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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Porque estamos no Ano da Fé (16)

O que a fé não é
A fé não é um seguimento de pessoas deste mundo
Quanta fé se baseia nas palavras doces, nas histórias mais singelas deste ou daquele padre? Quanta fé se baseia nesta ou naquela paróquia cujo pároco é assim ou assado porque agrada os sentimentos e legitima as teimosias e a vanglória de mandar? - Não nego que as pessoas devem procurar os lugares e as mediações desta igreja ou desta pessoa, mas que não o façam contra nada nem muito menos contra ninguém. Quem assim procede nunca assentará de uma vez por todas, porque ao mínimo desencanto ou contrariedade mudará outra vez para outro sítio ficando contra pessoas e contra comunidades onde estavam com tanto entusiasmo. A fé baseada em pessoas deste mundo, facilmente cai na frustração, no desencanto.
Neste sentido, só uma voz é segura de seguimento, a de Jesus de Nazaré. A voz de Jesus é uma voz que nos toca no mais fundo da existência e faz de cada pessoa humana, um caminho de realização do seu amor pela vida. A salvação não tem outra possibilidade senão essa do amor que Jesus nos oferece e nos manda viver em todos os momentos da nossa existência. Quanta fé sem Jesus e quantos seguimentos realizados com base na rama do palavreado e por aquilo que agrada aos olhos e aos ouvidos? – Esta é uma «fezada» que claramente está condenada ao fracasso.
No Evangelho de São João aprendemos esta condição formidável que Deus nos deu através de Jesus. Deus é Pai e tomou-nos a todos como seus filhos, deu-nos a vida eterna, nunca havemos de morrer, nunca sairemos da mão de Deus, fomos dados a Jesus – Filho de Deus – para que com Ele nos tornássemos também filhos muito amados deste Pai, que Jesus nos mostra. Por isso, Ele e só Ele é o único salvador e não há mais nenhum.
Outra coisa extraordinária que Jesus nos revela é que «Eu e o Pai, somos um só» – diz Jesus. Esta frase revela-nos como é forte a comunhão que existe entre o Pai/Mãe e o Filho. Até hoje nenhum filho foi capaz de pronunciar uma coisa tão sublime em termos de relação entre paternidade/maternidade e filiação. Só Jesus, porque sabendo de onde vinha podia pronunciar esta riqueza de relação entre pai/mãe e filho.
Como viver hoje esta intimidade com Deus? – É o próprio Jesus que nos vai ensinar. Todos os que souberem escutar a sua voz irão aprender o como viver essa intimidade de amor.
Mas a nossa vida, por vezes, está tão envolta em necessidades ou na falta delas que não nos predispõem verdadeiramente para o encontro da intimidade que Jesus nos oferece.
As tribulações da vida não permitem descobrir a verdade dessa descoberta que Jesus nos revela. Por isso, onde existe a teimosia soberba para a vivência constante do ódio e do rancor não pode haver lugar no coração para o encontro da intimidade de Deus nem pode haver predisposição para a escuta da voz do Senhor Jesus.
Jesus é o Bom Pastor, que nos chama e nos convoca para a verdade da vida como dom do seu amor. E aceitar este dom maravilhoso de Deus Pai, é acolher a verdade plena na nossa existência e, sobretudo, prepara-nos desde logo o caminho da eternidade. Pois, reparemos no que dizem as palavras de Jesus: «Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer». Esta certeza de salvação é pronunciada pela voz de Jesus, que se mostra mestre da vida e da libertação total de tudo o que ponha em causa o amor, a paz e a inquietação interior do pecado.
Tudo o que seja verdade radical do amor, nunca é demais para ser vivido no dia-a-dia, porém, não podemos dizer que essa possibilidade salvadora seja realmente fácil de ser vivida. Não, não é fácil enquadrar o nosso viver com esses valores que a mensagem de Jesus nos mostra, porque as circunstâncias do nosso quotidiano estão sempre marcadas por tantas tentações que nos desviam do caminho certo do amor e da felicidade. No entanto, nada de bom se consegue sem uma força de vontade interior muito grande. As coisas boas conquistam-se a pulso, com muita paciência e muita persistência. Os cristãos são chamados a serem gente de esperança e nada os deverá demover do caminho de Deus e do seu projeto de salvação.
É fácil ser enganado por charlatães ou por pessoas sem escrúpulos que não se importam nada com a distinção entre o que é certo e o que é errado. Assim, será sempre muito mais importante, cada um de nós escutar profundamente a voz da verdade e do amor que ecoa na montanha das Bem-aventuranças ditas por um único Mestre Jesus Cristo. 

1 comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Jesus á a única palavra com fé e amor
Não nego que uns padres mais do que outros vivem a Fé em Cristo com amor e que conseguem cativar as pessoas em torno dessa mesma Fé.

Certamente são menos vistos que os mais simples e outros tantos que dizem coisas sem pensar.

Felizes os que amam a Deus sobre todas as coisas e ensinam os outros a amá-Lo amando de igual modo o seu próximo.

Mesmo sem querer continuamos a atacar muitos padres e a seguir outros que nos sabem falar ao coração