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terça-feira, 2 de julho de 2013

O medo da Liberdade


Nota: Texto de homenagem a tantas e tantos homens e mulheres que por esse mundo fora, vão derramando o seu sangue em nome de uma causa, de uma Pessoa e de um Evangelho... A barbárie humana é imparável.
Diz assim: 
- É uma questão que atravessa a história da humanidade e também a história do cristianismo. Há uma forte tradição de medo da liberdade e precisamente no diálogo ecuménico esse medo esteve/está muitas vezes presente, embora de forma não explícita ou admitida sequer.
Temos medo de «perder», face ao outro, perder estatuto, perder importância, perder espaço, perder razão, em última análise. Ora esse medo da liberdade do outro e também da nossa própria liberdade invalida, de imediato, qualquer diálogo válido. Como afirmou a mulher de Mahatma Gandhi, Kasturba, o oposto do amor não é o ódio mas antes o medo. O medo da liberdade é uma forma muito nociva de medo. Paralisa, infantiliza, empobrece espiritualmente e psiquicamente quem o sofre.
A liberdade atravessa a mensagem evangélica – é como se Jesus nos desafiasse a viver a liberdade – assumindo os nossos talentos e responsabilidades perante nós próprios e perante o próximo – aquele e aquela que temos que respeitar e, ainda mais difícil, amar. Jesus promete que está connosco nesta caminhada da liberdade, pelo que será um contrassenso termos medo dela. Reconhecer que todas e todos somos infinitamente diferentes e infinitamente iguais – uma constatação que tantas vezes nos escapa ou que preferimos esquecer, para não termos que assumir as consequências dessa constatação.
«Ora o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade. E nós Todos que, com o rosto descoberto, reflectimos a glória do Senhor, somos transfigurados na sua própria imagem, de glória em glória, pelo Senhor que é Espírito.» (2 Cor 3, 17,18). Perante esta imagem ficamos humildes – como é que o Senhor nos atribui tanta importância e nos chama para a liberdade dos filhos e filhas de Deus? É difícil encontrar palavras adequadas –, mas podemos e devemos procurar não ter medo do diálogo, da escuta, da atenção, às nossas irmãs e irmãos inseridos noutros espaços da grande família cristã. Ficamos confortadas – a liberdade é intrínseca ao Espírito do Senhor, pelo que não fará qualquer sentido termos medo dessa liberdade. 
Ana Vicente
Casada, mãe e avó. Autora de diversos livros, sobretudo na área da história das mulheres. Membro do Movimento Internacional ‘Nós Somos Igreja’.

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