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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Aquele que está para além de todos os nomes conhece o teu nome


Há uma lenda do Oriente sobre um viajante que se dirigia para uma grande cidade. Uma noite conheceu dois outros caminhantes. Um chamava-se Medo e outro Calamidade. Calamidade explicou ao viajante que, quando chegassem ao destino, esperava-se que matassem 10 mil pessoas. O viajante perguntou à Calamidade se iria encarregar-se sozinho de toda a matança.
“Não, de todo”, respondeu Calamidade. “Eu só vou matar umas centenas. O meu amigo Medo acabará com os restantes.”
***
Quanto da nossa vida é morta ou roubada pelo medo? Não aqueles medos de coisas como um holocausto nuclear, mas medos pequenos e insignificantes que lentamente devoram as melhores partes da vida: Será que o novo professor me vai detestar? De certeza que eles vão gozar com o meu discurso? Vou reprovar no exame!
Mas o medo não é o único ladrão que se esconde dentro de nós. Há um exército inteiro de pequenos parasitas que nos podem enganar: ressentimentos causados por desfeitas ocorridas há muito tempo; zangas originadas por disputas fúteis; competição cruel por coisas secundárias; cortes de relações motivadas por teimosias acerca de questões irrisórias; deceções que debilitam toda a existência.
Como é que podemos escapar das garras deste ardiloso bando de gatunos? Podemos começar por fazer algo muito simples: levantar os olhos e olhar para o céu. Há 50 biliões de galáxias no espaço, algumas afastando-se de nós a milhões de km por hora! Com o telescópio Hubble podemos ver a luz que as estrelas mais distantes emitiram há 12 biliões de anos! Algumas já morreram há milhões de anos mas só agora é que a sua luz chega até nós. Parece que este imenso universo não tem fim, não tem margens, não tem limites! E ainda assim, com toda a sua vastidão e idade, não passa de uma criação, de algo feito por alguém.
E sobre este alguém, o Criador? Chamamos-lhe “Deus”, mas na verdade Ele é demasiado grande para ser nomeado ou sequer imaginado. Diante do Criador deste imenso e antigo universo, parecemos apenas pontinhos minúsculos. Mas mesmo assim Ele diz-nos que o nome de cada um de nós está escrito na palma da sua mão e que conhece todos os cabelos da nossa cabeça. Para além de toda a compreensão, chama-nos “filhos” e quer que façamos parte da sua família para a eternidade.
O que é que devemos temer? Se deixarmos que Deus seja Deus para nós, de que é que devemos ter medo? Quem nos pode tirar a vida? Ou a alegria? Ninguém, a não ser nós próprios!
Somos feitos à semelhança de Deus, com o poder de amar e dar vida e felicidade. O nosso trabalho para toda vida, cada um à sua maneira, é este: darmos a vida uns pelos outros tal como Deus no-la dá continuamente.
O nosso destino está para além de todas as expetativas humanas. Que neste dia e para sempre Deus nos ajude a ser fiéis a esse fim último.
P. Dennis Clark, in Catholic Exchange

1 comentário:

Patrícia Trindade disse...

Este texto é muito reflexivo. Lutar contra os medos, as angústias, as decepções é difícil. Todos os dias de nossa vida nesta Terra serão de lutas, de desafios e sofrimentos, mas se acreditarmos que Jesus está no controle de tudo, que nenhum fio de nossa cabeça cai se Ele não permitir, sobreviveremos perante qualquer obstáculo e contemplaremos a vitória. Mas precisamos depositar nossa fé em Deus.
Precisamos aprender com Santa Terezinha do Menino Jesus a ter uma infância espiritual, a não ter medo de nos abandonar nos braços do Pai, a ter confiança n’Ele e depender de Seu amor por nós. É preciso ter a certeza de que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,19). Assim, tenho certeza que teremos uma felicidade plena, real.