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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Porque estamos no Ano da Fé (15)

O que a fé não é 
A fé não é para condenar mas para salvar sempre
Não é legítimo que sejamos muito exigentes com os outros e que não sejamos capazes de viver isso que se exige. Ninguém tem autoridade para pedir aos seus semelhantes aquilo que não é capaz de fazer. De que nos vai valer manifestamos muitos escrúpulos e intolerância diante das atitudes dos outros se depois realizamos os mesmos atos despreocupadamente e sem pudor absolutamente nenhum?
Há uma história que nos dá uma lição interessante. O lobo pôs-se a repreender o rato dizendo-lhe que era um mau animal. E isto porque não fazia outra coisa senão roer sacos, caixas, pão, queijo e tudo o que encontrava.
O raro, depois de ouvir, respondeu: - Por que me falas assim, se tu és muito pior? Se eu como queijo, tu devoras um cordeiro; se eu me ponho a roer um saco, tu bebes o sangue de muitas ovelhas. Lembra-te de tantos pobres e inocentes animais que tens matado e não queiras dar lições de moralidade aos outros.
Conta-se que o lobo inclinou a cabeça e se retirou envergonhado dizendo para consigo: «Se me tivesse calado, não teria ouvido o que tive de escutar»!
No Evangelho, Jesus radicaliza o seu discurso para nos mostrar claramente que a nossa salvação só acontece mediante o amor com que aferimos a relação com os outros. A medida com que seremos julgados não será apenas numa vertente pessoal, isto é, não nos perguntará Deus qual a quantidade de missas que rezamos, os terços que percorremos e as promessas devotas que realizamos. A medida será de outra ordem. A pergunta que melhor define o nosso cristianismo será esta: «que fizeste ao teu irmão?...» Sim, porque a religião que Jesus nos oferece é a da relação e do encontro com todos como irmãos.
O cristianismo que nós professamos não é uma religião de simples seguidores de um plano ou projeto político ou social. É antes uma forma de vida que nos toca por dentro, porque nos convoca para o seguimento de uma pessoa concreta que nos fala e nos desafia para atitudes de amor, isto é, os outros deixam de ser apenas semelhantes, mas irmãos que devemos acolher e amar desmedidamente.
A linguagem de Jesus no Seu Evangelho serve para nos despertar para a dimensão essencial de Reino novo, que assenta numa irmandade, porque todos são filhos do mesmo Pai e abraçados pela mesma força espiritual que imana do coração de Deus, que se define por amor desmedido pelos corações abertos a esta possibilidade redentora.
Quer Jesus ensinar-nos, que diante de Deus mais vale não condenar e não julgar ninguém, porque no mundo não existe pessoa nenhuma que seja perfeita ou que não tenha defeitos. Devemos sim estar atentos às atitudes dos nossos irmãos e sempre que seja necessário procurar fazer o bem mesmo que a troca seja desagradável.
Não vale estar à espreita a ver quando acontecem falhas ou pecados para censurar e murmurar uns com os outros sobre a vida deste ou daquele. Pede-nos Jesus que sejamos misericordiosos e que não nos deixemos levar pelos instintos primários das emoções mais fortes, condenando e desprezando logo à partida tudo o que venha daqueles que estão à nossa volta, como se cada um de nós fosse o mais perfeito do mundo.

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