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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Porque estamos no Ano da Fé (17)

 O que a fé não é

A fé não é sem o amor aos outros

O Evangelho segundo São João apresenta-nos o mandamento novo de Jesus: «Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros». Não é fácil cumprir este mandamento que Jesus nos manda viver. A nossa vida está tão repleta de tantas coisas complexas demais que se torna, por vezes, impossível corresponder ao mandato de Cristo. Todos temos experiências de relações com outras pessoas que nos marcaram profundamente para o bem e para o mal. 
No entanto, cada um deve em primeiro lugar ser capaz de acolher todos aqueles que Deus colocou na sua vida e amá-los profundamente. Dessa forma, já viveremos o mandamento novo que Jesus nos ensina. Os contextos mais difíceis do mundo são o melhor lugar para viver o amor.
Primeiro que tudo, devem estar no nosso coração todos os que a vida nos ofereceu como membros de família, do trabalho, da opção pessoal e de todas as caminhadas que realizamos. Logo depois, somos desafiados a viver o amor para com todos aqueles que se cruzam connosco no dia a dia.
A esta forma de vida não se chama ingenuidade ou inocência doentia, mas disponibilidade para a vivência da felicidade pessoal e dos outros. Não devemos aceitar todas as patetices e asneiras da humanidade ou da sociedade onde estamos inseridos, mas somos chamados a acolher, compreender e perdoar. O amor que Jesus nos manda viver como elemento essencial do seu Reino passa pela entrega ao serviço dos outros e pelo acolher a todos como irmãos.
O reino de Jesus Cristo está identificado pela fraternidade. Até podemos definir a religião cristã como uma fraternidade. Ninguém se pode dizer cristão se não vive a dinâmica da amizade e da abertura aos outros como irmãos como valor fundamental da sua vida diária. Talvez seja esta visão do cristianismo que nos leva a concluir que esta religião é difícil de se viver. No entanto, não devemos deixar que este pensamento nos atrofie a coragem ou a entrega à descoberta do essencial para a felicidade.
A descoberta do amor é um bem crucial para a realização de cada um como ser humano e como pessoa. Por isso, desistir de o procurar será como que dizer não à vida e ao que ela tem de mais belo. Deus, pela pessoa de Jesus convoca-nos para o ideal do amor e cada um de nós deve procurar corresponder o mais que puder para esse chamamento/apelo frequente de Deus.
As coisas boas da vida não são fáceis de conseguir e exigem sempre uma dose de persistência, boa vontade, de luta e de paciência para se realizarem como sonhamos e desejamos. Porém, nada nos deve demover deste ideal sublime que Jesus nos oferece. O cristão é aquele que se reconhece discípulo de uma pessoa que o chama em cada momento da vida para o ideal do amor, mas que se reconhecendo limitado procura não desistir de tentar enquadrar no seu viver a proposta do amor.
Todos só seremos verdadeiros homens e mulheres se soubermos amar sem condições a todos os que se cruzam no nosso caminho. Diz-nos claramente Jesus Cristo: «se vos amardes uns aos outros», conheceremos claramente o conteúdo e o significado da felicidade.
Nada nem ninguém deve sentir-se inibido perante o dom maravilhoso da vida e deve procurar conduzir os passos e as opções para o sentido do amor que salva e liberta da escravidão do desespero.
Só o amor salva e só o amor nos revela o conhecimento da verdadeira luz que nos guia na escuridão deste tempo de vida do mundo. O amor é o outro nome da paz. Por isso, serão bem-aventurados todos os que promovem o amor sempre para a vida toda e em toda a vida. 

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