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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Casamentos perfeitos

Findo o acordo entre os amigalhaços da troica portuguesa, Passos, Portas e Cavaco, lá foram todos à missa de entronização do novo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Salve-se a novidade na linguagem, não seria ele a «tomar posse» da Diocese de Lisboa, mas sim a Diocese a «tomar posse dele». Um trocadilho de linguagem que sempre refresca um pouco nestes tempos tórridos de anacronismos medievais e desajustados para os tempos de hoje.
Ainda assim, desejamos coragem, firmeza e muita sorte ao novo
patriarcada de Lisboa e que leve a bom porto a renovação
que tanto se fala por aí. Mesmo que ainda esteja bem distante
percebermos o que se entende por renovação neste caso.
Felicidade é o que se deseja.
A cerimónia revestiu-se de uma comoção deveras surpreendente. Os troicados à portuguesa, lá estavam com aquele ar tão compenetrado e devoto, com direito a palmas, porque mais vale ainda para algum público católico um casamento de fachada, mesmo que debaixo de pancadaria, ofensas de toda a ordem e incompetência confrangedora, do que um divórcio que semearia o caos, segundo o modo de ver e pensar dessa tal claque católica.  Bom, palminhas senhores porque aqueles que queriam a irrevogavelmente a separação, agora merecem a nossa bênção e oração porque hoje , graças ao amor cristão e à fé católica, aquilo que os homens queriam desunir afinal o deus que nós inventamos contra o Deus que deixamos fora da Igreja, abençoa esta santa aliança de amor entre Cavaco, Passos e Portas. Se alguém falar é mais miséria, mais fome, mais desemprego, mais austeridade, entre outros bruxedos que por aí andam, sejam banidos ou mortos pelo desprezo, pela indiferença que põe fora com a frieza típica das hierarquias.
Viva a nossa troica portuguesa. Enviados três a três para nos salvarem.
São os coveiros da pátria. A imagem do nosso falhanço em oração.
Que tristeza.
Todos bem sentadinhos, de pé ou de joelhos, ouviram as rezas, os salamaleques do protocolo hermético e cauteloso destas cerimónias clericais e mais ouviram palavras bonitas sobre pobreza, desemprego, Nova Evangelização, que tem em vista essencialmente solidariedade, caridade, comunhão, unidade... E um enorme rol de palavras relacionadas com o momento que depois nunca mais se ouve senão no próximo festim. Faltou só dizer que o cardeal cessante, os senhores bispos, os sacerdotes e diáconos ostentavam paramentos antigos bordados a fio de ouro. Quantos morreram de fome ou foram escravizados até à condição da mais pura miséria para que hoje este desplante tome conta de algumas pessoas, a ver se passa, esta mais cruel ostentação, estes lautos faustosos sem Deus e sem aquele que morreu no alto da cruz, sem roupa, sem pão e com sede. E mais grave ainda se vemos que são cada vez mais os sem sorte que continuam errantes sem alforge a ter que deixar o seu país à procura de sustento ou jogados no chão da pobreza e miséria nos enormes calvários que estes poderes vão construindo em tantos cantos do nosso país.
Esta comunhão no altar da Igreja devia meter-nos vergonha e quiçá suscitar-nos nojo como alguns já referiram, porque o momento de dureza a que está votado o povo pelos os poderes deste nosso país, é de tal ordem que em nós nos provoca uma enorme irritação, basta que apareçam e se falam ainda é pior. É duro, mas é a realidade que se impõe contra a ausência de vergonha a que estes eleitos se sentem investidos.
E foram felizes para sempre! Será? - Bom, até ver,
porque isto de cumprimentos entre portas de igrejas na missa é fácil,
no dia a dia é que são elas...
Por aqui me fico. Porque não quero mais dissertar sobre um assunto que devia no contexto em que vivemos estar mais que ultrapassado, ainda mais  se tivermos em conta o empurrão e o exemplo que o Papa Francisco está passo a passo mostrando que pode ser possível.
Por fim, mais ainda este aspecto só para lembrar, no final da semana passada o Papa Francisco, em um encontro com padres e religiosas criticou o facto de alguns andarem descaradamente com automóveis topo de gama ou último modelo, que seria importante lembrarem-se quando andam com um carro desse género, que ele foi produzido à conta de muitas vítimas de fome. O mesmo se deve aplicar este pensamento em relação a todas a cerimónias faustosas bordadas a ouro para entronizar tanto vazio e dar bênção a tanta inutilidade.
Enquanto o discurso de toda a Igreja não se concentrar na denúncia forte sobre a injustiça que comanda este mundo, servem os discursos apenas para encher o que todos imaginam se chegaram com a leitura deste texto até aqui.

6 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Revº Padre José Luis Rodrigues,

Li e reli o seu texto e só consigo ver um texto carregado de ódio onde mistura tudo e todos.

Em minha opinião um Sacerdote deve ser alguém que procura unir, que seja um factor de comunhão, mas o Senhor Padre neste seu texto só divide e destroi.

Peço a Deus que Guarde o Senhor Padre, e desculpe a minha sinceridade e frontalidade.

José Tomaz

José Luís Rodrigues disse...

Caro José Tomaz. Está no seu direito de chegar às conclusões que entender após a leitura deste texto. Não tenho ódio a nada muito menos a ninguém. O ódio é um veneno que assassina quem o toma. E como posso ter ódio em relação a uma realidade que em muito pouco me diz respeito? - Reflecti sobre algo que foi público e de onde esperava um sinal exemplar. não vi, defeito meu, admito. Mais ainda no texto expressei a minha discordância em relação a alguns aspectos e precisei sobre a mistura isso sim do poder de Deus e o poder de César. Ainda mais se pensarmos que o nosso poder de César anda como anda. Apenas isso...

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Olhe Senhor Padre custou-me principalmente vê-lo julgar o nosso novo Patriarca pelos paramentos que ele usou, mas também me espantou ver um Sacerdote julgar o seu próximo como o Senhor Padre julgou as autoridades que estiveram presentes nas cerimónias.

Penso não ser esse o espírito da Igreja Católica, mas o Sacerdote é V. Revª.

Que Deus o Guarde Senhor Padre

José Tomaz

José Luís Rodrigues disse...

Amigo José quem sou eu para julgar... Um reles e pobre juiz. Apenas me limitei a analisar e refletir sobre o que vi, à luz de tanta coisa que se vai passando no mundo, na Igreja e nosso país. Se fui mais além, que Deus me perdoe. Não o fiz por maldade nem muito menos por ódio, como se referem os fracos argumentos quando querem contestar só porque sim. Um abraço e que o Espírito Santo nos ilumine a todos, é o que mais desejo e rezo pedindo para o mundo inteiro. Receba um abraço fraterno.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Senhor Padre,

Apesar desta discórdia, atrevo-me a pedir-lhe que reze por mim, tal como pode contar com as minhas orações.~

E desculpe-me se fui impertinente

Que Deus o Guarde sempre

José Tomaz

José Luís Rodrigues disse...

Caro José. Pode contar com a minha oração. Contarei com a sua. Nada é mais saudável quando não pensamos todos da mesma forma... Fez muito bem expressar o seu pensamento e discordância. Um abraço.