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sábado, 2 de março de 2013

Via-sacra

Para o fim de semana um muito curto ensaio poético para todos os leitores deste blogue...
A aragem que desliza faz frio o rosto
No caminho que faço em cada passo movimento
Quanto nos nossos olhos contemplo as flores que rezam
A oração do suave momento que se desvela na paisagem
- Ó milagre de alegria esfusiante e jubiloso traz os pássaros.
No encontro sentido do amigo veio o sol da palavra
Mesmo que soubéssemos distante essa presença
Bastou dizer o nome antigo que as encruzilhadas
Como um assombro edificaram as nossas casas
Mas não sei senão que nas paredes refletem
O mistério de uma ternura de luz
Que sempre reconcilia como o perdão de um abraço
Em cada estação da viagem perene do sentimento.
Nesta inquietude feroz que consome os campos
Ao abandono selvagem das ervas bravas e arrogantes.
Essas horas proclamam a solidão vertida na água
Dos riachos desregrada em poças mortas
Onde já não cantam as rãs porque é a noite do mundo.
Mesmo oculto o seu silêncio que foi maior no monte
Foi dito num testemunho solene e soberbo de martírio
Pelas árvores na paisagem que Deus oferece.
São o sinal da fé que vem do centro da palavra dom
Quando crucificada a injustiça dos grilhões da morte
No sofrimento divino que se ofereceu no frio da vingança.
A chuva naquela tarde fez cair nos pauis a esperança
Onde quase sempre semearam as lágrimas na terra molhada
Para termos nestas mãos que tocam agora o tempo
A fertilidade da semente em folhas
Que vieram preencher o coração em vida desabrochada.
José Luís Rodrigues

2 comentários:

Pramos disse...

Como leitora do seu blog agradeço-le este "ensaio poético.
Gostei muito.
Paulina

Graça Pereira disse...

Um poema para meditar.
Obrigada!
Abraço.
Graça