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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ressuscitar cada dia

Mesa da palavra
BAPTISMO DO SENHOR
I Domingo Tempo Comum
«O Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba». (Lc 16, 21)
Comentário à missa do próximo domingo
Arrumamos com cuidado o presépio, assinalamos na agenda as datas especiais e aniversários, preparamos a mente e o coração para os dias de austeridade que todos vislumbramos. Do «Jesus Menino» adorado pelos Magos saltamos com Ele para as águas do Jordão em que é baptizado. Como quase todos nós, ainda mal entrados na vida, logo a ser mergulhados na abundância de um amor imenso. E tantas vezes julgamos que isso foi há tanto tempo! Que do baptismo apenas ficaram as fotografias, a vela e a vestimenta alva e bonitinha!
E contudo o nosso baptismo, longe de qualquer ideia de magia, é um dinamismo de vida constante. Interpela a autenticidade do nosso viver, a grandeza dos nossos sonhos, a coragem nas dificuldades e a esperança contra toda a desesperança. Creio mesmo que é a sua força que nos leva a ressuscitar cada dia, como diz José Carlos Bermejo: «Cada vez que nos ‘pomos em pé’, ressuscitamos. Cada vez que conseguimos que triunfe a vida e o amor sobre qualquer forma de morte e limite humano, apostamos e experimentamos a ressurreição». Interessante este pensamento.
Uma das mais profundas experiências de ressuscitar é a do perdão. Jesus é indicado por João Baptista como o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Quer dizer, Aquele que perdoa! O que dá a possibilidade de curar as feridas, de reconstruir o que parecia condenado à morte, de manifestar a beleza, não de quem é perfeito, mas de quem pode aprender com os erros. Claro que o perdão é um longo caminho, e também passa pela morte, que o banho baptismal simboliza. A morte do orgulho e do egoísmo, a morte da auto suficiência e das aparências, a morte dos limites postos ao amor e dos sonhos que não vão mais longe. E toda a morte dói muito!
Sim, em pequenos e grandes gestos somos capazes de morte, mas Jesus também nos vem confirmar que somos capazes de ressurreição. “Nascer de novo”, pela água e pelo Espírito, como escuta, no meio da noite, Nicodemos, algo que não é distante de cada um de nós.
Agora chegou o momento de despertar da noite do Natal e encetar pelo ano novo fora atitudes que promovam o bem para todos. Basta querer, porque, querer é poder.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luis, Amigo e Irmão, gostei de ler o seu poético texto e de profundidade teológica. A vida é assim, numa repetição constante. Dizemos as mesmas palavras, percorremos os mesmos caminhos e, todavia, a novidade existencial só uma: DEUS. Eu creio N'Ele. O Baptismo é um ritual bonito se tiver aquela chama comunitária. Eu não fui baptizado para se não para pertencer a uma Comunidade Humana e Crístã. Saí do ventre materno embora com vida e envolvido nesse mistério que é vida para dar o salto para o Mundo. A Água envolve-nos em tudo.Na barriga da mãe, na que nos mata a sede, na que nos lava o corpo, na que nos dá beleza à Natureza, na que ferve com os alimentos, e Essa a que nos indica o valor do Espírito. Imbuído por Ele sou cristão pq amo e sou amor para os outros e outras. E para todos os seres que habitam na Natureza. O nosso corpo tem uma grande percentagem de água. No choro, na saliva, enfim tudo se intui nesse espírito aquífero. Só ela é quu purifica as impurezas. João foi o caminho para Jesus.Ele, João, é Água e Jesus é o Espírito renovador
E o nosso trajecto amoroso e vivencial é esse. Senhor, dá-nos sp a tua àgua para que sejamos limpos e não morramos desidratados do AMOR,da Verdade, e da Justiça.