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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vamos à procura do Espírito Santo

Porque estamos, após a celebração da maior festa cristã, a Páscoa, no tempo do Espírito Santo, ensaiemos uma curta busca sobre o Espírito de Deus no pensamento de algumas figuras incontornáveis do pensamento cristão/teológico. Vamos a isso...

Karl Barth: «Pelo fato de que Deus se fez homem, o homem se tornou a medida de todas as coisas».
Teilhard de Chardin foi um dos poucos que viu claramente esta singularidade ao escrever: «Se nos é permitido modificar ligeiramente uma palavra sagrada, diríamos que o mistério do Cristianismo não consiste exactamente na Aparição, mas na Transparência de Deus no universo. Oh! Sim, Senhor, não somente o raio que aflora, mas o raio que penetra. Na vossa Epifania, Jesus, mas vossa Diafania» (Le Milieu Divin, Seuil, Paris 1957, p. 162).
Gustavo Gutiérrez sobre as causas da pobreza: «A partir do ponto de vista da fé, as causas da marginalização de tantos refletem uma recusa do amor, da solidariedade, e a isso chamamos de pecado».
Na Suma Teológica Santo Tomas é cristalino: «teologia é o pensar sobre Deus e sobre todas as coisas à luz de Deus».
Leonardo Boff: «O Ressuscitado e o Espírito chegam antes da Igreja e do missionário. Eles estão presentes na história humana, suscitando amor, bondade, perdão, enfim, a salvação em curso. Sem uma teologia do Espírito e do Ressuscitado (que assumiu a modalidade do Espírito) não se fará um dialogo fecundo com as religiões, com os movimentos históricos que buscam sentido e com as culturas. Fechados apenas numa cristologia do Jesus histórico sem incluir suas dimensões cósmicas advindas da encarnação e da ressurreição, não sairemos do sistema fechado da Igreja. E ela, pela ação das duas divinas Pessoas, se constitui sempre como um sistema aberto que dá e recebe, aprende e ensina e se compõe com a humanidade restante que se encontra sempre sob o arco-íris da graça divina.
Assim, é o Espírito que nos faz superar o sufoco que sentimos pelo peso das instituições eclesiásticas ou que areja continuamente a Igreja não permitindo que se auto finalize, mas que seja sempre sacramento, quer dizer, sinal e instrumento da salvação oferecida indistintamente a todos especialmente aos pobres e sobrecarregados pela vida.
O Espírito é a fantasia de Deus e como tal anima a teologia a ser criativa e a superar o seu engessamento nas tradições e nas doutrinas codificadas».

É o Espírito que alimenta a espiritualidade e nutre a experiência mística de perceber no curso da história humana e nas pessoas a ação divina, para alem dos limites institucionais das Igrejas e das religiões. E que seremos nós sem o «Ânimo» do pensamento latino ou sem o «dinamismo» do pensamento dos gregos? - Deixemos então que essa acção nos conduza, mesmo que enormemente misteriosa. 

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