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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Papa Francisco: lua de mel ou lua de fel?

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Até agora, o Papa Francisco tem sido desconcertante: há muito quem o aplauda e outros que desconfiam do seu estilo.
Sempre que recebo por escrito informações ou opiniões anónimas vão direitinhas para o cesto dos papéis. O último dossiê que me enviaram era anónimo, mas apresentava uma coleção de sítios na Internet que tomei nota mas ainda não confirmei, por receio de algum vírus ideológico. Tudo apontava para um desajeitado chorrilho de acusações disparatadas de zeladores do templo que suspeitam do Papa Francisco. Advertiam que a sua eleição estará a aumentar os fumos do diabo na Igreja. Até metiam ao barulho Nossa Senhora de Fátima, descontentes por a Santa Sé dar por encerrada a revelação dos segredos que a Virgem confiou aos pastorinhos!
Era jovem, mas recordo-me bem do que se passou com João XXIII. Os mais papistas do que o Papa, naquela época, também diziam cobras e lagartos sobre o “bom Papa”, hoje, felizmente e como Deus quer, já beatificado pela Igreja que tanto ajudou a renovar-se.
Os mais críticos dos papas são - a história da Igreja o confirma - os que, antes, eram mais papistas do que o Papa. O amor ao Papa é das realidades mais ambíguas na Igreja, como pode ser equívoca a presumida obediência dos que juram fidelidade a tudo o que os papas disserem, se e quando lhes convier.
O que verdadeiramente me interessa nos Papas que já conheci, desde Pio XII, e agora no Papa Francisco que dia-a-dia mais aprecio e estimo, é que sejam fiéis a Jesus Cristo e praticantes dos valores evangélicos, com uma atenção preferencial, como revela agora o novo Papa, ao sofrimento dos doentes, à fome dos pobres e ao desamparo dos marginalizados ou excluídos. O que torna notável o Papa Francisco é que nos fale, nas palavras e nos gestos, como Jesus e nos ajude a viver como Jesus, ensinando-nos a simplicidade e a bondade do Evangelho. E está a ser mesmo um bom mestre da bondade e da ternura.
Para já, como diz a Rádio Vaticano, o afluxo de pessoas à Praça de S. Pedro, aos domingos e às quartas-feiras, é tão grande que até provoca caos na circulação nos arredores da Cidade do Vaticano. Isso deve-se ao Papa Francisco, que “veio do fim do mundo” e está a conquistar multidões de simpatizantes. Chegam ali crianças, jovens, adultos e idosos, tocados pelas palavras do pastor que conhece “o cheiro de suas ovelhas”. É um “pároco do mundo” que sente a necessidade de tocar os corações das pessoas e dizer-lhes que Deus é rico em misericórdia.
O Senhor lhe dê a graça que o seu coração jesuíta-franciscano bata ao ritmo dos sonhos do Povo de Deus, em especial daqueles que raramente têm vez e voz para afirmar a esperança.
No Papa Francisco, o estilo é o homem e não uma mera e passageira operação de charme. Está feliz por ser Papa e… dos bons.
Título original do artigo: "Papa Francisco em lua de mel"
Cón. Rui Osório
In Voz Portucalense, 01.05.2013
02.05.13

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