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quarta-feira, 27 de março de 2013

A insustentável leveza do ser – a violência doméstica

Semana Santa - reacender a esperança
Esta insustentável leveza de tantos seres que no silêncio das suas habitações ora por medo ora por um statos quo familiar ou social, vergam-se pacientemente ao sofrimento e à dor das ofensas obscenas, dos gritos altíssimos, dos pontapés imprevisíveis, dos murros certeiros e de todo o género de violência. A vergonha para tantos.
Deste modo, definimos violência doméstica assim: é uma conduta que afecta todos os membros do núcleo familiar. É uma conduta ilegal e ocorre em todas as classes sociais. Os diversos testemunhos que nos chegam sobre esta realidade triste comprovam claramente que o quotidiano de muita gente está totalmente preenchido com violência a todos os níveis.
A violência doméstica envolve o mau trato psicológico, emocional, físico e o abuso sexual de um indivíduo a outro, os quais partilham da mesma casa e opção de vida.
Eis esse tenebroso ambiente de violência onde grita o silêncio e o anonimato, que escondem os insultos, os empurrões, as pancadas, os beliscões, as humilhações, as queimaduras, as patadas, as feridas, os ossos deslocados, os ossos partidos, as ameaças, o uso de armas, a morte... - Quem vai combater este cancro? Quem o denuncia? E quem pode fazer a justiça pelas vítimas desta tenebrosa realidade e contra os criminosos que impunemente a cometem?
A violência como se tem visto está a agudizar-se cada vez mais, de uma forma escalonada e muitas vezes termina com a morte das vítimas. A maior parte das vezes a violência conduz ao espancamento e aos insultos porque a falta de amor é outro elemento fundamental para qualificar esta realidade que afecta tantas famílias.
Assim, que se criem mecanismos cada vez mais aturados e eficazes de denúncia de todas as formas de violência, que os criminosos sejam levados às instâncias de justiça e que aí sejam reprimidos exemplarmente. Todos devemos ser intolerantes perante este malefício que tanta tristeza vai semeando e que a sociedade seja capaz de criar formas também eficazes que acolham e ajudem as vítimas a se levantarem do chão dessa humilhação. Precisamos disso e o futuro de todos nós assim o exige.
Os números divulgados ano após ano sobre a violência doméstica são já de bradar aos céus e revelam apenas a ponta de um iceberg ilimitado. O que fazer perante estas situações? - Pouco podemos fazer de concreto. Mas podemos todos investir na educação dos mais novos para que a descoberta do amor seja uma constante no coração de todos. A educação para o amor é fundamental, porque o amor não maltrata, o amor tudo pode e cuida sempre da «coisa» amada.

2 comentários:

Pramos disse...

Bom dia!
Sr Pe. José Luis
Que rica reflexão.
"Pouco podemos fazer de concreto. Mas podemos todos investir na educação dos mais novos para que a descoberta do amor seja uma constante no coração de todos. A educação para o amor é fundamental, porque o amor não maltrata, o amor tudo pode e cuida sempre da «coisa» amada."
No meu entender tudo se resume nesta afirmação.
Alguém disse no passado "EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO TEREIS QUE CASTIGAR OS HOMENS"
Que Deus me oriente sempre na educação do meu filho para que o "AMOR" no seu sentido pleno comande a sua vida.
Obrigada pela partilha.
Paulina

Amar para além da morte disse...

Podemos denunciar. Podemos deixar cair a velha máxima de que «entre marido e mulher não se deve meter a colher».
Se não metermos a colher, alguma outra coisa se pode meter (um cinto, uma faca de cozinha, uma arma de fogo...) de forma porventura dramática.
Deixemo-nos de hipocrisias: o que está, muitas vezes, na base deste "não meter a colher" é um grave pecado de omissão, é a dificuldade em vencer o desconforto, é a falta de uma consciência bem formada, é um profundo egoísmo. Porque, ao fim e ao cabo, vamos sempre "metendo a colher" noutros assuntos que realmente não nos dizem respeito mas que dão gozo comentar, maldizer...
E, afinal, será que não sentimos culpa nenhuma pelo assassinato de alguém cuja situação de perigo conhecíamos mas relativamente à qual nada fizemos? Só para não "meter a colher"?...
Os cúmplices têm uma responsabilidade e uma punição semelhantes aos autores materiais dos crimes... E o que seremos nós se tivermos conhecimento de casos de violência doméstica e não os denunciarmos?!