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quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Corpo de Deus no coração da vida deste tempo

Mesa da Palavra
Comentário à Missa do próximo Domingo
Domingo do Corpo de Deus (Domingo IX Tempo Comum)
O Pão da Missa devia ser uma oferta adaptada a todos e cada um. Não devia ser oferta envolta com o mesmo papel, com o mesmo peso e com o mesmo volume. Não sei como fazer essa tal oferta variada para cada situação, tínhamos que pensar todos juntos. A Missa tal como nós a temos está muito igual para novos e velhos, para os de dentro e para os de fora. Como fazer da Missa a refeição onde todos se sintam participantes activos e onde todos se saciam abundantemente sobre a vida? 
Quando falo com os desencantados com a Igreja, dizem-me que a Missa está muito ritualista e muito medieval. De facto, as Missas têm pouco de encontro de irmãos. As grandes solenidades apresentam-se tão hierarquizadas que pouco têm a ver com a Ceia de Cristo. Precisamos não de muitas Missas, tal como se reduz a acção da Igreja actualmente, mas de Missas aqui e além, que sejam resposta à procura sobre o sagrado. Não precisa o mundo de Missas em quantidade, mas com qualidade.  O Papa Francisco já falou sobre isso. Obviamente, que falta reflexão séria sobre todas estas questões, mas a Igreja foge da reflexão e do pensamento como «o diabo foge da cruz». O que vejo com muita pena.
Agora é moda dizer que a Igreja não se submete às modas, assunto arrumado. É certo que o tempo da Igreja nem sempre é igual ao do mundo, mas foi esta Igreja que marcou o tempo e o ritmo da vida durante dois mil anos. O mundo mudou e a vida hoje corre a um ritmo acelerado sem precedentes na história. A Igreja ao recusar os contornos do mundo actual, limitar-se-á a ser um belo reboque, sem vez e sem voz no coração dos homens e mulheres deste tempo e do futuro. Pode vir a ser uma seita.
São vários os caminhos onde Deus não chega. Mas, sobressaem algumas experiências interessantes, onde a Missa se torna uma verdadeira festa: com as crianças, com os grupos de oração (p. ex. os grupos ditos carismáticos) as semanas de missão ou de evangelização e as novenas do Natal (as Missa do Parto) e das festas a Nossa Senhora e a alguns santos. Estes são ainda alguns oásis, falta muito mais. E acima de tudo falta coragem para fazer da Igreja o lugar do encontro dos irmãos. Falta uma revolução autêntica, para fazer da Missa o encontro de todos em igualdade de circunstâncias, sem fazer acepção de pessoas, porque, segundo São Pedro, o primeiro Papa da Igreja, todos os baptizados são sacerdotes e teólogos. Diz assim: «E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituírdes um sacerdócio santo...» (1 Pe 2, 5).
A nós, Igreja, compete fazer da Missa a verdadeira oferta de Deus, que dá sentido à vida, revela o mistério, eleva a humanidade, encoraja diante da miséria e garante, absolutamente, a vitória da vida sobre a morte. Deixemos os passos da fé seguirem adiante pelos caminhos tortuosos desta vida.

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