de tirar. Então, toca a tirar o que restava na liturgia cristã que convidava ao respeito pelos animais. Parece que não, mas os animais no presépio sempre lembram que fazem parte da criação e devem por isso ser respeitados. A simbiose da criação faz-se com os animais e eles estão aí presentes no sinal da redenção da criação, o presépio, para que sejam um alerta contra todas as barbaridades que se cometem contra os animais. Os massacres constantes que se vão dando por todo lado contra os animais encontram agora mais uma justificação para espalharem o seu veneno bárbaro.
São Francisco, a quem se atribui a fundação do presépio tal como o tínhamos até hoje, deve ter entrado numa depressão impressionante. Porque nisto de se retirar os animais do presépio, vê-se violado o seu encanto pela natureza ao ponto de nos ensinar que pode ser possível estender a fraternidade com toda a natureza. Daí que hoje, os tempos da ecologia, São Francisco seja o modelo e a inspiração de todas as acções a favor do respeito pela natureza. Dirá o Santo dos pobres, «ó irmão burro e irmã vaca, perdoem-lhes porque são delírios do tempo da crise».
Mas, falta ainda decretar como dogma que afinal Jesus nasceu num palácio, tipo a mansão chefe da Iurd, o Bispo Edir Macedo, cujas imagens têm circulado na Internet.  Ou então, num palácio como o do Vaticano, onde está a residência dos Papas e que tinha uma vida luxuosa como tem o Papa, os cardeais e alguns bispos e outros senhores do tempo, que ao abrigo do templo, vivem como grandes reis todo-poderosos.
Poderia ajudar ainda a crescer na fé o nosso mundo se fossemos capazes de criar uma mansão colocando lá dentro todos os objectos de arte que os museus do mundo albergam, que resulta do engenho da humanidade de todos os tempos e numa poltrona revestida com todo o ouro das igrejas do mundo nascia Jesus de uma mulher virgem, que sempre foi virgem antes da concepção, durante a gravidez - facto que a liturgia diz ter sido nove meses, mas fico agora com sérias dúvidas quanto a isso – e mais extraordinário continua virgem após o nascimento.  Ámen. Assim sim… Vamos ter um Jesus mais de acordo com a sua altíssima dignidade divina, porque ele ser humano e ainda para mais pobre, nascido num estábulo entre animais é ofensa que brada aos céus.
Por aqui vamos continuar a fazer o presépio como sempre fizemos, nenhuma figura ficará de fora do seu lugar e se for possível ainda vamos colocar mais alguns animais para que se mostre claramente que não precisávamos que ninguém nos tire tanto, ainda para mais vindo de quem vem, o Papa. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O ANO DA FÉ


O que a fé não é (6)
A fé não é uma muleta
A não é uma muleta. Nalguns momentos pensou-se que a fé seria uma muleta para os fracos. Todos os que fossem diminuídos de inteligência, ignorantes, doentes, pobres, fracos em alguma coisa, recorriam à fé como uma muleta para os safar do seu caminhar cambaleante. Quanto pensamento gasto a engendrar que a religião só seria para pobres e fracos…
Ao lado desta visão criou-se a ideia que os intelectuais, os sábios, os inteligentes, os ricos… Não precisariam dessa muleta, então podiam, recorrer a outra condição para se situarem na vida, dizem-se orgulhosamente agnósticos, ateus, indiferentes, confessos de alguma expressão religiosa, mas não praticantes. Visto pelo mesmo prisma de que a fé pode ser uma muleta, também estas expressões podem ser uma muleta. Qualquer coisa que se assuma na vida pode ser uma muleta. O que importa saber é como cada um se situa face à religião que professa e face ao agnosticismo ou ateísmo ou indiferença que diz assumir para a sua vida.
Para o assunto em causa o mais importante será compreender que a fé não é uma muleta em nenhuma circunstância, mas um caminho que em nenhum momento recusa a dúvida e o pensamento como procura fundante deste acolhimento para servir a construção deste mundo.
Em qualquer circunstância o que se exige é que as pessoas sejam sérias, se a fé está unicamente apenas para quando surgem os insucessos e as frustrações e a ela se recorre como último recurso para a cura, estamos aqui perante uma muleta. Se o agnosticismo, o ateísmo e a indiferença servem para manifestar superioridade acusando os de terem a fé como muleta, estamos também perante muletas que dão imensa utilidade à arrogância. Nenhuma condição deve servir para acusar ninguém nem para fazer da existência pessoal a única forma para ser e estar no mundo.
Na diversidade dos caminhos se levados a sério e se induzem à luta pelo bem comum, são meios excelente e eficazes para a construção do mundo naquilo que mais se espera que aconteça. Que nele habite uma humanidade fraterna, amiga e empenhada na construção da beleza, da bondade e da verdade.      

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Este país não é para pessoas

Dia de farpas 
Ao que chegamos… A um patamar que nos leva a dizer esta barbaridade. Estamos num país que não é para pessoas. E quem diz um país diz a nossa região, que continua no desmando de levar adiante políticas esbanjadoras de dinheiro. Teimosamente erguendo obras desnecessárias, cortando nos bens essenciais da saúde e da educação. Mas, mantendo escândalos como o ex-Jornal da Madeira, as chorudas subvenções aos partidos sentados na Assembleia Regional e o insultuoso acumular de salários e reformas de alguns privilegiados desta pseudo-democracia.
Um país/região de onde se diz que já não é governado, mas desgovernado por gente que se plantou nos cargos políticos para beneficiar os familiares, os amigos e os militantes (os bajuladores ou os lambe botas dos sortudos que chegaram a chefes) do seu partido. Face a isto não nos pode saltar senão esta palavra, desgoverno. Mais ainda se considerarmos que todas as medidas levadas a cabo não pensam nas pessoas, nas famílias, nas crianças, nos idosos, e nos jovens que mergulharam no pecado de serem jovens sem oportunidades de emprego e com um futuro mais do que ameaçado pela terrível incerteza.
O país/região inteiro está rebentado, falido e sem horizontes nenhuns. Responsáveis? - Alguns preferem dizer que fomos todos nós, o povo português. Nada disso. Quem destruiu tudo isto foram os mesmos que se apresentam para salvarem. O destruidor nunca pode ser salvador. Porque falham em toda a linha. Onde deviam cortar não cortam. Mantêm todas as mordomias que ainda os assistem. Como se pode compreender que os ministérios no Orçamento de Estado levem uma fatia de dinheiro com um aumento em relação aos anos anteriores? - Incompreensível, quando se antevê mais cortes em sectores essenciais para a sobrevivência das pessoas, um aumento colossal de impostos em toda a linha e que vai provocar ainda mais desemprego, mais pobreza e fome. Tudo errado e tudo contra as pessoas.
O que mais se percebe é que promessas que estes desgovernos vão fazendo merecem a dose de desconfiança na proporção que não são cumpridas. Um horror ouvir-se estas pessoas agarradas ao poder, porque mentem compulsivamente e sem vergonha, prometem mundos e fundos que depois descaradamente não cumprem, mudam ao sabor do que as forças externas, obscuras lhes impõem. Há uma ditadura de um capitalismo selvagem escondido que vai destruir isto tudo.
Entre nós, também continuamos a fazer da Madeira um lugar inabitável para pessoas. O orçamento aumenta o défice, mantém o escândalo ex-Jornal da Madeira em parceria com a Diocese do Funchal, 4 milhões para campanha eleitoral permanente e para a publicação de fotografias de algumas figuras da Igreja do Funchal. Também às vezes faz uns pequenos anúncios de coisinhas religiosas. Sem esquecer que também às vezes ataca ferozmente alguns padres e outros cidadãos com termos indecorosos.
Também mantém o luxo que alguns beneficiam insultuosamente com brutos salários juntando à acumulação da choruda reforma. Este bailinho só acontece na Madeira, porque sim… E ponto final. Nada disso, um insulto contra as famílias que estendem a mão à vergonha da caridade para matar a fome. Elas são famílias numerosas que sobrevivem com míseras reformas dos idosos ou de alguma empregada doméstica que aufere uma miséria de salário de 400 a 500 euros.
Esta miséria devia fazer parte dos orçamentos e devia pensar nas pessoas não só para lhes extorquir mais impostos, mas devia pensar criar oportunidades de emprego para que as pessoas pudessem ganhar o seu sustento com dignidade. Mas, parece ser mais fácil uns míseros donativos para a caridade. Coisa terrível, que está a gerar uma anarquia nunca vista. Todos os organismos sociais entraram nesta moda da caridade. Os partidos políticos foram os primeiros, uma parte da subvenção da Assembleia também vai para esse populismo perigoso que instrumentaliza os pobres, o que lhes permite se servirem de uma imagem para se promoverem.
Nesta coisa da caridade. A pior desgraça é que entramos na confusão generalizada das ajudas e da caridade. A vergonha de ser pobre nalguns meios vai acabando, o que é um bem por um lado, mas por outro, faz sair muita gente que se acomoda à condição de pobreza porque recebe o «peixe já cozinhado» de tanto lugar. Uma desorganização geral que conduz ao delírio uma série de entidades que deviam estar empenhadas na luta pela justiça e não pela caridade. Todas as organizações caritativas deviam ser provisórias e só existirem em determinados momentos, findos esses momentos começaria o tempo da justiça e da distribuição da riqueza de forma equitativa.
Porque a justiça e a distribuição equitativa dos bens não acontecem, então, reafirmo, este país, esta região cada vez mais se tornam lugares inóspitos para pessoas. Daí que se compreenda cada vez melhor a fuga de valores para o estrangeiro. Mas vamos pagar bem caro esta tragédia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Exposição multimédia da Bíblia em festa


Está decorrer na Diocese do Funchal uma iniciativa muito importante e seria deveras interessante se tomada a sério por quem a promove. Será mais uma coisa que vai passar sem que a opinião pública em geral se dê conta. Esperemos que quando esteja no Funchal tenha outro impacto e os temas sejam mais apelativos. É uma dor de alma notarmos que estas iniciativas interessantes por si mesmas, se reduzam depois sempre para os mesmos que estão mais que convertidos.
A iniciativa em si é de louvar porque está à volta de um bem essencial da vida cristã que precisa de ser estudado, rezado e vivido. De que falamos? – Falamos de um nome pomposo, mas salve isso, «A exposição multimédia da Bíblia em festa». Simplificando, neste momento está no Forum Machico uma Exposição sobre a Bíblia Sagrada. Sim, está neste momento, porque já esteve na Calheta na Casa das Mudas e a seguir a Machico virá para o Funchal. 
A exposição é interessante, é pequenina, não maça e condensa diversas opiniões sobre o encanto que a Bíblia suscita em todos os quadrantes do pensamento. Vai da literatura, ao cinema, à música, ao teatro, à política, à sociologia, à geografia e exalta a importância da tradução do texto bíblico na maioria das línguas faladas no mundo. Um percurso interessante e enriquecedor se reservarmos algum tempo para ver com olhos de ver, escutar com atenção e, sobretudo, contemplar.
Porém, temo que esta seja mais uma iniciativa como tantas outras que a Diocese promove que fica só e unicamente aos que já são católicos praticantes. Os mesmos de sempre. Por isso, lanço a seguinte questão, porque não se convidam pessoas dos diversos quadrantes da sociedade para falarem de temas actuais que se pudessem relacionar com os textos bíblicos? Ali os palestrantes, quase todos, são padres, o bispo emérito e alguns leigos mais que feitos nestas lides clericais. Os temas que vou apreciando situam-se neste domínio: «A Bíblia e os Direitos humanos» (onde se falou um pouco sobre a Bíblia e nada sobre Direitos os Humanos); «Envelhecer com a sabedoria da Bíblia» (um tema negativo, acho eu que seria mais convidativo saber-se como manter a juventude, a alegria, a esperança, a felicidade… com a sabedoria da Bíblia), este entre outros que pouco ou nada dizem às pessoas de hoje, porque se situam todos no passado. Fica apenas no foi bonito. E o resto…
Assim sendo, esta iniciativa seria muito mais interessante se fizesse a devida escuta sobre a actualidade e se estabelecesse diálogo com todas as forças vivas da nossa sociedade. Todos os campos da arte, da política, o mundo escolar (as escolas em geral e a Universidade). Assim, temos os mesmos conferencistas, com linguagem mais que viciada à partida, o mesmo público que merece todo o respeito, mas que se juntando o útil ao agradável podia ser muito mais abrangente.
Os temas podiam estar mais situados naquilo que são os desafios prementes do mundo de hoje. Um dos temas podia ser «a comunicação»; «as redes sociais»; «a educação»; «o desemprego»; «a pobreza»; «a falta de oportunidades para os jovens»; «as uniões de facto»; «a viragem e os novos modelos de vida familiar»; «as catástrofes e as pragas egípcias (por sinal um tema muito bíblico) que se têm abatido sobre nós»… Estes temas de hoje entre tantos outros que podiam ser debatidos à luz da Palavra de Deus, com crentes e não crentes, permitindo que um vasto número de pessoas dos vários sectores da sociedade, pudessem ser escutadas para que o leque de público se abrisse. Assim, tínhamos um debate mais vivo, mais rico quanto à mensagem bíblica para os tempos de hoje e que levasse a acções concretas que transformem o mundo.
Por fim, lamento que esta seja mais uma oportunidade perdida entre tantas outras que já decorreram e que vão decorrendo, só porque se tem medo de ousar outros campos do saber que hoje fazem pulsar o nosso mundo. 
As fotos são da exposição em Machico.

As mãos de Deus

Traduzo uma mensagem anónima que bem pode retratar aquilo que cada um de nós já sentiu alguma vez.
Quando observo um campo por lavrar, quando as alfaias da lavoura estão desprezadas, quando a terra está mal tratada, pergunto-me: Onde estão as mãos de Deus?
Quando observo a injustiça, a corrupção, o explorador do débil; quando vejo o prepotente a enriquecer às custas do pobre, do trabalhador ou do agricultor sem recursos para defender os seus direitos, pergunto-me: Onde estão as mãos de Deus?
Quando contemplo uma velhinha no esquecimento; ou os filhos órfãos de pais vivos sofrendo sozinhos no seu sofrimento, pergunto-me: Onde estão as mãos de Deus?
Quando vejo o moribundo na sua agonia cheia de dor ou observo o seu par desejando não vê-lo sofrer; quando o sofrimento é intolerável, pergunto-me: Onde estão as mãos de Deus?
Quando contemplo um jovem, outrora forte e decidido, mas agora embrutecido pela droga ou pelo álcool; quando vejo titubeante o que antes tinha uma inteligência brilhante e agora está em farrapos sem destino, pergunto-me: Onde estão as mãos de Deus?
Quando observo uma criança de madrugada a dormir à porta do centro comercial com uma caixa de pensos-rápidos por vender titiritando de frio ou quando a vejo a deambular sem alegria de viver, pergunto-me: Então Deus não faz nada?
Onde estão as Tuas mãos, Senhor, para lutar pela justiça, para dar um consolo, para resgatar a juventude ou para acalentar com ternura e amor todos os que sofrem?
Perante estas cenas, ó Deus, Tu não fazes nada?
E no meio deste desabafo, parece-me ouvir uma voz longínqua: “Como podes dizer que Eu não faço nada se eu te fiz a ti. As minhas mãos estão aí.”
E compreendo que as mãos de Deus somos TU E EU, SOMOS NÓS.
Dou-me conta que as minhas mãos estão vazias porque não dei o que deveria dar, não lutei o quanto podia nem amei como sabia.
O mundo precisa das mãos de Deus que se prolongam nas nossas mãos cheias de ideais, de coragem e de amor. Ele continua a sugerir. As tuas mãos são as minhas.
David Quintal

domingo, 18 de novembro de 2012

O que mais precisamos é de justiça

Nota do Banquete: texto publicado hoje 18 de Novembro de 2012, no Dnotícias, Funchal.

Por José Luís Rodrigues

Destaque Dnotícias: «Não insultem quem tem sobre a mesa do quotidiano a necessidade de estender a mão para matar a fome»

Está na «moda» falar-se de pobres, de pobreza, de miséria… Parece um desígnio, uma meta, uma missão. Dá a ideia que todos temos que estar envolvidos nessa missão e que tudo devemos fazer para atingir essa meta. Porém, não há volta a dar, pobreza é pobreza e não é uma coisa boa quando se trata de falta de bens essenciais para a sobrevivência.
Não precisei de ir à Grécia para descobrir que há miséria entre nós, porque, é miséria estar aí no lugar da escassez dos bens onde não existi comida para alimentar os filhos, é miséria viver num país/região onde chegam crianças à escola sem terem comido uma refeição decente e onde se empobrece em cada ano que passa porque temos um Estado que sobrecarrega os cidadãos com uma «enorme carga de impostos», porque isto é um desígnio de quem está no poder. Levar as famílias à pobreza é uma coisa boa, miséria é que é uma coisa má. Não consigo encaixar esta clareza na minha cabeça. Pobreza é miséria e ponto final.
Grave, muito grave é termos uma série de gente com altas responsabilidades públicas que vão dizendo o que se tem ouvido, às vezes roçando o insulto e a falta de respeito pelos cidadãos. Elas são altas máximas que têm animado a comunicação social e em especial as redes sociais: «temos que empobrecer»; «ainda vamos ter mais desemprego»; «vivemos acima das nossas possibilidades»; «temos pobreza mas não temos miséria»; «não podemos comer bifes todos os dias» (…), são estes alguns dos mimos que vão circulando na praça e que pretendem convencer-nos que o caminho é este e que os responsáveis por este caminho tomam-no como um desígnio, uma missão para nos tirar da «infelicidade» que é ter o necessário para viver com dignidade. Inaceitável. Insultuoso e totalmente contrário ao que devemos pretender. Por isso, tenho dito e volto a dizer com firme convicção que há caridade que é insultuosa para os pobres. Se houvesse justiça não precisávamos da caridade de ninguém e isto sim seria uma coisa muito boa.
Outro aspecto não menos grave é que algumas políticas enveredam pelo mais fácil, a caridade. Muito mal andamos quando o Estado disponibiliza dinheiro a rodos para as instituições de caridade. Ainda há pouco soubemos de um acordo entre o governo e estas instituições, que bafeja algumas com cerca de 700 euros por utente. Um mar de dinheiro que vai fazer com que alguns dirigentes das instituições brilhem e se apresentem como salvadores dos pobrezinhos. Tudo isto é inadmissível e este dinheiro devia servir para criar emprego, porque melhor do que dar o peixe já cozinhado, o Estado deve promover a justiça e os meios eficazes que ocupem as pessoas para ganharem o seu sustento com dignidade e não de mão estendida à espera da caridade alheia.
Saliente-se que algumas figuras que marcam a actualidade neste domínio, ganharam protagonismo e fama à conta dos pobres, isto a meu ver não é admirável nem devia encher as medidas de ninguém. A pobreza é um escândalo e uma desgraça para quem cai nas malhas dessa fatalidade. Por isso, é urgente uma luta sem tréguas contra todo o género de pobreza, que deve radicar em exigências duras em favor da justiça e não o rebuçado ineficaz que é muitas vezes a caridade. Estou concentrado na denúncia das causas que levam à pobreza e na defesa da justiça como caminho a ser seguido por todos para que as nossas famílias encontrem com o seu trabalho o sustento necessário para viverem com dignidade. Todos os que fizeram da caridade um negócio, um fim para singraram em protagonismo e construírem uma imagem confortável de mediatismo, por favor, não insultem quem tem sobre a mesa do quotidiano a necessidade de estender a mão para matar a fome. A meu ver esta é uma miséria horrível que brada aos céus e não estamos nada felizes com isso, mas devemos isso sim estar profundamente envergonhados.

sábado, 17 de novembro de 2012

Neste chão onde eu sou

Ensaio poético em volta...
Um espaço faz-se no chão
Porque celebro no pão
A fé que na educação
Uns pais que na pobre devoção
Me ofereceram em sentida oração.

Nesse chão fiz passos a caminhar
Nunca me deixei perturbar
Nem muito menos enveredar
Por estreitas formas de pensar
Ó sorte que é a liberdade de puder andar.

Neste feliz pensamento
Não vejo na paisagem tormento
Mas antes poder e alento
Para fazer do sonho deste momento
O desejo do bem trazido pelo vento.

Nesta consciência do bem
Nunca desejei para ninguém
Senão paz e saúde o que convém
Para que por mim vá sempre além
A justiça que de Deus vem.

Assim sou feliz nesta história
Feita de altos e baixos com memória
Até ao dia final da maior vitória
Da plenitude consagrada na glória.

Eis isto e muito mais no sublime
E em todo o perdão se redime
A inimizade que reprime
A oferta que no abraço se define.
José Luís Rodrigues